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Superquarta: Brasil e EUA decidem juros hoje; saiba o que esperar

Decisões de juros no Brasil e nos EUA são alguns dos temas de maior destaque nesta quarta-feira, 29/04/2026

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IBOVESPA -0,51% | 188.618 Pontos

CÂMBIO +0,36% | 4,98/USD

O que pode impactar o mercado hoje

Ibovespa

O Ibovespa encerrou o pregão de terça-feira em queda de 0,5%, aos 188.618 pontos, registrando a quinta baixa consecutiva, em linha com os mercados globais. O movimento refletiu a tensão persistente entre EUA e Irã e suas consequências para a inflação e cenário de juros, enquanto os investidores aguardam as decisões do Copom e Fed nesta quarta-feira.

Gerdau (GOAU4, +4,5%) liderou os ganhos, repercutindo a divulgação dos resultados do 1T26 e aprovação de R$ 106bi em dividendos. Já Hapvida (HAPV3, -8,4%) ficou na ponta negativa, em um movimento de ajuste após rali recente.

Na agenda de hoje, o destaque doméstico fica para a decisão de juros do Copom, além dos resultados de Iochpe-Maxion, Motiva, Multiplan, Riachuelo, Santander, Suzano e WEG. No exterior, o foco recai sobre a decisão de juros do FOMC, além de resultados de Amazon, Alphabet, Astrazeneca, Meta, Microsoft, Santander e UBS.

Renda Fixa

Os juros futuros tiveram desempenho misto nesta terça-feira, com Treasuries em alta diante das incertezas geopolíticas no Oriente Médio e da reunião do Federal Reserve, enquanto no Brasil a curva de DIs fechou com leve recuo, em meio à leitura do IPCA-15 abaixo das expectativas. Nos EUA, a T‑Note de 2 anos encerrou em 3,84% (+4 bps), a T‑Note de 10 anos em 4,35% (+1 bp) e o T‑Bond de 30 anos em 4,93% (-1 bp). No Brasil, a curva de DIs mostrou leve fechamento ao longo da sessão, com maior alívio na parte longa, com o DI jan/27 em 14,12% (-3 bps), o DI jan/29 em 13,58% (-4 bps) e o DI jan/31 em 13,59% (-6 bps).

Mercados globais

Nesta quarta-feira, os futuros nos EUA operam próximos da estabilidade (S&P 500: 0,0%; Nasdaq 100: +0,2%), em um dia que combina resultados das Big Techs e decisão do Federal Reserve. O movimento ocorre após uma sessão de realização, na qual o S&P 500 e o Nasdaq recuaram desde níveis recordes, pressionados pelo setor de tecnologia após sinais de desaceleração no ecossistema de IA. O foco agora recai sobre os resultados de Alphabet, Amazon, Meta Platforms e Microsoft, que serão determinantes para validar o forte ciclo de capex recente em inteligência artificial. No macro, a expectativa é de manutenção de juros pelo Fed, com atenção ao tom da possível última reunião sob liderança de Jerome Powell.

Na Europa, as bolsas operam em queda (Stoxx 600: -0,5%), pressionadas por um novo fator de incerteza no mercado de energia após a saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEC, que adiciona volatilidade à dinâmica de oferta global em meio às restrições no Estreito de Ormuz. No corporativo, destaque positivo para UBS (+4,5%) após resultados acima do esperado. Fora do setor financeiro, Adidas (+6%) se destaca com forte crescimento de vendas e lucro operacional.

Na China, os mercados fecharam em alta (HSI: +1,7%; CSI 300: +1,1%), em movimento de recuperação após fraqueza recente, enquanto o restante da Ásia apresentou desempenho misto (Kospi: +0,8%; ASX: -0,3%). O petróleo segue em patamar elevado, com impacto direto nas expectativas inflacionárias globais e na política monetária. O quadro geral permanece de mercado resiliente, sustentado por liquidez e expectativa de crescimento.

IFIX

O Índice de Fundos Imobiliários (IFIX) encerrou o pregão desta terça-feira praticamente estável, com variação de -0,01%, enquanto os investidores aguardavam a decisão do Copom e monitoravam as incertezas geopolíticas no Oriente Médio. O dia também foi marcado pela divulgação do IPCA-15 de (0,89%) abril, que registrou alta de 0,89% no mês, abaixo das estimativas do mercado. Entre os segmentos, o movimento de queda foi disseminado, porém contido. Os Fundos de Recebíveis recuaram 0,09%. Os FIIs de Tijolo encerraram levemente positivos, com alta de 0,02%: Shoppings e Ativos Logísticos avançaram 0,09% cada, enquanto Lajes Corporativas apresentaram leve recuo. Os Fundos Híbridos caíram 0,27% e os Multiestratégia recuaram 0,18%. Os Fundos de Fundos encerraram o dia praticamente estáveis. Entre os destaques individuais, RZAT11 liderou as altas, com valorização de 2,3%, seguido por KNRI11 (+2,1%) e TRBL11 (+2,0%). Na ponta negativa, VIUR11 recuou 2,7%, seguido por HCTR11 (-2,0%) e TGAR11 (-1,5%).

Economia

Nos Estados Unidos, a confiança do consumidor do Conference Board avançou para 92,8 pontos em abril, acima das expectativas, sustentada pela melhora nas perspectivas para o mercado de trabalho — ainda que o indicador da Universidade de Michigan tenha caído à mínima histórica no mesmo mês, sinalizando consumidores pressionados pelos combustíveis.

No Brasil, o IPCA-15 de abril veio abaixo do esperado (0,89% vs. 0,98%), mas os núcleos seguem se afastando da meta, com combustíveis disparando em função da guerra no Oriente Médio. Mantemos nossa projeção de 5,1% para o IPCA de 2026. A arrecadação federal de março atingiu o melhor resultado para o mês desde 2000, com destaque para IOF, contribuições previdenciárias e imposto de importação.

Na agenda internacional de hoje, atenções voltadas para a decisão do FOMC nos Estados Unidos, com manutenção dos juros em 3,50%–3,75% praticamente certa, naquela que deve ser a última reunião de Jerome Powell como presidente do Fed. No Brasil, temos a decisão de política monetária pelo Copom, com corte de 25 bps precificado pelo mercado, levando a Selic a 14,50%. Serão divulgados ainda o resultado primário do governo central e o Caged de março.

Veja todos os detalhes

Economia

Superquarta de política monetária: Copom decide Selic e Fed encerra ciclo de Powell

  • Nos Estados Unidos, a confiança do consumidor medida pelo Conference Board avançou para 92,8 pontos em abril (ant.: 92,2; exp.: 89,0), acima das expectativas e no maior patamar do ano. A melhora foi puxada pelo componente de mercado de trabalho — a parcela que diz empregos estão difíceis de encontrar caiu de 21,3% para 19,8%. O resultado contrasta com o índice da Universidade de Michigan, que recuou para a mínima histórica em abril. A divergência entre os dois indicadores reflete um consumidor que se sente seguro no emprego, mas pressionado pelos preços dos combustíveis;
  • No Brasil, o IPCA-15 de abril avançou 0,89% na comparação mensal, abaixo da nossa projeção e do consenso Bloomberg (0,98%). A inflação anual subiu de 3,90% em março para 4,37%. A surpresa baixista concentrou-se em passagens aéreas, que recuaram 14% no mês — movimento que não reflete a alta no querosene de aviação, cujas tarifas foram capturadas nas coletas realizadas dois meses antes. Ao longo do ano, portanto, devemos observar aumentos relevantes nessa rubrica. Em sentido contrário, os preços de bens industrializados aceleraram de forma relevante (0,65% M/M, bem acima do esperado), com destaque para itens de higiene pessoal e vestuário. Os combustíveis dispararam, refletindo a guerra no Oriente Médio: gasolina subiu 6,2% M/M e diesel, 16% M/M. A média dos núcleos de inflação avançou 0,46% M/M, e seu 3M SAAR subiu de 4,5% para 5,0%, afastando-se ainda mais da meta. Apesar da surpresa baixista de hoje, mantemos nossa projeção de 5,1% para o IPCA de 2026;
  • Ainda no Brasil, a arrecadação federal totalizou R$ 229,2 bilhões em março, com alta de 5,0% A/A em termos reais — o melhor desempenho para o mês desde 2000. O resultado ficou em linha com o consenso de mercado (R$ 229,8 bilhões). Os principais destaques foram as contribuições previdenciárias (5,0% A/A), sustentadas pelo mercado de trabalho aquecido, o IOF (50,1% A/A), reflexo do aumento de alíquota vigente desde junho de 2025, e o imposto de importação (32,6% A/A), impulsionado pela elevação recente das alíquotas sobre bens de capital e de informação. Olhando adiante, esperamos que o crescimento da arrecadação se estabilize, mas permaneça positivo — sustentado por medidas de receitas ainda não integralmente em vigor e pelos efeitos do choque de petróleo. Nossa projeção atual é de R$ 3.126,6 bilhões para a arrecadação total de 2026 (alta de 3,5% em termos reais);
  • Na agenda de hoje, o destaque nos Estados Unidos é a decisão de política monetária do FOMC, com manutenção dos juros em 3,50%–3,75% praticamente precificada (probabilidade de 100% segundo o CME FedWatch). A reunião marca o provável encerramento do mandato de Jerome Powell como presidente do Fed, previsto para 15 de maio. Atenção especial ao tom do comunicado e à coletiva de imprensa de Powell. No Brasil, destaque para a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), que encerra sua reunião iniciada ontem. O consenso e a XP esperam corte de 25 bps, levando a Selic de 14,75% para 14,50%. Além disso, no Brasil, serão divulgados ainda o resultado primário do governo central de março (exp. R$ -72,0 bilhões) e o Caged de março, que traz a geração líquida de empregos formais (exp. 156 mil empregos).

Empresas

Lavvi (LAVV3): Principais pontos da reunião com o CFO

  • Realizamos uma reunião com a alta administração da Lavvi. Os principais pontos foram: (i) a companhia ainda não observa custos pressionando materialmente as margens, embora a escassez de mão de obra siga como um desafio não resolvido;
  • (ii) as dinâmicas comerciais permanecem segmentadas, com o MCMV se beneficiando de condições mais favoráveis de demanda e crédito, enquanto o segmento de média renda enfrenta crédito mais restrito e o segmento de alta renda lida com concorrência e oferta mais intensas; e (iii) exposição conservadora a crédito, níveis disciplinados de estoque e geração de caixa concentrada em repasses ajudam a mitigar riscos e a sustentar a resiliência do balanço;
  • No geral, reiteramos nossa visão de execução disciplinada e nossa recomendação de compra, sustentada por valuation atrativo, com a ação negociando a 6,9x P/L 2026;
  • Clique aqui para acessar o relatório completo.

Vale (VALE3): Pressões de custo ofuscando ventos favoráveis na receita

  • A Vale reportou resultados do 1T26 marginalmente abaixo do esperado, com EBITDA ajustado proforma de US$3,9 bilhões, -3% vs. consenso;
  • Apesar das implicações positivas na receita, vemos o desempenho de custos hoje impactado por alguns vetores negativos, que foram os principais responsáveis pelo EBITDA abaixo da nossa estimativa e do consenso;
  • Nesse sentido: (i) o C1/t de soluções de minério de ferro ficou em +12% A/A (+11% T/T), impactado pela apreciação do BRL (+US$1,5/t A/A) e por efeitos de turnover (+US$0,8/t);
  • Com os níveis atuais de brent/BRL sugerindo o topo da faixa do guidance de 2026 de US$20,0-21,5/t da Vale como uma premissa de custo mais razoável;
  • Além de (ii) custos unitários marginalmente mais altos em todas as linhas (distribuição +23% A/A, royalties +25% A/A, compras de terceiros +24% A/A);
  • Por outro lado, (iii) os custos de frete caíram -3% A/A, refletindo a efetividade da estratégia de afretamento de longo prazo da Vale e a menor exposição a preços spot; além de (iv) um desempenho robusto nas operações de metais básicos;
  • No geral, reiteramos nossa recomendação Neutra;
  • Clique aqui para acessar o relatório completo.

JSL (JSLG3): Revisão dos Resultados do 1T26 – Linha de receita ainda fraca, mas desalavancagem continua

  • A JSL reportou resultados operacionais neutros no 1T26;
  • Destacamos:
  • Receita bruta de R$2,8 bilhões (-3% T/T e em linha com XPe), refletindo (a) desempenho mais estável em Intralog (-1% T/T) e resultados mais fracos em JSL Dedicated (-6% T/T – possivelmente ligados à redução da exposição a contratos relacionados ao agronegócio e à renegociação de contratos no segmento químico), e (b) continuidade da forte performance da JSL Digital (+14% T/T);
  • Melhora de EBITDA e margem A/A, principalmente refletindo o ramp‑up das operações e um mix de receitas mais favorável;
  • Continuidade da desalavancagem (dívida líquida/EBITDA em 2,8x vs. 2,9x no 4T25), apoiada por menores necessidades de capex, em linha com a estratégia da JSL de alugar em vez de adquirir ativos para novos contratos;
  • Mantemos nossa recomendação de Compra para o papel;
  • Clique aqui para acessar o relatório completo.

Renda fixa

De Olho na Renda Fixa: principais notícias de crédito privado, mercados e renda fixa


Estratégia

Pesquisa com assessores XP | Apetite por ações se deteriora levemente em abril

  • Nesta edição da nossa pesquisa com assessores XP, observamos uma queda na intenção de aumentar a exposição em ações, enquanto os níveis de alocação permaneceram relativamente estáveis. Os principais resultados foram:
  • A parcela dos assessores que planeja não alterar sua alocação em ações subiu para 63% (+4 p.p. M/M), enquanto aqueles que planejam aumentar sua alocação recuaram para 29% (‑3 p.p. M/M);
  • O sentimento dos assessores em relação a ações melhorou, passando de 6,7 para 7,4;
  • Renda Fixa permanece como a classe de ativo preferida entre os clientes, mas o interesse em Ações aumentou para 51% (+11 p.p. M/M);
  • Riscos fiscais no Brasil são a principal preocupação indicada pelos assessores, seguidos por alta da inflação e instabilidade política/eleições;
  • 65% dos assessores afirmaram que as decisões de alocação de seus clientes não foram influenciadas pela guerra no Oriente Médio.

Alocação & Fundos

Principais notícias

  • Fundos Imobiliários (FIIs): confira as principais notícias
    • IFIX encerra pregão da terça-feira estável, aos 3.924,64 pontos (FIIs);
    • BTLG11 mira captação bilionária para comprar galpões em São Paulo (Buildings);
    • XP Asset vê rali dos FIIs ganhar tração com investidor institucional: ‘Teremos fundos com R$ 15 bi de patrimônio’ (E-Investidor);
    • Clique aqui para acessar o relatório.
  • ETFs: confira as principais notícias dos índices e movimentos setoriais
    • ETFs de renda fixa: índice ou vértice?: XP Asset compara ETFs atrelados a índices (IMA) e a vencimentos específicos, destacando que o primeiro rebalança duration e yield ao longo do tempo, enquanto o segundo oferece maior previsibilidade ao investidor pessoa física. (B3);
    • Ibovespa cai com tensão geopolítica e foco em juros: Bolsa vira para queda com alta dos juros futuros e incertezas sobre o acordo EUA–Irã, enquanto investidores aguardam decisões de política monetária no Brasil e nos EUA; ações sensíveis a crédito pressionam, e commodities ajudam a limitar perdas. (Valor Investe);
    • ETFs de renda fixa crescem, mas regulatório ainda é entrave: XP Asset afirma que os ETFs de renda fixa têm grande potencial no Brasil, mas dependem de avanço regulatório, como a liberação da gestão ativa pela CVM, para acelerar o desenvolvimento do mercado. (Valor Econômico);
    • CVM avalia mudanças na regulação de ETFs: CVM prepara revisão das regras de ETFs e deve levar o tema a consulta pública em 2026, incluindo a possibilidade de ETFs ativos e alavancados, com expectativa de conclusão do novo marco regulatório em 2027. (Valor Econômico).
    • Acesse o relatório completo aqui

ESG

Vale lança aliança para a descarbonização do aço com hidrogênio | Café com ESG, 29/04

  • O mercado encerrou o pregão de terça-feira em queda, com o IBOV e o ISE recuando 0,51% e 0,82%, respectivamente;
  • No Brasil, (i) a Vale e a Green Energy Park Global lançaram a plataforma Hydeas (Aliança para a Descarbonização do Aço com Hidrogênio), que prevê a instalação de um mega hub de ferro verde no Maranhão – o projeto foca na produção de DRI (ferro reduzido direto) a partir de hidrogênio verde, com o objetivo de exportar para siderúrgicas na Alemanha e em outros países europeus; e (ii) segundo Pablo Cesário, diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o Brasil entrou no radar dos investidores em minerais críticos para as indústrias de tecnologia da informação e defesa e estratégicos para a transição energética – contabilizando os projetos em minerais críticos e estratégicos já anunciados, o Ibram estima que o país é destino de investimentos de US$ 21,3 bilhões entre 2026 e 2030;
  • Na Conferência de Santa Marta, quase 60 governos estão se reunindo nessa semana, na Colômbia, para discutir caminhos para a transição dos combustíveis fósseis – a conferência, organizada pela Colômbia e pelos Países Baixos, reúne países produtores de petróleo e gás, como Brasil, Canadá e Noruega, embora não conte com a participação de alguns dos maiores emissores mundiais, como China, EUA e Rússia;
  • Clique aqui para acessar o relatório completo.

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