Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do temaESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.
Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.
Principais tópicos do dia
• O pregão de terça-feira fechou em leve queda, com o IBOV e o ISE recuando 0,27% e 0,73%, respectivamente.
• No Brasil, (i) a Ultragaz inaugurou a sua primeira estação própria de abastecimento de biometano do país, localizada em Paulínia, interior de São Paulo, com capacidade para fornecer até 20 mil m³ de biometano por dia e atender cerca de 200 caminhões – segundo a companhia, o uso do biometano na operação deve reduzir em cerca de 960 toneladas as emissões diretas de CO₂ por ano; e (ii) o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou que a companhia ainda não tomou uma decisão sobre a entrada em novas commodities, como terras-raras, e segue estudando oportunidades – segundo o executivo, a expectativa é que esses minerais ganhem maior relevância nas próximas décadas, diante do avanço da digitalização global e oportunidades para desenvolver cadeias integradas de terras-raras fora da China.
• No internacional, segundo projeções da S&P Global Energy, a adição de capacidade de energia limpa nos EUA deve aumentar em um recorde de 45 gigawatts este ano, volume cerca de 25% superior ao recorde anterior, estabelecido em 2024 – a guerra do Irã, que elevou os preços globais de energia, juntamente com a crescente demanda de energia por parte de data centers de IA e a corrida dos desenvolvedores para aproveitar créditos fiscais prestes a expirar, estão impulsionando o boom das tecnologias limpas, afirma a S&P.
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Brasil
Empresas
Brasil precisa discutir seu papel na solução da crise do clima, dizem investidores
“Dois executivos pioneiros no restauro florestal da Amazônia e da Mata Atlântica, o economista Arminio Fraga, conselheiro e investidor da re.green, e Marcelo Medeiros, presidente do conselho e cofundador da empresa que lidera o setor no país, acreditam que o Brasil pode ser o principal ator na remoção de CO2 da atmosfera. Tanto Arminio quanto Medeiros, contudo, manifestam preocupação com a proposta de regulamentação da exportação de créditos de carbono que esteve em consulta pública pelo Ministério do Meio Ambiente. Nesta entrevista explicam as críticas ao limite à exportação dos créditos e dizem que o que é preciso não é uma cota negociada entre governo e setor privado, mas uma discussão de Estado: que papel o Brasil quer ter na solução da crise climática. Valor: Os senhores dizem que o Brasil pode se tornar líder mundial na remoção de CO2 da atmosfera. Podem explicar? Marcelo Medeiros: A humanidade enfrenta o grave problema do aquecimento global. Hoje são cerca de 50 bilhões de toneladas de CO2 anuais que o mundo lança na atmosfera. Cortar emissões de gases-estufa é indispensável, mas a conta climática global não fecha sem que se removam da atmosfera entre 7 bilhões de toneladas de CO2 e 9 bilhões de toneladas de CO2 por ano até 2050. É aqui que o Brasil tem a oportunidade e a obrigação de exercer papel decisivo.”
Fonte: Valor Econômico; 19/08/2026
Guia busca reverter aumento das emissões de metano
“Em meio a um aumento persistente das emissões de metano do Brasil ao longo dos últimos anos, o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), ligado ao Observatório do Clima, lançou ontem um guia com 37 medidas que o país pode adotar para reverter o atual cenário relacionado às mudanças climáticas. Endereçado ao setor público e privado, o documento divide as propostas entre os três setores que concentram a maior parte das emissões de metano do país, com ênfase na atividade agropecuária, responsável por 75,8% das emissões brasileiras de metano. Em 2024, o setor lançou 15,7 milhões de toneladas do gás na atmosfera, sendo mais de 90% provenientes da criação de gado bovino, segundo o SEEG. “A bovinocultura de corte e de leite, como outros animais ruminantes, é onde tem a maior parcela das emissões de metano do setor agropecuário. Então, com certeza, a maior parcela dessas soluções será destinada para essa sub-setor”, ressaltou o coordenador da Iniciativa de Ciência do Clima do Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), Gabriel Quintana, durante a apresentação do guia. O instituto foi responsável por elaborar as propostas para o setor agropecuário, reunindo ao todo 15 medidas que abrangem planejamento territorial, assistência técnica, acesso ao crédito e mudanças no manejo dos sistemas produtivos e dos resíduos da produção animal. “Todas essas soluções foram baseadas pensando no que já existia de marcos regulatórios, políticas públicas e no próprio Plano ABC+ mais, com as soluções que estão associadas com a mitigação de metano”, afirmou Quintana. Entre as propostas, estão o zoneamento aplicado ao planejamento territorial, a transferência de tecnologias conservacionistas, a ampliação da assistência técnica e da extensão rural, linhas de crédito para práticas agropecuárias conservacionistas e incentivos ao consumo de alimentos de menor emissão.”
Fonte: Valor Econômico; 19/08/2026
Ultragaz inaugura sua primeira estação própria de biometano do país em Paulínia
“Dentro da estratégia de descarbonização da empresa, a Ultragaz inaugurou, na semana passada, a sua primeira estação própria de abastecimento de biometano do país. A base fica em Paulínia, interior de São Paulo, com capacidade para fornecer até 20 mil m³ de biometano por dia e atender cerca de 200 caminhões. Segundo a Ultragaz, o uso do biometano na operação deve reduzir em cerca de 960 toneladas as emissões diretas de CO₂ por ano. A frota abastecida em Paulínia atende cerca de seis mil clientes empresariais por mês no interior de São Paulo. Entre janeiro e abril de 2026, o volume transportado pela operação ultrapassou 9,3 mil toneladas de GLP, o gás de cozinha. Nos planos da Ultragaz está a expansão de bases de biometano, com novas bases previstas em outros estados a serem definidos. Atualmente, a empresa atende cerca de 11 milhões de famílias e 53 mil empresas em 22 estados e no Distrito Federal. O Brasil é o sexto maior mercado de GLP do mundo, com consumo de 7,7 milhões de toneladas por ano e uso por 91% das famílias brasileiras, segundo o Sindigás (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo). A produção nacional de biometano cresceu 75% entre 2024 e 2025. A ANP (Agência Nacional do Petróleo) tinha 21 plantas autorizadas em junho de 2026, com outras 48 em processo de autorização.”
Fonte: Folha de São Paulo; 18/08/2026
Vale ainda não decidiu entrar em terras-raras, diz presidente
“O presidente da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou, nesta terça-feira (18), que a companhia ainda não tomou uma decisão sobre a entrada em novas commodities, como terras-raras, e segue estudando oportunidades. Segundo o executivo, entre os principais desafios, estão a escala e a tecnologia de refino, hoje concentrada na China. A empresa mantém o foco em commodities nas quais já possui conhecimento e vantagens competitivas, como minério de ferro, cobre e níquel. “Hoje, não tomamos ainda nenhuma decisão de avançar sobre outras commodities, mas seguimos estudando outras commodities, como, por exemplo, o lítio, que sempre estamos estudando, se faz sentido entrar e como entrar” disse Pimenta a jornalistas, após o fórum “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”, promovido pela Editora Globo e pela Vale, em Brasília. Pimenta afirmou que o mercado de terras-raras ainda é pequeno em relação a outros, como minério de ferro e cobre, apesar de sua importância geopolítica. A expectativa, porém, é que esses minerais ganhem maior relevância nas próximas décadas, diante do avanço da digitalização global. “O grande desafio sempre foi a escala e a questão do refino, da tecnologia de refino, porque está todo hoje controlado na China”, afirmou. Segundo o executivo, há discussões na indústria para desenvolver cadeias integradas de terras-raras fora da China, com acordos comerciais que possam viabilizar esses investimentos em outros mercados. Estados Unidos, Europa e países asiáticos têm buscado o Brasil como parceiro nesse processo, citou o executivo. “Eu diria que a gente ainda está numa etapa de estudo. No caso da Vale, acho que estamos focados nas grandes commodities e avaliando se há caminho a seguir nas commodities que ainda não alcançaram escala”, reforçou. Atualmente, a maior parte do capital da Vale está concentrada em negócios nos quais a empresa considera já ter conhecimento e vantagem competitiva, como minério de ferro de alto teor em Carajás, cobre e níquel. Pimenta destacou ainda a posição da companhia como maior produtora de níquel do mercado ocidental. O executivo afirmou que a empresa acompanha de perto a discussão sobre a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, em tramitação no Senado, e vê avanços na proposta. “No final, o que a gente quer, como a gente comentou mais cedo hoje, é destravar o potencial minerário do Brasil. Então, facilitar o desenvolvimento dos projetos com rigor ambiental, com rigor social, é a nossa missão. O decreto tem vários avanços, outras questões que a gente acha que ainda podem ser melhoradas”, disse. Questionado sobre os pontos que poderiam ser aprimorados, Pimenta afirmou que um dos principais desafios do país é ampliar a capacidade de processamento e acelerar o licenciamento ambiental de projetos estratégicos. Como alternativa, sugeriu a criação de forças-tarefas nos órgãos envolvidos para reduzir o tempo necessário ao desenvolvimento desses empreendimentos. “Se a gente identificar que o Brasil tem 10 ou 20 projetos que são transformacionais, a gente poderia, talvez, criar forças-tarefas em todos os órgãos para poder acelerar o desenvolvimento, para que não leve 15 anos, para que leve 8 ou 10 anos. Então, esse é o tipo da coisa que a gente vem trabalhando e tratando para que a gente possa, no final, acelerar”, afirmou. Pimenta ressaltou que a redução dos prazos deve ocorrer “com todo o rigor ambiental necessário”. Durante o evento, o presidente da Vale também defendeu que o Brasil volte a desenvolver “megaprojetos” de mineração. Segundo Pimenta, o último empreendimento desse porte desenvolvido no país, no Pará, tem cerca de dez anos. “Nós temos capital, temos como fazer, temos conhecimento interno. A gente precisa entender que esses projetos vão mover o ponteiro. A gente tem a infraestrutura e precisa acelerar o desenvolvimento desses projetos”, afirmou.”
Fonte: Valor Econômico; 18/08/2026
Sem consenso e com disputa societária, Pontal-Thopen pede recuperação judicial
“O Grupo Pontal-Thopen reviu sua estratégia e antecipou o pedido de recuperação judicial. No mês passado, o conjunto formado por 54 empresas que atua principalmente no mercado de geração distribuída de energia elétrica, já havia conseguido, na Justiça, proteção contra ações e execuções individuais de credores ao longo de 60 dias. Na ocasião, a instituição afirmou que a situação era “reversível, desde que seja possível conduzir uma renegociação ordenada e eficiente das dívidas financeiras”. Agora, porém, afirmou à Justiça que a via consensual “não prosperou”, levando-a a fazer a solicitação, que ainda não foi acatada pelo judiciário. O passivo citado soma R$ 4,56 bilhões. “Em vez de comparecerem à mesa com propostas, credores relevantes tentaram declarar vencimentos antecipados, acionar cláusulas de vencimento cruzado (cross-default), reter recebíveis e perseguir garantias de forma isolada e descoordenada, esvaziando, na prática, a própria mediação que a tutela cautelar buscava resguardar”, disse na solicitação. A situação do grupo, que se tornou pública no mês passado, surpreendeu agentes do mercado diante da expansão que vinha sendo encabeçada pela Thopen, lançada a partir da antiga RZK Energia, que foi adquirida pela Pontal Energy, controlada pela gestora americana de private equity Denham Capital. Após a incorporação feita no início de 2025, a empresa vinha comprando ativos relevantes no mercado para ampliação de seu portfólio com transações feitas com companhias como a Matrix Energia e a Vip Air. A Thopen vinha se apresentando como a maior plataforma de energia livre do Brasil, com mais 300 mil unidades consumidoras sob sua gestão. Diz ainda contar com 204 ativos de geração que somam 700 megawatts-pico (MWp) de capacidade instalada distribuídos por todos os Estados do país. Na proteção, que já havia conseguido na Justiça, atribuiu o momento a “um quadro agudo de escassez de liquidez”, relacionado a “fatores de mercado que atingiram o seu setor de atuação” e a “decisões estratégicas tomadas por administrações anteriores”. Sobre este último ponto, o pedido atualizado detalha a disputa interna: a controladora Denham Capital afirma ter identificado “inconsistências nas informações prestadas pelos antigos controladores no âmbito da aquisição das ações da Pontal”, tendo pedido abertura de processo de arbitragem para ser ressarcida pelos acionistas minoritários. Se acatada a solicitação de recuperação judicial, o grupo afirmou que apresentará o plano em 60 dias. Houve ainda pedido para que o tema fosse tratado sob sigilo. Este ponto, no entanto, já foi negado pela 6ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ).”
Fonte: Valor Econômico; 18/08/2026
ESG entra na gestão de fornecedores como ferramenta de controle de risco
“A gestão de fornecedores está deixando de ser uma questão restrita a preço, prazo e qualidade e passou a incorporar riscos ambientais, sociais, climáticos e de integridade. Para empresas com cadeias complexas, conhecer a origem de produtos e serviços e acompanhar o comportamento de fornecedores tornou-se também uma forma de reduzir riscos jurídicos, operacionais e financeiros. “A gestão ESG de fornecedores deixou de ser apenas uma iniciativa voluntária ou reputacional e passou a integrar a gestão jurídica, operacional e financeira das empresas”, afirma Victoria Weber, advogada sênior do Cascione Advogados e especialista em Direito Ambiental e ESG. Segundo ela, parte relevante dos impactos ambientais, sociais e de integridade de uma companhia pode ocorrer fora de suas operações diretas, mas dentro da cadeia de fornecimento. Problemas como desmatamento, trabalho irregular, acidentes, violações de direitos humanos, corrupção, descumprimento de licenças ambientais ou falhas de segurança cibernética de um fornecedor podem interromper a produção, impedir exportações, gerar autuações e comprometer contratos. Além disso, financiadores e investidores passaram a observar com maior atenção os riscos sociais, ambientais e climáticos associados às operações financiadas. “Conhecer a cadeia deixou de ser apenas uma questão de ‘fazer o bem’. É uma forma de proteger a continuidade do negócio, o acesso a capital, a capacidade de contratar e o valor da companhia”, diz Weber. A recomendação da especialista é que as empresas não tratem todos os fornecedores da mesma maneira. A diligência deve ser proporcional ao setor, ao produto adquirido, à localização da operação e ao risco representado por cada fornecedor. Na área ambiental, entre os pontos que podem ser avaliados estão licenciamento, embargos e autuações, uso de água e energia, emissões, gestão de resíduos, logística reversa, biodiversidade e risco de desmatamento. No campo social, entram condições de saúde e segurança, regularidade trabalhista, prevenção ao trabalho infantil ou análogo ao escravo, diversidade, não discriminação e mecanismos de denúncia. Também há uma dimensão de governança, que inclui programas de integridade, controles anticorrupção, transparência societária, conflitos de interesse, proteção de dados, segurança da informação, histórico de sanções e capacidade de estender compromissos aos subfornecedores. Para Weber, o processo não deve terminar na contratação. Uma política considerada robusta começa pelo mapeamento da cadeia e pela classificação dos fornecedores por nível de risco. A empresa deve estabelecer requisitos mínimos, documentos obrigatórios, critérios de aprovação e situações que exijam diligência adicional. As consequências para o fornecedor também podem ser graduais. Em vez de determinar a rescisão imediata diante de qualquer não conformidade, a empresa pode exigir um plano de ação corretiva, estabelecer prazo para adequação e acompanhar a execução.”
Fonte: Valor Econômico; 18/08/2026
Padronização de dados ambientais pode redefinir o direito ambiental brasileiro
“Durante décadas, o direito ambiental concentrou seus maiores debates na criação de novos instrumentos jurídicos: licenciamento ambiental, avaliação de impactos, responsabilidade civil, comando e controle, compensações, acordos e sanções. Esse ciclo foi fundamental para estruturar a proteção ambiental contemporânea. No entanto, o principal desafio do século 21 talvez não seja mais normativo. Ele é informacional. A efetividade do direito ambiental passará a depender da capacidade de transformar milhares de bases de dados dispersas em uma infraestrutura jurídica interoperável capaz de produzir decisões confiáveis em tempo real. A recente iniciativa apresentada ao Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), propondo a padronização nacional da divulgação de dados ambientais estaduais, revela exatamente essa mudança de paradigma. À primeira vista, trata-se de uma discussão sobre transparência administrativa. Na realidade, trata-se de uma redefinição da própria infraestrutura sobre a qual o direito ambiental será aplicado nas próximas décadas. O setor financeiro compreendeu essa transformação antes mesmo de boa parte da comunidade jurídica. Bancos, seguradoras, fundos de investimento e instituições multilaterais deixaram de analisar apenas demonstrações financeiras para incorporar riscos climáticos, territoriais e regulatórios às suas decisões. Entretanto, nenhum algoritmo consegue avaliar aquilo que não consegue localizar. A ausência de dados ambientais padronizados cria verdadeiros “territórios invisíveis” para a análise de risco, comprometendo a qualidade do crédito, dos investimentos e da precificação de ativos. Essa mudança altera profundamente o papel do direito ambiental. Tradicionalmente, ele funcionava como um sistema de resolução de conflitos após a ocorrência do dano ou durante o procedimento administrativo. Agora, passa a atuar muito antes disso: no momento em que uma instituição financeira decide conceder crédito, quando uma seguradora calcula um prêmio, quando uma empresa seleciona fornecedores ou quando um investidor avalia a conformidade de um empreendimento. A decisão jurídica deixa de ser apenas reativa e torna-se preditiva. O problema é que o modelo institucional brasileiro permanece fragmentado. Cada estado desenvolveu soluções próprias para licenciamento, fiscalização, embargos, autos de infração, outorgas e termos de ajustamento de conduta. Em muitos casos, esses sistemas sequer dialogam entre si. Em outros, a consulta depende de interfaces rudimentares, sem mecanismos de interoperabilidade, APIs ou formatos estruturados de dados. O resultado é um paradoxo: juridicamente, a informação existe; tecnologicamente, ela permanece inacessível. Essa distinção entre existência jurídica e existência digital tende a se tornar uma das questões centrais do direito administrativo contemporâneo. Um dado público que não pode ser encontrado automaticamente por sistemas computacionais possui utilidade cada vez menor. Na prática, ele deixa de integrar os fluxos decisórios que movimentam mercados, políticas públicas e investimentos. A publicidade formal já não basta. A efetividade passa a exigir encontrabilidade, interoperabilidade e reutilização. É justamente nesse ponto que o direito ambiental começa a convergir com o direito digital. A discussão deixa de envolver apenas licenciamento, fiscalização ou transparência e passa a incorporar conceitos como arquitetura da informação, metadados, interoperabilidade semântica, APIs, dados abertos e infraestrutura pública digital. Não se trata de informatizar procedimentos existentes, mas de construir uma nova camada institucional capaz de permitir que diferentes órgãos públicos produzam informação compreensível tanto para pessoas quanto para sistemas automatizados.”
Fonte: Capital Reset; 18/08/2026
Política
Dois anos depois da lei, decreto do hidrogênio ainda traz muitas incertezas, avalia mercado
“Dois anos depois da aprovação do marco legal do hidrogênio de baixa emissão de carbono, a publicação do decreto que regulamenta a política foi recebida pelo mercado como um passo necessário para reduzir a insegurança regulatória, mas também com uma dose de frustração. Para agentes do setor ouvidos pela agência eixos, o governo federal deixou uma série de definições importantes para regulamentações posteriores da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Inmetro, Ministério da Fazenda e Receita Federal, entre outros. Entre as dúvidas estão os detalhes do sistema de certificação, os procedimentos para autorização e registro dos projetos, as regras para habilitação aos incentivos tributários do Rehidro e, sobretudo, o funcionamento dos processos competitivos para concessão dos créditos fiscais do Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (PHBC). É uma nova etapa que tira o setor do “limbo” em que se encontrava desde a aprovação das Leis nº 14.948 e 14.990 em 2024, mas que ainda não entrega todas as respostas esperadas depois de dois anos de discussão entre governo e indústria. Já a Petrobras, em nota enviada à eixos, afirmou que o decreto contribui “para um ambiente mais favorável aos investimentos da Petrobras em novas frentes de transição energética”. Contudo, a estatal ressalta que vai acompanhar os processos regulatórios e os e seus possíveis impactos e oportunidades para os negócios. “A ANP deverá regulamentar a autorização das atividades, a certificação e os mecanismos para concessão de áreas para exploração de hidrogênio natural, e o Ministério da Fazenda deverá regulamentar o acesso aos incentivos” O sentimento é de que a regulamentação demorou muito e entregou pouco. Marcos Ludwig, sócio da Veirano Advogados, lembra que as discussões começaram imediatamente após a sanção do marco legal, em agosto de 2024, quando o governo começava a colher contribuições para a regulamentação por meio do Comitê Gestor do Programa Nacional do Hidrogênio (Coges-PNH2). “Na época, a expectativa era publicar o decreto até outubro daquele ano”. Para Ludwig, o principal ganho é justamente reduzir a incerteza que fazia empresas aguardarem definições antes de avançar com seus investimentos. O decreto esclarece, por exemplo, hipóteses de dispensa de autorização para determinadas atividades, incluindo projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação e algumas modalidades de produção para consumo próprio. Ainda assim, nem mesmo essa parte encerra completamente o trabalho regulatório. Caberá à ANP transformar as diretrizes em procedimentos. Por isso, Ludwig afirma que a recomendação aos clientes é não tratar a publicação como o fim da discussão regulatória, mas como o início de uma nova etapa. A avaliação da CEO da Green Energy Park, Ludimila Nascimento, vai na mesma direção. A Green Energy Park desenvolve um dos maiores projetos de hidrogênio verde previstos no Brasil, no Piauí, com investimentos da União Europeia e inicialmente voltado à exportação de amônia verde para a Croácia. A companhia também tem uma parceria com a Vale para desenvolvimento de HBI verde produzido a partir de hidrogênio renovável, no Maranhão.”
Internacional
Empresas
Einride vai colocar em operação 500 caminhões elétricos da Tesla nos EUA
“A Einride anunciou nesta terça-feira (18) que planeja implantar 500 caminhões Tesla em suas operações na América do Norte nos próximos dois anos, no que será a maior implantação de veículos elétricos pesados até o momento. A empresa sueca de tecnologia de transporte de carga disse que a implantação, com início em setembro, atenderá clientes como Amazon em corredores de transporte nos Estados americanos da Califórnia, do Texas, de Illinois e da Geórgia, triplicando sua frota de caminhões elétricos. A implantação será concluída em fases até 2028. A medida apoia os esforços da Einride para converter cerca de US$ 800 milhões em receita recorrente anual potencial de longo prazo em capacidade ativa de frete, acrescentou a empresa. O diretor-presidente Roozbeh Charli disse que a implantação mostra que a empresa pode expandir suas operações para atender à demanda dos clientes e reflete a crescente adoção da tecnologia de frete elétrico.”
Fonte: Valor Econômico; 18/08/2026
Astore, da Accor, amplia critérios ESG nas compras e alcança nível “Leading”
“A Astore, plataforma de compras da Accor, atingiu neste ano o nível “Leading”, o mais alto, em uma avaliação independente baseada na metodologia da ISO 20400, voltada para compras sustentáveis. A plataforma, responsável pela gestão estratégica da cadeia de suprimentos da rede de hotéis, incorporou critérios de sustentabilidade às diferentes etapas dos processos de compras, incluindo requisitos eliminatórios e classificatórios para fornecedores. Criada há cerca de dez anos para atender às demandas internas da Accor, a Astore evoluiu para uma solução de procurement e gestão integrada da cadeia de suprimentos e passou recentemente a atender também hotéis independentes, redes hoteleiras, resorts, restaurantes, clubes e hospitais. Hoje, reúne mais de 1.200 fornecedores homologados nas Américas, dos quais aproximadamente 600 estão no Brasil. Todos passam por processos de compliance, análise financeira, avaliação de riscos e critérios ESG. Em 2025, a plataforma movimentou cerca de R$ 1 bilhão em transações e gerou mais de R$ 19 milhões em economia para os hotéis atendidos na região. Na prática, a sustentabilidade passou a funcionar também como filtro de entrada. Nos processos de concorrência da Astore, sejam locais, regionais ou globais, fornecedores que não atingem determinados critérios não avançam para a segunda fase. Os demais são ranqueados e classificados. Entre os instrumentos utilizados estão a assinatura de uma carta de compras responsáveis e uma agenda de descarbonização com os principais fornecedores. Depois da contratação, o desempenho dos fornecedores continua sendo acompanhado por meio do Supply Control Plan, que combina análise de documentação, questionários, auditorias e assessorias in loco. A plataforma também oferece apoio para que os fornecedores preencham seus planos de descarbonização. “Quando fazemos um processo de concorrência, estamos vendo a foto — e precisa ser o filme”, afirma Pedro Cardoso, vice-presidente sênior de Compras da Accor Américas, sobre o acompanhamento contínuo da cadeia. O terceiro pilar da estratégia envolve treinamentos presenciais e virtuais das equipes e a atuação de um profissional dedicado em tempo integral no Brasil como ponte com o time global de sustentabilidade. Para Victoria Weber, advogada sênior do Cascione Advogados e especialista em Direito Ambiental e ESG, o movimento reflete uma mudança mais ampla na gestão empresarial.”
Fonte: Valor Econômico; 18/08/2026
Política
“Donald Trump está presidindo um boom inesperado de energia limpa, à medida que a crescente demanda por eletricidade impulsiona investimentos em nova capacidade, apesar dos esforços da administração dos EUA para barrar a expansão da energia solar e eólica. As adições de energia limpa aumentarão em um recorde de 45 gigawatts este ano, segundo a S&P Global Energy — volume equivalente à demanda média de eletricidade da Turquia. Esse aumento é cerca de 25% superior ao recorde anterior, estabelecido em 2024. A guerra do presidente dos EUA no Irã, que elevou os preços globais de energia, juntamente com a crescente demanda de energia por parte de data centers de IA e a corrida dos desenvolvedores para aproveitar créditos fiscais prestes a expirar, estão impulsionando o boom das tecnologias limpas, afirmaram analistas. A administração Trump também tem adotado uma postura pragmática diante das necessidades energéticas do país. “Houve uma promessa de campanha de se opor às energias renováveis, mas, ao mesmo tempo, eles estão percebendo que não é possível prescindir delas”, disse Izzet Bensusan, CEO da Captona, um grupo de investimento em infraestrutura energética. “Não vejo um cenário em que a demanda por energia se estabilize.” A S&P informou que a nova capacidade solar e eólica saltará, em 2026, quase um terço e quase 50%, respectivamente. A energia solar estabelecerá outro recorde em 2027, enquanto a eólica sofrerá uma queda antes de se recuperar. A porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers, no entanto, destacou a “produção recorde de petróleo e gás” sob a gestão de Trump. “O presidente cumpriu sua promessa de liberar a energia americana”, disse Rogers. “Ao mesmo tempo, a administração acabou com os subsídios para fontes de energia caras e pouco confiáveis que os contribuintes americanos eram injustamente forçados a financiar.” O aumento da capacidade solar e eólica ocorre apesar das tentativas iniciais de Trump de interromper a transição energética promovida por seu antecessor, Joe Biden. A administração Trump barrou o projeto Esmeralda 7, em Nevada. Ele teria sido o maior projeto solar individual dos EUA. A lei do presidente, conhecida como One Big Beautiful Bill Act (OBBBA), também cortou drasticamente os créditos fiscais para energia solar e eólica, e sua administração interferiu na aprovação rotineira de projetos, incluindo mais de 150 projetos eólicos em terra (onshore). No entanto, nos termos da OBBBA, os desenvolvedores de projetos solares e eólicos tinham até 4 de julho para iniciar as obras e até 2030 para concluí-las.”
Fonte: Financial Times; 19/08/2026
“As maiores produtoras de petróleo do Canadá planejam tomar uma decisão final de investimento no final de 2027 sobre seu projeto de captura e armazenamento de carbono — com capacidade para 6 milhões de toneladas — uma peça-chave no plano do país para aumentar a produção de petróleo e controlar as emissões, disse à Reuters o presidente da associação do setor, Oil Sands Alliance. Kendall Dilling, que lidera o grupo que representa a Canadian Natural Resources, a Imperial Oil, a Suncor Energy, a Cenovus Energy e a ConocoPhillips Canada, afirmou em entrevista nesta semana acreditar que as empresas de areias betuminosas chegarão a acordos definitivos com os governos de Alberta e federal sobre os termos fiscais até meados de novembro, abrindo caminho para uma possível decisão de avançar com o projeto Pathways, avaliado em bilhões de dólares. “Depende, obviamente, de aprovações regulatórias e de alguns outros fatores, mas acredito que o período entre o final de 2027 e o início de 2028 seja a janela ideal”, disse Dilling. O projeto Pathways — uma proposta que inclui um gasoduto para transporte de CO2 e um centro de armazenamento capaz de reduzir as emissões de gases de efeito estufa da produção de areias betuminosas canadenses — é um elemento central de um acordo não vinculativo assinado no início deste ano pela província de Alberta e pelo governo do Canadá, que se comprometeram a trabalhar juntos para ampliar a produção de petróleo do país. O primeiro-ministro Mark Carney busca apoiar o setor de petróleo e gás como parte de um esforço para tornar a economia canadense mais resiliente às tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, embora o líder canadense afirme manter seu compromisso de combater as mudanças climáticas. Ele apoiou a visão de Alberta de construir um novo oleoduto de exportação com capacidade de 1 milhão de barris por dia em direção à Costa do Pacífico, mas condicionou esse apoio ao avanço do projeto Pathways. As empresas de areias betuminosas, que propuseram o projeto inicialmente em 2021, mas vinham demonstrando resistência devido aos custos de construção, assinaram um acordo com ambos os governos em julho. O documento estabelece as condições para o avanço do Pathways, incluindo acordos sobre precificação de carbono, apoio financeiro e licenciamento. No entanto, muitas das mudanças políticas propostas ainda não foram formalizadas em legislação definitiva.”
Fonte: Reuters; 18/08/2026
A transição energética economicamente motivada
“Daniel Yergin, um dos mais respeitados especialistas em energia do mundo, costuma dizer que a transição energética global é um processo mais lento do que em geral percebido. Ele argumenta que na década de 1990, os hidrocarbonetos —petróleo, gás natural e carvão— respondiam por aproximadamente 85% da matriz de energia primária global. Depois de três décadas e de trilhões de dólares investidos em tecnologias limpas, essa participação recuou para a faixa dos 80%. Segundo Yergin, o avanço vigoroso das fontes renováveis tem servido fundamentalmente para absorver o crescimento vegetativo da demanda energética global, e não para substituir significativamente a infraestrutura fóssil preexistente. Diante do atual rearranjo geopolítico internacional, é possível prever alguma modificação dessa tendência? A consolidação de posturas nacionalistas e isolacionistas na esteira da política externa dos Estados Unidos, somada aos severos choques de oferta gerados pelos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, alterou as prioridades das grandes potências. A urgência climática, outrora protagonista na agenda de países desenvolvidos, passou a competir diretamente com a inflação interna e a segurança fiscal. Como resultado, observa-se uma nítida retração na disposição de governos, indústrias e consumidores de arcar com o chamado “green premium” — o custo adicional embutido em produtos e insumos de baixa pegada de carbono. Em tempos de incerteza econômica e pressões inflacionárias, o pragmatismo financeiro tem se sobreposto ao idealismo ambiental. Contudo, a mesma turbulência geopolítica que ameaça os consensos multilaterais atua como um acelerador tecnológico em outras frentes. A vulnerabilidade e a fragmentação das cadeias globais de suprimento forçaram os estados a buscarem maior autossuficiência. Coincidentemente, esse movimento ocorre em um momento de acentuada deflação nos custos de fabricação de painéis solares e baterias de armazenamento. Nesse novo desenho, a opção pela geração renovável e pela eletrificação acelerada deixou de ser uma escolha puramente climática para se transformar em uma estratégia de segurança nacional. Mitigar a dependência de combustíveis fósseis importados virou sinônimo de blindagem econômica. A China consolidou-se como o maior expoente dessa estratégia, liderando a eletrificação massiva de suas frotas de transporte de passageiros e de carga não apenas por metas de emissão, mas para reduzir sua exposição estratégica ao petróleo estrangeiro e dominar as cadeias de valor industriais do século 21. Paradoxalmente, o enfraquecimento do multilateralismo e a erosão dos laços tradicionais de cooperação internacional podem acabar reconduzindo a humanidade à rota de redução dos gases de efeito estufa. Não por um esforço altruísta ou de uma governança global coordenada, mas sim por puro interesse econômico.”
Fonte: Folha de São Paulo; 18/08/2026
China prevê super El Niño como o mais forte da história
“O Centro Nacional de Clima da China previu a formação de um super El Niño que pode ser o mais forte já registrado, informou a emissora estatal CCTV nesta terça-feira. A expectativa é de que as temperaturas da superfície do mar no Oceano Pacífico equatorial central e oriental subam de forma constante e atinjam o pico por volta de novembro a dezembro, formando potencialmente o El Niño mais forte da história. Desde o início do verão, o país já tem visto os efeitos do fenômeno, incluindo chuvas torrenciais em várias regiões, com cinturões de precipitação que às vezes se sobrepõem e agravam os desastres. Além disso, os tufões têm se mostrado fortes e ativos, marcados por ventos e chuvas prolongados. Na semana passada, o tufão mais forte a atingir a China este ano, o Tufão Golfinho, desencadeou chuvas extremas nas regiões leste, central e norte do país, longe da costa onde fez terra firme após uma jornada de duas semanas pelo Oceano Pacífico. O governo informou que os desastres naturais em julho deixaram 318 mortos ou desaparecidos e causaram US$ 8,5 bilhões em perdas econômicas diretas. Em julho, a agência de meteorologia das Nações Unidas já havia elevado sua previsão para o rápido surgimento de um El Niño forte nos próximos meses, alertando que o fenômeno deve elevar as temperaturas globais.”
Fonte: Valor Econômico; 18/08/2026
China sobe o tom na disputa pela liderança climática global
“O governo chinês sinalizou que vai buscar protagonismo na governança global da transição climática ao divulgar um documento específico sobre o enfrentamento da mudança do clima como parte do seu 15º plano quinquenal, que delineia as prioridades do país para o período de 2026 a 2030. O novo plano focado no clima não traz metas inéditas, mas consolida objetivos climáticos e dá atenção especial a alguns temas, como a redução de gases de efeito estufa que não são CO2, o aprimoramento do mercado de carbono do país e sua influência externa, e o papel chinês no debate global sobre transição climática. O último ponto chamou a atenção de analistas internacionais por indicar um salto nas ambições do governo chinês. Enquanto no passado a China buscou se posicionar como um “contribuidor, participante e líder” de esforços globais para enfrentar as mudanças climáticas, o novo documento é mais taxativo, ao dizer que nos próximos anos o país quer “liderar de forma construtiva o processo de governança multilateral em resposta à mudança climática”. “A influência, o poder de guiar e de dar forma à governança climática global e o apelo moral da China neste tema serão significativamente ampliados [entre 2026 e 2030]”, o documento diz. O texto destaca que o país quer fazer isso fortalecendo a cooperação internacional na indústria verde, aprofundando trocas bilaterais e em espaços multilaterais, e dando mais força para parcerias no Sul Global. Thomas Hale, professor de políticas públicas globais na Universidade de Oxford, diz que o documento marca uma “enorme mudança retórica” do governo chinês. “Em um mundo marcado pela disrupção causada por Donald Trump à governança global, particularmente em relação ao clima, esse parece um caminho óbvio para a China”, escreveu o pesquisador no Linkedin. O presidente dos Estados Unidos retirou o país de todos os acordos climáticos internacionais, incluindo o Acordo de Paris. A Europa, outro candidato à liderança no tema, tem redirecionado o orçamento para a defesa. “Mas ainda assim não devemos subestimar o quão grande é a mudança de postura, ou o quão difícil será cumpri-la na prática”, afirma Hale. Uma das frentes determinadas pelo plano é ampliar a “influência internacional” do mercado de carbono chinês, que começou a operar em 2021, por meio da ampliação da formulação de regras para os sistemas globais de comercialização de créditos. A China é um dos países que aderiram à Coalizão Aberta de Mercados Regulados de Carbono, iniciativa do Brasil que teve o pontapé inicial na COP30, em Belém. A China será a anfitriã em setembro da Carbon Market Conference, onde a coalizão deve oficializar um plano de trabalho. Em entrevista ao Reset, a secretária extraordinária do Mercado de Carbono, do Ministério da Fazenda, Cristina Reis, afirmou que o Brasil faz conversas com o governo chinês para assinar um acordo de venda de créditos de carbono, os ITMOs, para o país asiático. Domesticamente, a expansão e o fortalecimento do mercado de carbono chinês também aparecem como um caminho para controlar as emissões de gases poluentes que não são o CO2, como metano e óxido nitroso. O plano determina a expansão do sistema para novos setores e categorias de gases de efeito estufa, com o desenvolvimento de novas metodologias de medição e verificação.”
Fonte: Capital Reset; 18/08/2026
Índices ESG e suas performances


(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG)..
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