A volatilidade dos fundos de investimentos disparou: o que fazer?

A bolsa brasileira tem se comportado como uma verdadeira montanha russa nos últimos dias. Entenda a seguir o quão preocupado você deveria estar e como agir, observando o que têm feito os gestores de alguns dos principais fundos do país.

access_time 08/03/2020 - 21:26
format_align_left 8 minutos de leitura
Gestores Henrique Bredda (Alaska Asset) e João Braga (XP Asset) são os convidados de Samuel Oliveira, coordenador de Fundos, e Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP.

“Volatilidade é uma medida estatística de dispersão de retornos para um dado ativo ou índice de mercado. Na maioria dos casos, quanto maior a volatilidade, mais arriscado o ativo. É frequentemente medida como o desvio padrão ou a variância dos retornos de um ativo ou índice.”

(Investopedia)

“Evito a definição acadêmica imprudente de risco e volatilidade, reconhecendo, em vez disso, que a volatilidade é uma bela criadora de oportunidades.”

(Seth Klarman, americano bilionário e sócio da gestora Baupost Group)

“O verdadeiro investidor saúda a volatilidade. Veja as flutuações de mercado como seu amigo e não como inimigo. Lucre com a loucura, em vez de participar dela.”

(Warren Buffet, CEO da holding de Investimentos Berkshire Hathaway e um dos investidores mais bem sucedidos da história moderna)

muitos investidores que ainda precisam se acostumar a momentos turbulentos

Desde o período entre maio e junho de 2018, lembrado pela famigerada Greve dos Caminhoneiros, os investidores brasileiros não viam tanto stress nos preços dos ativos locais quanto o observado nas últimas duas semanas. Naquela ocasião, em um espaço inferior a dois meses, a bolsa passou por uma forte correção de quase 20%, o dólar disparou, os títulos públicos atrelados à inflação (Tesouro IPCA) despencaram e boa parte dos fundos Multimercados amargou perdas que variaram entre 3% e 5% (com vários casos de perdas bem superiores a isso).

Foi um período de se arrancar os cabelos, mas passou. Quem teve sangue frio e uma boa estratégia de investimento de longo prazo, conseguiu se beneficiar da forte recuperação dos ativos que se seguiu posteriormente e durou até poucos dias atrás. Até a sexta-feira antes do Carnaval (21/02), quem manteve suas aplicações na bolsa conseguiu retornos superiores a 60%, se medirmos pela valorização do Ibovespa desde a sua mínima no auge da crise de 2018 (pouco abaixo de 70 mil pontos). O CDI, referência para aplicações mais conservadoras, rendeu pouco mais de 10% no mesmo período – mostrando que manter a alocação mais arriscada foi bastante lucrativo.   

No entanto, é bem provável que mais da metade dos investidores atuais da bolsa não tenha vivenciado essa recuperação, pois ainda nem conheciam o universo das ações.

Segundo dados da B3, saímos de pouco mais de 800 mil investidores cadastrados ao fim de 2018 para mais de 1,9 milhão ao fim de fevereiro desse ano. E esses mais de 1 milhão de novos investidores talvez estejam bem aflitos no momento, pois nunca haviam testemunhado quedas superiores a 10% no Ibovespa em suas jornadas de “tomadores de risco”.

Comprovamos isso ao analisar o comportamento do Ibovespa em 2019: o pior mês do índice teve uma queda de módicos 1,86% (em fevereiro) – insuficiente para assustar mesmo os poupadores mais ariscos. No entanto, 2019 foi bem atípico. Olhando-se a tabela abaixo, pode-se ver que a bolsa “chacoalha” bem mais do que isso e, portanto, é preciso ter estômago para aguentar seus solavancos.

O “mar calmo” que predominou na bolsa em 2019 parece ter ficado para trás

O “mar calmo” da bolsa, no entanto, parece ter mudado bem e os ventos parecem ter virado contra. Desde o dia 26/02 (Quarta-Feira de Cinzas), a bolsa amarga perdas de quase 15% e o dólar não para de renovar as máximas, tendo atingido nos últimos dias sua maior cotação histórica, acima de R$ 4,60 (para desespero de quem tem viagem agendada para o exterior). E para os novos exploradores do mercado, que entraram na bolsa após dezembro/2018, a cabeça deve estar coçando bastante nos últimos dias:

“Vendo ou não minhas ações?”

“Resgato ou não aquele fundo multimercado que está com retornos negativos?”

“Zero meus fundos de ações para voltar depois que passar a crise do coronavírus?”

“Mas como saber quando a crise vai passar?”“Dobro minhas apostas e aumento a posição agora que os preços estão mais baratos?”

“Resgato ou não aquele fundo multimercado que está com retornos negativos?”

O que fazer nesse momento turbulento da bolsa?

Nosso conselho: não se desespere. Mantenha a calma e certifique-se de que os recursos aplicados em ativos ou fundos mais arriscados compõem aquela parcela de investimentos dedicadas ao longo prazo (3 a 5 anos, no mínimo) além de ter uma carteira diversificada.

Nossa equipe de Análise de Ações revisou as estimativas para a bolsa em 2020 e montaram um relatório bastante completo que pode servir como bússola para sua tomada de decisão.

Além disso, falamos com algumas dezenas de gestores nos últimos dias, entre aqueles que gerem fundos Multimercados e fundos de Ações. A postura de cada um tem variado, como esperávamos.

Como têm agido os gestores de Fundos Multimercados

Os gestores de fundos multimercados de estratégia Macro, na média, reduziram suas posições compradas na bolsa brasileira. Alguns deles, no entanto, consideram que o nível de preços atuais torna as ações bastante atrativas, após a queda expressiva do Ibovespa nos últimos dias. Na ponta oposta da grande maioria que reduziu as posições em bolsa, destaque para o lendário Luis Stuhlberger, da Verde Asset, para quem os efeitos do coronavírus não mudam estruturalmente as condições de crescimento do Brasil para os próximos três anos, tornando o momento atual uma bela hora de se comprar ações.

Diante do impacto negativo que o coronavírus deve ter na atividade global de curto prazo, as autoridades fiscais e monetárias (Bancos Centrais) de diversos países têm reagido com diferentes medidas de estímulo às economias, sendo a principal ferramenta os cortes nas taxas básicas de juros – um exemplo disso foi o banco central americano (Fed), que cortou os juros nos EUA em reunião extraordinária.

Com isso, a aposta a favor da queda dos juros tanto no Brasil quanto no resto do mundo ganhou relevância nos portfólios, que antes eram dominados por posições apostando na alta do Ibovespa (agora posição coadjuvante para muitos).

Como têm agido os gestores de Fundos de Ações

Para os gestores de Fundos de Ações, os reais impactos do coronavírus nas empresas ainda são muito difíceis de serem mensurados. No médio prazo, empresas mais expostas ao mercado externo devem ser as mais afetadas. Porém, no curto prazo, a volatilidade de toda a bolsa vai continuar alta, principalmente pela aversão a risco que tem levado investidores a migrarem para ativos “mais seguros”. Alguns exageros devem gerar oportunidades e todos com quem falamos afirmam que estão preparados para capturá-las com a utilização de um pouco de caixa que ainda possuem.

Desde o fim de janeiro, muitos gestores já vinham diminuindo as posições compradas devido a valuations bastante “esticados” e os recursos das vendas estavam em liquidez. As quedas acentuadas da última semana de fevereiro já animaram alguns gestores a aumentar posições em empresas boas, que voltaram a uma faixa de preço mais atrativa.

As compras têm se concentrado em empresas com maior exposição à economia doméstica e que, supostamente, seriam mais defensivas no cenário de aumento global de casos de coronavírus. Os setores de consumo, energia elétrica e financeiro são os mais presentes nas carteiras dos fundos.

Mesmo que o crescimento da economia não seja tão forte quanto esperava-se antes, os gestores de fundos de ações veem alguns bons motivos para manter o otimismo com a bolsa. O principal deles é a tendência de termos novos estímulos dos Bancos Centrais, a exemplo do que esperam os gestores de fundos Multimercados Macro. No Brasil, já é quase certo que teremos novos cortes de juros, o que aumentará ainda mais a atratividade das ações.

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