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Pacote de estímulos nos EUA e expectativas da reunião do FED pautam mercados

Tudo o que você precisa saber sobre os mercados nacional e internacional, com análises econômicas e políticas sobre fatos que podem impactar seus investimentos.

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IBOVESPA 2,05% | 104.477 Pontos

CÂMBIO 1,59% | 5,15/USD

O que pode impactar o mercado hoje

O Ibovespa fechou ontem em alta de 2%, aos 104.477 pontos. O índice foi impulsionado pelo otimismo em mercados globais com relação ao pacote de estímulos econômicos atualmente discutido no Congresso dos Estados Unidos, além de expectativas em torno da próxima reunião do Federal Reserve (que se inicia hoje e termina amanhã). As taxas futuras de juros continuaram o movimento de queda iniciado na sexta-feira, refletindo apostas de novo corte na Selic na próxima reunião do Copom e expectativas de que os juros continuarão baixos por mais tempo. DI jan/21 fechou em 1,93%, nova mínima histórica; DI jan/23 fechou em 3,77%; e DI jan/25 encerrou em 5,36%.

Nesta manhã mercados globais operam sem direção definida, com bolsas da Ásia operando em leve alta, bolsas europeias em patamar estável e futuros dos EUA em leve queda.

Começando por política internacional, o destaque vai para a apresentação pelo partido republicano de um pacote de estímulo de US$ 1 trilhão ao Congresso americano. O plano contempla transferências diretas de US$ 1.200, benefício extra para desempregados de US$ 200 (atualmente US$ 600), US$ 100 bilhões para escolas e universidades e incentivos fiscais para pequenas empresas. Vale lembrar que os democratas já aprovaram um pacote de US$ 3 trilhões. Com a proposta republicana agora também finalizada, os partidos devem iniciar discussões para aproximar seus projetos e chegar a uma proposta intermediária. O último pacote aprovado pelo Congresso, por exemplo, que teve impacto de US$ 2 trilhões, foi compromisso entre a proposta de US$ 2,5 trilhões dos democratas e US$ 1,8 trilhão dos republicanos.

Além disso, destacamos que o Fedeal Reserve (Banco Central dos EUA) sediará entre hoje e amanhã (dias 28-29) sua reunião de política monetária. Há grande expectativa de que a autoridade monetária da maior economia do mundo mantenha sinalize a continuidade de uma política monetária estimulativa (normalmente denominada “dovish” no jargão do mercado), com a manutenção de taxas de juros próximas a zero por mais tempo.

Na frente de economia brasileira, de acordo com a Folha de São Paulo, o governo pretende limitar a atual acumulação de benefícios sociais por algumas famílias brasileiras para conseguir abrir espaço no orçamento para o Renda Brasil. O argumento utilizado para convencer o Congresso a alterar os programas sociais já existentes é de que os recursos precisam ser mais bem distribuídos. Alguns dos benefícios que estão na mira do governo para serem revistos são o abono salarial, salário-família e seguro defeso.

Ainda no campo econômico, diante da resistência à primeira parte da reforma tributária enviada pelo governo, a equipe econômica pretende antecipar o envio das demais etapas da proposta ao Congresso até o dia 15 de agosto. Nas próximas etapas, estariam a proposta de desoneração da folha de pagamentos e a criação de um imposto sobre pagamentos eletrônicos.

Em política, o foco está no anúncio de que DEM e PSDB sairão do bloco de partidos de centro liderado pelo PP na Câmara. As duas siglas têm juntas 63 das 221 cadeiras do grupo. O movimento tem como objetivo enfraquecer Arthur Lira, líder do PP, que se aproximou do governo e é candidato à sucessão de Rodrigo Maia, além demarcar maior distanciamento do Palácio do Planalto — e tem potencial de influenciar o comportamento das bancadas em votações de interesse do governo.

Do lado das commodities, os preços de celulose de fibra curta na China tiveram queda na semana (-US$2,5/t), para US$442,9/t. Esperamos uma reação negativa das ações de Suzano e Klabin no pregão de hoje. No longo prazo, acreditamos que os níveis de preço atuais não sejam sustentáveis, na medida em que se encontram há muito tempo abaixo do custo marginal (~US$500/t, em nossa opinião).

Finalmente, ontem a AES Tietê informou, via fato relevante, que o BNDES aceitou a proposta da AES Corp. pela fatia da AES Tietê (18,5% do capital total) por R$ 1,27 bilhão (ou um preço implícito de R$ 17,15/unit). O banco ainda vai ficar com cerca de 9% da companhia em mãos. Além disso, foi realizado um compromisso de migração da companhia para o Novo Mercado. Apesar de mantermos nossa recomendação de Compra nas units de AES Tietê com um preço-alvo de R$17/unit (baseado exclusivamente em fundamentos), reconhecemos que hoje pode ocorrer um movimento de realização das ações e a manutenção de volatilidade no curto prazo, devido à potencial pressão vendedora de investidores que poderiam ter interesse da proposta de combinação de negócios com a Eneva.

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Internacional

  1. Política internacional: Republicanos apresentam pacote de estímulo de USD 1 trilhão ao Congresso americano

    Acesse aqui o relatório internacional

Empresas

  1. Carrefour Brasil (CRFB3): Resultados sólidos em meio ao COVID-19; Mantemos Neutro
  2. AES Tietê (TIET11): BNDES aceita proposta da AES Corp. pela fatia da AES Tietê
  3. Papel & Celulose: Queda no preço da celulose de fibra curta na China
  4. Seguradoras: prêmios de seguros podem ser impulsionados pelo Novo marco do saneamento
  5. Banco do Brasil (BBAS3): Conrado Engel será nomeado CEO

Veja todos os detalhes

Internacional

Política internacional: Republicanos apresentam pacote de estímulo de USD 1 trilhão ao Congresso americano

  • Como antecipamos ontem, os republicanos apresentaram pacote de estímulo de USD 1 trilhão ao Congresso americano. O plano contempla transferências diretas de USD 1.200, benefício extra para desempregados de USD 200 (atualmente USD 600), USD 100 bilhões para escolas e universidades e incentivos fiscais para pequenas empresas;
  • Vale lembrar que os democratas já aprovaram um pacote de USD 3 trilhões. Com a proposta republicana agora também finalizada, os partidos devem iniciar discussões para aproximar seus projetos e chegar a uma proposta intermediária. O último pacote aprovado pelo Congresso, por exemplo, que teve impacto de USD 2 trilhões, foi compromisso entre a proposta de USD 2.5 trilhões dos democratas e USD 1.8 trilhões dos republicanos;
  • Em meio às tensões entre as maiores economias do mundo, a Bloomberg informa que a China está atrasada nas compras de produtos americanos pactuados no acordo comercial entre os países. Segundo o jornal, na primeira metade do ano a China teria comprado apenas 23% dos USD 170 bilhões acordados, mas estaria aumentando compras no segundo semestre.

Empresas

Carrefour Brasil (CRFB3): Resultados sólidos em meio ao COVID-19; Mantemos Neutro

  • O Carrefour Brasil reportou resultados fortes no segundo trimestre de 2020 (2T20). A receita consolidada da companhia, que inclui a operação financeira, apresentou sólido crescimento de +14% A/A, atingindo R$ 16,8 bilhões no período, ainda que 3% abaixo das nossas estimativas em função do crescimento abaixo do esperado na operação de atacarejo (Atacadão);
  • Por outro lado, o EBITDA ajustado de ~R$ 1,5 bilhão (+27,3% na comparação anual) ficou acima de nossas estimativas em ~8%, com margem EBITDA de 8,8% – +0,9p.p acima da nossa projeção. Por fim, o lucro líquido reportado de R$ 756 milhões veio 28% acima da nossa estimativa, também sendo positivamente impactado por despesas financeiras abaixo das nossas expectativas;
  • Nossa visão: Esperamos uma reação positiva do mercado ao anúncio. Em meio à crise desencadeada pelo COVID-19 a companhia conseguiu entregar resultados sólidos com aumento da rentabilidade. Em especial, a operação da varejo foi o destaque positivo do trimestre. Entretanto, ainda vemos o múltiplo atual de 20,2x P/L para 2021 (versus 20,5x para GPA) como justo. Por esse motivo, mantemos nossa recomendação de Neutro para as ações do Carrefour Brasil (CRFB3) e preço-alvo de R$ 22,0 ao final de 2020.
  • Para mais detalhes, acesse nossa tese de investimento aqui.Acesse o relatório completo no LINK.

AES Tietê (TIET11): BNDES aceita proposta da AES Corp. pela fatia da AES Tietê

  • Ontem a AES Tietê informou, via fato relevante, que o BNDES aceitou a proposta da AES Corp. pela fatia da AES Tietê (18,5% do cpaital total) por R$ 1,27 bilhão (R$17,15/unit). O banco ainda vai ficar com cerca de 9% da companhia em mãos. Além disso, foi realizado um compromisso de migração da companhia para o Novo Mercado;
  • A reunião entre diretoria e conselheiros do banco avaliou a nova proposta da Eneva na segunda-feira, mas considerou o volume de caixa como essencial, além de enxergar riscos de disputas societárias futuras caso optasse pela proposta da geradora termelétrica. Apesar disso, ontem a Eneva fez ajustes em sua proposta, elevado de 10% para 17% o prêmio por ação. Com mais um capítulo da disputa, as ações dispararam. As units da Tietê subiram 7,07% no pregão de ontem;
  • Como escrevemos anteriormente, a aquisição pela empresa norte-americana deve ajudar a proteger a empresa de propostas futuras de aquisição, uma vez que a AES Corp. será detentora de uma maior parte do capital total da companhia, embora ainda não seja mais o que 50% do capital total. Por outro lado, notamos que eventuais acionistas da AES Tietê que tinham uma visão favorável da combinação de negócios com a Eneva podem acabar gerando um fluxo de venda das ações, o que poderia causar uma pressão temporária negativa sobre os preços de TIET11;
  • Além disso, restam dúvidas acerca do que o BNDESPar fará com sua participação remanescente de 9% e em que condições ocorrerá a migração da AES Tietê para o Novo Mercado. Destacamos que haverá volatilidade no curto prazo no preço das ações de AES Tietê. Nossa recomendação de Compra, com um preço-alvo de 12 meses de R$17/unit é exclusivamente baseada nos fundamentos da companhia.

Papel & Celulose: Queda no preço da celulose de fibra curta na China 

  • Os preços de celulose de fibra curta na China tiveram queda na semana (-US$2,5/t), para US$442,9/t. No longo prazo, acreditamos que os níveis de preço atuais não sejam sustentáveis, na medida em que se encontram há muito tempo abaixo do custo marginal (~US$500/t, em nossa opinião); 
  • Esperamos uma reação negativa das ações de Suzano e Klabin no pregão de hoje. Temos recomendação de Compra para ambos os nomes, com preço-alvo de R$47 e R$22/ação para Suzano e Klabin, respectivamente. 

Seguradoras: prêmios de seguros podem ser impulsionados pelo Novo marco do saneamento

  • De acordo com a mídia, a aprovação do novo marco do saneamento prevê investimentos de R$ 700 bilhões até 2033 e estudos apontam que deve expandir o mercado de seguro garantia em R$2,6 bilhões em prêmios emitidos;
  • O estudo levantado pelo BMG, aponta que a expectativa de investimentos anuais suba de R$10 bi para R$ 55 bi até 2033, elevando a importância a ser segurada para R$ 70 bi, o que tornaria um desafio em atrair resseguradoras internacionais para mitigar os riscos;
  • Em nossa visão, é uma boa oportunidade para ambas as seguradoras e resseguradoras.

Banco do Brasil (BBAS3): Conrado Engel será nomeado CEO

  • De acordo com a mídia, Conrado Engel pode ser nominado CEO do Banco do Brasil;
  • O Sr. Engel é ex-CEO do HSBC Brasil e Losango e membro ou ex-membro do conselho de outras instituições financeiras como Santander Brasil, General Atlantic e FGC;
  • Se confirmado, nossa visão seria positiva, pois o Sr. Engel é um executivo experiente com passagens no varejo e, como investidor em startups, deve estar ciente de disrupções.
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