Radar ESG | Companhia Brasileira de Alumínio (CBAV3): Uma líder em alumínio verde, com forte posicionamento ESG

Ao longo deste relatório, destacamos os tópicos ESG que vemos como os mais importantes para a CBA e analisamos o porquê vemos a companhia estrategicamente bem posicionada para avançar em direção a um futuro mais verde.


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Com o mundo se movendo em direção a um futuro mais verde, vemos o alumínio como um dos materiais escolhidos para a transição energética global, sendo um candidato-chave para a mudança estrutural em relação aos critérios ESG. Isso posto, o modelo de negócios focado em alumínio de baixo carbono da CBA, somado aos altos padrões ESG da companhia, nos levam a ver a empresa se destacando em relação aos seus pares, estando bem e estrategicamente posicionada para o futuro adiante, com destaque para duas frentes importantes que estão prestes a mudar a dinâmica competitiva do setor: (i) a tendência global de descarbonização; e (ii) o foco crescente na sustentabilidade por parte dos investidores, clientes, governos e sociedade. Para a CBA, vemos o pilar E como o fator mais importante na análise ESG, seguido pelas frentes G e S, respectivamente.

(E) Produção de um dos alumínios com menor teor de carbono da indústria é o principal destaque. Mais de 80% da produção mundial de alumínio tem emissões acima de 4,0 tCO2/tAl, já que a China é responsável por ~60% do fornecimento global atual e a cadeia de alumínio chinesa depende principalmente de fontes à base de carvão. O Brasil, por outro lado, é hoje um dos países mais competitivos em termos de emissões de CO2 por tonelada de Alumínio (tCO2/tAl) e, quando se trata da CBA, a empresa se destaca por ser uma líder mundial em alumínio verde: a CBA produz exclusivamente alumínio de baixo carbono, sendo um dos alumínios com menor emissão de carbono em sua produção (a CBA está no 1º quartil em termos de emissões de CO2 na indústria global, com 2,66 tCO2/tAl).

(S) Fortes esforços em saúde e segurança, somado à iniciativas de engajamento com a comunidade. Neste pilar, destacamos três tópicos principais: (i) Saúde e Segurança: reconhecemos positivamente os esforços da empresa nesta frente, com a taxa total de acidentes alcançando 1,75 por milhão de horas em 2019, abaixo da média da indústria de 3,94 de acordo com a MSCI; (ii) Gestão da mão de obra: a CBA tem ~2,4 mil funcionários e recebeu o prêmio “Great Place to Work” no Brasil em 2019; ainda assim, vemos espaço para melhorias, uma vez que a empresa tem iniciativas de gestão da mão de obra relativamente limitadas em comparação com seus pares; e (iii) Engajamento com a comunidade: a CBA possui diversos programas envolvendo as comunidades locais e trabalho voluntário, além de uma forte atuação junto ao instituto Votorantim.

(G) Histórico de primeira linha, apoiado pela Votorantim. A CBA é atualmente controlada pela Votorantim SA. (76% de participação vs. 100% antes do IPO), com suas ações listadas no segmento do Novo Mercado. Apesar de notarmos que o Conselho de Administração da empresa carece de uma maioria independente (40%), vemos com bons olhos (i) a gestão experiente da CBA, que possui uma experiência histórica comprovada, apoiada pela Votorantim; e (ii) a presença feminina na alta gestão da empresa, com as mulheres representando 20% e 29% do Conselho de Administração e da Diretoria Executiva da CBA, respectivamente.

Neste relatório, destacamos os tópicos ESG que vemos como os mais importantes para a CBA (CBAV3) e analisamos como a companhia está posicionada na perspectiva ESG.

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Ambiental: Produção de um dos alumínios de menor teor de carbono do setor é o principal destaque

Em nossa visão, o pilar Ambiental é o fator mais importante na análise ESG, com quatro tema principais que merecem destaque: (i) Emissões de gases de efeito estufa (GEEs); (ii) Reciclagem; (iii) Consumo de energia; e (iv) Gestão de barragens de rejeitos.

(i) Emissões de GEEs

Enquanto o mundo caminha para um futuro mais verde, com países propondo metas de emissões líquidas de gases de efeito estufa (GEEs) e empresas comprometidas com produtos de baixo carbono, vemos o alumínio como um dos materiais preferidos para a transição energética ao redor do mundo. Em uma perspectiva global, mais de 80% da produção mundial de alumínio tem emissões acima de 4,0 tCO2/tAl*. A China é responsável por cerca de 60% do suprimento global de alumínio atualmente e representa uma das produções mais intensivas em emissões em comparação com outros países, uma vez que a cadeia de alumínio chinesa depende principalmente de fontes à base de carvão, enquanto o Brasil é hoje um dos países mais competitivos em termos de emissões de CO2 por tonelada de alumínio.

* o alumínio de baixo carbono – ou alumínio verde – implica menos de 4 toneladas de CO2 por tonelada de alumínio.


Quando se trata da CBA, a empresa se destaca por ser líder mundial em alumínio verde: a CBA produz exclusivamente alumínio verde, sendo um dos alumínios de menor teor de carbono da indústria (veja o gráfico abaixo). A CBA ocupa o 1º quartil em emissões de CO2 na indústria global¹, com 2,66 tCO2/tAl. Considerando as emissões de escopo 3 (principalmente matérias-primas/transporte), a CBA estaria ainda melhor posicionada em nossa visão, dada a proximidade das minas (transporte ferroviário) e o fato de a refinaria estar localizada ao lado da fundição – clique aqui para acessar o relatório com o início de cobertura completa da CBA para mais detalhes.

¹ considerando os escopos 1 e 2.


Em linha com os esforços atuais da empresa para diminuir as emissões de GEEs, com destaque para a aquisição de vapor de biomassa de cavacos de madeira na Refinaria de Alumina, a CBA registrou uma redução de emissões de -10% A/A, principalmente devido à redução no Escopo 1.

Até 2025, a CBA tem como meta uma redução de -16% nas emissões de CO2, tendo como base o ano de 2017. Além disso, vale ressaltar que a CBA possui padrão Ouro no Programa Brasileiro GHG Protocol para o inventário de emissões de gases de efeito estufa da empresa – 2020, 2019, 2018.

Por fim, é importante mencionar as metas da empresa para 2030: (i) redução em 40% nas emissões (na média dos produtos fundidos, desde a mineração), em relação aos números de 2019; (ii) a criação de uma linha de produtos neutra em carbono; (iii) o desenvolvimento de um plano para atingir o nível de emissões neutras até 2050; e (iv) um plano de adaptação às mudanças climáticas.

Olhando para o futuro, em conformidade com a estratégia ESG da empresa, vemos os projetos da CBA impulsionando a posição sustentável da empresa, com destaque para a atualização da tecnologia das “salas fornos“: automação do processo de alimentação do forno para reduzir as emissões de gases de efeito estufa do processo e, ao mesmo tempo, melhorar a produtividade da fundição, segurança e redução do consumo de materiais, com redução estimada de 0,5 tCO2/tAl.

(ii) Reciclagem

A reciclabilidade é um dos atributos mais importantes do Alumínio, material produzido infinitas vezes, sem perder suas qualidades no processo de reaproveitamento, ao contrário de outros materiais – o alumínio é o material que mais pode ser reciclado em comparação com qualquer outro metal industrial, em termos percentuais. Portanto, vemos esse metal como parte da solução para o desenvolvimento de cadeias de suprimentos menos intensivas em recursos e mais circulares que reutilizam materiais e minimizam o desperdício e o impacto ambiental. Como referência, (i) a reciclagem consome 95% menos energia do que produzir a partir da bauxita; (ii) as emissões de alumínio reciclado estão abaixo de 1 tCO2/t (em comparação com a média global de alumínio primário de 12 tCO2/t); e (iii) 1 kg de alumínio em substituição a um material mais pesado evita até 20 kg de CO2 durante a vida de um veículo.

Com relação à CBA, a reciclagem da sucata é realizada na Fábrica de Alumínio, Itapissuma e de forma dedicada na Metalex, e a sucata reciclada corresponde a 4,5%, 3,5% e 55,8% do total de matéria-prima consumida, respectivamente. Além disso, em linha com a agenda ESG da CBA, a empresa tem um projeto de melhoria contínua das instalações de reciclagem, adicionando mais 50ktpa de capacidade com o investimento em uma nova linha de tratamento de sucata.

(iii) Consumo de energia


O negócio de alumínio é intensivo em energia, portanto, apreciamos o fato de que a energia gerada pela própria CBA é 100% renovável. Atualmente, a empresa tem capacidade para gerar 1,4 GW por meio de 21 usinas hidrelétricas, que, além de permitir baixos custos de energia e mitigar riscos relacionados ao seu abastecimento, também permitem 100% de autossuficiência em energia elétrica para a produção de alumínio. Olhando para frente, a CBA tem um projeto de expansão em andamento (com estimativa de adicionar 150 MW à sua capacidade instalada atual) para garantir a posição da empresa como autossuficiente em energia, substituindo a capacidade hídrica por eólica, o que vemos com bons olhos.


(iv) Gestão da barragem de rejeitos


De acordo com as leis vigentes, a CBA possui atualmente 6 barragens: 2 são de armazenamento de água (Mosquito e Itamarati), 2 são barragens de mineração (Miraí e Itamarati) e 2 são barragens de resíduos industriais (Palmital e Jacuba – tipo central, cujo descomissionamento está em andamento).


Em 2019, a empresa criou o Comitê de Segurança de Barragens, que realiza reuniões semanais dedicadas a discutir a segurança de barragens e a estratégia ESG da CBA de definir uma meta para eliminar o descarte de resíduos em barragens e encontrar aplicações alternativas para 100% dos resíduos secos da lama vermelha que a CBA produz até 2030. Além disso, a companhia está investindo na conversão da área de disposição de resíduos de bauxita de Palmital de úmida para seca para melhorar a segurança da barragem de rejeitos e aumentar o valor de vida da barragem (investimento estimado de R$ 307 milhões de 2021 a 2025).


Vemos com bons olhos os esforços da empresa, mas é importante destacar que, apesar do tamanho menor (vs. mineração de minério de ferro, por exemplo) e do tipo mais seguro, as barragens de rejeitos sempre representarão um risco.


Social: Fortes esforços em saúde e segurança, somado à iniciativas de engajamento com as comunidades

Neste pilar, destacamos três temas-chave: (i) Saúde e Segurança; (ii) Gestão da mão de obra; e (iii) Engajamento com as comunidades.


(i) Saúde e Segurança

A mineração é uma atividade perigosa com altas taxas de fatalidades e lesões. Assim, as empresas do setor devem ter uma política robusta de saúde e segurança, bem como indicadores de saúde para avaliar os resultados dos serviços e programas de saúde ocupacional. Quando se trata da CBA, reconhecemos positivamente os esforços da empresa nesta frente, com destaque para: (i) como a maioria dos seus pares, a presença da certificação de gestão de segurança OHSAS 18001 para diversas instalações; (ii) a taxa total de lesões da CBA atingiu 1,75 por milhão de horas em 2019, abaixo da média da indústria de 3,94, de acordo com a MSCI; e (iii) o investimento da empresa em tecnologia para melhorar a segurança – em 2019, a CBA investiu R$16 milhões em projetos relacionados à segurança, melhorias de instalações, atualizações ou equipamentos novos e mais seguros.

Por fim, apreciamos que as metas de 2030 na estratégia ESG da CBA incluam (i) atingir zero lesões graves (lesões que resultam em incapacidade permanente, parcial ou total, mutilação ou morte) em suas operações; e (ii) atingir uma taxa de frequência de lesões inferior a 1 (em cada 1 milhão de horas trabalhadas).

(ii) Gestão da mão de obra


A CBA tem cerca de 2,4 mil funcionários, com as mulheres representando 12% da força de trabalho total da empresa (vs. 8,3% em 2019, aumento de 3,7p.p.). A CBA possui várias iniciativas relacionadas à gestão do trabalho, tais como: (i) a criação de um canal que os colaboradores podem contatar 24 horas por dia, 7 dias por semana, para aconselhamento em questões financeiras, jurídicas, psicológicas e outras; e (ii) Programa Idas (IdeAI), que incentiva os colaboradores a apresentarem ideias para melhorias de processos ou novos produtos. Além disso, vale ressaltar que a empresa recebeu o prêmio “Great Place to Work” no Brasil em 2019, o qual apreciamos. Apesar de reconhecermos os programas da CBA envolvendo seus funcionários, vemos espaço para melhorias, pois a empresa tem iniciativas de gestão da mão de obra relativamente limitadas em comparação com seus pares.

(iii) Engajamento com as comunidades

A CBA possui diversos programas envolvendo as comunidades locais e trabalho voluntário, tendo como estratégia social da empresa o desenvolvimento e a autonomia das comunidades, atingindo indiretamente 100 mil cidadãos. Dentre os 26 projetos sociais, destacamos: (i) Parceria pela Educação, que apoia a melhoria dos indicadores de educação dos municípios; (ii) Programa de Educação Ambiental nas operações de mineração da CBA; e (iii) Programa ReDes em parceria com o BNDES. Em 2020, os investimentos sociais totalizaram R$2,9 milhões, representando 0,43% do EBITDA da CBA – apesar deste percentual ser acima do praticado por seus pares, esperamos que esse número aumente nos próximos anos. Por fim, é importante mencionar a forte atuação da CBA junto ao instituto Votorantim, que é o polo de inteligência social das empresas investidas da Votorantim e tem como foco a promoção de benefícios significativos e duradouros para as localidades em que o Grupo atua – o Sr. Ricardo Carvalho, CEO da CBA, é o atual Presidente do Instituto Votorantim.


Governança: Histórico de primeira linha, apoiado pela Votorantim

Em julho de 2021, a CBA concluiu sua listagem na B3, com suas ações (CBAV3) listadas no segmento Novo Mercado, o mais alto nível de governança corporativa do mercado brasileiro. A CBA é atualmente controlada pela Votorantim SA., que possui uma participação de 76% (vs. 100% antes do IPO), com os 24% restantes sendo as ações em Free Float.

Em relação ao Conselho de Administração da empresa, notamos que o mesmo carece de uma maioria independente (2 dos 5 membros – 40%). Por outro lado, vemos com bons olhos que a gestão da CBA possui um profundo conhecimento no setor, somedo a um histórico de alto nível, apoiado pela Votorantim. No que diz respeito à diversidade de gênero, reconhecemos positivamente que as mulheres representam 20% e 29% do Conselho de Administração (1 de 5 membros – Sra. Domingues) e da Diretoria Executiva (2 de 7 membros – Sra. Lamana e Sra. Milagres), respectivamente. No entanto, observamos que ainda há espaço para melhorias a caminho de alcançar a igualdade de gênero em ambos os órgãos.

Por fim, destacamos positivamente a presença de uma Diretoria de Sustentabilidade, além de um Comitê de Sustentabilidade, e reconhecemos de forma positiva que a CBA em 2019 aderiu ao Pacto Global da ONU, iniciativa global de sustentabilidade corporativa, o que, a nosso ver, reforça o compromisso da empresa com melhores práticas para um desenvolvimento sustentável.


MSCI ESG Rating

A CBA tem uma classificação A pela MSCI ESG Ratings. Em uma perspectiva global, a classificação A coloca a CBAV3 dentre os 15% de empresas com esta classificação sob os constituintes do Índice MSCI ACWI em Mineração – Metais Não Preciosos (53 empresas).


Estamos iniciando a cobertura de CBA (CBAV3) com recomendação de Compra e Preço-Alvo de R$19/ação.

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