Radar ESG | São Martinho (SMTO3): Quanto mais se semeia, maior é a colheita

Ao longo deste relatório, destacamos os tópicos ESG que vemos como os mais importantes para a São Martinho (SMTO3) e analisamos como a empresa está posicionada quando o tema é ESG.


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Resumo

Em geral, a indústria de Açúcar e Etanol (S&E, na sigla em inglês) é um setor sensível na perspectiva ESG. Em nossa visão, o pilar Ambiental é o fator mais importante na análise, embora o de Governança Social não estejam distantes. 

Isso posto, apesar da São Martinho (SMTO3) fazer parte de um setor com desafios em relação, principalmente, ao pilar Ambiental, vemos a empresa bastante comprometida com a agenda ESG, sendo uma das melhores do setor, dado seus diversos programas em vigor que focam na redução dos impactos adversos de suas operações ao meio ambiente, com destaque para o programa de controle de emissões de gases do efeito estufa da SMTO e seu mapeamento do uso da terra e das áreas de preservação permanente (APPs), além do controle em relação ao uso da água e projetos de gestão de resíduos. No pilar Social, destacamos os programas comunitários da São Martinho e os esforços da companhia em garantir a segurança de sua força de trabalho. Por fim, acreditamos que a frente de Governança é a que tem maior espaço para melhorias, principalmente no que se refere ao Conselho de Administração da empresa, tanto em termos de independência quanto de diversidade de gênero.

Neste relatório, trazemos uma breve perspectiva ESG setorial em relação à indústria de Açúcar e Etanol e destacamos como a São Martinho (SMTO3) está posicionada quando o tema é ESG.


Ambiental: Apesar dos desafios do setor, vemos a SMTO bem posicionada

De acordo com a MSCI, a agricultura é responsável por +70% da retirada global de água e +90% do consumo da mesma, o que faz com que seja de extrema importância que as empresas desse setor mitiguem os riscos relacionados ao estresse hídrico em sua cadeia de abastecimento agrícola. Além disso, as operações agrícolas podem impactar significativamente os ecossistemas ao redor ou as práticas de uso da terra existentes, fazendo com que o bom uso da mesma seja fundamental, bem como a gestão de resíduos, dados que os mesmos são ricos em nutrientes para o solo. Por fim, mas não menos importante, estão as emissões de gases do efeito estufa – segundo a MSCI, a agricultura é responsável por mais de +20% das emissões globais anuais de carbono. Assim, embora a precificação do carbono ainda não tenha tido um grande impacto nesta indústria, muitos países estão integrando a agricultura em sua estratégia de adaptação e, para mitigar esses riscos, metas de redução de emissões de carbono e mecanismos de implementação por empresas agrícolas, como a São Martinho, são muito bem-vindos.

Em nossa visão, a São Martinho está bem posicionada na perspectiva ESG, principalmente devido ao potencial de descarbonização de suas operações de plantio aliado à geração de energia renovável por meio do bagaço da cana, ajudando a evitar as emissões de gases do efeito estufa (GEE).

Além disso, vale destacar que a empresa historicamente deu vários passos além da abordagem básica e continua implementando programas para minimizar impactos adversos de suas operações de cana-de-açúcar sobre a biodiversidade, com destaque para o Projeto de Reserva Legal da companhia, bem como os esforços para diminuir sua pegada hídrica. Como produtora de cana-de-açúcar, suas operações são altamente dependentes de água e, para mitigar esse risco, a São Martinho possui sistemas de reciclagem de água e monitoramento de risco.

Olhando para frente, destacamos dois tópicos que, em nossa visão, possuem espaço para evolução: (i) a definição de uma meta específica para a redução das emissões de carbono; e (ii) o envolvimento de um Comitê Executivo no controle da pegada hídrica da empresa.

Abaixo destacamos quatro tópicos dentro do pilar Ambiental que vemos como importantes de serem analisados.

(i) Emissões de GEEs: Monitoramento completo

Além da SMTO possuir um monitoramento completo em relação as suas emissões de gases do efeito estufa (veja a figura abaixo), destacamos que a empresa apresentou uma redução de 7,5% nas emissões do Escopo 1 em 2019/20. Tal redução pode ser atribuída à iniciativas como: (i) redução do consumo de diesel; (ii) diminuição da adubação mineral nitrogenada, como resultado da substituição por adubação verde; e (iii) redução da utilização de calcário, pela menor necessidade de tratamento de correção do solo. Vale ressaltar também que a São Martinho utiliza máquinas agrícolas de alto desempenho e com baixo consumo de energia que, aliadas à agricultura de precisão, podem contribuir para economias significativas de combustível, também um de seus principais componentes de custo.

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(ii) Estresse hídrico: Uma questão fundamental no setor de agronegócio



O uso da água é uma questão fundamental no agronegócio. Nesse sentido, a São Martinho tem implementado iniciativas de reuso que visam reduzir sua pegada hídrica. Apesar de nenhuma de suas operações estar em locais com estresse hídrico, a empresa possui diferentes esforços para melhorar a gestão da água por meio de iniciativas como: redução da captação de água, aumento do reuso (como por exemplo no processo de concentração da vinhaça) e uso de lençóis freáticos como recurso reserva de água.

(iii) Gestão de resíduos: Aproveitamento é uma palavra-chave




Aproximadamente 99% dos resíduos gerados nas operações da empresa são reaproveitados nas operações agrícolas e de usina por meio (i) do reaproveitamento total do bagaço da cana-de-açúcar na produção de energia elétrica limpa em todas as usinas da SMTO; (ii) o reaproveitamento do resíduo do suco da cana, que é tratado e complementado com nutrientes para a produção de um fertilizante orgânico; e (iii) o reaproveitamento da vinhaça, subproduto do processo de destilação do etanol.

(iv) Uso da terra: Um dos maiores desafios da indústria

A agricultura é um setor muito sensível em relação à terra. Assim, destacamos positivamente que a São Martinho mapeou o uso do solo de sua propriedade. Além disso, observamos que aproximadamente dois terços da cana-de-açúcar processada pela São Martinho são cultivados diretamente pela empresa, seja em terras próprias ou por meio de contratos de arrendamento ou parceria.

O controle direto de sua cadeia de valor ajuda a empresa a garantir o fornecimento seguro de matéria-prima para suas usinas, ao mesmo tempo em que fortalece o relacionamento com os parceiros agrícolas. As propriedades são selecionadas com base em critérios como eficiência, mecanização e proximidade com as fábricas da empresa, além de condições de trabalho, desenvolvimento comunitário e preservação do meio ambiente.

Por fim, destacamos que, nos últimos anos, a São Martinho implantou um processo inovador de plantio de cana-de-açúcar que combina o método de MPB (Mudas Pré-Brotadas) atrelado à MEIOSI (Método Inter-rotacional Ocorrendo Simultaneamente) – veja mais detalhes no relatório com o início de cobertura completo (link).


Social: Robustos esforços em relação à segurança da sua força de trabalho

No que se refere ao pilar Social, vemos a São Martinho como um dos players melhor posicionado dentre o setor sucroalcooleiro no Brasil, com medidas robustas em relação à saúde e segurança de seus funcionários, além de um programa estruturado de relações com a comunidade. No que se refere a este último, embora a empresa esteja exposta a um segmento de negócios que normalmente tem um alto impacto nas comunidades locais com base no uso de recursos e na frequência histórica de controvérsias de direitos humanos, a São Martinho possui vários projetos em andamento para apoiar as comunidades locais por meio de sua Política de Investimento Social Privado, que foi renovada recentemente.

As medidas de saúde e segurança também colocam a São Martinho no quartil superior do ranking da MSCI para o setor: não apenas suas políticas de saúde e segurança abrangem todo o grupo, como também é administrado por um comitê específico, o que coloca a empresa como uma das melhores do setor. Por fim, em relação às Normas de Trabalho da Cadeia de Suprimentos, apreciamos o fato da SMTO analisar as normas de seus fornecedores de cana-de-açúcar, levando em consideração o desempenho da gestão do trabalho. No entanto, sentimos falta de uma divulgação formal acerca dos critérios considerados nessa avaliação.

Abaixo entramos em mais detalhes em relação à dois tópicos que vemos como chave no pilar Social:

(i) Saúde e segurança dos funcionários: Uma das taxas de lesões mais baixas do segmento

Na safra 2019/20, a São Martinho atingiu o menor índice de afastamento por acidentes até hoje: 1,56 para cada 1 milhão de horas-pessoa trabalhadas. Também é importante destacar que todos os departamentos possuem painéis de segurança com indicadores relevantes a serem monitorados e cuja atualização é feita regularmente. Por fim, as atividades de gestão em saúde ocupacional da São Martinho incluem, adicionalmente, um Programa de Vigilância em Saúde Ocupacional para monitorar a efetividade das ações propostas e um Programa de Preservação Auditiva.

(ii) Gestão da mão de obra: Mais de 12 mil funcionários

Ao final da safra 2019/20, a SMTO contava com 12.881 funcionários. Sua evolução na rotatividade de funcionários, conforme ilustrado na tabela a seguir, reflete a natureza das operações agrícolas. Normalmente existem dois períodos de pico de rotatividade: de fevereiro a abril, quando a empresa contrata novos funcionários antes da safra, e de novembro a dezembro, quando alguns funcionários deixam a empresa no final da safra, enquanto outros são contratados para o plantio com o sistema MEIOSI.

Além disso, vale destacar que em 2019, a São Martinho foi eleita como o Melhor Local de Trabalho no Agronegócio pelo 3º ano consecutivo. além de também ter sido considerada a empresa líder em inovação no setor de agronegócio no ranking anual Valor Inovação Brasil, pelo 4º ano consecutivo.

(iii) Diversidade e inclusão: Em busca da igualdade de gênero




Em 2019, a empresa ampliou seu Programa de Diversidade, realizando uma oficina de diversidade durante a Semana de Prevenção de Acidentes de Trabalho e também abordando o tema em campanhas de conscientização nas redes sociais. Além disso, em outubro de 2019, a empresa assinou um compromisso com os Princípios de Empoderamento das Mulheres, protocolo desenvolvido pela ONU Mulheres e a Global Compact Network Brasil para promover a igualdade de gênero, o que vemos com bons olhos.

(iv) Relações com a comunidade: Políticas e esforços robustos



Em 2020, a empresa apresentou sua Política de Investimento Social Privado, aprovada pelo Conselho de Administração, e revisou sua Política de Responsabilidade Social existente. Essas duas políticas tem como objetivo expressar o respeito pelas pessoas e enfatizar a importância do bom relacionamento com as comunidades. Em relação à Política de Investimento Social Privado, ela estabelece diretrizes para o investimento nas comunidades de entorno, com a atuação por meio de doações, patrocínios e incentivos fiscais, em projetos ou ações sociais próprias ou de terceiros.

(v) Combate à Covid-19: Mais de 266 mil litros de álcool doados

Por fim, mas não menos importante, vale mencionar os esforços da companhia em relação à pandemia da Covid-19. Primeiro, no que se refere ao esforço interno, a São Martinho implementou procedimentos de higiene no local de trabalho mais rigorosos, fornecendo instruções sobre higiene pessoal, distribuindo desinfetantes para as mãos à base de álcool e realizando verificações de triagem de temperatura nas entradas das instalações e em ônibus de transporte, para terceiros e diretos funcionários.

Segundo, em relação aos esforços externos, a empresa realizou uma ampla gama de iniciativas de bem-estar comunitário que totalizaram R$ 5 milhões em junho de 2020. Indo além, destacamos que a São Martinho doou mais de 266 mil litros de álcool, dos quais (i) 136 mil litros de álcool 70% para o Sistema Único de Saúde (SUS) em parceria com a UNICA (Associação Brasileira da Indústria de Cana-de-Açúcar) e Coca-Cola FEMSA; (ii) 120 mil litros de álcool anidro para a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, em parceria com a empresa de cosméticos Natura & Co.; e (iii) 10 mil litros de álcool industrial para a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, em parceria com a Associação Brasileira de Aerossóis.


Governança: Esperamos ver mais diversidade nas posições de liderança

Por fim, em relação ao pilar de Governança, acreditamos que esse é um ponto chave para todas as empresas, independente do setor. Quando se trata da São Martinho, destacamos o fato de ela ter suas ações (SMTO3) listadas no Novo Mercado da B3, o mais alto padrão de governança corporativa do mercado brasileiro (B3). Ainda assim, acreditamos que este é o pilar em que a empresa tem mais espaço para melhorias.

As práticas de governança da São Martinho ficam aquém de seus pares globais, principalmente no que diz respeito à estrutura de seu Conselho de Administração. Primeiro, o conselho da empresa carece de uma maioria independente (apenas 2 dos 7 membros não estão vinculados ao grupo de controle), embora vale destacar que vemos com bons olhos o fato de que o atual presidente do conselho, o Sr. Passos, é um membro independente. Segundo, no que se refere à diversidade, apenas 14% dos membros são mulheres (1 em 7 membros), enquanto que na diretoria, notamos a falta de diretoras. Olhando para frente, esperamos ver mais diversidade no conselho de administração da São Martinho, bem como na alta administração da empresa.

Em relação à remuneração dos executivos, notamos que ela inclui um componente fixo e um variável, além de um programa de incentivo de longo prazo (programa de opção de ações virtuais). A remuneração variável está vinculada a indicadores que inclui o desempenho em termos da segurança da força de trabalho dos funcionários da companhia, além de indicadores de desempenho financeiro, como EBITDA e Dívida Líquida.

Por fim, destacamos o Código de Ética e Conduta Empresarial da São Martinho, que estabelece padrões e princípios desde 2010 e estabelece um conjunto de diretrizes que informam a conduta esperada dos colaboradores em sua atuação profissional e nas relações com colegas, fornecedores, clientes, concorrentes, acionistas, governos e comunidades.

MSCI ESG Ratings

A São Martinho possui classificação A pela MSCI ESG Ratings. Em uma perspectiva global, a classificação A coloca a SMTO dentre os 14% das empresas com esta classificação sob os constituintes do Índice MSCI ACWI em Provedores e Serviços de Saúde (45 empresas).


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