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Atlas Lithium vai ampliar produção de lítio em Minas Gerais | Café com ESG, 30/06

Enquanto Japão torna-se referência na transição energética, EUA é o país que mais emitiu carbono em 2025

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Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do tema ESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.

Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.

Principais tópicos do dia

• O pregão de segunda-feira fechou em território neutro, com o IBOV recuando 0,05% e o ISE avançando 0,2%.

• No Brasil, a Atlas Lithium anunciou nesta segunda-feira que recebeu a licença ambiental para ampliar o projeto de lítio que a mineradora detém no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, tido como o principal projeto de lítio da empresa no país – segundo a mineradora, a autorização acelerará a implementação do projeto, cuja previsão de entrada em operação é o último trimestre de 2027.

• No Internacional, (i) o Banco Mundial anunciou na segunda-feira que irá voltar atrás em sua meta de destinar 45% de seus recursos anuais de empréstimo a projetos com benefícios climáticos – contudo, o banco afirmou que prorrogará seu plano de ação sobre mudanças climáticas, previsto inicialmente para expirar hoje; e (ii) segundo um relatório do Energy Institute, os EUA foram responsáveis por cerca de um terço do aumento das emissões globais de carbono em 2025, à medida que os preços mais elevados do gás levaram as geradoras de energia a voltar a utilizar carvão – de forma geral, o consumo de carvão no país saltou 10% no ano passado, revertendo a tendência de migração para combustíveis mais limpos e contribuindo para elevar as emissões totais.

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Gostou do conteúdo, tem alguma dúvida ou quer nos enviar uma sugestão? Basta deixar um comentário no final do post!

Brasil

Sabesp obtém aval para captar mais água de sistema do RJ para reforçar Cantareira

“A Sabesp, empresa de saneamento paulista, obteve autorização para captar mais água do sistema que abastece parte do Rio de Janeiro para reforçar o reservatório do Cantareira, uma das principais fontes de abastecimento da capital e de sua região metropolitana. Solicitada diante da persistência das condições de estiagem durante o período de seca, a permissão foi concedida em caráter temporário e excepcional, segundo a ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico). A água do Rio Jaguari, na bacia do Rio Paraíba do Sul, chega ao Cantareira por meio da Represa de Atibainha, uma das que compõem o sistema, com Jaguari-Jacareí, Cachoeira, Paiva Castro e Águas Claras. Em nota, a companhia informou que a medida é prevista nas regras de operação do Cantareira e integra os mecanismos de gestão previstos em contrato. “A medida faz parte da estratégia permanente da companhia para ampliar a segurança hídrica da região metropolitana de São Paulo”, diz trecho da nota. Com a autorização, o volume anual máximo de água passível de transposição da usina Jaguari para o reservatório Atibainha em 2026 passa de 162 hm³ (hectômetros cúbicos, ou 162 bilhões de litros) para até 268,28 hm³, alta de 66%. A medida vale até 31 de dezembro. Segundo a ANA, a ampliação temporária da cota de transposição já havia sido adotada em 2021 e 2025, diante da persistência das condições de estiagem. O Cantareira opera nesta segunda-feira (29) com 39,9% de sua capacidade. Em 29 de junho do ano passado, era de 47,54%. De acordo com a ANA e a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas), o sistema opera em estado de atenção, quando a capacidade de armazenamento baixa fica entre 40% e 60% do reservatório. Como houve redução nesta segunda, é esperado que os órgãos estabeleçam as regras do nível de alerta, quando os percentuais oscilam entre 30% e 40%. Toda a cadeia de abastecimento, que inclui o Alto Tietê, Cotia, Guarapiranga, Rio Claro, Rio Grande e São Lourenço, tem, atualmente, 52,5% do volume reservado.”

Fonte: Valor Econômico; 29/06/2026

Atlas Lithium obtém licença para ampliar projeto de lítio em MG

“A Atlas Lithium anunciou nesta segunda-feira (29) que recebeu a licença ambiental para ampliar o projeto de lítio que a mineradora detém no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Ele é tido como o principal projeto de lítio da empresa no Brasil. Segundo a mineradora, a autorização acelerará a implementação do projeto, cuja previsão de entrada em operação é o último trimestre de 2027. A mineradora disse que já conta com todas as licenças para entrar em operação e que o projeto, chamado “Neves”, tem produção anual estimada em cerca de 146 mil toneladas de concentrado de lítio e prazo de retorno do investimento de aproximadamente 11 meses. O custo operacional projetado é de US$ 489 por tonelada de concentrado de lítio. Em comunicado, o presidente da mineradora, o brasileiro Marc Fogassa, disse que a licença é marco relevante na trajetória da empresa. “A autorização para ampliar o Projeto Neves representa um passo decisivo para transformar nosso potencial mineral em operação”, disse. A mineradora, listada na bolsa americana Nasdaq, disse que já mobilizou parceiros brasileiros para executar o projeto, como a Promon Engenharia, a TSX Engineering, a Cerne Construções e a Alfa Engenharia. Também disse que a planta de processamento de lítio já foi entregue ao Brasil e está pronta para montagem. A empresa afirmou que a estrutura do projeto opera com sistemas de recirculação de água e rejeitos 100% empilhados a seco, o que elimina o uso de barragens. Ao todo, a empresa detém aproximadamente 557 quilômetros quadrados em direitos minerais de lítio. O projeto já tem acordo de fornecimento futuro de produção (“offtake”) com a empresa japonesa global de comércio e investimento Mitsui & Co, em arranjo que garante a ela o direito de compra do concentrado de lítio. A japonesa já investiu US$ 30 milhões em ações ordinárias da Atlas Lithium e passou a compor sua base acionária. A mineradora também mantém interesse em outros minerais críticos, já que detém 20% de participação na subsidiária Atlas Critical Minerals, outra mineradora liderada por Fogassa, mas focada em ativos como terras raras, grafite e titânio.”

Fonte: Valor Econômico; 29/06/2026

Fundo de descarbonização do Espírito Santo chega à fase dos desembolsos

“Segundo maior produtor de petróleo do Brasil, o Espírito Santo está prestes a fazer os primeiros desembolsos do seu fundo de descarbonização de R$ 900 milhões, seis meses após o seu lançamento. Os royalties da exploração de petróleo abastecem há anos o Fundo Soberano estadual (Funses). Em janeiro, o governo tirou R$ 500 milhões dos R$ 2,3 bilhões de seu patrimônio para criar um veículo de crédito subsidiado dedicado à descarbonização industrial, outros R$ 400 milhões vieram do capital privado. “Essa estruturação com esse tipo de recurso é única no mundo”, diz Marcelo Saintive, presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), agente de desenvolvimento e operacional do fundo, ao Reset. O Fundo Soberano da Noruega, referência na criação do Funses, usa dinheiro de exploração de petróleo para financiar uma agenda que aponta para longe do fóssil. Ele, porém, não mistura capital privado para compor os financiamentos que concede. O Espírito Santo tem uma economia industrial intensiva em emissões de gases de efeito estufa, com setores como siderurgia e mineração, além do petrolífero. Empresas com operações locais incluem ArcelorMittal, Petrobras, Suzano e Vale. O seu objetivo é conceder crédito a juros menores e prazos mais longos para projetos voltados à substituição de matrizes energéticas poluidoras por alternativas limpas. O financiamento traz como exigência que cada tomador comprove, com indicadores mensuráveis, quanto de gás de efeito estufa vai deixar de emitir. O fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) tem prazo de dez anos. O custo do crédito para as empresas capixabas é de até 100% do CDI, com possibilidade de redução adicional, o chamado step-down, para empresas que superem as metas de descarbonização pactuadas. Segundo o presidente do Bandes, a média da carteira deve pagar 85% do CDI para acessar os recursos do fundo, o que seria suficiente para viabilizar projetos que não fechariam a conta de outra forma. “Projetos de descarbonização são muito caros, em especial na indústria pesada. Para eles saírem do papel, era necessária uma taxa concessionada”, diz Saintive.”

Fonte: Capital Reset; 29/06/2026

Sesi Lab inaugura projeto de agroecologia urbana com apoio de Bayer e TikTok

“O Sesi Lab vai transformar uma área de aproximadamente 6,2 mil metros quadrados, entre o museu e a Biblioteca Nacional, em Brasília, em um sistema agroecológico voltado à educação ambiental. Batizado de Cultiva Lab, o espaço reunirá cerca de 90 espécies representativas dos biomas Cerrado, Amazônia, Mata Atlântica e Caatinga e será desenvolvido em parceria com a Bayer, empresa química e farmacêutica, e o TikTok, plataforma de vídeos. O lançamento do projeto está marcado para 29 de junho, quando estudantes e autoridades participarão do plantio das primeiras mudas. O projeto busca integrar arte, ciência aplicada e paisagismo produtivo em um espaço permanente de aprendizagem sobre sustentabilidade, biodiversidade e agroecologia. Segundo o Sesi Lab, a iniciativa também prevê monitoramento ambiental e adoção de práticas ligadas à agricultura regenerativa, com foco na regeneração do solo e no sequestro de carbono. Claudia Ramalho, superintendente de Cultura do Sesi, afirma que o Cultiva Lab reforça a vocação do Sesi Lab como um espaço de aprendizagem viva, onde ciência, educação e sustentabilidade se encontram. “Ao transformar uma área urbana em um ambiente expositivo e de experimentação agroecológica, convidamos o público a refletir, na prática, sobre os desafios ambientais do nosso tempo e sobre as escolhas que impactam o futuro das cidades”, afirma. O sistema será estruturado com base em princípios da agroecologia e da agricultura regenerativa. O projeto técnico foi desenvolvido em parceria com o IPOEMA, Instituto de Permacultura, e aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e demais órgãos responsáveis pelo planejamento urbanístico. O espaço será permanente, aberto ao público e integrado à programação do museu. A área também faz parte do programa “Adote uma Praça”, do Governo do Distrito Federal.”

Fonte: Exame; 29/06/2026

Biocombustíveis: o motor econômico que pode financiar a adaptação climática do Brasil

“Um novo super El Niño está se formando, e o Washington Post publicou recentemente uma comparação direta com o evento de 1877 a 1878, o mais intenso já registrado, que matou mais de 50 milhões de pessoas e destruiu de 3 a 4% da população mundial. A diferença agora é que nossos oceanos estão substancialmente mais quentes, e a expectativa científica é que outros super El Niños, com intervalos cada vez menores entre si, passem a fazer parte da normalidade climática das próximas décadas. Quando o clima entra no balanço. Esses eventos não são apenas tragédias humanitárias. Estudo publicado na revista Science em 2023, conduzido por Callahan e Mankin em Dartmouth, atribuiu US$ 4,1 trilhões em perdas globais ao super El Niño de 1982-1983 e US$ 5,7 trilhões ao de 1997-1998, prejuízos que persistem por até quatorze anos após cada ciclo e recaem desproporcionalmente sobre economias tropicais. O Brasil, junto com Peru e Indonésia, perdeu entre 5% e 22% do PIB nos anos subsequentes ao evento de 1997-98, e os autores projetam que o planeta acumule US$ 84 trilhões em perdas até 2100 com a amplificação do fenômeno pelo aquecimento global. É por isso que o mercado de capitais passou a exigir informações de qualidade sobre riscos climáticos, não como exercício de virtude, mas porque uma seca prolongada interrompe safras, compromete cadeias de suprimento, deteriora margens e rebaixa rating de crédito. Aqui no Brasil, a CVM ia na direção certa com a Resolução 193, de 2023, que colocava o país em rota de convergência com os padrões ISSB/IFRS S1 e S2, mas na semana passada a Resolução 244 reverteu essa obrigatoriedade, deixando o reporte novamente voluntário. Enquanto o Brasil debate se deve reportar riscos climáticos, o clima segue indiferente ao calendário regulatório. John Elkington, criador do conceito de Triple Bottom Line, escreveu em maio que a era da “sustentabilidade suave” acabou. E ainda, que o voluntarismo corporativo, as metas distantes de 2050 e os relatórios feitos por boa vontade se tornaram peças de museu num cenário onde a “sustentabilidade dura” já se impõe por meio de regulações com sanções reais, mercados seguradores que precificam compulsoriamente o risco físico e tribunais que começam a responsabilizar diretores por omissões climáticas. Os dados do Swiss Re Institute para 2025 são eloquentes: foi o sexto ano consecutivo em que as perdas seguradas globais ultrapassaram US$ 100 bilhões, totalizando US$ 107 bilhões, e a modelagem do próprio Swiss Re indica que, num cenário de pico, esse valor pode atingir US$ 320 bilhões em 2026. Em jurisdições como Califórnia e Flórida, o efeito prático tem sido a retirada do seguro privado de zonas inteiras, levando consigo o crédito hipotecário e o fluxo de capital.”

Fonte: Exame; 29/06/2026

Internacional

Empresa canadense entrega os primeiros créditos de carbono de captura direta de ar da América do Norte

“A canadense Deep Sky tornou-se a primeira empresa norte-americana a fornecer créditos verificados de remoção de carbono provenientes da tecnologia de captura direta do ar (DAC), anunciando na segunda-feira o fornecimento de créditos para a Microsoft e para o Royal Bank of Canada. A tecnologia DAC difere da tecnologia mais consolidada de captura e armazenamento de carbono, que filtra o CO2 em instalações industriais e o armazena antes que chegue à atmosfera. A DAC remove carbono do ar, eliminando emissões que já ocorreram. “Isso mostra que o Canadá está construindo, assumindo riscos, e nos coloca no mapa da inovação em remoção de carbono”, disse o CEO da Deep Sky, Alex Petre, em entrevista. A única outra empresa que gerou créditos de DAC é a Climeworks, cuja instalação na Islândia é o maior complexo de DAC do mundo. Embora cientistas afirmem que a DAC é fundamental para a estabilização do clima, a tecnologia é cara e difícil de escalar. No entanto, há demanda mundial por créditos de remoção de carbono verificados e de alta qualidade. Empresas de tecnologia — muitas das quais assumiram compromissos climáticos, mas estão gerando mais emissões de gases de efeito estufa para alimentar a expansão dos data centers de IA — gastaram coletivamente centenas de milhões de dólares na compra de créditos de projetos de captura e armazenamento de carbono. “As pessoas realmente querem que isso funcione, pois continuam assinando contratos. No entanto, pouquíssimos projetos foram efetivamente entregues”, disse Petre. A instalação piloto da Deep Sky em Alberta, que iniciou operações no verão passado e deve capturar 3.000 toneladas métricas de CO2 por ano, foi projetada para permitir que várias empresas de DAC implementem e aprimorem suas tecnologias. Os créditos, verificados pela Isometric — empresa de certificação de tecnologia climática sediada em Londres —, são resultado da primeira injeção de 14 toneladas de carbono no subsolo realizada pela Deep Sky em maio. As injeções continuam sendo realizadas regularmente, e a Microsoft e o RBC receberão créditos trimestralmente. A Deep Sky também possui acordos de créditos de carbono com o TD Bank, a Lufthansa e a francesa Engie. As empresas não divulgaram os termos financeiros. Petre afirmou que, assim que o centro de testes da Deep Sky em Alberta estiver totalmente estabelecido, a empresa planeja desenvolver um projeto comercial de DAC em larga escala no Canadá.”

Fonte: Reuters; 29/06/2026

Startups de baterias recorrem a fábricas asiáticas ociosas para evitar o destino da Northvolt

“Startups ocidentais do setor de baterias estão recorrendo a linhas de produção subutilizadas na Ásia para ampliar suas operações, aproveitando a capacidade ociosa resultante de investimentos agressivos em baterias para veículos elétricos. A Altris, fabricante sueca de materiais para baterias de íon-sódio, informou que está em negociações com uma fabricante chinesa de baterias para alugar uma linha de produção de íon-lítio ociosa e convertê-la para a fabricação de baterias de íon-sódio destinadas ao armazenamento de energia. Christer Bergquist, CEO da Altris, afirmou que a empresa também está avaliando a possibilidade de utilizar outros fornecedores europeus que possuam capacidade excedente. “Observamos isso entre fornecedores de segundo e terceiro níveis — subcontratados que inicialmente estruturaram suas operações para a produção de baterias para veículos elétricos. Agora, eles dispõem de capacidade ociosa e estão analisando ativamente a tecnologia de sódio”, disse ele ao Financial Times. Essa movimentação reflete uma transição para modelos de negócios com menor exigência de ativos (asset-light), após o colapso da Northvolt — grupo sueco do setor de baterias que entrou em falência depois de construir grandes operações de manufatura do zero. A Ion Storage Systems, uma startup americana de baterias, declarou que está buscando ativamente capacidade excedente no Sudeste Asiático para a montagem de suas baterias, tendo mantido conversas com mais de uma dezena de fornecedores. A empresa lançou baterias de estado sólido voltadas para dispositivos vestíveis (wearables) e aplicações industriais de nicho. O CEO Jorge Diaz Schneider afirmou que seus fornecedores são recompensados ​​pelas margens mais elevadas obtidas com aplicações de nicho, em comparação com a produção de baterias convencionais para veículos elétricos. A empresa concentra-se principalmente na produção de ânodos cerâmicos proprietários, dependendo de parceiros para a montagem. “Não vamos construir uma gigafábrica”, disse ele ao Financial Times. “Não queremos nos tornar uma nova Northvolt.” Uma startup europeia afirmou que utilizar partes da cadeia de suprimentos chinesa permitiu avançar com muito mais rapidez do que seria possível na Europa, onde os processos de licenciamento governamental e a escassez de mão de obra qualificada continuam sendo grandes entraves.”

Fonte: Financial Times; 29/06/2026

Banco Mundial abandonará meta de destinar 45% dos recursos de empréstimos a projetos de mudança climática

“O Grupo Banco Mundial anunciou na segunda-feira que irá “abandonar” sua meta anterior de destinar 45% de seus recursos anuais de empréstimo a projetos com benefícios climáticos associados, mas prorrogará seu Plano de Ação sobre Mudanças Climáticas, que estava previsto para expirar na terça-feira. A instituição de fomento, que vinha sofrendo pressão do governo Trump para abandonar a meta de financiamento climático adotada durante a gestão Biden em 2023, informou em comunicado que concluiria uma mudança de foco: em vez de metas baseadas em volumes de recursos alocados (inputs), passaria a priorizar os resultados efetivos dos empréstimos. O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga — inicialmente incumbido de extrair mais recursos para financiamento climático do balanço do banco —, redirecionou sua atenção para o “desenvolvimento inteligente”. Essa abordagem visa ampliar oportunidades de emprego e, simultaneamente, oferecer benefícios climáticos, como agricultura resistente à seca, infraestrutura resiliente a tempestades e energia renovável, quando apropriado. O Banco Mundial informou que, a pedido de seu conselho de administração, o Grupo de Avaliação Independente da instituição realizará uma revisão do Plano de Ação sobre Mudanças Climáticas (CCAP), adotado originalmente em 2016 na forma de planos quinquenais contínuos. A meta anterior do banco de destinar 35% dos recursos de empréstimo a projetos relacionados ao clima também foi descartada; no entanto, representantes da instituição afirmaram que a demanda dos países clientes por projetos com benefícios climáticos associados permanece elevada. Diretores executivos — incluindo representantes da França e de outros 18 países acionistas — assinaram uma carta em outubro passado apoiando a continuidade do trabalho do banco em questões climáticas. Contudo, o maior acionista, os Estados Unidos, recusou-se a assinar, assim como os diretores que representam a Rússia, o Kuwait e a Arábia Saudita, enquanto a Índia e o Japão se abstiveram. Scott Bessent, Secretário do Tesouro dos EUA em 2025, havia determinado que o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional retomassem suas missões fundamentais de desenvolvimento e estabilidade financeira, argumentando que ambas as instituições haviam se desviado excessivamente para áreas como clima e gênero — temas aos quais o governo Trump se opunha. Em abril, ele afirmou que o foco “miope” do banco em metas de financiamento climático precisava acabar.”

Fonte: Reuters; 29/06/2026

O modelo de Tóquio para o financiamento da transição: como o Japão lidera a descarbonização regional

“Desde que o governo japonês emitiu o primeiro título soberano de transição do mundo, em fevereiro de 2024, o país captou cerca de US$ 25 bilhões por meio do programa de Títulos de Transição da Economia GX (GX Economy Transition Bond). Esse montante representa aproximadamente 62% das emissões globais de títulos de transição, superando amplamente qualquer outro emissor soberano no mercado. A base dessa emissão é a “Visão GX 2040”, um plano ambicioso para mobilizar US$ 1 trilhão em capital público e privado para a transformação verde do Japão na próxima década. “Os títulos de transição são uma das plataformas fundamentais em Tóquio, e já acumulamos um histórico de sucesso comprovado”, afirma Tokio Morita, diretor executivo da FinCity.Tokyo, órgão responsável por promover a capital japonesa como um centro financeiro global. Morita ressalta que esses êxitos se baseiam em uma estrutura que diferencia o Japão de seus pares: roteiros de descarbonização específicos para setores de difícil abatimento de emissões (hard-to-abate), desenvolvidos com a participação ativa do setor público, em vez de serem iniciativas corporativas isoladas. “Não se trata de um roteiro voluntário… Isso deve dissipar as preocupações de que o financiamento da transição possa comprometer as iniciativas de combate às mudanças climáticas”, explica Morita. “Esse tipo de estrutura está muito bem consolidado em Tóquio.” A questão da credibilidade é importante, pois o financiamento da transição ainda enfrenta problemas de imagem em alguns mercados internacionais, onde críticos temem que ele prolongue a vida útil de indústrias de alta emissão. No entanto, o cenário pode estar mudando a favor do Japão. As Diretrizes para Títulos de Transição Climática (Climate Transition Bond Guidelines), publicadas pela Associação Internacional de Mercados de Capitais (ICMA) em novembro de 2025, alinham-se estreitamente à abordagem que Tóquio vem aperfeiçoando há anos. “O modelo japonês deveria ser elevado ao status de padrão internacionalmente aceito”, sugere Morita. “Estamos buscando tornar nossa abordagem interoperável internacionalmente e, nesse contexto, as diretrizes da ICMA sobre títulos de transição serão de grande ajuda.” Um aspecto dessa internacionalização é a parceria em curso com Londres, que inclui a realização conjunta de um Fórum de Financiamento da Transição com o Conselho de Financiamento da Transição da City of London, além de um Diálogo de Planejamento de Transição entre o Reino Unido e o Japão — em nível técnico — reunindo partes interessadas de ambos os governos nacionais, das bolsas de valores das duas cidades, bem como acadêmicos e representantes da indústria. Memorandos de entendimento também foram assinados com Frankfurt e Luxemburgo.”

Fonte: Reuters; 29/06/2026

EUA lideram aumento global das emissões de CO2 em 2025, aponta relatório

“Os Estados Unidos foram responsáveis ​​por cerca de um terço do aumento das emissões globais de carbono em 2025, à medida que os preços mais elevados do gás levaram as geradoras de energia a voltar a utilizar carvão, segundo um relatório do Energy Institute. O consumo de carvão nos EUA saltou 10% no ano passado, revertendo a tendência de migração para combustíveis mais limpos e contribuindo para elevar as emissões totais. As emissões globais de carbono do setor energético subiram 1,1%, atingindo 35.806 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono. Mais de um terço desse aumento veio dos EUA; o crescimento na América do Norte contrariou a tendência de queda de 0,7% nas emissões observada ao longo da última década. A demanda global por energia continuou a crescer. A oferta total de energia aumentou 1,7% em relação a 2024, com as fontes renováveis ​​respondendo pela maior parte desse incremento. A geração de energia renovável cresceu 9,1%, impulsionada por um salto de 30% na energia solar. As emissões de carbono do setor energético na Europa aumentaram 0,5%, enquanto na China houve um aumento de 0,7% em 2025. A demanda por eletricidade cresceu mais rapidamente do que a oferta, registrando um aumento anual de 3%, impulsionada por veículos elétricos, centros de dados e inteligência artificial. O consumo global de petróleo subiu 1,3% em 2025, atingindo 103 milhões de barris por dia — em comparação com um aumento de 1,1% em 2024 —, ao passo que a produção cresceu 3,5%. Na China, o consumo de gasolina e diesel caiu no ano passado, dando continuidade a uma tendência observada em 2024. O crescimento da demanda por gás concentrou-se na Europa, no Oriente Médio e na América do Norte, com a Europa e a Índia dependendo de importações para suprir quase metade de suas necessidades. “

Fonte: Reuters; 29/06/2026

Índices ESG e suas performances

(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG).
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