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Tomada do poder no Afeganistão pelo Talibã aumenta risco geopolítico

Tomada de poder no Afeganistão pelo grupo extremista Talibã aumenta riscos geopolíticos e pode trazer mais volatilidade para os mercados no curto prazo

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Entenda o que aconteceu:

A tomada do poder no Afeganistão pelo grupo extremista Talibã, com a invasão da capital Cabul no domingo, 15 de agosto, trouxe a preocupação nos mercados sobre o aumento do risco geopolítico. A crise deve ter impacto significativo para a região e deve também afetar as dinâmicas da política global – os eventos desgastam os Estados Unidos e favorecem outras lideranças, como a China.

O grupo Talibã governou o país no final da década de 1990 e havia perdido seu controle sobre o território desde que Estados Unidos começaram uma intervenção no país após o ataque às Torres Gêmeas. Nesse final de semana, o grupo voltou a assumir o controle após 20 anos de influência americana.

O evento ocorreu com o início da retirada das tropas estadunidenses do Afeganistão conforme acordado pelo governo de Donald Trump no ano passado e implementado pelo atual presidente dos Estados Unidos, Joe Biden recentemente. Isso deu espaço para que o grupo extremista assumissse o poder no país neste último fim de semana, gerando pânico por todo o país e levando à fuga do presidente afegão Ashaf Ghani.

Sob forte pressão tanto da direita quanto da esquerda política em seu país, além da comunidade internacional, Biden tentou minimizar os eventos em pronunciamento nesta segunda-feira (16). Ele avaliou que a luta contra o grupo terrorista Al- Qaeda, que culminou com a morte de Osama bin Laden, foi bem sucedida e que o governo americano não poderia continuar gastando bilhões de dólares com essa guerra. “Gastamos mais de 1 trilhão de dólares e equipamos o exército afegão”, disse. “Nossos adversários, China e Rússia, adorariam que continuássemos a gastar bilhões no Afeganistão indefinidamente”, agregou.

Biden reforçou que está cumprindo seu compromisso de campanha e que não iria passar a decisão de encerrar essa guerra que custou milhares de vidas americanas para outro presidente.

Impactos no mercado:

► O Afeganistão é um país muito rico em minerais que são essenciais para o desenvolvimento de energia limpa, como o lítio. Porém, vinte anos de conflito significa que houve pouquíssimo investimento em infraestrutura para a mineração desses materiais e há pouco interesse internacional dada a instabilidade política na região.

► Assim, o país não é produtor de nenhuma commodity grande peso para os mercados, portanto, a expectativa para mercados é que os impactos sejam limitados.

► No curto prazo, a crise pode gerar risco de alta para os preços do petróleo, diante do crescimento das tensões e elevação do risco de um conflito na região.

► Na mesma linha, o ouro, que tende a se beneficiar em momentos de incertezas, deve registrar ganhos também a medida que investidores procuram investimentos de menor risco neste primeiro momento.

Consequências geopolíticas:

No lado politico, os obstáculos são inúmeros e ampliam o risco global de instabilidade. Por exemplo, líderes como Boris Johnson destacam a possibilidade do país se tornar um “solo fértil” para o terrorismo. O tema pode trazer mais volatilidade nos mercados como reflexo de pânico como vimos após os ataques de 11 de setembro, mas que não foram movimentos sustentados, e sim de curto prazo.

A crise deve implicar ainda um desafio migratório para a região. As imagens capturadas no aeroporto de Cabul mostram que o fluxo de pessoas deve seguir nas próximas semanas e meses, o que deve implicar um desafio para China, Paquistão, Irã, Turquia, entre outros.

Para os Estados Unidos, a tomada de poder do Talibã significa o enfraquecimento de sua liderança diplomática global e uma mancha na trajetória da política externa do presidente Joe Biden. Ainda é cedo para fazer determinações sobre o impacto final para o país, mas fica claro que, em meio a uma luta por poder com a China, o evento é um revés relevante para a maior economia do mundo.

Já a China deve se beneficiar do evento, que reforça sua narrativa sobre o fracasso das democracias. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying, disse nesta segunda-feira, 16 de agosto, que a China respeitará as escolhas do povo afegão, sinalizando que pode reconhecer um possível governo do Talibã e espera que os compromissos sejam cumpridos para garantir uma transição de poder pacífica.

O governo chinês não tem forte interesse em ampliar sua influência no Afeganistão, mas procura proteger seus investimentos, especialmente nos minerais existentes na região. Portanto, é possível que tanto a China como a Rússia mantenham relações diplomáticas com o Talibã.

Nesse cenário, avaliamos que ainda é cedo para conclusões sobre os reflexos geopolíticos que esse conflito no Afeganistão pode ter, mas o evento agrega a um cenário de maior instabilidade global que preocupa investidores no curto prazo em meio a outras incertezas, como aquelas geradas pelo avanço da variante Delta da Covid-19 que pode ameaçar a recuperação da economia global. No longo prazo, o evento pode impulsionar um processo de reorganização das dinâmicas globais, e gera maiores incertezas sobre o que esperar da ordem mundial.

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