Turbulência na indústria de fundos: como vão os multimercados?

Um resumo dos acompanhamentos que temos feito com gestores de multimercados


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O ambiente de alta volatilidade que tem marcado os últimos dias trouxe à tona diversos questionamentos para os investidores, sobretudo em relação a o que fazer neste momento.

Neste texto, buscamos trazer o que pensamos sobre a queda atual que muitos multimercados têm sofrido e o que os gestores têm feito diante da turbulência.

A queda dos fundos multimercados é motivo de preocupação elevada?

Após o quadro recente de retornos bastante positivos para os multimercados em 2019, atraindo bilhões de reais em recursos para a classe, o início de ano desafiador em 2020 pode trazer dúvidas para os investidores quanto à capacidade de recuperação dos fundos. Em 2020, até o dia 5 de março, o Índice de Multimercados da Anbima (IHFA) tem queda de 0,94%. Para alguns fundos, as perdas variam entre 1% e 3% ou até mais do que 5%.

Ainda que a performance passada dos fundos não seja uma garantia de comportamento futuro, analisar os períodos de queda do IHFA nos últimos anos – e, principalmente, as recuperações subsequentes – pode nos trazer um indicativo do que esperar dos fundos nos próximos meses.

Fonte: Economatica

Nos últimos dez anos, a maior queda do IHFA, de -4,17%, aconteceu em 2017, em um curto período com início no Joesley Day. Após 46 dias úteis, o índice já havia recuperado as suas perdas. Analisando os valores da tabela, vemos que o período médio de recuperação é de 40 dias úteis, enquanto o horizonte de investimentos que julgamos adequado para os fundos multimercados em geral é de 24 a 36 meses, no mínimo. Com isso, o investidor que manteve a paciência e não resgatou seus recursos conseguiu recuperar as perdas. Como conselho, vale reforçar, tenha sempre em mente o horizonte de investimento da estratégia de longo prazo.

Como têm agido os gestores de multimercados

Como vínhamos comentando em outras publicações, a maioria dos gestores de estratégia macro – aquela cujas decisões de investimento são baseadas em cenários macroeconômicos – vinham expressando uma visão otimista com Brasil via a compra da bolsa (Ibovespa), com os vetores de crescimento do ativo baseados no crescimento econômico do país e, principalmente, no patamar atual de juros.

Após toda a turbulência pela qual os mercados passaram nos últimos dias, vimos um movimento intenso de redução da exposição à bolsa entre os gestores – alguns inclusive zeraram a posição, até que a volatilidade volte a níveis normais e haja maior clareza de cenário -, além da busca por proteções aos portfólios, como a compra de dólar e ouro ou a compra de títulos do governo americano. Outros gestores, em menor escala, vinham carregando uma visão menos otimista para ativos de risco ou ainda priorizando o balanço dos portfólios. Alguns, inclusive, conseguiram conter as perdas em meio às turbulências.

Para a Adam Capital, o tema da desaceleração global permeia os portfólios da casa, e, sobretudo no final de 2019, a gestora fez ajustes a fim de reduzir teses vendidas (short) e aumentar posições que se beneficiem do cenário de desaceleração do mundo, reforçado pelo impacto do coronavírus na China e nas economias globais. A venda de S&P 500 (índice de ações americanas, que vem sofrendo forte queda em 2020) não é novidade no portfólio da gestora, que também contempla apostas a favor do dólar contra uma cesta de moedas e a compra de ouro, além de outros ativos que buscam equilibrar a carteira. O fundo Adam Macro Advisory FIC FIM rende 1,68% (218% CDI) no ano até o dia 9 de março.

Para a gestora Ibiuna, a falta de clareza de cenário levou a uma mudança tática na estratégia – já desde meados de fevereiro, os gestores vinham reduzindo a exposição comprada na bolsa brasileira e, na virada do mês, reduziram ainda mais. Com a visão de que os bancos centrais no mundo devem realizar estímulos monetários de maneira sincronizada, a gestora tem concentrado o risco em apostas a favor da queda dos juros em Brasil, México, Inglaterra e EUA – sendo a posição de juros nos EUA também uma proteção (título americano se valoriza em momentos de aversão a risco). No portfólio, a gestora também mantém posição comprada no dólar contra o real. No ano, o fundo Ibiuna Hedge STH FIC FIM rende 3,98% (517% CDI) até o dia 9 de março. Na previdência, sua estratégia Ibiuna Prev Icatu rende 2,60% (338% CDI) até o mesmo dia.

Segundo a JGP, desde a virada de janeiro para fevereiro, os gestores carregavam uma visão mais pessimista do que a média do mercado. Ao longo de fevereiro, os gestores mantiveram suas posições compradas em ações da bolsa brasileira protegidas pela venda do Ibovespa e S&P 500, além de aumentarem exposição comprada no dólar, importante contribuidor de performance. Hoje a falta de clareza de cenário e alta volatilidade nos mercados levaram a uma baixa utilização de risco no portfólio, sobretudo no mercado de ações. No ano, o fundo JGP Strategy Advisory rende 2,03% (263% CDI) até o dia 9 de março, enquanto o JGP SulAmérica FIM, mais concentrado em estratégias no Brasil, cai -0,41% no período.

Para a gestora SPX, o ambiente de bastante incerteza para a tomada de risco, desde o ano de 2019, fez com que os gestores viessem utilizando menor nível de risco nos portfólios. Na virada do ano, a gestora já apresentava uma visão mais pessimista do que a média do mercado para a atividade global. Isso se refletiu em apostas compradas no dólar e a favor da queda dos juros no mundo (EUA, Inglaterra, Europa, México). No Brasil, já desde o início do ano, a gestora não apresentou grandes posições na bolsa, o que ajudou a segurar as perdas nesse ativo. No ano, o fundo Gripen Advisory FIC FIM (que replica a estratégia do SPX Nimitz) rende 2,04% (271% CDI) até o dia 9 de março, enquanto a estratégia previdenciária (SPX Lancer) está também no positivo no ano, com 0,10% (13% CDI) até o dia 9.

Para o investidor, a diversificação da carteira é fundamental

É importante ressaltar que o grupo dos multimercados abrange não só os fundos de estratégia macro, mas também uma diversidade de estratégias, como fundos quantitativos, long short ou multiestratégia – em períodos turbulentos, tais fundos se comportam de maneiras variadas, o que pode amortecer as perdas, ou mesmo compensar. Assim, ter uma carteira de investimentos balanceada é fundamental para se evitar, no curto prazo, as perdas excessivas em momentos de volatilidade elevada nos mercados.

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