Conteúdo elaborado em conjunto com o time de Corporate Action da XP
Em março de 2026, a Oncoclínicas S.A. convocou assembleias gerais de debenturistas da 8ª, 9ª, 10ª, 11ª e 12ª emissões de debêntures da Companhia e suas controladas, para deliberar (i) a aprovação de waiver para eventual descumprimento do índice financeiro Dívida líquida/EBITDA e; (ii) a prorrogação, para 1º de junho de 2026, dos pagamentos das parcelas de principal e juros com vencimento até 31 de maio de 2026 (standstill).
Atualizaremos esta página de acordo com comunicados por parte da Companhia e seus agentes fiduciários.
Sobre a Oncoclínicas
A Oncoclínicas foi fundada em 2010, em Belo Horizonte (MG), e atua no tratamento do câncer no Brasil. Ao longo dos primeiros anos de sua história, recebeu aportes de fundos de private equity (como Goldman Sachs), usados para financiar sua expansão. Possui um modelo de negócios integrado: as Clínicas Ambulatoriais possuem processos padronizados de infusão, radioterapia e farmácia, e as unidades de Câncer Center focam em especialização, tratamentos e exames de diagnóstico mais avançados para câncer de alta complexidade. Nesta unidades, a Oncoclínicas também dispõe de serviços hospitalares, com leitos de internação e pronto socorro 24 horas. Em termos operacionais, possui um corpo clínico próprio, sendo dirigida por médicos, com plano de carreira definido, além de possuir contratos de longo prazo junto a suas fontes pagadoras.
O que levou a essa situação?
A Companhia se encontra nessa situação por uma ampla gama de fatores:
- Ciclo agressivo de M&A e capex: Nos últimos anos, a Oncoclínicas fez diversas aquisições de clínicas concorrentes e realizou investimentos relevantes na construção de grandes hospitais.
- Obrigações a pagar: Essa expansão gerou um volume elevado de dívidas futuras atreladas às compras e altos custos de aluguéis e contratos built to suit (BTS) – financiamento de uma construção ou reforma, com respectiva ocupação do imóvel via locação.
- Menor rentabilidade: A partir do 3T24, a Companhia implementou uma nova política comercial, priorizando a redução da exposição a determinados planos e operadoras de saúde com elevado prazo médio de recebimento, com o objetivo de preservar o capital de giro. Contudo, o período de transição resultou em menor escala operacional, reduzindo a diluição dos custos fixos e, consequentemente, pressionando as margens em um primeiro momento.
- Custo da dívida: Em um cenário de juros elevados, a despesa financeira permaneceu pressionada e passou a superar a geração de caixa operacional. Como resultado, a alavancagem ficou mais pressionada, aumentando os desafios para cumprimento do covenant de dívida líquida / EBITDA de até 3,5x nas demonstrações financeiras de dez/25 – não divulgadas até o momento da publicação deste artigo.
- Evento de crédito: O desafio de alavancagem da Companhia foi intensificado por um evento de crédito relevante envolvendo uma contraparte financeira na qual estava alocada parcela material da liquidez. À época, a Oncoclínicas mantinha mais de R$ 430 milhões aplicados em CDBs do Banco Master, conforme fato relevante.
- Com a liquidação extrajudicial do Banco Master no final de 2025, a Companhia perdeu o acesso imediato aos recursos aplicados em CDBs dessa instituição. Parte relevante dessa exposição já havia sido provisionada no 3T25 (R$ 217 milhões), enquanto a exposição contábil líquida, após o provisionamento, somava cerca de R$ 216 milhões.
- A indisponibilidade desse montante resultou em uma deterioração abrupta da liquidez de curto prazo, reduzindo significativamente a capacidade de absorção de obrigações financeiras no horizonte mais imediato e adicionando pressão adicional sobre a estrutura de capital da Companhia.
Pleitos, emissões envolvidas e datas das assembleias
Pleitos
A Companhia convocou debenturistas e titulares de CRIs para a aprovação dos pleitos a seguir, visando a manutenção de suas operações e o atendimento a seus pacientes, enquanto busca uma solução para sua estrutura de capitais.
Principais medidas:
- Gestão de liquidez (standstill): A busca por prorrogar os pagamentos que venceriam nos próximos meses (até 31 de maio de 2026) para o dia 1º de junho de 2026.
- Waiver (Renúncia/Perdão Prévio): Autorização antecipada dos credores para o eventual descumprimento do limite do índice financeiro de Dívida Líquida/EBITDA de até 3,5x. Esse indicador será apurado com base no balanço de 31 de dezembro de 2025.
Emissões e datas previstas para as Assembleias
A Companhia convocou Assembleias Gerais para os detentores das 8ª, 9ª, 10ª, 11ª e 12ª emissões de debêntures. Vale destacar que, as 54ª e 232ª emissões de CRIs são lastreadas nessas debêntures, portanto, os investidores desses papéis também serão chamados para assembleias especiais.
| CRIs | Ticker | Data prevista assembleia – 1ª convocação |
|---|---|---|
| 54ª Emissão | 1ª série – 22E1338401 2ª série – 22E1338402 3ª série – 22E1338403 | 30 de março de 2026 |
| 232ª Emissão | 1ª série – 23J0138429 2ª série – 23J0138430 3ª série – 23J0138431 4ª série – 23J0138439 | 30 de março de 2026 |
| Debêntures | Ticker | Data prevista assembleia – 1ª convocação |
|---|---|---|
| 9ª Emissão | 1ª série – ONCO19 2ª série – ONCO29 | 31de março de 2026 |
| 11ª Emissão | 1ª série – ONCOA1 | 31de março de 2026 |
O que é um standstill e um waiver?
Um Standstill é um acordo de “paralisação” temporária. Na prática, a empresa pede aos credores para adiar o pagamento de parcelas (principal e juros) para preservar o caixa imediato.
Já o Waiver é uma “dispensa” ou perdão prévio. A empresa solicita que os investidores aceitem que ela ultrapasse momentaneamente algum limite financeiro (como o nível de endividamento) sem que isso seja considerado uma quebra de contrato.
Linha do tempo
- Ago/21 – IPO: Conclusão do processo de abertura de capital e ingresso no Novo Mercado da B3.
- Out/21 – Oncoclínicas faz aquisições de R$ 2 bi depois do IPO: Dois meses após sua abertura de capital (IPO), que movimentou R$ 2,7 bilhões, a Oncoclínicas, maior rede de clínicas para tratamento de câncer do país, já anunciou quatro aquisições que somaram cerca de R$ 2 bilhões. A maior parte desse montante vem da compra da Unity, grupo de Brasília que atua no mesmo segmento, por R$ 1,3 bilhão – sendo R$ 558 milhões em dinheiro e o restante em troca de ações. (Valor Econômico)
- 2021-2023 – Novas aquisições: Fase com maior volume de aquisições, incluindo Cemise, Itaigara Memorial, MedSir e participação minoritária da Unimed Nacional, ampliando escala e presença regional.
- Mai/24 – Follow-on e reconfiguração acionária: A Oncoclínicas anunciou um aumento de capital de R$ 1,5 bilhão, com emissão de ações a R$ 13, em operação na qual a Goldman Sachs, então detentora de cerca de 46% do capital, cedeu seu direito de preferência ao Banco Master, que ancorou a oferta e passou a se tornar o segundo maior acionista da Companhia.
- Ago/24 – Expansão internacional: A Oncoclínicas deu início à sua atuação fora do Brasil por meio de uma joint venture na Arábia Saudita, voltada ao tratamento oncológico ambulatorial.
- Nov/25 – Aumento de capital: A Companhia homologou aumento de capital de R$ 1,4 bilhão, com a emissão de 471,5 milhões de novas ações.
- Nov/2025 – Liquidação extrajudicial Master: A Companhia foi impactada pela liquidação extrajudicial do Banco Master, com vencimento antecipado de aproximadamente R$ 433 milhões em CDBs, dos quais R$ 217 milhões já estavam provisionados, resultando em exposição líquida estimada em R$ 216 milhões.
- Fev/26-Mar/26 – Mudanças Recentes na Diretoria: A Oncoclínicas anunciou mudanças na diretoria executiva, com a nomeação de Camille Loyo Faria para os cargos de Vice‑Presidente Executiva, CFO e Diretora de RI, seguida por sua renúncia semanas depois, além da renúncia de Bruno Ferrari da posição de CEO, com a indicação de Carlos Gil Moreira Ferreira como Diretor Presidente interino.
- Mar/26 – Convocação AGDEB: Convocação de assembleias de debenturistas da 9ª, 11ª e 12ª emissões para deliberar sobre a concessão de waiver prévio referente ao possível não cumprimento do covenant de Dívida Líquida/EBITDA, com base nas demonstrações financeiras consolidadas de 2025, ainda em elaboração e auditoria.
- Mar/26 – Convocação AGDEB | 8ª e 10ª emissões: Convocação de assembleias de debenturistas da 8ª e 10ª emissões para votar waiver prévio sobre o possível descumprimento do covenant de Dívida Líquida/EBITDA em 2025, visando evitar inadimplemento.
- Mar/26 – Convocação Assembleias Gerais de Debenturistas: Início de discussões com credores para um possível standstill de curto prazo e convocou assembleias de debenturistas (próprias e de controladas) para deliberar sobre waiver do covenant de Dívida Líquida/EBITDA de 2025.
- Mar/26 – Convocação Assembleias Gerais de Debenturistas: Convocação de assembleias de debenturistas (8ª, 9ª, 10ª, 11ª e 12ª emissões) e de debenturistas de controladas para deliberar sobre um standstill, prorrogando para 1º de junho de 2026 os pagamentos de principal e/ou juros com vencimento até 31 de maio de 2026.
- Mar/26 – Rebaixamento da Oncoclínicas pela Fitch Ratings: A Fitch rebaixou o rating em escala nacional da Oncoclínicas do Brasil Serviços Médicos S.A. (“Oncoclínicas” ou “Companhia”) de ‘CCC-(bra)’ para ‘C(bra)’. O movimento refletiu o entendimento da Fitch de que teve início um processo semelhante à inadimplência, após a companhia anunciar publicamente que está em discussões com seus credores para uma eventual prorrogação do pagamento de parcelas de principal e juros da dívida (standstill agreement).
- Mar/26 – Negociações estratégicas: Fleury aderiu a acordo não vinculante com a Porto Seguro e a Oncoclínicas para a potencial criação de uma nova empresa de oncologia, na qual Fleury e Porto investiriam conjuntamente R$ 500 milhões e deteriam o controle, enquanto a Oncoclínicas aportaria suas clínicas e parte do endividamento.
Principais iniciativas recentes da Companhia
- Dez/25 – Esclarecimentos e diligência: Após os eventos relacionados ao Banco Master, a Companhia comunicou ao mercado a transferência indireta da participação detida pelos fundos Tessália/Quíron para o BRB – Banco de Brasília, reforçando seu compromisso com transparência e governança. A administração informou que não havia sido previamente notificada da operação e que iniciou diligências para obtenção de informações adicionais, mantendo o mercado atualizado sobre eventuais desdobramentos relevantes.
- Jan/26 – Disputa judicial com o BRB: A Oncoclínicas ingressou com medida judicial para impedir o BRB de promover alterações na gestão e na governança dos fundos que concentram ações da Companhia, buscando esclarecer a extensão da participação acionária decorrente da transferência de ativos vinculados ao Banco Master e mitigar riscos de governança e acionamento de cláusulas estatutárias.
- Mar/26 – Reestruturação da dívida: A Companhia iniciou negociações com credores e convocou assembleias de debenturistas (8ª a 12ª emissões e controladas) para deliberar sobre waivers do covenant de Dívida Líquida/EBITDA de 2025 e a adoção de standstill de curto prazo, prorrogando vencimentos de principal e juros até 1º de junho de 2026.
- Mar/26 – Possíveis reestruturações: A Oncoclínicas anunciou a assinatura de acordo não vinculante com Fleury e Porto Seguro para a potencial criação de uma nova empresa de oncologia, na qual Fleury e Porto investiriam conjuntamente R$ 500 milhões e deteriam o controle, enquanto a Companhia aportaria suas clínicas e parte do endividamento, em operação ainda sujeita à negociação de documentos definitivos e aprovações
Análise XP Research: Resultados 3T25 (set/25) e Perfil da dívida
Nota: Os resultados de dezembro de 2025 (4T25) serão divulgados no dia 30 de março de 2026, segundo site de RI da Oncoclínicas.

No 3T25, a Oncoclínicas reportou receita líquida de R$ 1,413 bilhão, queda de 13,6% A/A e retração de 3,5%
em relação ao 2T25. A redução decorre da estratégia de descontinuação de contratos com fontes pagadoras de baixa conversão de receita em caixa e maior inadimplência, com destaque para a interrupção do atendimento à Unimed FERJ a partir de agosto. O número de procedimentos totalizou 151,6 mil, queda frente aos trimestres anteriores, enquanto o ticket médio cresceu 3,8% A/A e 5,7% T/T, refletindo repasses de preço e política comercial mais seletiva.
O EBITDA ajustado foi de R$ 241,4 milhões, com margem de 17,1%, representando queda de 20,3% A/A, mas crescimento expressivo de 30,4% em relação ao 2T25, com expansão de 450 bps na margem. A melhora sequencial decorre da expansão da margem bruta (+200 bps), redução de despesas operacionais e exclusão dos efeitos das operações hospitalares. No acumulado do ano, o EBITDA ajustado somou R$ 592,3 milhões (margem de 13,6%). O prejuízo líquido ajustado (ex-PILP e itens não recorrentes) foi de R$ 97,9 milhões, menor que os R$ 136,8 milhões do 2T25, mas ainda negativo.
O capital de giro apresentou melhora relevante: 25 dias no 3T25, redução de 16 dias frente ao 2T25 e de 24 dias A/A, impulsionando a geração de caixa. O fluxo de caixa operacional foi positivo em R$ 246,4 milhões, revertendo o consumo observado no trimestre anterior. A dívida líquida ajustada (incluindo aquisições a pagar e arrendamentos) atingiu R$ 3,9 bilhões, com alavancagem de 4,5x dívida líquida/EBITDA ajustado. Ao se considerar a dívida líquida Pro forma para o aumento de capital de R$ 1,4 bilhão concluído em novembro (após o fechamento do resultado, portanto), a alavancagem cairia para 3,0x. A dívida bruta total era de R$ 4,38 bilhões, sendo 22% de curto prazo. A posição de caixa contábil era de R$ 494,9 milhões, inferior ao trimestre anterior, mas reforçada pelo aporte subsequente.
No trimestre, a Companhia realizou desinvestimentos relevantes, além de ter interrompido em agosto o contrato com Unimed FERJ. Os movimentos reforçam o plano “back to core” da Oncoclínicas, visando a focar em oncologia,
desalavancagem e melhoria da eficiência operacional. Em nossa visão é necessário, no entanto, que as ações não sejam apenas pontuais e sim, uma mudança de direcionamento sustentável.
Perfil de endividamento

O perfil de endividamento da Oncoclínicas no 3T25 mostrou-se bastante pressionado no curto prazo, marcado por elevada indexação ao CDI (acima de 90%) e concentração relevante de vencimentos a partir de 2026, sobretudo em 2027 e 2029, o que aumenta a dependência de refinanciamentos em um contexto de juros ainda elevados.
Em função da liquidação extrajudicial do Banco Master, aplicações financeiras da Oncoclínicas em CDBs dessa instituição, no montante aproximado de R$ 433 milhões, tiveram vencimento antecipado. Desse montante, R$ 217 milhões já haviam sido provisionados nas demonstrações financeiras encerradas em 30 de setembro de 2025, em função do rebaixamento de crédito da contraparte.
A dívida da Oncoclínicas apresenta pulverização no mercado de capitais, com mais de 70% da dívida bruta concentrada em debêntures e CRIs. Essa estrutura aumenta a complexidade na condução de negociações com credores, incluindo a obtenção de waivers e a implementação de acordos de standstill.
Estrutura acionária

Entre novembro de 2025 e março de 2026, a estrutura acionária da Oncoclínicas passou por mudanças relevantes. Permaneceram como acionistas relevantes Josephina II e III (fundos de investimentos em participação ligados ao Goldman Sachs, investidor histórico), Latache (gestora focada em special situations) e Bruno Ferrari (fundador da Oncoclínicas), já presentes na composição anterior, enquanto o BRB – Banco de Brasília passou a integrar a base acionária após a transferência indireta da participação anteriormente vinculada ao Banco Master, que deixou de figurar diretamente entre os acionistas. No período, houve a entrada da gestora Mak Capital e da Geribá Participações 18, após o aumento de capital concluído em novembro de 2025.
Comunicaremos toda e qualquer atualização do caso. A XP está à disposição para quaisquer dúvidas e/ou esclarecimentos que se fizerem necessários.
Veja Mais
Fontes
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