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Posco International, empresa sul coreana, avança em terras raras no Brasi | Café com ESG, 31/07

Projeto de terras raras em Minas Gerais é visado pela empresa sul-coreana Posco International

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Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do temaESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.

Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.

Principais tópicos do dia

• O pregão de quinta-feira fechou em território positivo, com o IBOV e o ISE avançando 1,88% e 2,06%, respectivamente.

• No Brasil, (i) a mineradora australiana Meteoric Resources anunciou uma parceria para fornecer parte da produção do seu projeto de terras raras em Minas Gerais à empresa sul-coreana Posco International – o acordo prevê que a Posco poderá adquirir até 30% do volume extraído da mina por um período de até sete anos, além de apoiar a estruturação do financiamento do projeto no país; e (ii) de olho em governança, a Vale elegeu, nesta quinta-feira, Reinaldo Castanheira como novo vice-presidente do Conselho de Administração – a decisão surge após a renúncia de Marcelo Gasparino, então vice-presidente do conselho, que passa a valer a partir de 1° de agosto.

• No internacional, o Banco Central Europeu (BCE) anunciou que vai ampliar o uso do fator climático em sua estrutura de garantias (collateral framework), estendendo a medida a determinados empréstimos concedidos a empresas não financeiras – em comunicado, o BCE afirmou que a ampliação foi concebida para fortalecer ainda mais a estrutura de gestão de riscos do Eurosistema ao abordar as incertezas financeiras relacionadas à transição verde.

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Brasil

Aceleração de data centers enfrenta gargalo de transmissão de energia

“A expansão da computação em nuvem e inteligência artificial (IA) ampliou a defasagem entre a velocidade do crescimento do setor de data centers e da capacidade de fornecimento de energia para sustentá-lo. Apesar da geração abundante no país, a concentração de parques eólicos e solares em regiões distantes do consumo demanda reforço extra no sistema de transmissão. A questão é que se os projetos de data center ficam em pé em 1 ano e meio a 2 anos, os de transmissão demandam cerca de 7 anos para serem entregues. Nas contas da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom), a demanda de energia do setor deve dobrar de 2026 a 2031, quando a participação no consumo nacional salta de 2% para 4% a 5%. “É um crescimento acelerado em um mercado acostumado a ritmo alinhado ao PIB”, afirma o presidente executivo da Brasscom, Affonso Nina. A criação da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST), em 2025, mira otimização do planejamento do sistema ao trocar o sistema de fila de pedidos em ordem de chegada por temporadas de acesso à rede básica do Sistema Interligado Nacional (SIN), com exigência de projetos mais maduros. Na primeira temporada de leilão em 2026, os data centers responderam por 38 das 43 solicitações contempladas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), somando 7.040 megawatts (MW), somando investimentos estimados em torno de R$ 159 bilhões. No total, o interesse de investidores por projetos de data center no Brasil alcança 38 gigawatts (GW) em pedidos de parecer de acesso à rede elétrica. “Há cinco anos nem tínhamos mercado de IA para data centers de 100 MW”, observa Marcela Martins, diretora de gestão energética da Ascenty. A estratégia da empresa para garantir energia inclui contratos de energia incentivada no mercado livre (PPAs), contrato de autoprodução fechado no início do ano com a Casa dos Ventos por cerca de R$ 2,5 bilhões para fornecimento de 110 MW médios, com participação acionária em dois empreendimentos com potência instalada superior a 1,5 GW previstos para 2027, e investimento de R$ 200 milhões em transmissão, com construção de linha de 35 quilômetros de Santa Barbara d’Oeste a Sumaré (SP), onde seu novo data center para IA já tem 90 MW contratados e deve alcançar até 180 MW. A linha deve entrar em operação em 2027 e depois será repassada à CPFL. “Há desafio de incorporar a escala e demanda de data centers ao setor elétrico, antecipando polos de desenvolvimento e pensando soluções regionalmente”, pondera Mauricio Amadeu, gerente de energia da Scala, que tem 13 data centers em operação e planeja a AI City em Eldorado do Sul (RS), projeto com investimento inicial de R$ 3 bilhões para 54 MW e potencial de expansão para até 4.750 MW. Não por acaso, cidades com subestações de energia com alta carga e disponibilidade de ponto de conexão de novas empresas de alta demanda estão na mira do setor. Segundo Thomas Brancati, CEO da Allrea, especializada em desenvolvimento imobiliário, entre junho e julho cinco empresas demandaram terrenos para data center em cidades como Sorocaba e Araraquara (SP), Rio de Janeiro, Nova Iguaçu e Queimados (RJ), Ponta Grossa (PR) e Joinville (SC). “A disponibilidade reduz o risco”, diz ele. “

Fonte: Valor Econômico; 31/07/2026

Sustentabilidade se torna ativo de negócios no varejo

“Uma economia de R$ 7 milhões em energia em 2025 fez a Multiplan consolidar uma tendência no setor: investimentos em sustentabilidade, que se transformam em estratégia de eficiência operacional e de geração de valor. “Identificamos cedo que investir em geração própria renovável poderia trazer três benefícios simultâneos: redução do impacto ambiental, maior previsibilidade de despesas e aumento da eficiência operacional”, diz Vander Giordano, vice-presidente institucional da companhia. O grupo tem dois complexos solares: a usina de Itacarambi (MG), responsável pelo abastecimento do VillageMall, no Rio de Janeiro, e a unidade de Paty do Alferes (RJ), que atende a sede administrativa. Outros quatro shopping têm sistemas fotovoltaicos próprios; o ParkJacarepaguá abriga uma das maiores usinas solares em telhado na cidade do Rio de Janeiro, capaz de gerar energia para 640 residências. O empreendimento também, incorpora soluções de eficiência hídrica, com sistemas de captação e reaproveitamento de água, além de um projeto arquitetônico que privilegia a iluminação natural. Segundo Giordano, 100% da energia consumida pelos shoppings da Multiplan vem de fontes renováveis, evitando a emissão de cerca de 17 mil toneladas de CO2. A gestão de recursos naturais também avançou. Hoje, 65% dos empreendimentos têm captação de água da chuva, reúso ou tratamento de efluentes, e todos possuem programas de reciclagem, compostagem e logística reversa. “Empreendimentos preparados para utilizar os recursos de forma mais eficiente e incorporar tecnologia à gestão estarão mais bem posicionados para atender às exigências regulatórias e às expectativas dos investidores”, diz o VP. A mesma lógica orienta investimentos do Grupo Sá Cavalcante, que migrou seus empreendimentos para o mercado livre de energia. O Rio Poty, em Teresina, terá uma usina fotovoltaica capaz de gerar mais de 20% da energia necessária para a operação. O retorno financeiro do projeto piauiense é esperado para o fim de 2027. “Após isso, devemos fazer o ‘roll out’ para os outros empreendimentos”, afirma Gregory Camara, head de operações da empresa. O grupo também passou a incorporar medidas de adaptação climática. “Entre as iniciativas estão a redução de consumo de água com redutores de vazão nas torneiras, o acompanhamento do consumo em todas as fontes consumidoras por meio de telemetria nos hidrômetros e campanhas institucionais de conscientização com os lojistas”, informa Camara. A economia circular é outra estratégia de sustentabilidade. No Shopping Moxuara (ES), um projeto-piloto de compostagem processou 190 quilos de resíduos orgânicos no primeiro mês. A estimativa é evitar o descarte de 30 toneladas por ano e gerar economia anual de R$ 23 mil com a destinação de resíduos. “Esse ganho é considerado suficiente para justificar a replicação do modelo”, diz o executivo.”

Fonte: Valor Econômico; 31/07/2026

O Eco Invest e a transição verde no Brasil

“A transição climática global exige investimentos maciços. O Independent High-Level Expert Group on Climate Finance (IHLEG) estima que haja necessidade de financiamento externo no total de US$ 1,3 trilhão anuais para mercados emergentes e economias em desenvolvimento (EMDEs) até 2035. Para o Brasil, uma economia de baixa poupança e baixo investimento, captar capital estrangeiro é condição sine qua non para financiar essa agenda. No entanto, o alto custo do hedge cambial, exacerbado por taxas internas de juros muito elevadas, tem historicamente afastado investidores estrangeiros. É nesse contexto que o programa Eco Invest Brasil ganha destaque1. O Eco Invest, iniciativa do Plano de Transformação Ecológica, visa mobilizar capital privado externo para projetos verdes. A sua concepção original, discutida em artigo2 com Winston Fritsch, parte da premissa de que a ineficiência dos mercados de hedge cambial no Brasil impõe um prêmio de risco macroeconômico que inviabiliza projetos de longo prazo. O programa propôs um arranjo institucional inovador: o Banco Central do Brasil (BCB) atuando como intermediário no fluxo de derivativos cambiais, beneficiando-se da classificação de risco AAA do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O BID contrata o hedge no mercado internacional, e o BCB o transfere às instituições financeiras domésticas, viabilizando o financiamento de projetos de infraestrutura verde e transição energética com custos mitigados. O programa também contempla um subsídio para reduzir o custo de capital via blended finance, com crédito do Tesouro a 1% nominal. O programa estrutura-se em quatro linhas principais de atuação. A primeira é a Linha de Blended Finance para Mobilização de Capital Privado Externo, que combina capital público e de desenvolvimento para reduzir o custo de capital e melhorar os prazos de vencimento dos projetos. A segunda é a Linha de Liquidez e Mitigação de Efeitos da Volatilidade Cambial, que atua como uma linha de crédito contingente para prover liquidez às empresas em momentos de súbita depreciação do real, protegendo o fluxo de caixa dos projetos. A terceira é a Linha de Crédito para Fomento ao Hedge Cambial, que facilita a contratação de derivativos para proteção contra riscos de taxa de câmbio, utilizando o já citado arranjo do BCB com o BID. Por fim, a quarta linha é voltada para a Estruturação de Projetos, com o objetivo de reduzir assimetrias de informação e melhorar a preparação de projetos para viabilizar o financiamento bancário ou via mercado de capitais. Na semana passada, participei de um painel no 26º Encontro Brasileiro de Finanças (EBFin)3, em Fortaleza, onde debatemos os desenvolvimentos recentes do programa. Estavam presentes representantes do Tesouro Nacional, do BCB e do BID. Os dados apresentados nas apresentações mostram que o programa está evoluindo rapidamente. Até o momento, já foram realizados quatro leilões. O quinto está ocorrendo agora. Esses quatro leilões iniciais mobilizaram R$ 41,6 bilhões em capital catalítico público, gerando um efeito alavancagem de 3,4 vezes, o que resulta em R$ 140,8 bilhões em investimentos totais anunciados. O sucesso da arquitetura do programa reside na sua alocação competitiva. Ao estabelecer regras claras de elegibilidade e uso dos recursos (como restauração de terras degradadas, bioeconomia da Amazônia e transição energética), o Eco Invest alinha incentivos e revela a capacidade de absorção do mercado4. O quarto leilão, em particular, introduziu instrumentos inovadores, como linhas de liquidez para mitigar riscos cambiais de curto prazo e sublinhas de blended finance com foco na região Amazônica. A combinação de financiamento público com capital privado demonstrou que, quando bem desenhados, os incentivos catalíticos são mais eficazes do que subsídios generalizados.”

Fonte: Valor Econômico; 31/07/2026

O jabuti de R$ 1 trilhão e a desgovernança no setor elétrico

“Em 2001, o Brasil apagou as luzes. O racionamento cortou 20% do consumo de energia do país e a pergunta óbvia – de quem foi a culpa? – recebeu uma resposta desconcertante da comissão responsável pelo diagnóstico: de ninguém. Não foi São Pedro. Faltou investimento, faltou planejamento e, sobretudo, faltou alguém cuja responsabilidade fosse garantir que a energia estivesse lá quando o país precisasse. O arranjo institucional da época era desenhado de tal forma que a crise não tinha dono. A resposta veio na reforma de 2004: criou-se a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), para que a expansão do sistema fosse decidida com base em estudo técnico, e o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), para que nunca mais um déficit chegasse sem aviso. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), criado em 1997 mas até então decorativo, ganhou protagonismo como instância de política energética. A lição custou caro, mas foi aprendida: planejamento energético é coisa séria demais para ser decidida no improviso. O modelo de 2004 tinha uma lógica clara: o planejamento da EPE orientava leilões regulados, e as distribuidoras contratavam a expansão em nome de todos os consumidores. Esse mundo mudou. Com a abertura do mercado, as decisões de contratação se descentralizam: cada consumidor busca a solução de menor custo, o que é saudável, mas segurança de suprimento é um atributo que beneficia a todos e que ninguém quer pagar sozinho. O problema se agrava com subsídios que mascaram o verdadeiro custo da energia e distorcem essas escolhas. O desenho moderno para esse dilema é conhecido: eliminar subsídios, deixar que preços refletindo custos reais guiem as decisões dos agentes e, quando estudos técnicos lastreados pela EPE indicarem que o mercado não entrega a segurança necessária, realizar leilões centralizados para complementar a decisão difusa do mercado. Repare: nesse arranjo, o papel da EPE não encolhe, apenas muda de natureza e se torna ainda mais crítico, porque é o estudo técnico que mapeia quais são as necessidades do sistema elétrico. O Congresso Nacional, porém, escolheu a contramão: em vez de destravar essa modernização, ressuscitou o planejamento determinativo, só que sem o planejamento. No dia 14 de julho, a Comissão de Infraestrutura do Senado aprovou, em votação simbólica e extra pauta, um substitutivo ao PL 5.017/2019. O projeto original tinha dois artigos e tratava de desconto tarifário para irrigantes e poços semiartesianos. O texto que saiu da comissão tem 18 páginas, altera sete leis e cria, segundo cálculo da Abrace, mais de R$ 1,2 trilhão em despesas novas na conta de luz. São R$ 44,2 bilhões por ano a partir de 2032. A relatoria trocou de mãos três vezes até chegar, no próprio dia da sessão, ao senador Hermes Klann (PL/SC), que leu a síntese do relatório nos cinco minutos finais de uma reunião já esvaziada. Nenhum estudo da EPE. Nenhuma manifestação do ONS. Nenhuma avaliação de necessidade sistêmica. Nenhuma nota do CMSE.”

Fonte: Eixos; 31/07/2026

Conselho da Vale elege Reinaldo Castanheira para vice-presidente do colegiado

“A Vale anunciou, nesta quinta-feira (30), a eleição do conselheiro Reinaldo Castanheira como vice-presidente do colegiado. A decisão surge após a renúncia de Marcelo Gasparino, então vice-presidente do conselho, que passa a valer a partir de 1° de agosto. A companhia não informa sobre um substituto para a cadeira de Gasparino no conselho. O executivo anunciou a renúncia na segunda-feira (27). Também em comunicado, a Vale informou a indicação de Wilfred Theodoor Brujin por membros independentes para atuar como líder desse grupo. Antes, a posição era ocupada por Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como “Ollie”, que agora é presidente do conselho de administração.”

Fonte: Valor Econômico; 30/07/2026

El Niño elevará volatilidade de preços no setor elétrico e testará caixa das geradoras, diz Fitch

“As geradoras de energia enfrentarão um cenário de alta volatilidade nos preços no segundo semestre, pressionadas pelos efeitos climáticos do El Niño, diz a Fitch Ratings. Os analistas liderados por Marcela Araújo escrevem que o impacto na geração de caixa variará conforme a estratégia de contratação de cada companhia, mas geradoras expostas ao risco de preço sentirão uma pressão financeira mais intensa. A projeção aponta que o preço médio de curto prazo da energia no Brasil deve rondar os R$ 300 por megawatt-hora (MWh) na segunda metade de 2026, um salto em relação aos R$ 250/MWh registrados no mesmo período do ano passado. A dinâmica de preços reflete as alterações no regime de chuvas provocadas pelo El Niño. Enquanto o fenômeno eleva as precipitações no Sul e Sudeste, ele intensifica a seca no Norte, onde estão as maiores usinas hidrelétricas do país. Somado às altas temperaturas que impulsionam o consumo, esse cenário climático amplia as incertezas sobre o volume de geração hídrica e os custos no mercado de curto prazo. A Auren Energia, por exemplo, apresenta uma maior necessidade de ir ao mercado comprar energia para honrar seus contratos de venda, o que pode pressionar duramente seu fluxo de caixa caso essas aquisições ocorram em momentos de pico tarifário. Na ponta oposta, a Axia Energia carrega uma posição descontratada elevada, o que a coloca em vantagem para capturar ganhos com a venda de energia a preços mais altos, afirma a agência. Além dos desafios puramente financeiros, o clima extremo traz riscos operacionais tangíveis, como danos estruturais em linhas de transmissão e instalações hidrelétricas, o que pode afetar cerca de 30% das empresas que possuem ativos nas regiões Sul e Sudeste.”

Fonte: Valor Econômico; 30/07/2026

Excesso de data centers pode bloquear energia para indústria verde no Nordeste, avalia VP do Banco do Brasil

“O vice-presidente de Negócios de Governo e Sustentabilidade Empresarial do Banco do Brasil, José Ricardo Sasseron, defende que o processo de industrialização verde do Nordeste vá além da instalação de data centers. Segundo ele, o excedente de energia renovável deveria ser direcionado para atividades industriais capazes de gerar mais emprego e renda para redução das desigualdades. A avaliação foi feita nesta quarta (29/7), durante o lançamento da Carta-Compromisso do Fórum Powershoring, iniciativa do Consórcio Nordeste, Banco do Brasil e Instituto Clima e Sociedade (iCS). “Data center consome muita energia e consome água para refrigeração. Se tiver muitos data centers no Nordeste, você pode bloquear o volume de energia disponível para outras modalidades. E data center, é evidente que o volume de empregos que gera é pequeno. O consumo de energia é muito grande e a geração de emprego é pequena“, disse Sasseron à agência eixos. Na avaliação do executivo, o melhor aproveitamento do potencial energético regional passa pela atração de indústrias. “O mais vantajoso para o Nordeste seria investir para utilizar a energia para industrialização, por exemplo, é o setor que gera mais emprego, que reduz desigualdade social e que utiliza energia da mesma maneira”, afirmou. Sasseron pontuou que o Banco do Brasil já financiou R$ 23 bilhões em projetos de energia renovável, dentro da meta de alcançar R$ 30 bilhões até 2030. “Desse total, cerca de R$ 11 bilhões foram destinados a projetos de energia solar e eólica no Nordeste. E o objetivo é continuar com essa modalidade de financiamento”. O Fórum Powershoring, iniciativa criada para articular governos, setor financeiro e iniciativa privada em torno da industrialização de baixo carbono no Nordeste, divulgou uma carta-compromisso nesta quarta estabelecendo metas para 2030. Entre elas contribuir para atrair R$ 77 bilhões em investimentos em setores industriais intensivos em energia ligados à descarbonização entre 2027 e 2030 e ampliar em pelo menos 5% as compras e contratações realizadas junto a fornecedores da região.”

Fonte: Eixos; 30/07/2026

Coreia do Sul mira produção de terras raras em Minas Gerais

“A mineradora australiana Meteoric Resources anunciou nesta quarta-feira (29) a assinatura de um memorando de parceria estratégica (MOU) para fornecer parte da produção do seu projeto de terras raras em Minas Gerais à empresa sul-coreana Posco International. Pelos termos do acordo, a Posco poderá adquirir até 30% do volume extraído da mina por um período de até sete anos. O documento é não vinculante e, segundo o comunicado, depende de negociações comerciais, due diligence, aprovações internas e assinatura dos contratos definitivos. A Posco International é um braço de comércio internacional e investimentos do Posco Group, um dos maiores conglomerados industriais da Coreia do Sul. O grupo atua em setores como aço, energia, materiais para baterias, minerais críticos e infraestrutura. As empresas não divulgaram um cronograma para o MOU se tornar um acordo definitivo de compra antecipada (offtake). O documento também não fixa o preço das terras raras, mas diz que ele inicialmente usará como referência os índices da empresa chinesa Asian Metal. O acordo também prevê que a sul-coreana avalie adquirir participação acionária (equity) na Meteoric e apoie a estruturação do financiamento do projeto no Brasil. Entre as possibilidades está o acesso a recursos de agências de crédito à exportação da Coreia do Sul, como o Export-Import Bank of Korea (Kexim) e a Korea Trade Insurance Corporation (K-Sure). O anúncio ocorre em um momento de aproximação entre Brasil e Coreia do Sul na agenda de minerais críticos. Nesta semana, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Lee Jae Myung anunciaram um acordo de cooperação para desenvolver a cadeia de suprimentos do setor e avançar na transição energética. “Como se sabe, o Brasil é um dos principais detentores dos minerais críticos. E hoje o presidente Lula e eu concordamos em expandir a cooperação em todo o ciclo de vida dos minerais críticos na cadeia de suprimento desses minerais. Vamos criar uma base estável de oferta, fortalecendo a cooperação mútua de maneira benéfica”, disse o coreano a jornalistas na segunda-feira (27), ao lado de Lula, no Palácio da Alvorada. O CEO da Meteoric, Stuart Gale, afirmou em nota que o acordo entre as empresas “é um desenvolvimento importante para a crescente relação entre Brasil e Coreia, duas das principais economias e destinos de investimento do mundo.””

Fonte: Eixos; 30/07/2026

Vendaval expõe fragilidade frente ao clima extremo

“A forte ventania que atingiu Rio de Janeiro e São Paulo com ventos de mais de 100 quilômetros por hora na quarta-feira (29), considerada atípica por especialistas, levanta a discussão se o evento meteorológico pode ter relação com o El Niño, fenômeno climático que deve se intensificar neste segundo semestre do ano provocando chuvas extremas em algumas regiões do país e ondas de calor acompanhadas de estiagem, em outras. Especialistas ouvidos pelo Valor são cautelosos em estabelecer uma conexão direta entre as rajadas de vento desta semana em partes do Sudeste, que causaram mortes, e o El Niño. Dizem que, embora o fenômeno climático influencie a circulação atmosférica sobre a América do Sul, a cadeia de processos que levou aos ventos extremos observados no Rio e em São Paulo é complexa e envolve mecanismos meteorológicos específicos, cuja ocorrência continua sendo rara. Nesta quinta-feira (30), o prefeito do Rio, Eduardo Cavalieri, disse que o vendaval foi muito além das previsões de institutos de meteorologia e sugeriu que o vendaval estava relacionado ao El Niño: “O aviso feito ontem [quarta], no começo da tarde, era de ventos muito menos intensos dos que acabaram ocorrendo. Realmente foi um evento extremo, relacionado ao Super El Niño, mais intenso do que o previsto pelas estações meteorológicas”, disse Cavalieri. Especialistas ouvidos afirmam que, com o conhecimento hoje disponível, não é possível estabelecer conexão direta entre o vendaval de quarta-feira e o El Niño. O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. A crise climática, associada à queima massiva de combustíveis fósseis, agrava seus efeitos globais, intensificando secas severas, chuvas extremas e ondas de calor. Para os especialistas, o debate sobre a origem do vendaval não deve ofuscar uma questão mais urgente: independentemente de qual fenômeno específico esteja por trás de cada evento extremo, o clima está mudando e as cidades brasileiras não estão preparadas. Francisco Aquino, climatologista e chefe do departamento de geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), diz que a adaptação climática no Brasil é lenta em termos de infraestrutura e do planejamento urbano, descompassada em relação à velocidade das mudanças climáticas em curso. Entre as medidas consideradas urgentes, estão mais arborização, ampliação de áreas de drenagem para escoamento de água da chuva e a criação de cinturões verdes ao redor das cidades, aponta Aquino. O professor da UFRGS diz que o episódio de quarta-feira foi provocado pelo avanço de uma frente fria sobre uma atmosfera mais aquecida, condição que favorece tempestades e ventos mais intensos, mas não permite atribuir o vendaval diretamente ao El Niño. Aquino chama a atenção para o fato de o fenômeno climático ainda estar em fase de desenvolvimento e não ter atingido a intensidade máxima, prevista para o período de outubro a fevereiro.”

Fonte: Valor Econômico; 31/07/2026

Eólica offshore ganha metodologia; mercado segue à espera do decreto

“Publicada esta semana pelo Ministério de Minas e Energia (MME), a metodologia de seleção de áreas ofertadas para projetos de eólica offshore divide o processo em três etapas: identificação de regiões potenciais, definição de áreas de interesse e priorização de áreas. Elaborada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a metodologia é mais um passo em direção à regulamentação do marco legal das eólicas offshore, sancionado em janeiro de 2025. E servirá de base para um decreto prometido pelo MME para maio de 2026, que está atrasado. Já são mais de 134 GW em projetos com pedidos de licenciamento no Ibama, a maioria (62 GW) no Nordeste aguardando o sinal verde para avançar com investimentos. Muitos deles já disputam uma mesma área, mas a nota técnica da EPE (.pdf) deixa para uma etapa posterior a definição dos prismas efetivamente ofertados. A decisão, que permanecerá sob responsabilidade do poder concedente, deverá observar questões como as políticas públicas vigentes, os objetivos de cada rodada de oferta e o contexto de desenvolvimento do setor. A metodologia também propõe alinhamento ao Planejamento Espacial Marinho (PEM), criado pelo decreto 12.491/2025, e sob gestão da Marinha do Brasil e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Dados do governo brasileiro apontam que 19% do PIB nacional têm origem no mar, algo em torno de R$ 2,1 trilhão por ano. Por isso a iniciativa de alinhar as cessões ao PEM. Há uma leitura entre os empresários da indústria eólica, no entanto, de que essa relação com o planejamento marinho precisa ficar mais clara, já que o PEM ainda está sendo desenvolvido. Com uma série de questões sem respostas, aumenta a expectativa sobre o decreto que, segundo fontes do governo, está na Casa Civil, em fase final — os do hidrogênio de baixo carbono, combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e captura de carbono (CCS) também estão por lá. E, assim como os demais, não se sabe se sairá antes das eleições e como o conteúdo vai dialogar com as demandas do mercado.”

Fonte: Eixos; 30/07/2026

Ministro promete primeiro leilão de gás da União no fim de 2026

“O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou nesta quinta-feira (30) que espera realizar o primeiro leilão de gás natural da União ainda neste ano, no último bimestre de 2026. Segundo ele, o certame será possível a partir da nova política de comercialização da parcela do insumo pertencente à União, aprovada nesta quinta-feira pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A medida abre espaço para que o gás natural da União seja vendido pela Pré-Sal Petróleo (PPSA), estatal vinculada ao MME responsável pela gestão dos contratos de partilha da União, diretamente ao mercado livre, por meio de leilões de curto e longo prazo. Hoje, essa parcela é vendida diretamente à Petrobras. “Espero que o primeiro leilão seja este ano, no último bimestre”, disse Silveira em entrevista a jornalistas após evento de anúncio da medida, em Brasília. A promessa foi reforçada pelo presidente da PPSA, Luis Fernando Paroli. Silveira também confirmou que usinas termelétricas poderão participar dos certames de curto prazo, previstos para serem realizados de 2026 a 2030, anualmente. Já os leilões de longo prazo, a partir de 2030, serão destinados à indústria de base nacional. De acordo com o MME, o gás natural comercializado pela União será destinado prioritariamente aos segmentos industriais da indústria de base intensivos no uso do insumo, omo as indústrias química, petroquímica, de fertilizantes e siderúrgica. A estimativa do Ministério de Minas e Energia (MME), divulgada em nota, é que a medida reduza o preço do gás natural da União em, pelo menos, 50%. Dessa forma, o gás natural da União, hoje vendido pela Petrobras no mercado brasileiro a cerca de US$ 12 por milhão de BTU, chegue à indústria a cerca de US$ 5 por milhão de BTU. A realização de leilões de gás da União para oferta direta à indústria é uma promessa antiga de Silveira. Desde agosto do ano passado, o ministro tenta destravar a aprovação da resolução no CNPE que viabiliza o modelo. A proposta, contudo, enfrentou resistência de agentes do setor e divergências dentro do próprio governo, o que levou a sucessivos adiamentos da deliberação. Segundo o ministro, a resolução também dá condições à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para cumprir o dever regulatório de utilização de infraestruturas do segmento, como gasodutos de escoamento e unidades de processamento, que hoje são operados pela Petrobras. A PPSA e a Petrobras negociam os termos para o acesso às infraestruturas, condição para que os leilões do insumo direto ao mercado sejam realizados. Recentemente, a diretoria da ANP decidiu instalar uma comissão especial para apurar acompanhar as tratativas entre a estatal e a Petrobras, para evitar eventuais condutas anticoncorrenciais.”

Fonte: Valor Econômico; 30/07/2026

Três agências reguladoras estaduais aderem ao Pacto Nacional do Gás Natural

“Três agências reguladoras estaduais já aderiram ao Pacto Nacional para o Desenvolvimento do Mercado de Gás Natural. Agrese (SE), Agems (MS) e ARSP (ES) celebraram na quarta (29/7) os primeiros acordos de cooperação técnica com a Agência Nacional do Petróleo Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e o Ministério de Minas e Energia (MME), em cerimônia realizada na abertura do Sergipe Oil & Gas 2026, em Aracaju. Segundo o diretor de Gás Natural do Ministério de Minas e Energia (MME), Marcello Weydt, os acordos representam um “grande ponto de partida” para o diálogo entre União e estados, com o objetivo de evitar novas judicializações e construir uma regulação mais harmônica para o setor. Em entrevista ao estúdio eixos diretamente do evento na quinta (30/7), ele defendeu a “importância de dialogar ao invés de já ir diretamente para judicialização”. O pacto foi estruturado em dois níveis: reuniões de gestão, com secretários e diretores, e reuniões técnicas temporárias, com corpo técnico. Os temas a serem tratados incluem classificação de gasodutos, revisão de contratos e tarifas, mas a definição de prioridades será feita na primeira reunião do grupo, em até 15 dias. “A gente só vai construir de fato quando chegar na primeira reunião. Vamos trazer uma proposta e discutir em conjunto com os signatários originais e com quem for aderindo até lá quais vão ser os assuntos a serem priorizados e quais vão ser tratados paralelamente”, afirmou. “Não adianta discutir e não trazer uma visão de uma parte ou de outra. A gente precisa entender e dividir esses elementos”, acrescentou. A adesão ao pacto, no entanto, é um processo aberto e pode ser feita por manifestação expressa a qualquer tempo, segundo o diretor. Weydt também avaliou que o processo de harmonização pode contribuir para a monetização do gás natural no Brasil, especialmente com a chegada de novos volumes — “praticamente em torno de 50 e tantos milhões de metros cúbicos até 2030”. Na visão dele, os estados que adotarem as medidas se tornarão mais competitivos para atrair investimentos. Embora tenha defendido o diálogo como caminho preferencial, o diretor reconheceu que nem sempre é possível o consenso — como no episódio em São Paulo, em que a Eneva acionou a Justiça contra deliberação da Arsesp.”

Fonte: Eixos; 30/07/2026

Acordo com Eneva para flexibilizar térmicas pode servir de referência para outros contratos, diz secretário do MME

“O acordo que o Ministério de Minas e Energia (MME) negocia com a Eneva para flexibilizar contratos de usinas termelétricas a gás pode servir de referência para negociações com outras empresas, disse o secretário nacional de Energia Elétrica, João Daniel Cascalho. O secretário participou nesta quinta-feira (30/7) de um evento no Tribunal de Contas da União (TCU). A corte de contas negocia uma solução consensual para reduzir a inflexibilidade operacional das usinas. A expectativa do governo é ter modelo fechado em agosto. “Estamos vendo esse processo de conciliação como um benchmarking, porque a gente já tem proposta de outras empresas em condições similares, de contratos com alta inflexibilidade, buscando aí um ganho também, eventualmente, de um mix de contratos de energia e de gás numa lógica muito parecida com essa de integração que a gente percebe, cada vez maior, no mercado de energia como um todo”, afirmou Cascalho. O caso, mediado por uma comissão do TCU, envolve controvérsias enfrentadas nos contratos das usinas Maranhão III, Nova Venécia 2, Azulão II e Azulão IV. As duas primeiras estão localizadas em Santo Antônio dos Lopes, no Maranhão. Já as duas últimas estão localizadas em Silves, no Amazonas. Essas térmicas operam de forma contínua, ou seja, são altamente inflexíveis. O processo discute a flexibilização dessas usinas dada a dinâmica atual do sistema elétrico, que teve grande expansão da participação das fontes renováveis intermitentes nos últimos anos. O objetivo é reduzir o curtailment (corte de geração) que ocorre quando não é possível aproveitar a energia produzida por placas fotovoltaicas e turbinas eólicas por acontecer injeção contínua de energia dessas térmicas no sistema. A controvérsia do caso é como equilibrar o sistema sem desequilibrar os contratos. De acordo com Cascalho, o desafio é não aumentar os custos para o consumidor com as mudanças.”

Fonte: Eixos; 30/07/2026

Silveira defende “subsídio zero” para geradores em plano de governo Lula 4

“O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), defendeu nesta quarta (30/7) o fim da concessão de novos subsídios para a geração de energia elétrica, em um eventual quarto mandato do presidente Lula (PT). “Tenho definido que no plano de governo do presidente Lula seja subsídio zero nos próximos quatro anos no setor de geração das energias. Não há necessidade. O Brasil já cresceu o suficiente, já tem tecnologia o suficiente, e não cabe mais a gente atrapalhar a nossa economia nacional, em especial a indústria”, disse o ministro em evento no MME. A proposta surge em meio ao crescimento contínuo da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), mecanismo de financiamento de políticas públicas e subsídios do setor elétrico, que tem pressionado as tarifas pagas por consumidores residenciais e industriais. A CDE teve orçamento de R$ 32,09 bilhões em 2022, último ano do governo de Jair Bolsonaro, e em 2026, fim do mandato petista, deve alcançar R$ 52,7 bilhões. Desse total, R$ 47,8 bilhões serão custeados diretamente pelos consumidores por meio das tarifas de energia elétrica. Além de representar um novo recorde, o orçamento projetado para 2026 servirá de referência para o teto de crescimento da CDE previsto em lei. A partir de 2027, o mecanismo limitará o avanço da conta com base no orçamento estabelecido para o próximo ano. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram que os subsídios já representam 19,8% da conta de luz. Segundo a agência, entre os principais fatores de pressão estão os benefícios concedidos às fontes renováveis incentivadas e à micro e minigeração distribuída (MMGD), ambos financiados pela CDE. Ao defender mudanças na política de incentivos, Silveira afirmou que boa parte das tecnologias de geração já atingiu maturidade suficiente para competir sem apoio tarifário.”

Fonte: Eixos; 30/07/2026

Internacional

Boom de data centers tornará Portugal um dos mercados de energia que mais crescem na Europa, diz EDP

“Espera-se que a demanda por eletricidade em Portugal cresça a uma taxa anual composta de 4,5% na próxima década, tornando-o um dos mercados de energia que mais crescem na Europa — impulsionado por uma crescente carteira de projetos de data centers —, afirmou na quinta-feira o CEO da concessionária EDP. O país está emergindo como um importante polo europeu de data centers, com mais de 2,6 gigawatts em desenvolvimento — liderado pelo projeto Start Campus de 1,2 GW em Sines, apoiado por investimentos da Microsoft em infraestrutura de IA —, e a expectativa é de um crescimento substancial dessa carteira de projetos. A atratividade de Portugal para investidores em data centers baseia-se na abundância de fontes eólica, solar e hidrelétrica, proporcionando acesso a eletricidade renovável altamente competitiva para abastecer projetos de alto consumo energético. O CEO Miguel Stilwell d’Andrade afirmou que as previsões internas da empresa indicam um crescimento da demanda por eletricidade em Portugal a uma taxa anual composta de 4,5% entre 2026 e 2035 — situando-se entre “as taxas de crescimento mais rápidas da Europa” —, sendo que 60% desse aumento será impulsionado por uma expressiva carteira de projetos de data centers. O consumo de eletricidade em Portugal aumentou 3,5% em relação ao ano anterior no primeiro semestre, atingindo o recorde de 27,2 TWh, segundo a operadora da rede, REN. Esse índice superou o crescimento registrado na União Europeia, onde a demanda por eletricidade subiu 2% no mesmo período, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE); a agência prevê que o consumo de energia na UE crescerá a uma taxa anual composta (CAGR) de 2,3% até 2030. Em uma teleconferência com analistas, o CEO disse que “Portugal está se posicionando como um polo emergente de data centers de hiperescala”, graças aos baixos custos de eletricidade renovável e a uma rede de cabos submarinos transatlânticos que conecta a Europa às Américas e à África. A EDP vê Portugal como “uma grande oportunidade de crescimento nas áreas de redes, fornecimento, energias renováveis ​​e, potencialmente, soluções integradas para grandes clientes”, afirmou ele. O embaixador dos EUA em Portugal, John Arrigo, disse na semana passada que o país está no caminho certo para atrair mais de US$ 40 bilhões em investimentos de tecnologia dos EUA até 2031, tornando-se o maior polo da Europa para investimentos americanos em infraestrutura de IA.”

Fonte: Reuters; 30/07/2026

Gustavo Sergi será novo presidente da Braskem Idesa, no México

“A Braskem anunciou, nesta quinta-feira (30), Gustavo Sergi como novo CEO da subsidiária Braskem Idesa, no México. A nomeação foi aprovada pelo conselho de administração da joint venture, uma parceria entre a Braskem (75%) e o grupo Carso, do bilionário mexicano Carlos Slim, com 25%. Confira os resultados e indicadores da Braskem e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360. Sergi passou 15 anos na Braskem e, em 2022, assumiu a presidência da Sustainea, joint venture da Braskem com a japonesa Sojitz, voltada para soluções sustentáveis para embalagens por meio de produtos químicos renováveis. Segundo a Braskem, a chegada do executivo na Braskem Idesa reforça a estratégia da companhia para um de seus principais ativos internacionais, com foco na previsibilidade operacional, competitividade e geração de valor. “À frente da Braskem Idesa, Sergi terá como foco impulsionar a evolução do ativo e fortalecer sua competitividade, dando continuidade à estratégia de longo prazo da operação. Esse movimento passa diretamente pela consolidação do Terminal Química Puerto México (TQPM) como um importante diferencial logístico e de suprimento de matéria-prima”, disse a companhia em nota. Engenheiro de produção, com pós-graduação em administração de empresas, Gustavo Sergi possui MBA pelo Insead e formação executiva pela Singularity University e Harvard Business School. Ao longo da carreira, acumulou experiência na liderança de operações globais e no desenvolvimento de negócios nos setores petroquímico e de química renovável. A Braskem Idesa tem passado por dificuldades nos últimos anos. A empresa acumulou dívidas desde sua constituição e vem gerando caixa insuficiente para fazer frente aos compromissos assumidos para sua construção. A situação se agravou em 2023, com a piora do ciclo petroquímico — a mais aguda e prolongada da história —, o que fez explodir sua alavancagem financeira. Há ainda a falta de insumos para operar em plena capacidade. Quando entrou em operação, em 2016, o acordo com a estatal mexicana Pemex era pelo fornecimento de 100% do etano necessário para a fábrica de polietileno. A petroleira entregava menos de 60% da matéria-prima, segundo a Braskem informou ao Valor, em 2025. O TQPM, inaugurado em maio de 2025, foi a solução encontrada pela Braskem para permitir a importação de etano dos EUA e para garantir plena capacidade de operação da planta de polietileno. Foram investidos cerca de US$ 450 milhões. A produção da Braskem Idesa tem como destino principal o próprio México, com 60%. Os outros 40% são exportados, com destaque para América Central e Norte da América do Sul.”

Fonte: Valor Econômico; 30/07/2026

BP cortará 700 vagas ao alertar sobre “excesso de oferta” de petróleo

“A BP está cortando 700 vagas que não são de “linha de frente”, como parte do plano da gigante do petróleo para simplificar sua organização e aumentar os retornos, segundo um e-mail interno compartilhado com a equipe na quinta-feira. Os cortes de vagas incluem cargos na divisão de upstream (exploração e produção), mas não afetariam “funções operacionais diretamente ligadas à execução de atividades seguras e confiáveis”, afirmou a empresa. Em um e-mail aos funcionários visto pelo Financial Times (FT), Gordon Birrell, vice-presidente executivo de upstream da BP, disse que as mudanças resultariam em uma estrutura corporativa mais horizontal. O número de líderes seniores do grupo cairia mais de 20% em relação aos níveis atuais, afirmou ele. A BP emprega 93.700 pessoas em todo o mundo, segundo seu relatório anual de 2025, após ter cortado quase 7.000 vagas no ano passado. O e-mail aos funcionários indicava que os sinais do mercado global apontavam para um “potencial excesso de oferta e preços mais baixos de petróleo e gás”, o que exigia que a BP fosse “competitiva na baixa do ciclo, e não apenas na alta”. Esse alerta ocorre apesar da recente alta nos preços do petróleo bruto, impulsionada por interrupções no fornecimento decorrentes do conflito envolvendo o Irã. Meg O’Neill, que assumiu o cargo de CEO da BP em abril, declarou que reestruturará a empresa em duas divisões principais: uma unidade de upstream, focada na produção de petróleo e gás, e outra de downstream, responsável pela operação de refinarias e negócios voltados ao consumidor final, como postos de gasolina. Ela afirmou que a medida resultaria em uma empresa “mais simples, mais forte e mais valiosa”. Ela também elevou a meta de redução de custos da empresa para uma faixa entre US$ 6,5 bilhões e US$ 7,5 bilhões até o final de 2027, em comparação com os níveis de 2023. O e-mail de Birrell mencionava que a empresa também propunha mudanças na forma como o trabalho é realizado, além de buscar maior clareza quanto a responsabilidades e processos de tomada de decisão. O desenho das mudanças organizacionais já foi concluído, segundo o texto, embora o cronograma de implementação varie de acordo com o país. Os cortes de vagas, noticiados inicialmente pelo Upstream Online, ocorrem em meio a um início turbulento da gestão de O’Neill como CEO, após a demissão do presidente do conselho da BP, Albert Manifold, devido a “sérias preocupações” com seu comportamento. A BP declarou: “Estamos construindo uma BP mais simples, mais forte e de maior valor. Como parte desse processo, estamos propondo mudanças que resultarão em uma redução de cargos, com o objetivo de diminuir a complexidade, aumentar a responsabilidade e apoiar o desempenho a longo prazo em um ambiente de mercado em transformação.”

Fonte: Financial Times; 30/07/2026

Aumenta a disparidade climática na Grã-Bretanha em meio a incêndios e mortes por calor

“Em pleno verão britânico, metade da Inglaterra e todo o País de Gales estão oficialmente em situação de seca, partes de Suffolk, perto da usina nuclear de Sizewell B, estão em chamas, e algumas áreas enfrentam a quarta onda de calor do ano. Essas condições extremas, no entanto, não ajudaram em nada a reduzir a crescente divisão política na Grã-Bretanha em torno das ações climáticas. Nesta semana, a líder conservadora Kemi Badenoch reforçou sua oposição às metas climáticas, classificando a busca do Reino Unido pela neutralidade nas emissões de carbono (net zero) como algo que está “levando o país à falência”. Foi o partido de Badenoch que, há uma década, legislou pela primeira vez para que a Grã-Bretanha atingisse a neutralidade de carbono até 2050 — uma política que, desde então, foi adotada por muitos países ao redor do mundo. No entanto, embora a líder conservadora tenha apoiado a política de neutralidade de carbono quando era ministra — chegando a descrever a meta como “crucial” em 2020 —, no ano passado ela prometeu abandonar a medida caso seu partido retorne ao poder. Badenoch também deixou claro que descartaria potenciais candidatos conservadores que apoiassem a neutralidade de carbono. O partido Reform UK, de Nigel Farage, também se opõe à neutralidade de carbono. Em contrapartida, Ed Miliband, do Partido Trabalhista, aproveitou seus primeiros dias como secretário de Relações Exteriores para alertar sobre a ameaça do aumento das temperaturas. Em um comunicado conjunto com seu homólogo espanhol, ele advertiu que “os incêndios florestais deste verão demonstraram que as mudanças climáticas são agora uma emergência de segurança nacional que a Europa enfrenta e que ameaça o nosso modo de vida”.”

Fonte: Financial Times; 31/07/2026

Como o calor extremo está expondo vulnerabilidades estruturais na Europa

“Quando veio a primeira forte onda de calor, ainda no início de junho, na Borgonha (França), admitia-se ceder a modelos simples de ventilador. As paredes parrudas do casario de séculos passados, que não costumam deixar passar o sinal da internet, se encarregariam de manter as temperaturas mais altas do lado de fora, como de outras vezes nesta época do ano. Ao final da semana, porém, os ventiladores já não pareciam suficientes. Aparelhos de ar-condicionado, tidos como luxo impensável, não só ali, mas em boa parte da Europa, foram para o centro de um grande debate existencial. A discussão foi parar nas primeiras páginas dos jornais e na TV, enquanto dezenas de departamentos franceses eram colocados nas faixas mais perigosas de alerta de calor e avisos luminosos nas estradas lembravam da necessidade de hidratação. De bermuda, a carteira comunicava enquanto fazia suas entregas na cidade histórica de Avalon que o expediente do correio fecharia ao meio-dia dali em diante, até que a onda passasse. O problema é que, depois dessa, vieram outras duas na sequência. Foi o segundo mês de junho mais quente desde 1900 no país. O incômodo levou dezenas de pessoas a circular diariamente pelos corredores do hipermercado com carrinhos de compras vazios. Aproveitavam o ar-condicionado, que já não dava conta do recado. Ao avisar por e-mail que, para poupar os funcionários, limitaria o horário de funcionamento ao período da manhã, a livraria L’ Autre Monde convidava os clientes a bisbilhotar as novidades e refrescar-se com a climatização. Nesse meio-tempo, os ventiladores foram sumindo, assim como as promoções de início da estação, dando lugar a prateleiras vazias, com preços para lá de inflados. Quem investiu nesses aparelhos começava a rever seus próprios preconceitos e já sonhava com um ar-condicionado para chamar de seu. Mas eles também já estavam em falta. Em países como o Brasil, Estados Unidos, Austrália e Japão, os meses de verão, quentes e úmidos, tornam-se suportáveis com a ajuda deles. Cerca de 90% de quem vive nos EUA têm um ar-condicionado em casa, segundo o Departamento de Energia americano. Na Europa não é assim. O índice é de apenas 20%, variando de acordo com a região. Na Espanha, cerca de metade das residências tem sistemas de refrigeração central. Na Alemanha, esse percentual não passa de 6%.”

Fonte: Valor Econômico; 31/07/2026

Banco Central Europeu amplia fator climático para empréstimos e reforça proteção contra riscos da transição verde

“O Banco Central Europeu (BCE) anunciou que vai ampliar o uso do chamado fator climático em sua estrutura de garantias (collateral framework), estendendo a medida a determinados empréstimos concedidos a empresas não financeiras. A decisão foi aprovada pelo Conselho do BCE em 24 de julho. Em comunicado, o BCE afirmou que a ampliação “foi concebida para fortalecer ainda mais a estrutura de gestão de riscos do Eurosistema ao abordar as incertezas financeiras relacionadas à transição verde”. Segundo o BCE, ativos mais sensíveis a fatores como mudanças nas políticas climáticas, avanços tecnológicos, alterações no comportamento dos consumidores, litígios e ajustes macroeconômicos poderão sofrer uma redução maior em seu valor como garantia. O objetivo, portanto, é minimizar perdas caso esses ativos sejam afetados por choques relacionados à transição para uma economia de baixo carbono. Até agora, o fator climático era aplicado apenas a títulos de dívida emitidos por empresas não financeiras e suas afiliadas, conforme regra aprovada em julho de 2025 e entrou em vigor em 15 de junho deste ano. Na prática, os bancos da zona do euro utilizam ativos como garantia quando tomam empréstimos junto ao banco central. A principal mudança é a inclusão dos créditos concedidos a empresas não financeiras entre os ativos sujeitos ao fator climático. Com a ampliação da medida, o valor dessas garantias também passará a considerar a exposição dos ativos aos riscos da transição climática. O BCE informou que a redução adicional aplicada ao valor das garantias não poderá ultrapassar 5%, tanto para títulos corporativos quanto para empréstimos. Os fatores climáticos atribuídos a cada operação individual não serão divulgados publicamente. A ampliação aumenta significativamente o alcance da medida. Enquanto os títulos corporativos representam menos de 2% das garantias apresentadas pelos bancos ao BCE, os empréstimos a empresas respondem por cerca de 29% do total das garantias utilizadas nas operações do Eurosistema. O cálculo do fator climático para esses empréstimos será baseado em três elementos: um indicador setorial derivado do mais recente teste de estresse climático do Eurosistema, o grau de exposição da empresa devedora às incertezas relacionadas à transição e o prazo restante do crédito. Quando não houver dados específicos sobre um setor ou empresa, o BCE poderá recorrer a informações setoriais ou outras bases de dados consideradas adequadas para avaliar esses riscos.”

Fonte: Valor Econômico; 30/07/2026

30 de julho: Terra entra em ‘cheque especial’ e humanidade esgota recursos naturais do ano

“A partir de hoje, 30 de julho, a humanidade passa a viver de crédito ou no “cheque especial” com o planeta. Em 2025, foi ainda antes: 24 de julho, o que dá uma falsa impressão de que “estamos melhor”. O Dia da Sobrecarga da Terra é a data que esgotamos, em apenas sete meses, tudo o que seria possível produzir e regenerar ao longo de 12 meses. De agora em diante, seguimos consumindo, mas a conta já está no vermelho. O cálculo é feito anualmente pela Global Footprint Network, organização internacional que criou o conceito de pegada ecológica e biocapacidade. Na prática, a metodologia compara quanto a humanidade consome de recursos naturais com quanto os ecossistemas conseguem repor no mesmo período. O resultado deste ano é o pior já registrado: seriam necessários 1,73 planeta Terra para sustentar o ritmo atual de consumo e isso inclui não só alimentos, madeira e água, mas toda a infraestrutura construída para sustentar as cidades e a capacidade da natureza de absorver o CO2 que emitimos. À primeira vista, os 6 dias “de folga” em relação a 2025 podem parecer uma boa notícia. Mas segundo a Global Footprint Network, o recuo é resultado de um ajuste técnico: uma revisão para cima na capacidade dos oceanos de absorver carbono empurrou o cálculo em 8 dias. Ao mesmo tempo, o agravamento real da pegada ecológica no último ano antecipou a data em 2 dias. No saldo final, sobraram os 6 dias de diferença. No entanto, o nível de sobrecarga em si é o maior da história. É a segunda vez consecutiva que a data cai em julho. Nos cinco anos anteriores, o mundo só entrava no vermelho entre 1º e 5 de agosto. Recuar no calendário, olhando para décadas, é o movimento contrário: em 1972, início da série histórica, a Terra só esgotava seus recursos em 31 de dezembro. Até 1999, o marco ainda ocorria em outubro. De lá para cá, o dia foi avançando ano após ano, sinal de que o descompasso entre consumo humano e capacidade de regeneração do planeta só aumenta. Esse desequilíbrio não desaparece quando o ano vira, ele se acumula. Segundo o relatório, a dívida ecológica global já soma o equivalente a 20,6 anos de plena produtividade biológica da Terra. Ou seja: se fosse possível reverter todo o estrago hoje, ainda assim o planeta levaria mais de duas décadas, funcionando a pleno vapor, para repor o que já foi consumido além da conta. E os cientistas da própria organização admitem que boa parte desse estrago provavelmente “não tem volta”, é irreversível.”

Fonte: Valor Econômico; 30/07/2026

Índices ESG e suas performances

(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG).
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