Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do temaESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.
Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.
Principais tópicos do dia
• O pregão de terça-feira território positivo, com o IBOV e o ISE avançando, 0,51% e 0,57%, respectivamente.
• Do lado das empresas, a brasileira Energis8 (E8R) espera produzir cerca de 1 bilhão de litros de combustível de aviação sustentável (SAF) por ano, via um modelo de processamento por encomenda, no qual os clientes fornecem etanol à Energis8 para ser transformado em SAF mediante o pagamento de uma taxa – o projeto deve entrar em operação em 2031, com previsão de investimento de US$ 1,3 bilhão, segundo Marcos Guerra (presidente executivo da companhia).
• Na política, (i) o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, nesta terça-feira, a elevação temporária de 30% para 32% (E32) do percentual obrigatório de etanol anidro na gasolina, com a medida sendo válida por 180 dias, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período – tal aumento é previsto na Lei do Combustível do Futuro e, em nota, o Ministério de Minas e Energia (MME) disse que a decisão foi influenciada pela volatilidade do mercado internacional de petróleo e combustíveis; e (ii) a Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) aprovou um projeto de lei de autoria do governo estadual para flexibilizar o licenciamento ambiental para instalação de data centers e projetos de armazenamento de energia – o movimento do Ceará ocorre em meio a indefinições em torno da política brasileira de incentivos ao setor, o Redata, que segue indefinido, apesar dos esforços do setor de resgatar a proposta.
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Brasil
Empresas
Votorantim fecha a conta da conservação na Mata Atlântica
“A Votorantim atingiu um feito inédito: fechou a conta da conservação da Mata Atlântica. A venda de créditos de carbono era o elemento que faltava para que a Reservas Votorantim, empresa de gestão de ativos ambientais da holding, conseguisse atingir o equilíbrio financeiro dessa operação. “O carbono foi o ponto que faltava para poder fechar o modelo de negócio idealizado para financiar a conservação”, diz Tatiana Motta, coordenadora de projetos e carbono da Reservas Votorantim. Foram cerca de 120 mil créditos gerados em pouco menos de 22 mil hectares do Legado das Águas, localizado no Vale do Ribeira (SP), área mantida pela Reservas Votorantim há décadas e a maior reserva privada da Mata Atlântica. Créditos de carbono também fazem parte da receita de outros projetos, mas apenas a venda dos créditos do Legado das Águas respondeu por 12% do faturamento da Reservas. O grupo não divulga os resultados financeiros de empresas e projetos de forma individual, mas Motta diz que o Legado das Águas atingiu o break even, quando gera receita suficiente para cobrir todos os seus custos e despesas, em 2025. No mesmo ano, o faturamento da Reserva Votorantim cresceu 22% em relação a 2024, segundo o relatório de resultados, que não traz números absolutos. O modelo de negócio do Legado das Águas conta ainda com ecoturismo, programas de educação ambiental, produção de mudas nativas e iniciativas de bioeconomia. A Votorantim SA é uma holding brasileira de investimentos que controla e tem participação em empresas de cimento (Votorantim Cimentos), mineração (Nexa Resources), alumínio (Companhia Brasileira de Alumínio), energia renovável (Auren Energia), infraestrutura (participação na Motiva, ex-CCR), finanças (Banco Votorantim) e agronegócio (Citrosuco). A Reservas Votorantim nasceu com o objetivo de monetizar produtos e serviços associados à manutenção de vegetação nativa que a holding já tinha sob gestão há décadas. Além da Mata Atlântica, a Reservas faz gestão de áreas naturais no Cerrado e no Pantanal. Os três biomas somam cerca de 130 mil hectares – cada hectare equivale ao tamanho de um campo de futebol. O plano de negócios inclui mecanismos pouco explorados nas florestas brasileiras, como os créditos de carbono da Mata Atlântica. A primeira safra do Legado das Águas aconteceu em 2023, com 93,4 mil créditos emitidos. “A grande pergunta naquele momento era: o mercado vai comprar?”, conta Motta. Isso porque a metodologia dos créditos era inédita e totalmente brasileira. Chamada de PSA Carbonflor, ela foi desenvolvida pela Reservas junto com a Eccon Soluções Ambientais. A principal diferença da metodologia é a sua aplicação em florestas preservadas que não estão sob pressão imediata de desmatamento, ao contrário dos projetos de conservação REDD+, predominantes na Amazônia. Em vez de calcular as emissões evitadas por impedir a derrubada da vegetação, a PSA Carbonflor mede o valor climático dos serviços prestados pela floresta.”
Fonte: Capital Reset; 14/07/2026
Indústria terá de combinar diferentes rotas para descarbonizar sem perder competitividade
“Não existe uma solução mágica para descarbonizar a indústria. Mineração, alumínio, siderurgia e outros segmentos intensivos em energia terão de combinar diferentes tecnologias para reduzir emissões sem perder a competitividade. Esse foi o principal consenso do painel “O desafio da indústria intensiva em energia”, realizado durante o evento “Transição Energética – Energia e indústria: como descarbonizar sem perder competitividade”, promovido pelo Valor e pelo O Globo, e que reuniu Alessandra Fajardo, diretora-executiva técnica do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS); Janaína Donas, presidente-executiva da Associação Brasileira do Alumínio (Abal); e Rodrigo Lauria, diretor de mudanças climáticas e descarbonização da Vale. O desafio ajuda a explicar por quê. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), a indústria responde por cerca de um quarto das emissões globais de dióxido de carbono (CO₂) relacionadas à energia. Em setores como mineração, aço, cimento e alumínio, parte das emissões pode ser reduzida com eletrificação, eficiência energética e substituição de combustíveis fósseis. Outra parte depende de tecnologias que ainda não atingiram escala comercial. “Não vamos ter uma bala de prata”, afirmou Lauria. Segundo ele, a Vale vem combinando aumento do uso de biocombustíveis, ganhos de eficiência energética, inteligência artificial, desenvolvimento de novos combustíveis e produtos menos intensivos em carbono. Desde o início da década, a companhia já investiu mais de R$ 9 bilhões nessa agenda. Lauria também explicou que reduzir emissões deixou de ser apenas uma agenda ambiental e passou a ser “sobretudo uma agenda de competitividade.” Segundo o executivo, à medida em que diferentes países ampliam mecanismos de precificação do carbono, empresas capazes de reduzir a intensidade de elemento em seus produtos passam a ganhar vantagem competitiva. A mesma lógica aparece no trabalho desenvolvido pelo CEBDS para apoiar as discussões climáticas. Em vez de buscar uma solução comum para todos os segmentos, a entidade procurou identificar quais medidas concentram o maior potencial de redução de emissões em cada cadeia produtiva. “Muitas vezes quatro alavancas eram responsáveis por 70% da descarbonização. No caso do agro, quatro alavancas eram responsáveis por 80%”, disse Fajardo.”
Fonte: Valor Econômico; 14/07/2026
Energis8 mira produção de 1 bilhão de litros de combustível de aviação sustentável no Brasil
“A empresa brasileira Energis8 espera produzir cerca de 1 bilhão de litros de combustível de aviação sustentável (SAF) por ano, disse o presidente-executivo, Marcos Guerra, à Reuters em entrevista, acrescentando que os principais planos devem estar concluídos até o final deste ano. A empresa, também conhecida como E8R, produzirá combustível de aviação por meio de um modelo de processamento por encomenda, no qual os clientes fornecem etanol à Energis8 para ser transformado em SAF mediante o pagamento de uma taxa, disse Guerra, na segunda-feira (13), acrescentando que esse mecanismo será mais barato do que os preços no mercado spot. O Brasil é um grande produtor de etanol. Embora o setor tenha sido por muito tempo domínio exclusivo dos produtores de cana-de-açúcar do país, a produção de etanol a partir de milho e outros grãos cresceu exponencialmente nos últimos anos, com líderes da indústria defendendo a expansão para combustíveis marítimos e de aviação. O projeto deve entrar em operação em 2031 e a previsão é de que exija um investimento de US$ 1,3 bilhão, disse Guerra, acrescentando que está confiante em que a tendência global de usar energias renováveis em vez de combustíveis fósseis só vai ganhar força. “Essa decisão não vai ser retirada”, afirmou ele em São Paulo, acrescentando que o projeto será construído em Paulínia (SP), para aproveitar a proximidade com importantes centros de aviação, como os aeroportos de Guarulhos e Viracopos, em Campinas. Embora o SAF seja atualmente mais caro do que o combustível de aviação à base de combustíveis fósseis, os custos certamente vão se aproximar da paridade no futuro, disse Guerra. “Vai chegar num momento dentro aviação que a energia renovável vai ser mais barata ou igual ao petróleo”, disse ele, observando que o modelo de processamento por encomenda mitigaria a exposição à volatilidade dos preços do SAF. O projeto exigirá 1,7 bilhão de litros de etanol por ano para conversão em SAF, disse ele, e os clientes pagarão uma taxa por litro pela conversão. Embora Guerra controle atualmente 85% da empresa — com os 15% restantes nas mãos de três outros executivos cujos nomes ele se recusou a revelar —, espera-se que 40% do financiamento do projeto venham de capital próprio, enquanto o restante será proveniente de dívida, acrescentou ele.”
Fonte: Valor Econômico; 14/07/2026
No Mercado Livre, vender mais com menos impacto passa por frota elétrica e a biometano
“A pandemia de covid-19 transformou a logística do Mercado Livre em uma operação ainda maior — e mais emissora de gases de efeito estufa. Em 2020, a empresa informou que sua pegada de carbono havia crescido mais de quatro vezes em relação ao ano anterior, impulsionada pelo avanço do comércio eletrônico durante o isolamento social. Em 2022, as emissões chegaram a 1,7 milhão de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e), alta de 25% sobre 2021. Cinco anos depois, a estratégia da companhia para reduzir esse impacto deixou de apostar apenas na eletrificação da frota. Hoje, a empresa combina veículos elétricos, etanol, biometano e gás natural veicular (GNV), além de inteligência artificial para otimizar rotas, telemetria, expansão da infraestrutura logística e iniciativas para reduzir embalagens e consumo de energia. A lógica é adaptar a tecnologia às características de cada país e tipo de operação. A mudança acompanha o crescimento do negócio. Em 2025, o Mercado Livre realizou mais de 2,4 bilhões de vendas para 121 milhões de compradores únicos e inaugurou 32 centros logísticos de grande porte, além de desenvolver 65 projetos na rede de última milha. Ao mesmo tempo, afirma ter realizado 218 milhões de entregas com emissões reduzidas e evitado a emissão de 32 mil toneladas de CO₂e por meio de iniciativas de mobilidade sustentável. A empresa contou à EXAME mais sobre a estratégia que tem garantido mais entregas enquanto busca cada vez menos emissões e impacto ambiental. Quando a pandemia acelerou o comércio eletrônico, o Mercado Livre percebeu que a eletrificação da frota, sozinha, não seria suficiente para acompanhar o ritmo de crescimento da operação. A empresa passou a desenhar uma estratégia baseada em diferentes tecnologias, escolhidas de acordo com a infraestrutura disponível, o perfil das rotas e a realidade de cada país da América Latina. “A pandemia acelerou o e-commerce, ampliou nossa operação e colocou a logística no centro da discussão sobre emissões. A cadeia de entrega é onde temos maior capacidade de atuar, e também onde os desafios de descarbonização são mais complexos”, afirma Rodrigo Brito, gerente sênior de Sustentabilidade Ambiental do Mercado Livre para a América Latina.”
Fonte: Exame; 14/07/2026
Conselho da Vale elege presidente interino
“A Vale informou, nesta terça-feira, que seu conselho de administração elegeu Wilfred Theodoor Bruijn, conhecido como “Bill”, como presidente do colegiado até 22 de julho, quando ocorre a assembleia geral extraordinária (AGE). Confira os resultados e indicadores da Vale das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360. Em comunicado ao mercado, a mineradora diz que a escolha de Bill se dá pela vacância do cargo de presidente do conselho de administração desde 6 de julho, quando Daniel Stieler renunciou. A assembleia da Vale irá eleger um conselheiro e um novo presidente para o colegiado, vagas que eram acumuladas por Stieler. A renúncia foi motivada por um pedido de destituição do executivo feito pela Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, um dos principais acionistas de referência da Vale.”
Fonte: Valor Econômico; 14/07/2026
Descarbonização depende de diferentes soluções combinadas
“Ter uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo não tem sido suficiente para garantir vantagem competitiva à indústria brasileira. Depois de ampliar a participação das fontes renováveis na geração de eletricidade, o desafio agora é transformar esse diferencial em competitividade. O tema foi debatido no evento “Transição Energética – Energia e Indústria: como descarbonizar sem perder competitividade”, promovido pelo Valor e por O Globo, em São Paulo. Executivos da indústria, do setor elétrico e de entidades empresariais defenderam que a descarbonização exigirá soluções diferentes para cada atividade econômica. “Não vamos ter uma bala de prata. Você tem uma sequência de ações coordenadas”, disse Rodrigo Lauria, diretor de mudanças climáticas e descarbonização da Vale. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), a indústria responde por cerca de um quarto das emissões globais de dióxido de carbono relacionadas à energia. O Brasil parte de uma posição favorável por contar com uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo. Isso, no entanto, não elimina os desafios enfrentados pelos setores industriais mais intensivos em energia. A redução das emissões do alumínio, por exemplo, depende também da transformação dos processos produtivos. “No caso do Brasil, a gente tem uma vantagem competitiva porque a nossa matriz energética já reduz uma parte importante das emissões. Mas isso significa que o nosso exercício de descarbonização acabou? Não”, disse Janaína Donas, presidente-executiva da Associação Brasileira do Alumínio (Abal). Segundo ela, muitas tecnologias ainda não chegaram à escala necessária, exigindo “reinventar a roda, reinventar o negócio”. Para identificar onde concentrar esforços, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) reuniu empresas, associações, universidades e centros de pesquisa para mapear oportunidades de redução de emissões em várias cadeias produtivas. “Muitas vezes, quatro alavancas eram responsáveis por 70% da descarbonização. No caso do agro, quatro alavancas respondiam por 80%”, afirmou Alessandra Fajardo, diretora-executiva técnica da entidade. Para ela, o estudo mostrou que cada setor terá uma trajetória própria para reduzir emissões. O avanço da geração renovável também traz novos desafios. Com a expansão das fontes solar e eólica, armazenamento de energia e estabilidade da rede passaram a ocupar espaço crescente nas discussões do setor. “Na energia eólica e solar quem dá as cartas é a natureza. A solução é armazenar. E a melhor forma de armazenar energia hoje são as baterias”, afirmou Carlos José Bastos Grillo, vice-presidente de tecnologia da WEG. A necessidade de ampliar a infraestrutura também foi destacada por Marisete Dadald Pereira, presidente da Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage). “Você tem que expandir o sistema considerando todos os recursos sistêmicos que ele necessita para garantir segurança e confiabilidade’, afirmou. Segundo ela, a expansão das fontes renováveis transformou a energia em fator estratégico para a competitividade e reforçou a importância de soluções de armazenamento, como as hidrelétricas reversíveis.”
Fonte: Valor Econômico; 15/07/2026
Saneamento privado chega à metade dos municípios
“Empresas privadas de saneamento já estão presentes em 2.720 cidades brasileiras, praticamente a metade dos municípios do país, segundo levantamento da Abcon, a associação do setor. O dado inclui concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs). Desde 2020, quando o marco legal do setor foi sancionado, o número de municípios com operação privada aumentou em seis vezes. Naquele ano, a participação da livre iniciativa era de 7%, e hoje é de 49%. Apesar do avanço, os grandes leilões realizados recentemente dão sinais de desaceleração. Neste ano, por exemplo, tanto a Saneago (estatal de Goiás) quanto a Cagece (do Ceará) suspenderam licitações de PPPs por falta de propostas. A estatal cearense chegou a leiloar um dos cinco lotes oferecidos, mas recebeu uma só oferta. O cenário contrasta com o dos leilões dos últimos anos, em que investidores entraram em concorrências acirradas e ofereceram bilhões de reais em outorga. Para especialistas, a redução do interesse deve-se ao fato de as concessões oferecidas nos últimos meses estarem em regiões menos rentáveis e apresentarem modelagens com premissas excessivamente otimistas. Outra razão seria o endividamento elevado das companhia do setor.”
Fonte: Valor Econômico; 15/07/2026
Política
CNPE veda importação de biodiesel para mistura obrigatória no diesel
“O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, nesta terça-feira (14), resolução que estabelece que o biodiesel comercializado pelo mercado para mistura obrigatória ao óleo diesel deverá ser produzido exclusivamente por unidades autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Na prática, a medida veda a importação do insumo para esta finalidade, mas a comercialização do biodiesel importado permanece permitida para os demais segmentos previstos na regulamentação vigente. A medida é fruto de uma recomendação de Análise de Impacto Regulatório (AIR) elaborada por grupo de trabalho criado em 2023 pelo CNPE, responsável por assessorar a Presidência da República em políticas energéticas. De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), o estudo avaliou os impactos da importação de biodiesel e do Selo Biocombustível Social (SBS) sobre o cumprimento da mistura obrigatória do biodiesel ao diesel B e apresentou recomendações para o aprimoramento normativo setorial. “Após reavaliação das condições de abastecimento, as análises realizadas pelo MME, pela ANP e pelos agentes do setor indicaram a manutenção da normalidade do mercado nacional de biodiesel, com oferta compatível com a demanda prevista e capacidade instalada suficiente para atender ao mercado obrigatório. Com esse cenário. a diretriz recomendada na AIR foi incluída na regulamentação”, informou a pasta, em nota. O CNPE também aprovou resolução que estabelece diretrizes para o combate a fraudes e adulterações no mercado de combustíveis e derivados de petróleo. Segundo o MME, entre as diretrizes previstas estão ações preventivas e corretivas pela ANP, com utilização de metodologias de análise de risco, definição de metas e integração entre áreas técnicas e adoção de ferramentas tecnológicas para identificação de irregularidades. A resolução também incentiva a atuação coordenada de instituições como Procons, Ministérios Públicos, polícias, órgãos fazendários e o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). A norma prevê ainda a atualização dos mecanismos de controle e rastreabilidade do setor, incluindo a escrituração eletrônica certificada das operações de venda, compra e estoque realizadas por postos revendedores de combustíveis. Também estabelece procedimentos mínimos de conformidade para atividades de produção de derivados de petróleo e biocombustíveis, para o licenciamento de importações e para o acompanhamento de agentes autorizados a operar no mercado.”
Fonte: Valor Econômico; 14/07/2026
CNPE aprova elevação temporária do teor de etanol na gasolina para 32%
“O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, nesta terça-feira (14/7), a elevação temporária de 30% para 32% (E32) do percentual obrigatório de etanol anidro na gasolina. A medida valerá por 180 dias, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período. O aumento da mistura é previsto na Lei do Combustível do Futuro. Em nota, o Ministério de Minas e Energia (MME) disse que a decisão foi influenciada pela volatilidade do mercado internacional de petróleo e combustíveis. Na última semana, os EUA voltaram a atacar navios no Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da produção de petróleo mundial. A perspectiva do governo é que a utilização de uma maior parcela de etanol produzido no país reduza a dependência de combustíveis fósseis importados e faça com que o Brasil deixe de importar 900 milhões de litros de gasolina por ano. Segundo o MME, os ensaios técnicos da mistura pelo Instituto Mauá de Tecnologia (IMT) apresentaram comportamento equivalente a misturas com menor teor de etanol, “sem impactos relevantes no funcionamento dos veículos”. O aumento do etanol na mistura é defendido pelo agronegócio, com apoio do governo. O setor defende que o maior uso de etanol ajuda a atenuar os reflexos da guerra no Oriente Médio sobre os preços internos de combustíveis. “Estamos falando de uma solução que reduz emissões, gera emprego e renda no interior do país e fortalece uma cadeia produtiva na qual o Brasil é referência mundial. Poucos países reúnem as condições que o Brasil possui para avançar simultaneamente em segurança energética, descarbonização e desenvolvimento econômico”, disse o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), Evandro Gussi, em nota. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos/PB), também celebrou a aprovação em publicações nas redes sociais. “Recebo com otimismo a aprovação do aumento do percentual para 32% do etanol na gasolina pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética). Este resultado é fruto do diálogo que tive na semana passada com os ministros do Planejamento, Bruno Moretti, e de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD). Num cenário internacional desafiador, devemos perseguir a estabilidade e a segurança para a produção nacional”, afirmou Motta.”
Fonte: Eixos; 14/07/2026
Ceará corre para flexibilizar licenciamento de data centers
“A Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) aprovou nesta terça um projeto de lei de autoria do governo estadual para flexibilizar o licenciamento ambiental para instalação de data centers e projetos de armazenamento de energia. O PL 69/2026 foi aprovado em regime de urgência, no plenário, com 22 votos a favor e seis contrários. Enviado pelo governador Elmano de Freitas (PT), no dia 8 de julho, o texto estabelece a Política Estadual de Incentivo à implantação de Sistemas de Armazenamento de Energia Elétrica em Baterias (Saebs), de data centers e de Centros de Processamento de Dados do Ceará. A proposta enfrentou resistência do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) e do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos do Ceará (CEDDH/CE) que recomendaram, na última semana, a suspensão da tramitação do PL, relata o jornal local O Povo. O texto ainda precisa ser sancionado pelo governador. Durante a tramitação, o projeto recebeu 11 emendas, mas apenas uma, de autoria do deputado estadual Renato Roseno (Psol), foi aprovada, com modificações. O deputado propôs incluir a determinação de que data centers e centros de processamento de dados classificados como de porte médio, grande e excepcional mantenham um sistema permanente de monitoramento ambiental e disponibilizem informações atualizadas sobre seu desempenho nessa área. O movimento do Ceará para atrair a instalação de grandes projetos como os data centers ocorre em meio a indefinições em torno da política brasileira de incentivos ao setor, o Redata. Em fevereiro deste ano, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP), decidiu unilateralmente não pautar o projeto de lei 278/2026 (PL do Redata), deixando que a medida provisória que deu origem ao texto perdesse a validade. O projeto havia sido aprovado no dia anterior pela Câmara, reproduzindo a medida provisória 1318/2025, para instituir o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata) com garantia de isenção fiscal para importação de equipamentos. Em meio a conflitos entre o Planalto e o Senado, a política nacional segue indefinida, apesar dos esforços do setor de resgatar a proposta.”
Fonte: Eixos; 14/07/2026
MME abre consulta pública para projetos transmissão prioritários
“O Ministério de Minas e Energia (MME), abriu, nesta terça-feira, a consulta pública sobre a proposta da primeira emissão do Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica (Potee) de 2026. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União (DOU). O Potee define obras e instalações prioritárias para a expansão e reforço do sistema de transmissão de energia nos próximos anos, com base nas necessidades identificadas no setor elétrico. Nesta edição, o documento propõe 58 obras de ampliações e reforços; 17 obras para instalação de distribuição; e seis desativações de instalações. O objetivo da consulta é que as concessionárias listadas no plano verifiquem se a descrição de cada obra é compatível com as instalações sob sua responsabilidade e se está adequada para compreensão, detalhamento dos projetos e orçamentação. As concessionárias devem, ainda, conferir se o prazo referencial para entrada em operação comercial é viável e, se não for, apresentar contribuição. A consulta pública visa também dar visibilidade à pendência de cadastramento, no Sistema de Gerenciamento dos Planos de Melhorias e Reforços (SGPMR) do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), dos reforços de pequeno porte associados a reforços de grande porte.”
Fonte: Eixos; 14/07/2026
Câmara acelera revogação de decreto que ampliou unidade de conservação no Pantanal
“A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (14), o requerimento de urgência para um projeto de decreto legislativo (PDL) que derruba um decreto federal que ampliou a área de uma unidade de conservação no Pantanal, a Estação Ecológica de Taiamã. O Ministério do Meio Ambiente se posicionou contra o avanço do projeto e pela manutenção do decreto que ampliou a unidade de conservação. Com o requerimento de urgência aprovado, o PDL passa a ter a tramitação acelerada, pode “pular” a fase das comissões e ser votado diretamente em plenário. Com isso, o decreto do governo pode ser derrubado. A unidade de conservação é localizada nos municípios de Cáceres e Poconé, no estado de Mato Grosso, e foi ampliada em março de 2026 por decreto federal. A área de preservação ganhou mais 56.959 hectares, um aumento superior a 500% que levou a unidade a totalizar cerca de 68 mil hectares. O PDL que tev o regime de urgência aprovado é de autoria da deputada Coronel Fernanda (PL/MT) e, na justificativa, a parlamentar afirma que a medida “sobrepõe-se a propriedades rurais produtivas, gerando insegurança jurídica para pecuaristas e pescadores, com risco iminente de desapropriações compulsórias sem indenizações prévias adequadas”. A autora também alega que o governo ignorou as manifestações contrárias à ampliação da área de proteção. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima é contrário ao PDL que teve a tramitação acelerada e defende a manutenção do decreto federal que ampliou a Estação Ecológica de Taiamã. “A ampliação da unidade de conservação foi precedida de amplo processo de participação social, que incluiu reuniões com representantes do poder público, do setor produtivo, proprietários rurais e pescadores, além de consulta pública com cerca de 350 participantes e de consulta livre, prévia e informada às comunidades pesqueiras tradicionais”, diz nota da pasta.”
Fonte: Valor Econômico; 15/07/2026
Aneel autoriza reajuste de 9,63% nas tarifas da Energisa Sul Sudeste
“A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou, nesta terça-feira (14), a revisão tarifária periódica da Energisa Sul Sudeste ESS. O efeito médio para o consumidor será de aumento de 9,63%. O reajuste passou a valer a partir do último domingo. A revisão tarifária ocorre a cada cinco anos e envolve o recálculo de diferentes componentes das tarifas. Entre eles, estão os custos gerenciáveis pelas distribuidoras (Parcela B) e os custos não gerenciáveis (Parcela A), que incluem a compra e o transporte de energia, além de encargos setoriais. Também são considerados ajustes financeiros atualizados pela inflação dos últimos 12 meses.”
Fonte: Valor Econômico; 15/07/2026
Internacional
Empresas
Nvidia negocia parceria com Mitsubishi Heavy para centros de dados de IA
“A Nvidia e a Mitsubishi Heavy Industries negociam uma parceria que pode levar o grupo japonês a fornecer sistemas de refrigeração e gerenciamento de energia para centros de dados voltados à inteligência artificial, apurou o “Nikkei Asia”. A Nvidia chama seus centros de dados de última geração de “fábricas de IA” e pretende implantá-los em parceria com empresas ao redor do mundo. No Japão, a companhia já trabalha com o grupo sul-coreano SK para desenvolver uma dessas instalações entre 2028 e 2029. A Mitsubishi Heavy fabrica sistemas de ar-condicionado, refrigeração de alta eficiência, fornecimento de energia de emergência e gerenciamento de energia para data centers. A empresa também é uma das líderes globais em turbinas a gás e poderá colaborar na infraestrutura energética desses empreendimentos, que têm elevado consumo de eletricidade. Nos Estados Unidos, por exemplo, usinas a gás vêm sendo adotadas para abastecer grandes data centers. Embora domine o mercado de unidades de processamento gráfico (GPUs) para servidores de IA, a Nvidia enfrenta o desafio de lidar com o crescente consumo de energia e a geração de calor de seus chips. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), a demanda global por eletricidade dos data centers deve mais que dobrar até 2030 em relação aos níveis de 2024, impulsionada pela expansão da inteligência artificial. Uma infraestrutura de energia estável e sistemas de refrigeração de alto desempenho são considerados essenciais para maximizar a eficiência das GPUs, e a parceria com a Mitsubishi Heavy pode ajudar a atender essa necessidade. Embora seus negócios estejam concentrados em áreas como geração de energia e defesa, a Mitsubishi Heavy vê os data centers como uma frente promissora de crescimento. A empresa avalia realizar aquisições para ampliar essa operação e, em março, anunciou uma parceria com a SoftBank para construir um centro de dados.”
Fonte: Valor Econômico; 15/07/2026
El Niño: o papel das grandes empresas na sobrevivência das pequenas
“Existe uma diferença fundamental entre o alarme e a urgência: o alarme paralisa, a urgência convoca. Os dados climáticos mais recentes da agência americana NOAA mostram que o fenômeno El Niño já está se formando e há mais de 80% de chance de enfrentarmos um dos eventos mais intensos das últimas décadas no Brasil. De agora até o fim do ano. Nossa economia é profundamente dependente do clima. Quando as engrenagens do Oceano Pacífico mudam, o impacto é imediato na inflação e no prato de comida dos brasileiros. Só que o El Niño dita regras diferentes para cada região: enquanto o Sul se prepara para o fantasma de novas enchentes históricas, na mesma terra que ainda enfrenta as marcas de 2024, o Norte e o Nordeste enfrentam secas severas, queimadas e isolamento logístico. Para além da meteorologia, falo de pessoas para quem de fato a conta pesa: os pequenos empreendedores. Pense no restaurante de Porto Alegre cujo salão é inundado, sem seguro. No dono da bodega no sertão que vê a seca esvaziar o movimento. Na artesã do Pará que perde a renda porque a estrada sumiu na fumaça. Esses empreendedores não têm reserva de caixa para aguentar três meses de faturamento zero. Não têm um departamento jurídico ou acesso fácil a crédito de emergência. Quando o desastre chega, eles perdem o trabalho de uma vida. E, com eles, morre o emprego do vizinho e a economia de uma vila inteira. Os pequenos negócios são a malha capilar que faz o Brasil funcionar, gerando 70% dos empregos formais, segundo o Sebrae. Se eles são afetados, o país inteiro desacelera também. São fornecedores, distribuidores, o varejo de proximidade que chega aonde as grandes marcas não chegam. Quando essa malha se rompe, a cadeia inteira sente.”
Fonte: Capital Reset; 14/07/2026
Corrida pela fusão nuclear comercial migra dos laboratórios para as cadeias de suprimentos
“Os mercados permanecem tensos após o colapso da trégua entre Washington e Teerã, com os militares dos EUA lançando, na noite de segunda-feira, sua sexta rodada de ataques contra o Irã em menos de uma semana. Governos e empresas continuam buscando formas de reduzir sua exposição a choques geopolíticos. A DP World, de Dubai, planeja construir um novo porto na costa leste dos Emirados Árabes Unidos que permitiria contornar o Estreito de Ormuz, à medida que o país busca tornar sua infraestrutura comercial mais resiliente a conflitos regionais. Enquanto isso, outro segmento do setor de energia entra em uma nova fase, com empresas de fusão nuclear buscando novas fontes de capital para financiar a longa jornada rumo à comercialização. A General Fusion, apoiada por Jeff Bezos, tornou-se a primeira empresa de fusão a abrir capital, estreando na Nasdaq na segunda-feira. Suas ações chegaram a subir 50%, atingindo US$ 13,70 nas negociações iniciais, antes de estabilizarem em torno de US$ 13,00, evidenciando o interesse dos investidores no setor, apesar das dúvidas persistentes sobre a rapidez com que a fusão poderá se tornar comercialmente viável. A General Fusion acredita que sua vantagem de pioneirismo nos mercados públicos pode ajudar a moldar as expectativas dos investidores para o setor, mesmo enquanto especialistas continuam questionando se sua tecnologia avançou de forma significativa em direção à comercialização. A Commonwealth Fusion Systems, sediada nos EUA e uma das empresas mais bem financiadas do setor de fusão, firmou parceria com um laboratório do Reino Unido para demonstrar a autossuficiência de combustível em uma futura usina comercial, à medida que os investimentos em fusão se expandem da física fundamental de plasma para a cadeia de suprimentos de materiais. A CFS anunciou recentemente sua participação no Librti, um programa de testes de £ 220 milhões da Autoridade de Energia Atômica do Reino Unido (UKAEA); o programa utilizará uma fonte de nêutrons de alta intensidade para bombardear materiais destinados às paredes internas dos reatores — conhecidos como blankets (mantos de reprodução) — nas instalações da UKAEA em South Oxfordshire. Esse processo visa produzir novo combustível de trítio, um componente essencial para tornar o combustível de fusão autossuficiente em usinas de energia. Brandon Sorbom, cofundador e diretor científico da empresa, afirmou: “Por meio dessa colaboração, a CFS ganhará experiência prática na engenharia e construção de sistemas de blanket que representam fielmente nossa usina comercial de energia de fusão”.”
Fonte: Financial Times; 14/07/2026
Política
Trump reduz áreas protegidas e libera mineração em Utah
“O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta segunda-feira, 13, duas ordens executivas que reduzem em cerca de 90% o tamanho de duas áreas protegidas em Utah, abrindo centenas de milhares de hectares para mineração e exploração de combustíveis fósseis. A medida faz parte da agenda do governo para ampliar a produção de minerais considerados estratégicos e flexibilizar regras ambientais. Com a decisão, o Monumento Nacional Grand Staircase-Escalante teve sua área reduzida em 91%, enquanto o Monumento Nacional Bear Ears perdeu 90% de sua extensão. As áreas haviam sido restauradas ao tamanho original pelo ex-presidente Joe Biden, em 2021, após cortes promovidos por Trump durante seu primeiro mandato. “Estamos fazendo algo muito drástico e muito importante para o povo de Utah e para o povo do nosso país”, afirmou Trump durante a cerimônia de assinatura na Casa Branca. As ordens executivas destacam que as regiões concentram reservas de minerais críticos e recursos energéticos considerados essenciais para reduzir a dependência externa dos Estados Unidos e reforçar a segurança nacional. Ao lado de Trump, o governador de Utah, Spencer Cox, afirmou que as áreas protegidas ultrapassavam o tamanho necessário para preservar seu patrimônio histórico e natural. Segundo ele, as designações federais representavam um excesso de intervenção do governo central. O Monumento Nacional Grand Staircase-Escalante abrange cerca de 769 mil acres e é conhecido por sua riqueza em fósseis. Já Bear Ears ocupa aproximadamente 546 mil acres e reúne sítios arqueológicos considerados sagrados por povos indígenas. A decisão deve ampliar a disputa judicial entre o governo e organizações ambientalistas. Para opositores da medida, o presidente não tem autoridade para reduzir ou extinguir áreas protegidas criadas sob a Lei de Antiguidades de 1906. Thomas Delehanty, advogado da organização Earthjustice, afirmou que apenas o Congresso pode alterar os limites de monumentos nacionais por meio de uma nova legislação. A entidade já move ações contra medidas semelhantes adotadas por Trump e informou que está preparada para retomar o processo ou apresentar uma nova ação. O Departamento de Justiça, por outro lado, publicou no ano passado um parecer sustentando que o presidente pode reduzir ou até extinguir monumentos nacionais criados por governos anteriores. A decisão sobre as áreas protegidas ocorre poucos dias após o governo concluir uma nova regulamentação que restringe o conceito de “dano” previsto na Lei de Espécies Ameaçadas de Extinção. A mudança exclui da definição a degradação significativa de habitats naturais, medida que, segundo grupos ambientalistas, pode facilitar projetos de exploração em áreas sensíveis.”
Fonte: Exame; 14/07/2026
IEA alerta que lei da UE sobre metano pode limitar opções de suprimento de petróleo do bloco
“A Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que as regras da UE sobre emissões de metano poderiam limitar a oferta de petróleo disponível para o bloco, no momento em que os Estados-membros se preparam para discutir solicitações da Alemanha e de outros países para adiar as medidas. O metano é um potente gás de efeito estufa, e a UE introduziu legislação para conter suas emissões. A partir de janeiro de 2027, o petróleo e o gás importados deverão cumprir requisitos de monitoramento de emissões equivalentes aos da UE ou a um padrão apoiado pela ONU, conhecido como OGMP 2.0. A AIE afirmou que se espera que cerca de 22,5 milhões de barris por dia da produção global de petróleo estejam em conformidade com o OGMP 2.0 em 2027 — mas nem todo esse volume estaria disponível para a UE. A UE importou 9,3 milhões de barris por dia de petróleo em 2025. “Estimamos que o leque de tipos de petróleo bruto comercializados que as refinarias da UE podem importar legalmente será reduzido em mais de 50%”, disse a AIE em um relatório mensal sobre petróleo. Isso ocorre porque alguns tipos de petróleo bruto não podem ser facilmente substituídos, enquanto certos produtores podem preferir vender para mercados mais lucrativos fora da Europa, observou a agência. O petróleo pesado usado na produção de asfalto, por exemplo, é fornecido em grande parte por países como México e Venezuela, que não atendem ao padrão de metano da UE. “Limitar as opções de petróleo bruto para as refinarias da UE poderia resultar em custos de insumos mais elevados ou na mudança para o uso de petróleos de qualidade inferior”, afirmou a agência, acrescentando que isso poderia, em última análise, enfraquecer a segurança energética da UE. A AIE instou a UE a esclarecer como as regras serão implementadas, alertando que a incerteza poderia restringir ainda mais o acesso ao suprimento de petróleo. Os embaixadores da UE devem discutir a legislação sobre metano em Bruxelas na quarta-feira, após mais da metade dos Estados-membros do bloco — incluindo Alemanha, Itália e República Tcheca — solicitarem um adiamento devido a preocupações de que a medida possa perturbar o abastecimento de energia. Defensores do meio ambiente pediram à UE que não abandone as restrições ao metano — a segunda maior causa das mudanças climáticas, depois das emissões de CO2 —, ressaltando que a produção global total de petróleo e gás que atende aos padrões da UE e da ONU supera a quantidade que o bloco precisa importar. Os governos também têm demorado a se preparar para as regras. Nenhum país da UE estabeleceu um órgão de verificação para fazer cumprir a legislação, o que significa que as empresas atualmente não têm como certificar a conformidade. A Comissão Europeia elaborou planos para dispensar a aplicação de penalidades a empresas que descumpram as normas sobre metano, mas, até o momento, resistiu aos apelos para adiar a implementação dessas regras.”
Fonte: Reurers; 14/07/2026
Nova York freia novos data centers por pressão sobre energia e água
“Pesquisas recentes mostram que uma parcela maior dos americanos prefere ter uma usina nuclear perto de casa a conviver com um data center. Por trás do incômodo, há uma pressão concreta sobre dois recursos naturais que já operam no limite nos EUA: energia e água. O boom e expansão da inteligência artificial já consome mais eletricidade do que cidades inteiras e a rede elétrica do país está ficando sem capacidade para sustentar esse ritmo. Nesse contexto, Nova York se tornou o primeiro estado do país a suspender por decreto as licenças ambientais para novos data centers de grande porte. A governadora Kathy Hochul assinou uma ordem executiva nesta terça-feira, 14, exigindo a pausa por até um ano de instalações que consomem 50 megawatts ou mais. As informações são do portal Washington Post. O objetivo declarado é dar tempo ao estado para criar regras que protejam a[grifar] rede elétrica, o meio ambiente e as comunidades onde esses projetos avançam, antes que a infraestrutura simplesmente não aguente a alta da demanda. “Como o desenvolvimento de data centers ameaça aumentar as contas de energia, esgotar nossos recursos e criar incerteza para os nova-iorquinos, é minha responsabilidade agir e liderar”, disse Hochul em um comunicado. Só em 2025, o consumo elétrico global de data centers cresceu 17% e cinco vezes mais rápido que a demanda elétrica como um todo, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). A projeção é que o consumo das instalações voltadas à IA triplique até 2030. É esse gargalo e não a tarifa em si que está no centro do problema: a conta de luz sobe porque a rede precisa de expansão para dar conta, e o mercado já identificou os data centers como principal responsável pelo aumento nas tarifas residenciais na região que vai da Virgínia a Michigan.A mudança de postura já aparece em ações e a inteligência artificial passou a ser vista como vilã em alguns locais. Durante muito tempo, empresas de tecnologia usavam uma estratégia simples para conseguir aprovação de novos projetos: ofereciam recursos financeiros para escolas e obras de infraestrutura às comunidades onde queriam construir. Mas essa moeda de troca perdeu força. Prova disso é que a própria governadora pediu ao Legislativo estadual que revogue as isenções de imposto sobre vendas que o setor recebia em Nova York.”
Fonte: Exame; 14/07/2026
Europa enfrenta disputa sobre proposta de destinar taxa de carbono à indústria verde
“A Comissão Europeia corre o risco de desagradar aos ministérios das Finanças, responsáveis pela gestão dos orçamentos nacionais, ao propor alterações na forma como os países utilizam os 24 mil milhões de euros que arrecadam anualmente com taxas sobre as emissões de carbono. Numa revisão controversa do seu sistema de comércio de licenças de emissão (ETS), a Comissão pretende que uma maior parte dos recursos arrecadados pelos Estados-Membros seja aplicada para ajudar as indústrias a tornarem-se mais limpas e para responder às suas queixas de que os custos prejudicam a competitividade da Europa. No sistema atual, as empresas poluidoras devem comprar ou receber licenças para emitir carbono. As receitas são, em grande parte, retidas pelos Estados-Membros, existindo desde 2023 a obrigatoriedade de aplicar os fundos em ações climáticas. No entanto, atualmente, menos de 5% desse montante é gasto para ajudar as indústrias a reduzir as suas emissões, segundo a Comissão Europeia. Funcionários da UE querem aumentar essa parcela para incentivar as empresas a investir em tecnologias mais limpas. Contudo, vários diplomatas afirmaram que o plano corre o risco de irritar os ministros das Finanças — responsáveis pelos sistemas nacionais — e de criar lacunas em orçamentos destinados a outras despesas. A maior parte das receitas é atualmente utilizada noutros projetos relacionados com o clima ou como parte das despesas gerais, enquanto muitos Estados-Membros recusam-se a divulgar quaisquer detalhes. A Áustria aplicou uma parte significativa das suas receitas do ETS no financiamento de um novo túnel ferroviário sob os Alpes, ao passo que a França as utilizou para a eficiência habitacional e para fins orçamentais gerais. Outros países, como os Países Baixos e a Alemanha, não fornecem detalhes sobre a forma como aplicam os fundos. A revisão do sistema de comércio de licenças de emissão da UE visa garantir que este apoie a meta climática europeia de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em 90% até 2040, em comparação com os níveis de 1990. “Estamos a analisar formas de garantir que uma parcela mínima das receitas nacionais do ETS apoie os setores sujeitos ao sistema, com maior transparência na sua utilização”, afirmou um alto responsável pela área do clima. Empresas de serviços públicos (energia e saneamento), fabricantes de aço, cimento e fertilizantes, bem como o setor da aviação e outras indústrias altamente poluidoras, estão entre os setores abrangidos pelo sistema. Funcionários em Bruxelas argumentam que o sistema deveria fazer mais para ajudar as indústrias a reduzir as suas emissões, respondendo simultaneamente às preocupações das empresas de que o sistema aumenta os custos, reduz a competitividade e não lhes traz benefícios suficientes face ao dinheiro arrecadado com as taxas de carbono. “Muitos Estados-Membros habituaram-se a receber esses fundos”, afirmou um diplomata de alto escalão, prevendo reações negativas. Eles realmente têm despesas vinculadas a questões ambientais, mas, se houvesse um aperto orçamentário para realocar esses recursos para a indústria, isso geraria problemas reais para os orçamentos nacionais.”
Fonte: Financial Times; 15/07/2026
Tailândia aprova medidas para fortalecer os mercados de energia limpa
“O Conselho Nacional de Política Energética da Tailândia aprovou, na quarta-feira, medidas para abrir o mercado de eletricidade limpa do país a uma maior concorrência, ampliar o acesso à energia limpa e reduzir os custos de eletricidade para as residências, informou o ministro de Energia. O país ampliará os acordos de compra direta de energia renovável para além dos centros de dados, permitindo que empresas comprem eletricidade limpa de produtores utilizando o acesso à rede de terceiros, disse o ministro de Energia, Akanat Promphan, em um comunicado. Confira mais detalhes: haverá um programa de energia solar comunitária de 1.500 megawatts, com um limite de 30 megawatts por desenvolvedor. Contratos antigos de energia renovável com alguns produtores menores serão revisados para refletir os custos atuais de geração de eletricidade. As tarifas residenciais de energia serão reduzidas, enquanto os centros de dados estarão sujeitos a tarifas diferenciadas e requisitos mais rigorosos para garantir que os custos não sejam repassados às residências, afirmou ele. O ministro das Finanças, Ekniti Nitithanprapas, declarou no início desta semana que o governo planeja, inicialmente, dois projetos no âmbito de um programa de transição energética de 200 bilhões de bahts (US$ 6 bilhões). O primeiro projeto consistirá na instalação de sistemas solares em telhados, e o segundo envolverá a transição do transporte público e de veículos comerciais para fontes de energia mais limpas, incluindo motocicletas elétricas, tuk-tuks, veículos de entrega, vans e ônibus. Também será oferecido apoio aos proprietários de picapes para a mudança para veículos movidos a biodiesel.”
Fonte: Reuters; 15/07/2026
Índices ESG e suas performances


(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG)..
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