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CVM altera regra e torna voluntário o reporte de sustentabilidade IFRS S1 e S2 | XP Curtas

CVM volta atrás e torna voluntário o reporte IFRS S1 e S2. Acesse aqui para saber mais!

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Recuo ocorre após pressão da Abrasca; divulgações voltam a ter caráter voluntário

O que mudou: Na sexta-feira (29/05), a CVM publicou a Resolução nº 244/2026, que altera a Resolução nº 193/2023 e revoga a exigência de que companhias abertas divulguem informações financeiras relacionadas à sustentabilidade em conformidade com as normas IFRS S1 e S2. A partir de agora, o reporte passa a seguir um modelo voluntário de “pratique ou explique”, sem prazo definido para eventual retomada de um regime obrigatório. Segundo a CVM, a alteração busca reforçar o modelo de adoção voluntária e dar às companhias maior flexibilidade na forma de reportar informações de sustentabilidade.

Nossa visão: Vemos a decisão como um retrocesso em termos de transparência nas divulgações corporativas de sustentabilidade, embora não seja totalmente inesperada. O recuo parece refletir a pressão exercida pela Abrasca, que havia solicitado formalmente a revogação da regra ou um adiamento de três anos, citando desafios de implementação e elevados custos de conformidade. À época, a CVM manteve o cronograma original, sinalizando apenas abertura para ajustes pontuais e medidas de transição.

Como destacamos na nossa nota sobre o avanço da adoção do IFRS S1 e S2 (link), os riscos de implementação já figuravam entre as principais preocupações dos investidores, com potencial de comprometer a efetiva adoção do padrão — sobretudo diante do salto de um regime de reporte climático ainda limitado para uma estrutura muito mais exigente, para a qual grande parte das companhias brasileiras ainda não está preparada. Investidores também questionavam como incorporar as novas métricas de reporte em modelos de valuation — como proposto pelo ISSB — dada a forte dependência de premissas e estimativas. Do lado das empresas, a complexidade operacional e os custos de implementação, em especial para emissores menores, eram vistos como barreiras relevantes.

Ainda assim, avaliamos a mudança como um passo atrás em transparência em um momento em que o mercado caminhava, ainda que gradualmente, para maior comparabilidade e padronização nas informações de sustentabilidade. A migração para um regime estritamente voluntário, no modelo “pratique ou explique”, tende a enfraquecer a já limitada disposição das companhias em adotar o IFRS S1 e S2 — especialmente considerando que, mesmo sob um arcabouço obrigatório, apenas duas empresas haviam reportado até agora.

Olhando adiante, duas questões principais merecem acompanhamento: (i) se o modelo voluntário conseguirá gerar adesão significativa ou se resultará em um quadro de divulgações mais fragmentado e desigual; e (ii) se os atuais e primeiros adotantes manterão o compromisso com o reporte alinhado ao IFRS na ausência de uma exigência formal.

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