Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do temaESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.
Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.
Principais tópicos do dia
• O mercado encerrou o pregão de quarta-feira em território negativo, com IBOV e ISE recuando 0,23% e 0,41% respectivamente.
• No Brasil, (i) aguardadas pelo mercado há quase dois anos, o governo federal editou, nesta quarta-feira, os decretos que regulamentam o combustível sustentável de aviação (SAF), a captura e estocagem geológica de carbono (CCS) e o hidrogênio de baixo carbono – as leis que incentivam essas novas tecnologias foram sancionadas em 2024, e a previsão de publicação no Diário Oficial da União é hoje; e (ii) segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), os testes de misturas até 20% de biodiesel no diesel (B20) devem ser concluídos em fevereiro de 2027, podendo resultar em uma aprovação direta ou, alternativamente, em recomendações regulatórias adicionais e ajustes na especificação (o que adiaria o aumento da mistura para agosto de 2027) – em contexto, atualmente, o teor obrigatório de biodiesel é de 15% (B15).
• Do lado das empresas, a Stellantis afirmou que está revisando sua estratégia e programação de lançamentos no Brasil diante do avanço das montadoras chinesas no mercado de veículos híbridos e elétricos – em resposta, a empresa avalia acelerar a eletrificação de seu portfólio, enquanto defende regras que favoreçam a produção nacional e se prepara para diferentes cenários tecnológicos conforme a política industrial do governo.
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Brasil
Empresas
Stellantis reformula estratégias para enfrentar os chineses
“O avanço dos chineses, que conquistaram o consumidor brasileiro com seus carros híbridos e elétricos, começa a mudar o ritmo e a programação de lançamentos. A Stellantis, maior fabricante de veículos do país, decidiu rever estratégias. Lançamentos programados poderão ser cancelados assim como outros não previstos poderão acontecer, segundo o presidente da companhia na América do Sul, Herlander Zola. O elétrico tornou-se, diz, “um bebê que tem que nascer em menos de nove meses”. Para o executivo, diante da necessidade de acelerar ou interromper planos, a Stellantis leva a vantagem de deter uma variedade de marcas e de modelos, produzidos em três fábricas. Entre as marcas que a montadora representa no Brasil – Fiat, Jeep, Ram, Peugeot e Citroën – a Jeep foi, diz o executivo, a que mais sofreu com os concorrentes chineses. “Às vezes o cliente compra um carro a combustão porque ainda não se decidiu pelo elétrico; mas quando ele opta pelo elétrico não volta atrás”, afirma. Em um ano, a marca Jeep perdeu 0,9 ponto percentual de participação nas vendas de carros e comerciais leves. Parece pouco. Mas num mercado como o de hoje, que chegou a 265,6 mil unidades em julho, isso representa perda de 2.300 veículos por mês. Segundo dados de emplacamento da Fenabrave, que representa os concessionários, a Jeep saiu do sexto lugar, com fatia de 4,33% em julho de 2025, para o décimo, com 3,43% no mês passado. Na tentativa de mudar o quadro, a Stellantis aposta no mais novo modelo Jeep, que começa a ser vendido nesta quinta-feira (13). O SUV médio Avenger é o primeiro híbrido da marca Jeep vendido no Brasil. Trata-se de um híbrido leve. Ou seja, o motor elétrico não move o carro, mas ajuda o motor a combustão e economiza combustível. A Stellantis já vende dois modelos Fiat com a mesma tecnologia. A empresa espera que o novo Jeep, que pode ser abastecido com etanol, atraia o consumidor por ser o primeiro eletrificado da sua categoria e por chegar a preços competitivos – a partir de R$ 119.990 (R$ 114.990 na promoção de pré-venda). “O cliente não diz quero um SUV A ou B; ele diz: tenho R$ 120 mil no bolso. Quais são as opções?”, diz Zola. Esse é “primeiro passo”, como define Zola, rumo à eletrificação completa, que inclui veículos que podem ser abastecidos na tomada. E, para os fãs da Jeep, o executivo antecipa que “em breve as novas gerações do Commander e do Renegade terão uma nova proposta tecnológica”. Embora avalie que a eletrificação no Brasil é mais lenta do que em outros mercados, Zola decidiu alertar a cúpula da Stellantis sobre os rumos que a demanda pode seguir a prevalecerem os preços altos do petróleo durante a guerra no Oriente médio. Em recente reunião com a diretoria global, o executivo apresentou a evolução dos preços da gasolina e da energia elétrica no Brasil. O gráfico mostrou um distanciamento crescente entre as duas curvas, destacando maior competitividade da eletricidade. “Quando se abre, esse gap torna a solução de ter um ‘plug-in’ mais atraente. Aliado a uma queda de preços abissal dos carros produzidos com custo da China, isso faz com que a velocidade (da eletrificação) aumente”, destaca. Os chineses continuarão a levar vantagem, completa Zola, a depender “das regras que o governo brasileiro usará para favorecer tecnologia A ou B”. “Por isso, precisamos ter um leque de opções para ir de um lado ou de outro”. Essa variedade inclui, diz o executivo, até produzir um carro movido apenas a etanol. “Depende do incentivo”. A Stellantis se adaptará, afirma, “ao que o governo decidir”. O executivo citou a produção de carros que chegam ao país semimontados, sistema usado hoje pela BYD. “O imposto de 35% é pouco favorável à indústria nacional visto que com essa alíquota quem cresce no mercado são os chineses que trabalham com nível de nacionalização baixo”, diz. É possível que nos próximos anos, o valor de revenda seja um ponto negativo para modelos elétricos usados chineses. Mas Zola não quer pagar para ver. “No momento atual o nível de atratividade é muito alto”, diz.”
Fonte: Valor Econômico; 13/08/2026
Produção de SAF pode chegar a 2,1 bilhões de litros em 2030
“A produção nacional de SAF (Combustível Sustentável de Aviação, em português) poderá alcançar 2,1 bilhões de litros por ano até 2030. A expectativa, segundo apurou a CNN, é de que a oferta do combustível cresça gradualmente para acompanhar a demanda prevista para os próximos anos. A intenção do governo é que as metas do decreto que regulamenta o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação, que será assinado na tarde desta quarta-feira (12), auxiliem no aumento da oferta do combustível sustentável. O documento vai estabelecer as regras para implementação do SAF no mercado brasileiro e deve regulamentar as metas graduais de redução das emissões de gases de efeito estufa na aviação doméstica. Segundo o programa, a redução das emissões precisa começar em 2027 e chegar a 10% em 2037. O avanço da política, no entanto, ocorre em meio a um debate sobre a capacidade de produção do combustível no país para atender à demanda estabelecida pela legislação. O SAF pode ser utilizado pelas companhias aéreas sem a necessidade de adaptação das aeronaves. O combustível sustentável é misturado ao querosene de aviação tradicional e utilizado nos mesmos sistemas de abastecimento. Em junho, a Petrobras concluiu a produção e comercialização do primeiro lote de SAF produzido a partir de óleo de soja. O combustível recebeu certificação de sustentabilidade e tinha 1% de conteúdo renovável na composição, percentual que atende às obrigações iniciais estabelecidas pela Lei do Combustível do Futuro. A ampliação da oferta é considerada relevante para o setor aéreo também por causa do impacto do combustível nos custos das empresas. O QAV (querosene de aviação) já representa quase 40% dos custos da aviação e o SAF tem um valor muito acima do querosene tradicional. O setor espera que com as obrigações legais de aumento do uso do combustível alinhado à redução de emissões, com a alta da produção nacional o preço do SAF caia em relação ao patamar atual. Em nota, a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) apontou que o setor “embarcou no desafio da transição energética” e que acredita na capacidade tecnológica do país para produzir o SAF, porém, afirma que o uso em larga escala do combustível sustentável “somente será viável caso haja garantia de neutralidade de custos”.”
Fonte: CNN; 12/08/2026
Por que os grandes bancos estão de olho no Eco Invest Brasil
“Lançado em 2023 pelo Ministério da Fazenda em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, dentro do “Novo Brasil – Plano de Transformação Ecológica”, o Eco Invest Brasil se tornou, em pouco tempo, um dos instrumentos mais concorridos do mercado financeiro nacional. Coordenado pelo Tesouro Nacional, o programa já realizou quatro leilões que, juntos, somam mais de R$ 140 bilhões mobilizados, segundo o Ministério da Fazenda. Com o quinto leilão, já anunciado e com expectativa de mobilizar mais R$ 50 bilhões, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, estima que o total acumulado pelo programa desde o lançamento se aproxime de R$ 200 bilhões — o equivalente a cerca de 2% do PIB brasileiro. É citado em fóruns especializados frequentemente como uma das principais apostas do mercado financeiro na transição ecológica. Nesta semana, o Senado aprovou um empréstimo de até US$ 1 bilhão do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) justamente para financiar o Eco Invest Brasil. O BID já é parceiro do programa , junto com a cooperação técnica do governo britânico. Mas o que torna o Eco Invest um programa tão bem sucedido em tão pouco tempo? Quais os diferenciais desse produto que tem por trás um instrumento financeiro, o blended finance, que é interessante, mas não é exatamente novo? Como as instituições financeiras estão se organizando internamente para participar de lances bilionários de investimentos em áreas como infraestrutura sustentável, recuperação de terras degradadas, bioeconomia, turismo sustentável, economia circular e sistemas agroflorestais? Para entender por que o modelo tem atraído tanto o interesse dos bancos quanto a demanda de clientes, e o que a equipe econômica do governo acertou no desenho do programa, o Prática ESG conversou com as áreas de sustentabilidade e crédito das principais instituições financeiras do país, que participaram dos certames. O modelo por trás desse resultado é o chamado blended finance: o Tesouro entra com capital concessional – mais barato e com prazos mais longos do que o mercado pratica — para reduzir o risco de projetos sustentáveis e atrair, na mesma operação, capital privado nacional e estrangeiro.”
Fonte: Valor Econômico; 12/08/2026
Taesa conclui compra de transmissoras da Energisa por R$ 1,64 bilhão
“A Taesa anunciou nesta quarta-feira (12) a conclusão da aquisição de cinco ativos de transmissão de energia da Energisa, em uma operação avaliada em R$ 1,638 bilhão após atualização financeira e ajustes contratuais. Com o fechamento do negócio, a Taesa assumiu o controle integral das empresas Energisa Goiás Transmissora de Energia I, Energisa Pará Transmissora de Energia I e II, além de Energisa Tocantins Transmissora de Energia e Energisa Tocantins Transmissora de Energia II. Segundo a transmissora, o valor pago corresponde ao preço-base de R$ 1,545 bilhão, definido com data-base de dezembro de 2025, corrigido pela taxa CDI até a conclusão da operação. O montante ainda poderá passar por ajustes pós-fechamento que serão apurados nos próximos 90 dias. Os ativos acrescentam cerca de R$ 305 milhões de Receita Anual Permitida (RAP) à Taesa no ciclo tarifário 2026-2027, além de aproximadamente 1,3 mil quilômetros de linhas de transmissão e capacidade de transformação de 4.494 MVA. A companhia destacou ainda que as concessões adquiridas possuem vida contratual média remanescente de 22 anos, contribuindo para alongar a duração de seu portfólio de ativos regulados.”
Fonte: Valor Econômico; 12/08/2026
Taesa quer manter ativos que terão concessão vencida em 2030: ‘Têm vida útil por muitos longos anos’
“A Taesa trabalha para manter ativos de transmissão que terão a concessão vencida a partir de 2030, disse, nesta quarta-feira (12), o presidente da companhia, Rinaldo Pecchio. Em teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre, o executivo afirmou que estão em debate as opções do governo para relicitar ativos em concessões que chegarão ao fim ou renová-las – e a empresa, segundo ele, tem condições de continuar a operar os atuais contratos. “Esperamos ser a concessionária no próximo período contratual, uma vez que esses ativos têm vida útil por muitos longos anos”, afirmou Pecchio. O executivo disse também que a empresa continua avaliando novas oportunidades de negócios, seja por aquisições, seja por projetos “greenfield” (novos ativos), com foco em geração de valor e na capacidade financeira. Nesse aspecto, segundo ele, a Taesa participou do primeiro leilão de linhas de transmissão, que foi dividido em duas fases, e avalia a participação do segundo certame, previsto para ocorrer em outubro. No entanto, segundo ele, a probabilidade de participação deste leilão é baixa, diante dos ativos que serão ofertados. Já a possível participação do leilão de sistemas de armazenamento de energia, previsto para dezembro, ainda está sendo estudada pela Taesa. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) está alinhada ao que foi projetado pela Taesa para os próximos anos, em termos de remuneração a acionistas, disse Cátia Pereira, diretora financeira e de relação com investidores da transmissora. Segundo ela, a empresa mantém a prática de distribuir 100% do lucro líquido regulatório desde 2024, quando foi tomada essa decisão, e, desde então, todas as projeções da companhia consideram esta premissa. Além disso, a entrada de novas receitas com o início da operação comercial de ativos que tiveram a construção concluída se reflete sobre o faturamento e o Ebitda da empresa, o que influi na alavancagem. “A alavancagem está bem orientada, com base no plano de negócios da companhia, disse Pereira.”
Fonte: Valor Econômico; 12/08/2026
“O setor de biometano não pode se “fiar exclusivamente” no mandato criado pela lei do Combustível do Futuro e precisa trabalhar para baixar o custo da molécula para que o mercado se desenvolva plenamente, defende o CEO da Copa Energia, Pedro Turqueto. Em entrevista ao estúdio eixos durante o 13º Fórum do Biogás, em São Paulo, na terça (11/8), Turqueto destacou que o mandato é importante para dar um “empurrão inicial” na criação de demanda e estimular os investimentos. Confira na íntegra. “Mas é muito importante para o mercado que não se fie única e exclusivamente no Combustível do Futuro para ter essa demanda garantida, e sim que a gente consiga brigar de igual para igual com as moléculas”, comentou. O executivo cita que os primeiros clientes captados pela empresa decidiram comprar apostar no biometano por uma questão da descarbonização. O desafio para conquistar novos mercados, segundo ele, está na precificação do biocombustível — o equilíbrio entre o desejo do produtor de garantir uma linha de receita mais estável possível e o do consumidor por custo. “A Copa Energia acredita muito que o mercado obviamente tem que vir com essa muleta inicial, tem que ter é uma demanda obrigatória para que os investimentos ocorram, mas a reboque desse investimento, que é para produção da molécula, você vai ter que investir em novas tecnologias para que a molécula, o biometano, fique mais barato em relação à molécula fóssil”. Principais assuntos tratados: Copa Energia atua como intermediária entre produtores e consumidores de biometano. Principal gargalo é o preço, que precisa ser competitivo com moléculas fósseis para atrair investimentos. Demanda obrigatória do Combustível do Futuro serve como impulso inicial, mas biometano precisa competir com fósseis no longo prazo. Empresa assume risco de compra da molécula e projeta 10% da receita em biometano em 10 anos.”
Fonte: Eixos; 12/08/2026
“A Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás) vê espaço para a contratação anual de 400 MW de térmicas a biogás nos leilões de reserva de capacidade (LRCAPs). Em entrevista ao estúdio eixos durante o 13º Fórum do Biogás, em São Paulo na terça (11/8), a presidente da ABiogás, Josiani Napolitano, destacou que o uso do biogás e biometano para geração flexível de energia é um dos pilares para criação de novas demandas para o gás renovável, para além do mandato da lei do Combustível do Futuro. Confira na íntegra A intenção da ABiogás é entregar o plano de criação de novas demandas para o biogás e biometano para os candidatos à Presidência da República e governadores. Josiani Napolitano cita que as usinas de geração a biogás têm, como diferencial, a flexibilidade para pronto acionamento. “Você consegue armazenar os resíduos e ele pode gerar naqueles momentos em que há de fato necessidade, sem requerer, portanto, um despacho antecipado como acontece com algumas fontes… O biogás não requer esse tipo de coisa. Então você entra na hora que precisa e você sai na hora que não precisa”, comentou. Além da geração da energia, o plano de criação de novas demandas para o biogás e biometano passam pelo potencial de substituição de diesel no transporte pesado (incluindo mobilidade urbana); além da produção de combustíveis avançados (como o etanol, CO2 biogênico) e fertilizantes. “O biometano ele pode ser utilizado tanto como insumo para produção do fertilizante nitrogenado, substituindo o gás fóssil, como também através do digestato, que é um subproduto da produção do biometano”. Principais assuntos tratados: ABiogás propõe plano com cinco frentes: transporte, energia elétrica, fertilizantes, combustíveis avançados e políticas públicas. Entidade defende 400 MW por ano em leilões de reserva de capacidade até 2035, usando atributos do biogás. Leilões federais e regulamentação do digestato (subproduto do biometano) são propostas para reduzir 80% da importação de fertilizantes. Plano será apresentado a candidatos e governos, com potencial de gerar 251 mil empregos. Associação defende ampliação da meta de biometano além de 0,5%, com curva plurianual de 5 anos.”
Fonte: Eixos; 12/08/2026
Ambientalistas questionam instalação de data center na Amazônia
“A área portuária de Miramar, em Belém (PA), deve receber o BEL1, primeiro data center voltado para Inteligência Artificial da Amazônia. O projeto é da Elea Data Centers. A construção já é alvo de questionamentos sobre os possíveis impactos ambientais e sociais na região. Em julho deste ano, o Ministério Público do Estado do Pará instaurou um inquérito civil sobre a legalidade da instalação do empreendimento e os possíveis impactos no município de Barcarena. De acordo com um levantamento inicial realizado pela 1ª Promotoria de Justiça de Barcarena, estruturas de data centers instaladas em outras localidades já são alvo de estudos e denúncias relacionadas a possíveis impactos sociais e ambientais. Entre os pontos levantados estão o aumento da temperatura no entorno das instalações, com possibilidade de formação de “ilhas de calor”, além do elevado consumo de água utilizado em determinados sistemas de refrigeração. Também estão entre as preocupações a alta demanda por energia e os possíveis impactos sobre a qualidade de vida das comunidades que vivem no entorno. Qual será o tamanho do projeto? Segundo informações divulgadas pela Elea Data Centers, o início da operação do BEL1 está previsto para o segundo trimestre de 2027. A primeira fase terá capacidade de 7,5 megawatts (MW), com possibilidade de expansão para até 100 MW nas etapas seguintes. A Elea será responsável pela operação do data center, enquanto a Axia ficará encarregada do fornecimento da energia para o projeto — que, segundo a empresa, será 100% renovável. A instalação de um data center na Amazônia levanta preocupações específicas por causa das características ambientais da região. Entre os principais pontos de atenção estão o consumo de água, a demanda energética, o aumento da temperatura local e os possíveis impactos sobre as comunidades do entorno. O analista de Clima e Meio Ambiente da CNN, Pedro Côrtes, explica que os data centers de IA são empreendimentos intensivos em infraestrutura, que demandam muita energia, geram grandes volumes de calor e podem produzir impactos relacionados ao uso de água. “Na Amazônia, essa avaliação precisa ser ainda mais cuidadosa.”
Fonte: CNN; 12/08/2026
Política
Abertura do mercado livre de energia dá novo passo
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, na quarta-feira (12), o decreto que regulamenta e cria regras para a abertura do mercado livre de energia para todos os consumidores. Na prática, a partir de novembro de 2028, todos os consumidores, incluindo os residenciais, poderão escolher de quem comprar energia. A abertura do mercado para todos os consumidores é um pleito antigo de parte do setor elétrico e foi aprovada pelo Congresso no ano passado. Atualmente, o ambiente livre, no qual é possível escolher o fornecedor e negociar o preço da energia, é restrito a consumidores conectados em alta tensão, como grandes indústrias. De acordo com a nova lei, consumidores industriais e comerciais atendidos em baixa tensão poderão escolher de quem comprar energia a partir de 25 de novembro de 2027. Para os demais consumidores, a possibilidade estará disponível a partir de 25 de novembro de 2028. A assinatura foi feita em cerimônia no Palácio do Planalto com a presença de ministros, representantes do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e de empresas do setor. O decreto assinado na quarta pelo chefe do Executivo também estabelece as regras para a migração ao Ambiente de Contratação Livre (ACL), incluindo os requisitos para formalizar a opção e a representação por agentes varejistas no país. A regulamentação prevê ainda o Supridor de Última Instância (SUI), responsável por garantir o fornecimento de energia caso o fornecedor escolhido pelo consumidor deixe de prestar o serviço. Até 31 de dezembro de 2030, a função será exercida pelas distribuidoras de energia elétrica. Depois desse período, outros agentes poderão desempenhar a atividade, conforme regulamentação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Nesta semana, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o governo estima uma redução de cerca de 20% na parcela referente à compra de energia da conta de luz dos consumidores. O percentual, ressaltou, não representa uma queda equivalente na tarifa total, que inclui outros componentes, como os custos de distribuição e encargos do setor. Segundo Silveira, a projeção considera a diferença observada atualmente entre os preços pagos por consumidores que já têm acesso ao mercado livre e aqueles atendidos pelas distribuidoras. A regulamentação também deverá estabelecer mecanismos para possibilitar que a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) organize a atuação dos comercializadores de energia. Diversas empresas do segmento apresentaram problemas financeiros nos últimos meses. No mesmo evento, Lula também assinou decreto que regulamenta a Política Nacional do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono. O normativo operacionaliza instrumentos de governança, certificação, incentivos fiscais e estímulo a investimentos, além de estabelecer as bases para o Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2) e o Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (PHBC).”
Fonte: Valor Econômico; 13/08/2026
Depois de quase dois anos, governo tira SAF, CCS e hidrogênio do limbo
“O governo federal editou nesta quarta (12/8) os decretos que regulamentam o combustível sustentável de aviação (SAF), a captura e estocagem geológica de carbono (CCS) e o hidrogênio de baixo carbono. A previsão é de publicação dos textos no Diário Oficial da União de quinta (13). As regulamentações eram aguardadas pelo mercado há quase dois anos. As leis que incentivam essas novas tecnologias foram sancionadas em 2024, e integram as principais frentes da política de descarbonização do governo federal: SAF para agregar valor às commodities agrícolas, CCS para viabilizar a expansão da produção de petróleo com menor pegada de carbono, e hidrogênio para alavancar hubs industriais verdes. No caso do SAF, o decreto institui o Programa Nacional de Certificação do Combustível Sustentável de Aviação, com regras para garantir a rastreabilidade ao longo da cadeia de produção. Além do CS-SAF, um certificado que permitirá negociar o atributo ambiental do combustível sustentável. A intenção é viabilizar o book and claim, um mecanismo que permite que uma companhia aérea comprove o abatimento de emissões mesmo que o SAF não esteja disponível nos aeroportos onde opera. Na prática, ela paga pelo combustível de baixo carbono, mas ele pode ser usado por outras empresas que abastecem onde existe oferta. A expectativa do governo é dar o pontapé na produção nacional de um produto cuja demanda internacional está cada vez mais aquecida. E a tendência é aumentar, a partir do ano que vem, quando começa a fase obrigatória do Corsia — acordo da aviação civil internacional para neutralidade climática até 2050. Dados do Ministério de Minas e Energia (MME) apontam que a produção nacional de SAF poderá alcançar 2,1 bilhões de litros em 2030 e 3,6 bilhões de litros em 2035. Além de evitar a emissão de mais de 8 milhões de toneladas de CO₂ ao longo de dez anos, com o mandato do Combustível do Futuro. Pela lei, a partir de 2027, as companhias aéreas terão que descarbonizar 1% de suas operações com uso de SAF. O mandato deverá evoluir gradualmente até alcançar 10% de descarbonização em 2037. Também um desdobramento do Combustível do Futuro, o decreto do CCS determina, entre outros pontos, que o MME, com apoio da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), elabore um plano nacional de infraestrutura para orientar a implantação de áreas de captura, transporte e armazenamento geológico de carbono, com revisão a cada dois anos.”
Fonte: Eixos; 12/08/2026
“Os testes de misturas até 20% de biodiesel no diesel (B20) devem ser concluídos em fevereiro de 2027, disse a diretora do Departamento de Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Lorena Mendes, a jornalistas nesta quarta-feira (12/8), durante a VII Biodiesel Week, organizada pela União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), em Brasília. “Até fevereiro de 2027, nós devemos finalizar toda a etapa de execução do plano de testes e termos o relatório final, que nós podemos ter dois grandes cenários. Um primeiro de aprovação direta ou podemos ter também recomendações regulatórias, ajustes na especificação, e nesse cenário a expectativa é ali para agosto de 2027”, disse Mendes. Atualmente, o teor obrigatório de biodiesel é de 15% (B15). A lei do Combustível do Futuro propõe o aumento progressivo da mistura de biodiesel em 1% até chegar a 20% (B20) em 2030. A meta era avançar para 16% em março deste ano, entretanto, o MME ainda realiza os testes desse teor. A pasta dividiu os testes em duas etapas: misturas acima dos 15% já validados até o percentual de 20%; e teores até o B25. A primeira etapa já está em andamento. Segundo Mendes, o ministério iniciou neste mês a execução do plano de testes. De acordo com o secretário Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do MME, Renato Dutra, o governo ainda não tem certeza qual será a próxima elevação da mistura. O cronograma da legislação é uma sugestão; a decisão cabe ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). “Não temos uma determinação sobre isso ainda, mas o que a gente pode dizer é: uma vez concluídos os testes do B20 e havendo a constatação da viabilidade técnica, em tese já há a possibilidade de se elevar o teor até o B20”, afirmou Dutra a jornalistas, durante da Biodiesel Week. “Já houve no passado, por exemplo, decisões do Conselho que elevaram o teor de biodiesel em 2 pontos percentuais (p.p.), por exemplo, não necessariamente 1 p.p”, completou. Para os produtores de biodiesel, no entanto, o cronograma está aquém das expectativas e o país já poderia adotar 18% de mistura em 2027. “O ideal já está atrasado. Se falava que poderíamos crescer [o percentual da mistura] 1% ao ano. De 2007, quando começou a mistura, até hoje, já daria 19%”, critica Irineu Boff, presidente do Conselho da Ubrabio e fundador da produtora de biodiesel Oleoplan. “Este ano deveria ser 16%, no ano que vem 17%, mas se a gente conseguir dar um pulo de 1% ao ano, a gente pode chegar a 18% ano que vem”, comentou. Segundo o executivo, há um esforço coordenado pela indústria para viabilizar a conclusão de parte dos ensaios para permitir avançar com a mistura ainda em 2026.”
Fonte: Eixos; 12/08/2026
Senado autoriza operação de crédito de US$ 1 bi para o programa Eco Invest Brasil
“O Plenário do Senado autorizou nesta terça-feira (11/8) a contratação de crédito externo entre o Brasil, por meio do Ministério da Fazenda, e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O valor do contrato, de até US$ 1 bilhão, será destinado ao Eco Invest Brasil, programa federal voltado à mobilização de capital para investimentos verdes e sustentáveis e a melhorias no ambiente de negócios. Mais cedo, o projeto que trata do assunto (PRS 29/2026) havia sido aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), onde foi relatado pelo senador Esperidião Amin (PP/SC). O programa Eco Invest Brasil tem como objetivo contribuir para o crescimento sustentável e para a transformação ecológica do país. Entre as medidas previstas, estão o fortalecimento das políticas públicas nessa área, a atração de investimentos verdes e sustentáveis e melhorias na sustentabilidade fiscal. A matéria segue para promulgação.”
Fonte: Eixos; 12/08/2026
A CVM tirou a régua — o mercado segue míope
“Em 29 de maio, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) voltou atrás. Revogou a regra que tornaria obrigatória a divulgação de informações financeiras sobre clima e sustentabilidade pelas companhias abertas, e devolveu o assunto ao terreno voluntário de onde ele tinha vindo. O Brasil, que havia sido o primeiro país do mundo a tornar compulsórios os padrões internacionais de reporte, recuou. As reações vieram depressa e em dois campos previsíveis: de um lado, o alívio das empresas que reclamavam do custo; de outro, o alarme de quem enxergou ali um retrocesso. Os dois lados discutem com energia o mesmo ponto, e tenho a impressão de que é o ponto errado. Para um investidor, a pergunta que interessa não é se a regra caiu, mas o que a queda dela revela sobre uma coisa que o mercado faz mal com norma ou sem norma: ler os impactos financeiros negativos e positivos das questões climáticas nos balanços. Os efeitos do clima e da natureza sobre o valor de uma empresa são reais, estejam num relatório ou não. O custo de carbono que pesa sobre indústrias intensivas, o risco de uma seca sobre uma hidrelétrica, o de uma enchente sobre ativos imobiliários, a fertilidade que um solo ganha ou perde de uma safra para a outra, continua exatamente onde estava no dia 28 de maio, com ou sem divulgação. Uma norma de transparência não cria nem apaga esses fatos; no máximo, os torna visíveis. Retirar a obrigação de reportar não retira, portanto, nada da realidade econômica que estava sendo reportada. O que se perde é outra coisa, mais sutil e ainda assim importante. O que se perde é uma chance de ensinar o mercado a enxergar aquilo que ele ainda enxerga mal. Porque existe um tipo de valor que o mercado lê com facilidade e outro que ele lê com atraso crônico, e a diferença entre os dois orienta boa parte do meu trabalho. O mercado é rápido para precificar o que uma empresa captura no presente: a margem do trimestre, o preço da safra, a ameaça de um concorrente ou novas tecnologias. É lento para precificar o que uma empresa cria ao longo do tempo, porque essa criação acontece nos sistemas de que a empresa depende e que não cabem numa linha de balanço, tais como a qualidade do solo, a confiabilidade da energia, a saúde da água, a relação com quem trabalha, fornece, vizinha e regula. Esse valor se acumula devagar, em silêncio, e costuma aparecer no preço só quando já é tarde, ou quando alguma coisa quebra. Um relatório obrigatório, padronizado e auditado seria um instrumento imperfeito, mas real, para encurtar essa demora e ajudaria o preço a reconhecer mais cedo um valor que existe antes de ser reconhecido.”
Fonte: Capital Reset; 12/08/2026
Internacional
Empresas
Ações da Vestas disparam com a recuperação das encomendas de turbinas eólicas
“As ações da Vestas subiram mais de 20% depois que a maior fabricante de turbinas eólicas do mundo elevou sua projeção de lucro e anunciou uma nova recompra de ações, impulsionada pelo aumento dos pedidos. Em seus resultados do segundo trimestre, a empresa listada em Copenhague informou que os pedidos de turbinas eólicas cresceram mais de € 1 bilhão em comparação com o mesmo período do ano anterior, elevando também sua previsão de lucro operacional para o ano todo. A Vestas também recomprará € 400 milhões em ações até o final do ano. Essa recuperação ocorre em um momento em que parques eólicos continuam sendo desenvolvidos rapidamente ao redor do mundo e diversos governos e outros compradores aumentaram os preços que estão dispostos a pagar por novos projetos. A recompra de ações é a maior de uma série anunciada nos últimos 18 meses, à medida que a Vestas se recupera de um período difícil no início da década de 2020, marcado por custos elevados e restrições na cadeia de suprimentos. “Sabemos da paciência que nossos acionistas tiveram conosco, especialmente em 2022 e 2023. Agora é o momento de devolver esse capital aos nossos acionistas”, disse o CEO Henrik Andersen. A empresa informou que os novos pedidos de turbinas saltaram de dois gigawatts (ou € 2,2 bilhões) no segundo trimestre do ano passado para 3,35 gigawatts (ou € 3,4 bilhões) no mesmo período deste ano. Sua carteira total de pedidos de turbinas soma agora 32,5 GW, avaliados em € 36 bilhões. A Vestas registrou um lucro operacional ajustado de € 446 milhões no segundo trimestre — contra apenas € 57 milhões no ano anterior —, com uma margem de 9,4% antes de itens especiais. Andersen afirmou que este foi “um dos melhores segundos trimestres que já tivemos”.”
Fonte: Financial Times; 12/08/2026
Empresas de exploração de petróleo na Groenlândia adiam plano controverso de perfuração
“Um consórcio de exploradores independentes ligado ao Dr. Phil — apresentador de TV alinhado a Donald Trump — teve o desenvolvimento de reservas de petróleo na Groenlândia, avaliadas em “US$ 1 trilhão”, atrasado após o governo da ilha afirmar que o grupo não tinha direito de perfurar na região do Ártico. O presidente Trump afirmou repetidamente que os EUA assumiriam o controle da Groenlândia — um território semiautônomo pertencente à Dinamarca, também membro da OTAN — como parte de uma nova e agressiva abordagem americana à geopolítica e à extração de recursos. Na quarta-feira, a empresa britânica de exploração 80 Mile informou que seus planos para a Bacia de Jameson Land enfrentavam atrasos devido à necessidade de obter as licenças e aprovações regulatórias adequadas. “Embora estejamos decepcionados com o impacto no cronograma do programa de perfuração em Jameson, a empresa permanece totalmente comprometida em avançar com este projeto de grande potencial”, disse o diretor executivo da 80 Mile, Rod McIllree. Atuando principalmente no setor de mineração, a 80 Mile assinou um acordo de cessão de direitos (farm-out) com a Greenland Energy — empresa listada nos EUA — pelo qual 70% do ativo seriam transferidos para a exploradora americana em troca da perfuração de dois poços de petróleo. Apesar do entusiasmo em torno do potencial petrolífero da Groenlândia, há mais de uma década a Cairn Energy gastou cerca de US$ 1 bilhão na busca por petróleo, mas não obteve sucesso. A Groenlândia suspendeu a emissão de novas licenças de petróleo em 2021 por questões ambientais, mas a 80 Mile detém direitos históricos de exploração na região de Jameson. No final de julho, o governo da Groenlândia emitiu um “aviso severo” à 80 Mile e à Greenland Energy após surgirem relatos de que as empresas haviam transportado equipamentos avaliados em US$ 60 milhões para a ilha. “Todas as futuras questões logísticas devem ser comunicadas e aprovadas pela autoridade de recursos minerais antes de serem executadas”, afirmou o governo em comunicado. Na terça-feira, a Greenland Energy divulgou uma nota informando que seus esforços de perfuração seriam adiados para o “inverno de 2027” devido à “complexidade do projeto”. Suas ações caíram um terço na quarta-feira em resposta ao adiamento. A Greenland Energy, que nunca operou em outra região petrolífera, pretende desenvolver o projeto na costa leste da Groenlândia, área que descreve como “uma das maiores bacias de hidrocarbonetos convencionais subexploradas do mundo ocidental”. Uma estimativa inicial aponta para um volume de 13 bilhões de barris de petróleo, mas os geólogos que definiram esse número o classificaram como “altamente especulativo”. “[Nós] continuamos comprometidos em avançar com [este] programa de exploração de petróleo de forma responsável, em conformidade com o processo regulatório da Groenlândia e em total observância às exigências das autoridades groenlandesas”, afirmou Robert Price, CEO da empresa.”
Fonte: Financial Times; 12/08/2026
Política
Corte na produção de painéis solares na China não reverte queda acentuada de preços
“A indústria chinesa de painéis solares permanece presa em uma guerra de desgaste, com fabricantes relutantes em reduzir o excesso de capacidade por medo de perder participação de mercado. Com isso, as empresas vêm mantendo os preços bem abaixo dos níveis observados antes de uma onda de expansão da produção ocorrida há alguns anos. A produção de painéis solares entre janeiro e junho caiu 35% em relação ao ano anterior, atingindo 201 gigawatts, segundo a Associação da Indústria Fotovoltaica da China (CPIA) — a primeira queda anual desde a criação do grupo, em 2014. Os fabricantes chineses de painéis começaram a aumentar drasticamente a produção por volta de 2022, quando a alta nos preços da energia, decorrente da invasão da Ucrânia pela Rússia, estimulou expectativas de maior demanda. No entanto, o avanço da oferta superou o crescimento da demanda, levando os fabricantes a disputar participação de mercado e derrubando os preços. O excesso de oferta, que gera uma competição de preços desenfreada — uma dinâmica que a China chama de “involução” —, surgiu em diversos setores, desde veículos elétricos até restaurantes. Em 2024, o governo do presidente Xi Jinping começou a trabalhar para combater esse problema. No verão passado, o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação realizou uma mesa-redonda com executivos dos principais fabricantes de painéis solares;. Na ocasião, uma autoridade do ministério discutiu o controle da competição excessiva de preços por meio de medidas como a redução da capacidade produtiva das empresas. Mais de um ano depois, Liu Yiyang, secretário-geral executivo da CPIA, afirmou no mês passado, durante um evento do setor na cidade de Ningbo, que a queda na produção do primeiro semestre “sinaliza que uma reversão é iminente”. Contudo, a analista da BloombergNEF, Youru Tan, argumenta que a queda se deveu mais à retração da demanda chinesa por novas instalações solares do que às políticas de combate à “involução”. A nova capacidade de geração solar instalada entre janeiro e junho despencou 66% em relação ao ano anterior, para 72 GW, segundo a Administração Nacional de Energia da China. Esse resultado marcou uma desaceleração em relação ao pico de demanda observado no ano passado, impulsionado por mudanças nas tarifas de incentivo à conexão à rede (“feed-in tariffs”). Este é o primeiro ano do mais recente plano econômico quinquenal da China, e muitos governos locais ainda não divulgaram planos detalhados para promover energias renováveis durante esse período. “As empresas estão adotando uma postura de espera enquanto aguardam medidas concretas”, disse Junko Okazaki, da consultoria RTS, sediada em Tóquio. Fabricantes de painéis buscam impulsionar as exportações, mas, dada a imensa dimensão do mercado chinês — que responde por cerca de 60% das novas instalações em todo o mundo —, é difícil compensar as quedas nesse mercado com vendas para outras regiões. Outros países também veem com maus olhos a exportação de “deflação” pela China, por meio de uma enxurrada de produtos de baixo custo. Além disso, a Índia e os Estados Unidos estão trabalhando para desenvolver suas próprias indústrias de fabricação de equipamentos solares.”
Fonte: Valor Econômico; 13/08/2026
“Os preços nas rotas de navegação mais movimentadas do Canal do Panamá atingiram um novo recorde, à medida que a queda nos níveis de água — associada a um fenômeno El Niño que se intensifica — e a forte demanda impulsionada pela guerra no Irã restringem o tráfego. Os leilões diários para uma vaga de trânsito em agosto, através das eclusas mais utilizadas do canal, registraram uma média de cerca de US$ 1,1 milhão até agora neste mês; esse valor é mais de 16 vezes superior ao preço médio do mesmo período do ano passado. Os preços dispararam desde que o bombardeio ao Irã, liderado pelos EUA e por Israel, começou em 28 de fevereiro, levando ao fechamento do Estreito de Ormuz. Paralelamente, o fortalecimento do El Niño — um aquecimento das temperaturas da superfície do Oceano Pacífico que pode causar secas severas e invernos mais quentes — começou a se desenvolver em junho e pode ser mais intenso do que o habitual este ano, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA). Os preços estão subindo porque a previsão é de que os níveis mais baixos de água limitem a quantidade de carga que os navios podem transportar pelo canal e, potencialmente, reduzam o número de vagas de passagem mais adiante neste ano. “O problema atual é que os níveis de água estão caindo continuamente, algo que não deveria acontecer entre maio e dezembro”, afirmou Ross Griffith, chefe de precificação de fretes para as Américas na Argus. O El Niño deste ano já prejudicou o tráfego fluvial na Europa, afetando rios como o Reno e o Danúbio, o que resultou no cancelamento de cruzeiros e no redirecionamento de cargas. Enquanto isso, o fechamento do Estreito de Ormuz — um ponto estratégico por onde passa um quinto do petróleo mundial — forçou compradores asiáticos a aumentar as aquisições de petróleo bruto e derivados provenientes da Costa do Golfo dos EUA, impulsionando a demanda e os preços para o trânsito pelo Canal do Panamá. Nas últimas semanas, o preço médio para utilizar as eclusas maiores do canal — que acomodam embarcações de maior porte — atingiu US$ 2,5 milhões, o valor mais alto já registrado em leilões desse tipo, segundo dados compilados pela Argus. Desde 28 de julho, os preços em alguns leilões individuais para as eclusas Neopanamax e Panamax chegaram a US$ 3,78 milhões e US$ 2,63 milhões, respectivamente. As denominações das eclusas referem-se aos tamanhos dos navios com base em sua capacidade de carga. Proprietários de grandes embarcações que utilizam frequentemente o Canal do Panamá — como grandes navios porta-contêineres e empresas de transporte de gás liquefeito de petróleo — geralmente reservam horários de passagem com antecedência a tarifas fixas, habitualmente bem abaixo dos preços médios de leilão, em vez de disputar vagas nos leilões diários. No entanto, até 30% do tráfego total do canal pode ocorrer por meio da participação nos leilões diários, em vez da reserva antecipada de horários.”
Fonte: Financial Times; 12/08/2026
Mudança climática é uma “ameaça existencial” às áreas verdes da Inglaterra, aponta estudo
“As mudanças climáticas representam uma “ameaça muito clara e existencial” para mais de 2.800 parques e jardins históricos em toda a Inglaterra, segundo um novo estudo. Constatou-se que áreas verdes de Londres — incluindo os oito Parques Reais (Royal Parks) da capital — foram afetadas negativamente por condições climáticas cada vez mais extremas. O relatório, publicado pelo National Lottery Heritage Fund e pela Historic England, surge num momento em que o Reino Unido enfrentou o mês de julho mais seco desde o início dos registros, com mais de dois terços da Inglaterra declarados em situação de “seca relâmpago” (flash drought). Verões mais quentes e secos estão sobrecarregando plantas e solos, causando a perda de árvores adultas e arbustos em áreas que historicamente não eram propensas à seca, segundo os pesquisadores. Gestores dos locais relataram dificuldades em lidar com ameaças à saúde das plantas e com a perda de grupos inteiros de vegetação devido a doenças, afetando espécies como buxo, freixo, castanheiro-europeu e carvalho. Enquanto isso, durante o inverno, sistemas obsoletos de drenagem e caminhos muitas vezes não suportaram a intensidade das chuvas. Solos encharcados podem causar erosão e instabilidade nas árvores, e houve relatos de inundações em alguns locais pela primeira vez. Enquanto imagens de áreas verdes ressecadas continuam a circular, o Met Office (serviço meteorológico britânico) emitiu, na quinta-feira, um raro alerta de nível laranja para calor extremo em partes da Inglaterra, onde as temperaturas poderiam chegar a 38°C. “Está claro que nossos parques, jardins e cemitérios históricos enfrentam desafios sem precedentes devido às mudanças climáticas e que, sem apoio e orientação urgentes, muitas dessas paisagens preciosas sofrerão danos e mudarão a ponto de se tornarem irreconhecíveis”, afirmou Drew Bennellick, chefe de políticas para terra, mar e natureza do National Lottery Heritage Fund.”
Fonte: Financial Times; 12/08/2026
Índices ESG e suas performances


(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG)..
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