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Google reforça foco em renováveis e adquire grande projeto de energia solar nos EUA | Café com ESG, 14/07

Empresas e governos implementando produção de energia e combustíveis

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Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do temaESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.

Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.

Principais tópicos do dia

• O pregão de segunda-feira fechou em queda, com o IBOV e ISE caindo 1,2% e 1,91%, respectivamente. 

• No Brasil, do lado das empresas, a assembleia de acionistas da Vale na próxima quarta-feira, que vai eleger um conselheiro e um novo presidente do colegiado, tende a ser disputada – um dos sinais vem dos relatórios das empresas de indicação de voto, a Institutional Shareholder Services (ISS) e a Glass Lewis, que embora não determinantes, representam fatia expressiva dos votos, e fizeram recomendações diferentes para chairman.

• No internacional, (i) os bancos multilaterais de desenvolvimento (BMDs) comprometeram um valor recorde de US$ 162,5 bilhões em financiamento climático no ano passado, segundo um relatório divulgado pela instituição financeira da UE – da quantia total, aproximadamente US$ 103 bilhões foram direcionados para economias em desenvolvimento; e (ii) o Google concordou em comprar a produção de um enorme projeto de energia solar para compensar suas emissões provenientes de combustíveis fósseis, demonstrando a demanda contínua por energia renovável – o projeto é o maior a iniciar obras nos EUA e fornecerá, inicialmente, 1,6 gigawatt de energia solar e 2 gigawatts-hora de armazenamento em baterias, quantidade suficiente para abastecer mais de 315.000 residências por ano.

Gostaria de receber os relatórios ESG por e-mailClique aqui.
Gostou do conteúdo, tem alguma dúvida ou quer nos enviar uma sugestão? Basta deixar um comentário no final do post!

Brasil

MP pede laudos para avaliar se usina da BP Bioenergy causou dano ambiental em TO

“AO Ministério Público do Tocantins aguarda a conclusão de dois laudos periciais para avaliar se obras da Pedro Afonso Bioenergia, subsidiária da BP Bionergy, causou degradação ambiental na Fazenda Gorgulho, no município de Pedro Afonso, às margens do Rio Tocantins. A BP Bionergy é uma empresa de bioenergia controlada pela BP, multinacional britânica de combustíveis fósseis. A BP passou a controlar integralmente a operação brasileira em 2024, após adquirir a participação de 50% da Bunge na antiga joint venture BP Bunge Bioenergia. Focada na produção de etanol, açúcar e bioeletricidade a partir da cana-de-açúcar, a empresa possui 11 unidades industriais em cinco estados brasileiros. Segundo as denúncias, encaminhadas sob anonimato ao MP-TO em setembro de 2025 e reveladas pelo Jornal Opção Tocantins, a instalação de uma adutora de água, destinada à irrigação de lavouras de cana-de-açúcar e ao abastecimento da usina de biocombustível da Pedro Afonso Bioenergia, teria causado a alteração do fluxo natural das águas locais, a destruição de nascentes e impactos em áreas de reprodução de peixes no rio Tocantins. Em maio de 2026, uma nova denúncia, protocolada pelo espólio do proprietário de parte da área onde a obra está sendo realizada, acusa a empresa de ter desmatado aproximadamente 5 mil hectares de Cerrado – aproximadamente 7 mil campos de futebol – para a implantação de áreas de rotação de culturas destinadas à irrigação. O desmate teria ocorrido sem a realização de estudos ambientais compatíveis com a dimensão da intervenção. Em manifestação enviada ao Ministério Público, a Pedro Afonso Bioenergia negou as irregularidades e afirmou que as obras fazem parte de “um projeto regular de irrigação agrícola”, licenciado pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), autarquia ambiental vinculada ao Executivo estadual, e acompanhado pelas autoridades competentes. Em nota enviada à Repórter Brasil, a Pedro Afonso Bioenergia reafirmou os argumentos contidos na manifestação ao MP-TO, mas não respondeu às perguntas relacionadas aos impactos do sistema de adutoras ou a denúncia de supressão de cinco mil hectares. A empresa também não respondeu aos questionamentos sobre eventual consulta ao povo Xerente que vive na região. No estudo ambiental simplificado apresentado pela empresa ao Naturatins, acessado pela Repórter Brasil, a Pedro Afonso Bioenergia apontou não ser necessário suprimir vegetação para a implantação do sistema de irrigação.”

Fonte: NovaCana; 13/07/2026

Casa dos Ventos mira expansão fora do Nordeste

“Os cortes de energia que as geradoras de energia renovável têm sido forçadas a fazer, o curtailment, geram perdas bilionárias para o setor. Após cinco anos de forte expansão, usinas têm devolvido outorgas e adiado investimentos. Um movimento que tem ganhado força é a migração de novos projetos, antes concentrados no Nordeste, para outras regiões do país. A Casa dos Ventos, uma das maiores desenvolvedoras de projetos eólicos do Brasil, escolheu esse caminho. Com 4,3 GW de usinas eólicas e solar em operação em oito Estados e mais 2,1 GW em obras, a companhia mira atingir 11 GW de capacidade instalada até 2030 no Brasil. “Nós não ignoramos o cenário. Ele entra nos cálculos de preço e de retorno dos projetos. Dado que o portfólio é muito grande, estamos priorizando áreas com menor perfil de corte”, disse Lucas Araripe, diretor-executivo da Casa dos Ventos, ao Reset. A empresa desenvolveu uma metodologia própria para estimar o curtailment e passou a usar esses dados como critério de decisão de investimento. “Os níveis de curtailment não são iguais em todo o Brasil”, diz Araripe. O resultado é uma aposta progressiva de desenvolvimento de novos projetos em regiões menos afetadas, com destaque para o Mato Grosso do Sul, onde a empresa tem R$ 5,12 bilhões em complexos solares em construção. A geografia do problema é desigual. No Mato Grosso do Sul, os cortes de geração são residuais. A empresa tem três complexos solares no Estado: Rio Brilhante (491 MW), Seriemas (450 MW) e Paraíso (640 MW). O complexo Seriemas tem contrato de autoprodução fechado com a indústria química Dow. O Rio Grande do Sul, também com baixo nível de curtailment, é o próximo Estado no radar. O Nordeste concentra 78% do volume nacional de cortes. A região responde por 52% da potência solar e 93% da capacidade eólica instalada do Brasil, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Entre janeiro e abril de 2026, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) registrou um corte de 2.843 MW médios, 17,2% da geração potencial das usinas afetadas – uma piora em relação ao mesmo período de 2025, quando os cortes somaram 15,3% do potencial.”

Fonte: Capital Reset; 13/07/2026

Abraciclo: Modelos da chinesa Shineray ultrapassam em até 30 vezes os limites de poluição

“A Abraciclo disse que novos testes feitos em modelos de motocicletas da fabricante chinesa Shineray mostraram que ela desrespeitou normas brasileiras de emissão de poluentes. A chinesa é alvo de investigação na Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), aberta após denúncia da entidade, que representa cerca de 97% desse mercado no país. “Os resultados desses testes foram, novamente, assustadores. Todos os produtos testados desrespeitam as normas de emissões, e alguns modelos ultrapassam em mais de 30 vezes os parâmetros legais”, disse em entrevista ao Valor Marcos Bento, presidente da entidade. A denúncia da Abraciclo foi protocolada em novembro do ano passado e o dirigente disse que os novos testes, feitos pelo Marelli, laboratório independente contratado pela entidade, foram protocolados no dia 10 de junho. Bento disse que aguarda que as autoridades decidam o quanto antes sobre o caso. “Que estes novos testes [sirvam] para que as autoridades tenham celeridade na decisão”, afirmou. No caso de descumprimento de padrões técnicos e riscos à segurança e à saúde, disse, a retirada do produto do mercado ou a realização de recalls estão entre as punições previstas segundo a legislação brasileira. O segmento encerrou o semestre com a produção de 1,06 milhão de motos, o melhor resultado para o período desde 2011, e um recorde de vendas, mas ainda tem desafios para atingir a meta de produção de 2 milhões de motos no ano, que foi mantida. O presidente da Abraciclo disse que o risco de estiagem no Amazonas pode afetar a logística fluvial de Manaus (AM).”

Fonte: Valor Econômico; 13/07/2026

Abicom defende manutenção da importação de biodiesel pelo CNPE

“A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) voltou a defender a manutenção das regras que permitem a importação de biodiesel, limitada a até 20% da demanda nacional, para o cumprimento da mistura obrigatória no diesel. O tema está na pauta da reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) de terça-feira (14/7). A entidade afirma que a importação de biodiesel já está autorizada pela resolução 14/2020 do CNPE e regulamentada pela resolução 962/2023 da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Apesar disso, o Ministério de Minas e Energia (MME) impôs uma moratória em 2023 até a conclusão do relatório de um grupo de trabalho. O relatório foi aprovado, mas a resolução (para vetar de vez) não foi convertida em norma, deixando um vácuo. Reverter uma regulamentação já aprovada, sem que haja fatos novos que justifiquem essa mudança, representaria um grave retrocesso regulatório”, afirma a Abicom. Sustenta ainda que a abertura parcial do mercado não representa uma ameaça à indústria nacional nem à agricultura familiar. Do lado oposto, a expectativa de produtores de biodiesel é que o governo barre a importação, alterando a resolução 5/2026 do CNPE, que foi aprovada na última reunião do conselho, em 1º de abril. À época, a resolução deixou em aberto a decisão sobre a liberação ou não da importação do biocombustível, ao estabelecer apenas que 80% do biodiesel para a mistura obrigatória deve vir de usinas com o Selo Biocombustível Social. O MME chegou a informar que a resolução estaria vetando as importações e depois excluiu a informação. O ministério e a ANP já foram alvos de questionamentos por parte do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) sobre o teor da resolução 5/2026, mas aguardam a definição do CNPE para se posicionar.”

Fonte: Eixos; 13/07/2026

Vale terá disputa acirrada por vagas no conselho

“A assembleia de acionistas da Vale na quarta-feira (22) tende a ser disputada. A reunião vai eleger um conselheiro e um novo presidente do colegiado, vagas que eram acumuladas por Daniel Stieler, que renunciou no dia 6 deste mês. A renúncia foi motivada por um pedido de destituição do executivo feito pela Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, um dos principais acionistas de referência da Vale. Um dos sinais que indicam que a assembleia será concorrida vem dos relatórios das empresas de indicação de voto: a Institutional Shareholder Services (ISS) e a Glass Lewis. Essas empresas são usadas por fundos passivos que fazem parte de grandes portfólios e cujos gestores não costumam olhar um ativo isoladamente. Suas recomendações não são determinantes para a eleição, mas indicam um caminho e representam uma fatia expressiva dos votos. Com base nos relatórios de ISS e Glass Lewis, muitos investidores se manifestam antecipadamente via Boletim de Voto à Distância (BVD). As duas empresas fizeram recomendações diferentes para “chairman” na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) da Vale do dia 22. A reunião foi pedida pela Previ, em 11 de junho, com o objetivo de promover uma mudança que permita à mineradora seguir avançando na governança. Por trás do pedido, está o entendimento da Previ de que este era o momento oportuno para mudar o conselho tendo em vista que faltam cerca de nove meses para a Assembleia Geral Ordinária (AGO) que vai eleger um novo conselho para o período 2027-2029. Os dois eleitos na AGE vão cumprir, portanto, mandato até abril de 2027 com o restante do conselho, que tem 13 integrantes. Na proposta da eleição para a assembleia, a administração da Vale recomendou a eleição de Ieda Gomes como nova conselheira, enquanto a Previ indicou José Maurício Pereira Coelho, ex-presidente do conselho da Vale e da Previ. A ISS recomendou aos investidores votarem em Gomes e se absterem de votar em Coelho. “A candidata da administração parece estar bem preparada para o cargo e aumentaria a independência e a diversidade do conselho”, diz a ISS. Afirma ainda que o “acionista dissidente” (Previ) não apresentou justificativa convincente para a eleição do candidato concorrente não independente, no caso Coelho. A Glass Lewis também se absteve de sugerir voto em Coelho e recomendou a eleição de Gomes. Nos bastidores, fontes dizem que Gomes chega fortalecida e será um desafio para Coelho superá-la.”

Fonte: Valor Econômico; 14/07/2026

Brasil apresenta primeira turbina a gás movida a etanol para geração elétrica

“O presidente Lula (PT) participou nesta segunda (13/7), no Campus do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos (SP), da apresentação da primeira turbina a gás para geração de energia elétrica movida a etanol desenvolvida no país. A unidade tem capacidade de gerar 1 MW de potência, o euivalente ao consumo de cerca de 3,6 mil residências. O projeto é resultado da adaptação da TR5000, plataforma de turbinas a gás da Aero Concepts para aplicações nos setores de energia e defesa, reconfigurada para operar com etanol e destinada à geração de energia em solo. O protótipo, batizado de UGEE1000BR, foi integrado a um contêiner transportável. A tecnologia foi desenvolvida pela Aero Concepts em parceria com o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), a FW Soluções Industriais e a GA Automation. “O Brasil passa a ser o sexto país do mundo a produzir uma turbina. E não é uma turbina qualquer, mas uma movida a etanol, em um país que é referência em combustíveis renováveis e do qual o mundo tanto precisa”, afirmou Lula. A inovação é mais um reforço na estratégia brasileira para ampliar o mercado de etanol. “O Brasil, que foi campeão da biolargada há 50 anos com o etanol. O etanol não só no biocombustível, mas também gerando energia elétrica, abrindo uma nova matriz energética”, comentou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) durante a apresentação. De acordo com o governo, a turbina amplia as possibilidades de aplicação de tecnologias estratégicas em diferentes áreas. Integrada em um contêiner de 20 pés (pouco mais de seis metros), ela foi concebida para proporcionar rápido transporte, instalação e operação em localidades remotas, em cenários de calamidade ou sempre que se fizer necessária uma fonte confiável de energia, conta o comandante da Força Aérea Brasileira, tenente-brigadeiro Marcelo Damasceno. O funcionamento da turbina lembra o de um motor de avião, mas, em vez de empuxo, a queima do etanol gera gases quentes que acionam uma turbina de potência acoplada a um redutor e a um gerador elétrico, ambos de fabricação nacional. Todo o sistema foi integrado em dois contêineres — um com componentes mecânicos e outro com sistemas elétricos — para facilitar transporte e instalação em diferentes localidades. A próxima etapa prevê a conexão da unidade a uma usina sucroenergética.”

Fonte: Eixos; 13/07/2026

Governo não vê necessidade de retornar subvenção ao diesel mesmo com escalada da guerra

“A equipe econômica do governo do presidente Lula (PT) avalia que não há necessidade de retomar a subvenção de R$ 0,35 por litro de diesel, mesmo com a nova escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. Segundo apurou o Estadão/Broadcast, com o barril na casa dos US$ 80, os efeitos são “moderados”, e a Fazenda entende ter o know-how para lidar com esse impacto. Na pasta, a ideia é que não há necessidade de voltar com a subvenção, porque ainda há outra medida vigente no valor de R$ 1,12 para o diesel. Já a possível retirada de subsídios na gasolina, por exemplo, não deve acontecer nesta semana por conta da volatilidade alta ligada à guerra. O governo também descarta lançar mão novamente do PLP dos combustíveis, que previa a possibilidade de cortar impostos, compensando com a receita extra de petróleo pelo preço elevado do barril no mercado internacional. O texto nunca foi votado na Câmara e havia sido abandonado com o arrefecimento do conflito. Segundo pessoas a par do assunto ouvidas pela reportagem, o sinal de alerta voltaria a acender no governo se o barril ultrapassar ou estacionar na casa dos US$ 90. Até lá, o Executivo avalia ter condições de lidar com os efeitos nos preços com os instrumentos que já estão vigentes, mesmo que atrase a possível retirada de medidas emergenciais tomadas no passado. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington assumirá o controle do Estreito de Ormuz e sugeriu que cobrará uma espécie de pedágio, ao declarar que o país será remunerado por garantir a segurança da principal rota marítima de exportação de petróleo do Oriente Médio. As declarações foram feitas em entrevista à Fox News, em meio à escalada das tensões com o Irã.”

Fonte: Eixos; 13/07/2026

Transição energética e política industrial verde no Brasil

“A transição energética deixou de ser compreendida somente como uma agenda ambiental, mas passou a ser vista também como uma questão de segurança energética. A convergência desses dois vetores abre disputas econômicas, tecnológicas e geopolíticas, com impactos diretos sobre a competitividade industrial, o comércio internacional, a inovação e a reorganização das cadeias globais de valor da segurança energética. Neste novo contexto global, a prioridade dos países, em especial daqueles mais dependentes da importação de petróleo, volta-se para essas novas tecnologias, visando desenvolver competências, realizar mais investimentos, formar trabalhadores qualificados e capturar valor nas cadeias produtivas associadas à economia de baixo carbono. A transição energética, portanto, não é neutra do ponto de vista industrial, uma vez que abre novas fronteiras de oportunidades de investimentos direcionados para a diversificação produtiva. O Brasil ocupa uma posição singular nesta nova dinâmica industrial mundial. O país possui uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo, um amplo domínio tecnológico em bioenergia, recursos naturais abundantes, um grande potencial para produção de hidrogênio de baixa emissão e biocombustíveis avançados, além de um mercado interno quantitativo e qualitativo relevante. Essas características conferem vantagens competitivas importantes no cenário internacional, marcado pela busca de segurança energética e pela redução da pegada de carbono das cadeias produtivas. Entretanto, as vantagens brasileiras não se convertem automaticamente em capacidades industriais e tecnológicas. Energia renovável abundante, recursos naturais estratégicos e potencial produtivo não garantem, por si só, a formação de cadeias produtivas domésticas, a internalização de conhecimento ou o desenvolvimento de uma indústria verde competitiva. Sem políticas públicas de Estado no campo industrial e energético com estratégia, coordenação e instrumentos adequados, o risco é do Brasil participar do processo de transição energética como um fornecedor de recursos naturais, energia limpa e mercado consumidor, mantendo-se dependente da importação de equipamentos, tecnologias e bens de capital mais complexos. Essa questão qualifica o debate sobre a inserção brasileira na transição energética. O desafio não consiste em substituir integralmente as importações por produção doméstica, menos ainda em assumir que a participação nas cadeias globais ocorrerá de forma espontânea. Em setores marcados por elevada complexidade tecnológica, escalas produtivas e cadeias de suprimento globalizados, são imprescindíveis políticas e planejamento público para definir quais segmentos apresentam o maior potencial de adensamento produtivo, geração de capacidades tecnológicas e agregação de valor no país. Neste sentido, a transição energética brasileira é uma agenda de desenvolvimento industrial. A redução de emissões é fundamental, mas não suficiente, tendo em vista que um país pode descarbonizar parte de sua economia por meio da importação de tecnologias verdes, sem desenvolver uma base produtiva própria.”

Fonte: Valor Econômico; 14/07/2026

Evento debate descarbonização sem perda de competitividade

“O desafio de descarbonizar atividades intensivas no consumo de energia sem perder a competitividade e ainda transformar essa mudança na indústria em vantagem competitiva será debatido em uma mesa-redonda realizada pelos jornais Valor e “O Globo” nesta terça-feira (14). O evento faz parte do projeto que discute o processo de transição energética no enfrentamento da crise climática. Ao longo do ano uma série de eventos, lives e reportagens examina os principais aspectos relacionados à substituição de combustíveis fósseis por alternativas limpas que contribuam para a redução drástica das emissões de carbono. O objetivo do projeto é traduzir os impactos concretos da transição energética no cotidiano da sociedade e dos negócios, abordando temas como custos da energia, mobilidade, inovação, desenvolvimento regional e competitividade da indústria, entre outros. Uma cobertura contínua vem mostrando o potencial do Brasil na transição energética, suas vantagens competitivas e as oportunidades econômicas, sociais e ambientais associadas a esse processo. No evento desta terça, serão discutidas as soluções tecnológicas mais viáveis para setores como aço, cimento, química, papel e celulose, o custo real da energia limpa e os caminhos práticos para uma transição sustentável que mantenha a indústria brasileira competitiva globalmente. O primeiro painel – “O desafio da indústria intensiva em energia” – terá a participação de Alessandra Fajardo, diretora-executiva técnica do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS); Janaina Donas, presidente-executiva da Associação Brasileira de Alumínio (Abal); e Rodrigo Laria, diretor de mudanças climáticas e carbono da Vale. A mediação será feita por Rafael Vazquez, repórter do Valor. Na sequência, no painel “Tecnologia, energia limpa e novos caminhos para a indústria”, estarão Carlos José Bastos Grillo, vice-presidente de tecnologia da WEG; Marisete Pereira, presidente da Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage); e Ricardo Cardoso, diretor-executivo industrial, engenharia e projetos da Klabin. João Sorima, jornalista do Globo, será o mediador.”

Fonte: Valor Econômico; 14/07/2026

Internacional

Meta quase dobra investimento em data center nos EUA para US$ 50 bilhões

“A Meta ampliou a escala do seu enorme projeto de data center no nordeste do estado da Louisiana, nos Estados Unidos, para 5 gigawatts de capacidade de computação e informou que a obra agora custará mais de US$ 50 bilhões. O projeto na região rural do condado de Richland, originalmente orçado em US$ 27 bilhões, será o maior data center da empresa. A recente expansão também o torna um dos maiores investimentos em infraestrutura de inteligência artificial do mundo, disse a Meta nesta segunda-feira (13). A gestora Blue Owl Capital detém uma participação significativa no projeto, que atraiu investidores como a BlackRock, de acordo com o The Wall Street Journal. A Meta vai pagar os custos de energia, água e infraestrutura relacionada utilizados pelo data center. Em março, a companhia fechou um acordo com a Entergy Louisiana para financiar a infraestrutura de energia do projeto.”

Fonte: Valor Econômico; 13/07/2026

Shell vende negócio de energia eólica e solar na Índia por US$ 1,8 bilhão

“A Shell está vendendo suas operações de energia eólica e solar na Índia por US$ 1,8 bilhão, dando continuidade à sua estratégia de reduzir a atuação em energias renováveis ​​e concentrar-se novamente em suas áreas mais lucrativas sob a gestão do CEO Wael Sawan. A empresa, integrante do índice FTSE 100, anunciou na segunda-feira a venda da Sprng Energy para a Aditya Birla Renewables, parte do conglomerado Aditya Birla — sediado em Mumbai e com atuação que vai desde o setor de energia até o de cimento. Machteld de Haan, presidente de downstream, energias renováveis ​​e soluções energéticas da Shell, afirmou que a empresa está “qualificando” seu portfólio de eletricidade e construindo um negócio mais competitivo. A Sprng Energy detém 3,3 gigawatts-pico (GWp) em parques solares e eólicos em operação e 1,7 GWp em projetos contratados, o que a torna um player importante no crescente mercado de energias renováveis ​​da Índia, embora não seja a maior empresa do setor. A venda ocorre em um momento em que a Shell também estaria se preparando para vender projetos de parques eólicos offshore (em alto-mar) ao redor do mundo. Sawan assumiu o cargo de CEO em janeiro de 2023 e empenhou-se em aumentar o retorno aos acionistas e reduzir custos. A dívida líquida da empresa subiu de US$ 45,7 bilhões, no final do ano passado, para US$ 52,6 bilhões, ao final do primeiro trimestre deste ano, sugerindo que ele está disposto a financiar pagamentos aos acionistas por meio de endividamento. Em 2024, a Shell anunciou que reduziria as emissões em um ritmo mais lento do que o planejado sob a gestão de seu antecessor, Ben van Beurden. Essa decisão faz parte de uma mudança de foco mais ampla em direção aos combustíveis fósseis no setor, impulsionada pela alta nos preços de petróleo e gás e pela pressão para que as empresas igualassem os retornos aos acionistas oferecidos por suas concorrentes americanas. A Shell mantém há décadas uma grande operação de comercialização de energia e, em 2019, traçou planos para se tornar uma das maiores empresas de energia do mundo, de olho na transição para carros elétricos. No entanto, essas ambições parecem ter sido reduzidas; em 2023, a Shell encerrou uma incursão de curta duração no mercado britânico de fornecimento de eletricidade residencial. Em um evento para o mercado de capitais realizado no ano passado, Sawan disse aos investidores que, embora o setor de energia fosse uma parte importante dos negócios da empresa, a Shell planejava priorizar ativos que permitissem às suas equipes de comercialização gerar lucro, em vez de buscar os retornos tipicamente mais baixos — característicos de infraestrutura — oferecidos por grandes parques eólicos e solares. “Isso significa que priorizaremos investimentos em geração flexível, como usinas a gás, baterias de grande porte e tecnologias digitais”, afirmou ele. “Esses ativos são fundamentais para que nossas equipes de comercialização possam gerenciar riscos e capturar valor em um sistema que deverá se tornar mais imprevisível à medida que a participação de fontes renováveis ​​na matriz energética aumenta.”

Fonte: Financial Times; 13/07/2026

Google apoia grande projeto de energia solar nos EUA para compensar emissões de combustíveis fósseis

“O Google concordou em comprar a produção de um enorme projeto de energia solar para compensar suas emissões provenientes de combustíveis fósseis, demonstrando a demanda contínua por energia renovável, apesar dos esforços do presidente dos EUA, Donald Trump, para acabar com esse setor. A empresa de buscas adquirirá 100% da produção inicial do Steel River Energy Center, no Arkansas, quando ele entrar em operação em 2029. O projeto é o maior do gênero a iniciar obras nos EUA e fornecerá, inicialmente, 1,6 gigawatt de energia solar e 2 gigawatts-hora de armazenamento em baterias — quantidade suficiente para abastecer mais de 315.000 residências por ano. Após a conclusão, a capacidade chegará a 2,5 GW de energia solar e 2,9 GWh de armazenamento. O acordo é do tipo “virtual” de compra de energia (VPPA), no qual o Google paga pela eletricidade do projeto a um preço fixo, sem receber a energia fisicamente. Os termos financeiros do acordo não foram divulgados. Como os data centers exigem energia contínua, muitas vezes não podem operar diretamente com fontes renováveis, que dependem da luz solar ou do vento para gerar eletricidade. Em vez disso, a maioria dos data centers é conectada à rede elétrica — que utiliza uma combinação de gás natural, fontes renováveis, carvão e energia nuclear, além de fontes locais, como turbinas a gás e motores — para garantir o fornecimento ininterrupto. Assim, o Google depende da rede tradicional para obter energia, enquanto destina a produção solar a clientes com demanda mais variável. O compromisso de receita a longo prazo oferece aos desenvolvedores de projetos renováveis ​​a garantia financeira necessária para obter financiamento e construir novos empreendimentos. “O investimento abastece a rede elétrica como um todo e repassa os benefícios da usina local a todos os consumidores do Arkansas”, afirmou Will Conkling, chefe de energia para data centers do Google. A prática de comprar energia renovável para compensar o uso de combustíveis fósseis é controversa; críticos apontam que as empresas continuam consumindo energia da rede, ao passo que a energia limpa pela qual pagam pode ser gerada em outro local ou em outro momento. Segundo o Environmental and Energy Study Institute, cerca de 56% da eletricidade utilizada para abastecer os data centers dos EUA provém de combustíveis fósseis. As emissões do Google associadas ao consumo de eletricidade da rede aumentaram 37% em 2025; no mesmo ano, a empresa — juntamente com Meta, Amazon e Microsoft — foi responsável por 49% de todos os contratos corporativos de energia limpa, segundo a BloombergNEF. Com o consumo de energia das gigantes de tecnologia crescendo rapidamente, algumas admitiram que manter seus compromissos com energia limpa é um desafio. Em seu relatório ambiental de 2026, o Google afirmou que estava se tornando mais difícil alcançar suas metas climáticas extremamente ambiciosas (moonshot). A desenvolvedora Cypress Creek Energy descreve o acordo como um ponto positivo raro para o setor de energia solar dos EUA — uma indústria que foi alvo da administração Trump, a qual retirou créditos fiscais e tentou atrasar ou bloquear projetos. A crescente demanda por energia está impulsionando projetos como o Steel River. O Google informou que seu consumo de eletricidade saltou 37% em 2025 — um recorde —, enquanto o da Microsoft cresceu 24%. A demanda total por eletricidade nos EUA deve crescer entre 25% e 50% até 2050, segundo a Administração de Informações sobre Energia (EIA). Empresas de tecnologia como o Google têm buscado cada vez mais projetos gigantescos, como o Steel River, para suprir seu consumo crescente de energia, afirmou Kevin Smith, CEO da Cypress Creek Energy. “As ‘Big Techs’ são fundamentais”, disse Smith. “Somos quase como incorporadores de hotéis: encontramos mercados onde faz sentido construir. A diferença é que, quando construímos, já vendemos todos os quartos por 20 anos.” A energia solar e o armazenamento representarão 58% das novas instalações de energia entre 2026 e 2030 — o que, segundo defensores do setor, deve-se ao fato de serem tecnologias relativamente rápidas e baratas de implementar.”

Fonte: Financial Times; 14/07/2026

Financiamento climático de bancos de desenvolvimento atinge recorde, mas recuo do Banco Mundial paira no horizonte

“Os bancos multilaterais de desenvolvimento comprometeram um valor recorde de US$ 162,5 bilhões em financiamento climático no ano passado, segundo um relatório divulgado na segunda-feira pela instituição financeira da UE; no entanto, as metas para nações mais pobres podem estar em risco após a decisão do Banco Mundial, no mês passado, de abandonar objetivos importantes. Dados anuais sobre o montante combinado de financiamento climático fornecido por dez dos maiores bancos de desenvolvimento do mundo mostraram que eles destinaram um valor recorde de US$ 162,5 bilhões em 2025, sendo que quase US$ 103 bilhões foram para economias em desenvolvimento. O Banco Europeu de Investimento (BEI), responsável pela publicação do relatório, afirmou que os dados indicam que os bancos multilaterais de desenvolvimento estão “no caminho certo” para cumprir as metas de financiamento climático anunciadas na COP29 — a conferência da ONU sobre mudanças climáticas realizada em Baku em 2024. Nessa reunião, as instituições financeiras comprometeram-se a fornecer pelo menos US$ 120 bilhões anuais em financiamento climático para países de baixa e média renda até 2030, além de US$ 50 bilhões por ano para economias de alta renda. “Estes resultados mostram que os bancos multilaterais de desenvolvimento estão atuando em grande escala e acelerando o apoio onde ele é mais necessário”, disse o vice-presidente do BEI, Ambroise Fayolle. Observadores, contudo, questionaram se essas metas fundamentais poderiam estar em risco após a decisão do Banco Mundial, no mês passado, de abandonar seu objetivo de destinar 45% de seu financiamento anual a projetos relacionados às mudanças climáticas. O banco, que vinha sofrendo pressão do governo Trump para descartar a meta de empréstimos climáticos adotada durante a presidência de Joe Biden em 2023, afirmou que a mudança visava concentrar-se nos resultados dos empréstimos, em vez de em metas baseadas em volumes de investimento. O relatório de segunda-feira evidenciou a importância do Banco Mundial para a meta de 2030. A instituição forneceu quase metade dos US$ 102,6 bilhões em recursos climáticos destinados a países em desenvolvimento no ano passado, mantendo esse nível de participação nos últimos cinco anos.”

Fonte: Reuters; 13/07/2026

Políticas de energia limpa de Trump estão associadas a US$ 83 bilhões em projetos adiados ou cancelados.

“Políticas da administração Trump que reduziram o apoio federal à energia limpa levaram ao cancelamento ou adiamento de US$ 83 bilhões em investimentos em centenas de projetos, segundo um relatório divulgado na terça-feira pela BlueGreen Alliance, uma coalizão de grupos trabalhistas e ambientais. O relatório foi apresentado no momento em que líderes sindicais se preparavam para reunir-se com senadores dos EUA, na terça-feira, para discutir a força de trabalho do setor de energia limpa. A análise constatou que 223 projetos de manufatura e energia limpa — representando US$ 82,9 bilhões em investimentos e 111.765 empregos — foram paralisados ​​ou cancelados durante o segundo mandato de Donald Trump. A análise atribuiu essa situação ao pacote de impostos e gastos emblemático de Trump, que revogou ou restringiu incentivos da era Biden, bem como a outras ações da administração voltadas para a redução do apoio federal a energias renováveis ​​e veículos elétricos. “Os números resultantes ilustram claramente a perda impressionante de investimentos e de criação de empregos provocada pelas políticas desta administração e do Congresso”, afirmou em comunicado Roxanne Johnson, vice-presidente de pesquisa da BlueGreen Alliance. Trump declarou que fontes de energia renovável, como a eólica e a solar, não são confiáveis ​​e recebem subsídios injustos. O relatório também apontou que cortes de financiamento federal e a reversão de regulamentações, iniciados em 2025, enfraqueceram as proteções trabalhistas para os profissionais dos setores de energia e industrial. Entre as mudanças citadas estão a revogação de normas da Agência de Proteção Ambiental (EPA) que regulamentam indústrias de risco e atrasos em uma norma sobre exposição à sílica, destinada a proteger mineiros de carvão da inalação de poeira de sílica — o que, segundo o relatório, poderia contribuir para o ressurgimento da doença do pulmão negro. Além disso, o relatório indicou que 3.034 projetos de manufatura, energia e indústria enfrentam critérios mais rigorosos de elegibilidade para créditos fiscais sob a lei “One Big Beautiful Bill” de Trump, colocando em risco cerca de US$ 695,2 bilhões em investimentos e quase 1,2 milhão de empregos projetados.

Fonte: Reuters; 14/07/2026

Índices ESG e suas performances

(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG).
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