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ANP aprimora regras de especificação e controle de qualidade de biometano | Café com ESG, 10/08

ANP avança em regras de biometano

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Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do temaESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.

Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.

Principais tópicos do dia

• O mercado encerrou a semana passada em território negativo, com o Ibovespa recuando 3,08% e o ISE 2,97%. O pregão de sexta-feira fechou em queda, com o IBOV e o ISE caindo 1,73% e 1,57%, respectivamente.

• No Brasil, a diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou na última sexta-feira uma resolução que busca unificar e aprimorar as regras de especificação e controle da qualidade do biometano, substituindo as Resoluções ANP nº 886/2022 e nº 906/2022 – segundo a ANP, a resolução também incorpora aperfeiçoamentos identificados durante a aplicação da regulamentação vigente e amplia a flexibilidade regulatória em situações específicas, contribuindo para o desenvolvimento do mercado e para a segurança operacional.

• No internacional, (i) as montadoras asiáticas Toyota e Hyundai têm se beneficiado do forte crescimento da demanda por modelos híbridos nos Estados Unidos, enquanto o conflito com o Irã mantém os preços da gasolina elevados – segundo a RBC Capital Markets, as vendas de modelos híbridos aumentaram quase 20% em julho em relação ao mesmo mês do ano passado, mesmo com uma queda de 1,5% nas vendas totais de automóveis nos EUA; e (ii) o governo norte americano concedeu um empréstimo de US$ 400 milhões a Sunrise Energy, mineradora australiana de terras raras, para ampliar a produção e viabilizar o fornecimento de escândio, terra rara utilizada nos setores de energia e defesa – as ações da Sunrise Energy, que está construindo uma mina a cerca de 360 km a oeste de Sydney, dispararam 18% após o anúncio.

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Brasil

Concessão de energia em SP atrai interessados

“A possibilidade de a Enel perder a concessão de distribuição de energia elétrica na Região Metropolitana de São Paulo já desencadeou uma movimentação silenciosa entre algumas das maiores empresas do setor no país. Avaliado por fontes do mercado em até R$ 25 bilhões, o ativo é considerado uma das oportunidades mais relevantes da infraestrutura nacional, que começou a ser analisado por potenciais interessados mesmo antes de qualquer decisão oficial sobre o destino do contrato. A Neoenergia, controlada pela espanhola Iberdrola, a chinesa State Grid, por meio da CPFL Energia, a Energisa e a Equatorial estão entre os grupos que acompanham de perto a evolução do caso, apurou o Valor. A Copel também é citada por fontes como potencial interessada.”

Fonte: Valor Econômico; 10/08/2026

Agronegócio adapta planejamento para enfrentar o El Niño mais forte da história

“O agronegócio brasileiro deve se deparar com o El Niño de maior intensidade da história, considerando os fenômenos registrados desde 1950, o que vai impor desafios importantes ao setor. Há possibilidade de atraso no plantio da soja e de impacto para a produtividade, se a falta de chuvas e altas temperaturas se confirmarem no centro e Norte do país, segundo especialistas. A depender do que acontecer com a soja, a semeadura do milho segunda safra, que ocorre em geral entre fevereiro e março, também pode atrasar. Há ainda riscos para a floração do café e de citros, enquanto a cana-de-açúcar pode ser beneficiada por precipitações no Sudeste. O El Niño já mexe com a estratégia dos produtores de soja de Norte e Nordeste, regiões que deverão ter menos volume de chuvas e que tendem a ser as mais afetadas pelos impactos do fenômeno no segundo semestre deste ano. A principal medida adotada é a busca por cultivares adaptáveis a condições climáticas extremas. O último El Niño classificado como “muito forte”, como o atual, ocorreu na safra 2015/16, quando 16 culturas diferentes tiveram perdas de produtividade, e permaneceu ativo entre 2014 e 2016. Caracterizado pelo aumento na temperatura das águas do Oceano Pacífico, o fenômeno, que começou em junho deste ano, está evoluindo com mais rapidez e deve atingir o pico entre novembro e janeiro de 2027, ainda sem previsão exata para terminar. O El Niño já ocorreu diversas vezes, mas tem se tornado cada vez mais intenso e frequente, devido ao aquecimento global, diz Marcelo Seluchi, coordenador-geral de Operações e Modelagens do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Diante da magnitude do El Niño, o Valor inicia nesta edição um projeto especial, com ampla cobertura sobre o tema, envolvendo todas as editorias. Além de reportagens especiais e sobre o dia o dia do clima em todas plataformas, o projeto prevê um podcast. Na homepage haverá uma editoria dedicada ao tema.”

Fonte: Valor Econômico; 10/08/2026

Para 2027-2031, vamos almejar atingir 100% do consumo de diesel brasileiro, diz presidente da Petrobras

“A Petrobras vai incluir no próximo plano de negócios 2027-2031a realização de estudos em busca da autossuficiência de diesel, disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard. Segundo ela, em coletiva sobre resultados trimestrais, a empresa tem meta de crescer na oferta de diesel com ampliações de refinarias que estão previstas no plano atual de negócios, 2026-2030, e novos acréscimos de capacidade instalada, que serão avaliados de olho na redução da dependência de importações. Chambriard destacou que o atual plano prevê ampliações no refino que levarão a oferta interna a atender a 85% do consumo nacional de diesel. William França, diretor de processos industriais e produtos, que também participa da coletiva, afirmou que, além dos projetos de ampliação já conhecidos, está sendo cogitada uma nova ampliação da Refinaria do Nordeste (Rnest), antiga Abreu e Lima, em Pernambuco, e do Complexo de Energias Boaventura, no Rio (antiga Comperj e Gaslub). Esses e outros projetos estarão listados no novo plano de negócios, diz França. Atualmente, disse, a capacidade de produção de diesel é da ordem de 700 mil barris/dia, que chegarão a 950 mil barris/dia com os projetos do atual plano de negócios. Para a autossuficiência, disse França, as novas ampliações a serem estudadas devem elevar a capacidade das refinarias a 1,25 milhão de barris/dia. Chambriard disse também que os planos de aumento da capacidade de refino acontecerão “com ou sem Mataripe”, ao ressaltar que os projetos da estatal da área não consideram a possível recompra da planta pela estatal da Acelen. “Não é segredo que queremos ampliar parque de refino, com ou sem Mataripe. Seguimos na intenção de prosseguir com a meta de aumentar a produção de 85% de diesel e chegar à meta de 100% de diesel no plano 2027-2031. Esperamos que [possamos alcançar esse objetivo] com Mataripe, mas com preço adequado ao valor de mercado”, disse Chambriard. O diretor financeiro e de relacionamento com investidores da estatal, Fernando Melgarejo, disse que o lucro trimestral recorrente em dólar, de US$ 11,1 bilhões, o maior da história da empresa, exclui a incidência do imposto de exportação de petróleo. Em reais, o valor seria acima de R$ 55 bilhões. Segundo ele, por ser um imposto de caráter provisório, a empresa excluiu o tributo do cálculo do lucro recorrente, assim como efeitos cambiais e “impairments”.”

Fonte: Valor Econômico; 07/08/2026

Investimentos de preparação para El Niño devem se estender por todo o ano, nota Energisa

“O diretor financeiro e de relações com investidores da Energisa, Maurício Botelho, afirmou que os investimentos para melhorar a resiliência da rede em preparação ao fenômeno climático não devem ficar restritos ao segundo trimestre. “O fenômeno climático é previsto para durar o verão inteiro e queremos ter certeza do cumprimento das metas do ano de 2026. Então, é uma coisa conjuntural do ano”, disse a analistas durante a teleconferência sobre os resultados da companhia no segundo trimestre. Durante a apresentação, ele atribuiu a este tema parte do aumento observado na linha de pessoal, material, serviços de terceiros e outras despesas (PMSO) no balanço financeiro do grupo, que subiu 12% na comparação com igual período de 2025. “As concessões Mato Grosso e Mato Grosso Sul foram as que mais absorveram esses aumentos no trimestre, enquanto outras concessões apresentaram até reduções, pois já estarem alinhadas aqui com os seus objetivos regulatórios”, comentou. O executivo afirmou que, por outro lado, o fenômeno climático pode contribuir com aumento de demanda por eletricidade nas concessões do grupo. “

Fonte: Valor Econômico; 07/08/2026

Ludfor acredita na recuperação das migrações para o mercado livre ainda em 2026 – e El Niño pode ajudar

“A Ludfor acredita em uma retração no preço da energia no mercado livre no segundo semestre, gerando uma nova onda de migrações ainda em 2026, disse o diretor executivo, Ezequiel Fernandes, em entrevista à agência eixos. Entretanto, ele não considera que a onda será na proporção da que ocorreu nos anos anteriores. O mercado livre de energia registra uma queda nas migrações de consumidores de média e alta tensão, após uma onda de novos entrantes entre 2024 e 2025. Segundo dados da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), houve uma queda de 87,65% nas migrações na comparação entre janeiro e maio de 2026, quando 1.440 unidades migraram. No mesmo período de 2025, foram registradas 11.661 migrações. Segundo Fernandes, a projeção de cenário otimista se baseia na oferta e demanda de energia. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) vai revisar a carga nas próximas semanas e a perspectiva é que haja uma desaceleração da demanda no próximo semestre e em 2027, devido à redução dos investimentos na indústria. Já a oferta deve aumentar, com o El Niño contribuindo com a recuperação de reservatórios antes do início do período úmido, principalmente na região Sul, de acordo com o executivo. No Norte e Nordeste, o fenômeno deve reduzir as precipitações, favorecendo as gerações eólica e solar.”

Fonte: Eixos; 07/08/2026

Data centers, desde que com eficiência, planejamento e geração de valor

“O estudo Potenciais Impactos Socioeconômicos da Consolidação do Brasil como Hub Internacional de Infraestrutura Digital na Era da Inteligência Artificial, desenvolvido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), pode ter sobrevalorado o impacto real do potencial de atração dessa infraestrutura no país, especialmente na estimativa de empregos que os data centers podem gerar. Investimentos em data centers ao Brasil devem ser perseguidos e é compreensível que nossa abundante energia de baixa emissão facilite a atração desses negócios, trazendo divisas ao nosso país. Porém, é importante tratarmos com realismo os benefícios econômicos, pois isso permite que decisões de política pública relativas a esses sistemas – como concessão de incentivos fiscais, acesso à infraestrutura, critérios de autorização e tributação específica para a exportação dos serviços de inteligência artificial – também sejam encarados de frente. A pesquisa da FVG aponta que um data center de 100 megawatts pode acrescentar R$ 1,5 bilhão ao PIB brasileiro, mais de R$ 590 milhões à renda da população ocupada e 12.560 empregos. Mas uma análise detalhada do estudo e da metodologia utilizada indica que essas projeções de impacto podem estar superestimadas, devido à forma que a Matriz Insumo-Produto do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi aplicada no estudo. Como essa matriz insumo-produto não possui um setor específico para data centers, no estudo foi adotada a atividade de “Desenvolvimento de sistemas e outros serviços de informação” como proxy. Ocorre que esse setor reúne essencialmente atividades de software, intensivas em trabalho qualificado, enquanto a experiência internacional mostra que a instalação dos data centers inclui basicamente construção civil, subestações, sistemas de refrigeração e montagem industrial e uma vez concluída a obra, a maior parte das operações são automatizadas, com reduzida geração de postos permanentes. Preocupa, portanto, que a metodologia usada possa ter induzido uma correlação superestimada em termos de renda e novos empregos, projetando 7,5 postos para cada R$ 1 milhão investido (sendo 4,3 diretos e 3,2 indiretos). A essa limitação soma-se a extrapolação desses coeficientes para um investimento total de R$ 25 bilhões até 2035. O exercício pressupõe novos aportes ao longo do tempo, mas mantém constantes os coeficientes técnicos, os encadeamentos produtivos, a produtividade e a intensidade energética. Essa premissa de rigidez temporal é restritiva para um setor submetido a transformações tecnológicas, energéticas e geopolíticas velozes que, certamente, mudará muito nos próximos dez anos. A comparação de outros setores com o de data centers também é um exercício válido, como a Indústria, que tem elevada capacidade de geração de emprego, renda e encadeamentos produtivos comprovada. “

Fonte: Eixos; 07/08/2026

Governança é peça-chave para dar escala à bioeconomia na Amazônia

“Há alguns anos, falar em bioeconomia na Amazônia era quase sempre se limitar à conservação. A pauta tinha sotaque ambiental e circulava em conferências de sustentabilidade, mas raramente chegava aos espaços de decisão de investimento. Mas esse quadro mudou. O ecossistema de bioeconomia não é mais uma promessa. É uma realidade em fase de maturação, com atores cada vez mais conectados, uma política de Estado progressivamente mais estruturada e iniciativas de infraestrutura que começam a fazer diferença. Gestoras de venture capital, bancos multilaterais de desenvolvimento, secretarias estaduais, startups de base tecnológica e representantes de povos tradicionais compartilham hoje uma agenda comum. Um bom exemplo foi a terceira edição do Bioeconomy Amazon Summit (BAS), realizada em maio deste ano. Empresas se reuniram em Belém (PA) com representantes de mais de 130 startups da região e pelo menos três dezenas de lideranças de povos tradicionais. A floresta amazônica preservada gera valor econômico em múltiplas dimensões: regulação climática, ciclo hidrológico, estabilidade de cadeias produtivas que dependem de chuvas regulares, biodiversidade com enorme potencial farmacêutico e alimentar. E todos já perceberam o valor desse ativo. O que falta, então, para que a bioeconomia da Amazônia ganhe escala? Os gargalos são de desenvolvimento, não só de bioeconomia. Quem opera na Amazônia sabe que os desafios incluem infraestrutura precária, logística cara, falta de conectividade, acesso restrito a crédito em condições compatíveis com os ciclos dos negócios locais. A energia merece atenção especial nesse diagnóstico. Grande parte dos municípios amazônicos ainda depende de geradores a diesel caros, poluentes e instáveis. Sem acesso à energia confiável e acessível, não há cadeia produtiva que se sustente, não há processamento local de matérias-primas, não há conservação adequada de produtos perecíveis. A energia, nesse contexto, é condição básica para que a bioeconomia exista. Mesmo onde os produtos existem e têm qualidade comprovada, os gargalos logísticos e a instabilidade da cadeia de suprimentos limitam a capacidade de escala e afastam compradores que precisam de previsibilidade. A isso se soma uma leitura de mercado ainda imprecisa: nem sempre há clareza sobre quais segmentos, em quais geografias, estão de fato dispostos a pagar pelo valor diferenciado dos bioprodutos amazônicos.”

Fonte: Capital Reset; 07/08/2026

Energia solar: a verdadeira hipoteca não está nos telhados

“O economista austro-americano Joseph Schumpeter (1883-1950), um dos principais formuladores da teoria do desenvolvimento econômico no século XX, demonstrou que o progresso ocorre por um processo de “destruição criativa”: novas tecnologias não apenas substituem soluções anteriores, mas reorganizam mercados, redistribuem investimentos e transformam a forma como a sociedade produz riqueza. Por isso, quase toda inovação relevante enfrenta resistência. Não porque seja tecnicamente inviável, mas porque desafia estruturas concebidas para outra realidade. O setor elétrico brasileiro atravessa exatamente esse momento. O debate sobre a geração distribuída costuma ser apresentado como uma discussão sobre painéis solares. Na prática, trata-se de uma discussão sobre modelos econômicos. De um lado, uma arquitetura concebida para concentrar geração, investimentos e decisões. De outro, um ambiente em que consumidores também investem, produzem energia, armazenam eletricidade e passam a integrar a infraestrutura energética do país. Nesse contexto, a metáfora da caixa-d’água ajuda a esclarecer o problema. Quando falta reservatório, ninguém culpa a chuva; constrói-se uma caixa-d’água. No setor elétrico, ela atende por outros nomes: baterias, resposta da demanda, redes inteligentes, tarifas horárias, agregadores e coordenação digital entre o Operador Nacional do Sistema, distribuidoras e consumidores. A energia solar é variável. Isso é uma característica física, não uma falha econômica. O erro está em atribuir exclusivamente a ela desafios que também decorrem da insuficiência de transmissão, da inflexibilidade de parte do parque gerador, da ausência de mercados de flexibilidade e do atraso regulatório na incorporação de novas tecnologias. A matriz mudou mais rapidamente do que as instituições responsáveis por coordená-la. A questão central não é saber se a descentralização cria desafios operacionais – como toda transformação tecnológica, ela cria. A pergunta relevante é qual modelo econômico oferece melhores condições para ampliar investimentos, elevar a produtividade e reduzir custos sistêmicos ao longo do tempo. Pela primeira vez na história do setor elétrico brasileiro, milhões de consumidores passaram a investir voluntariamente em ativos de infraestrutura energética. Famílias, empresas, produtores rurais e pequenos negócios financiam equipamentos com recursos próprios, assumem riscos tecnológicos e ampliam a oferta de energia sem exigir desembolso direto do Estado. Em determinadas regiões, esses investimentos reduzem perdas, aliviam alimentadores, postergam reforços na rede e diversificam as fontes de financiamento da infraestrutura elétrica. Esse aspecto raramente recebe a mesma atenção dedicada aos custos atribuídos à geração distribuída. A Lei no 14.300 reconheceu a necessidade de aperfeiçoar o modelo de compensação e estabeleceu uma transição gradual para a cobrança dos componentes tarifários anteriormente compensados. Existe, portanto, uma trajetória legal de adaptação. O que ainda permanece incompleto é o encontro de contas entre custos e benefícios. Os custos associados à geração distribuída passaram a ser quantificados. Seus benefícios, porém, continuam apenas parcialmente mensurados. Redução de perdas elétricas, geração próxima ao consumo, postergação de investimentos em redes, maior resiliência, redução de emissões e mobilização de capital privado produzem efeitos que variam conforme localização, horário e características da rede. Alguns sistemas exigem reforços; outros evitam investimentos. Sem essa valoração completa, qualquer conclusão definitiva permanece prematura.”

Fonte: Valor Econômico; 10/08/2026

ANP aprova resolução sobre especificação e controle da qualidade do biometano

“A diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou nesta sexta-feira, 7, uma resolução que busca unificar e aprimorar as regras de especificação e controle da qualidade do biometano, substituindo as Resoluções ANP nº 886/2022 e nº 906/2022. “A nova resolução consolida, em um único ato normativo, as regras de especificação e controle da qualidade do biometano, independentemente da sua origem; incorpora aperfeiçoamentos identificados durante a aplicação da regulamentação vigente; atualiza métodos de ensaio e procedimentos de controle da qualidade, e amplia a flexibilidade regulatória em situações específicas, contribuindo para o desenvolvimento do mercado e para a segurança operacional”, resume a ANP, em nota. De acordo com a agência, entre as principais alterações trazidas pela nova resolução, destacam-se: Consolidação, em uma única resolução, das regras de especificação e controle da qualidade do biometano Previsão de procedimento para aprovação, pela ANP, de métodos normatizados não previstos na resolução, bem como de métodos alternativos não normatizados, em caráter excepcional, quando demonstrada sua adequação técnica e desde que a comercialização do biometano seja exclusivo com consumidor industrial, geração de energia elétrica e frota cativa específica. Atualização e inclusão de métodos de ensaio. Uniformização da frequência de monitoramento do enxofre total para análise mensal do biometano independentemente da sua origem. Aperfeiçoamento das regras para aprovação da análise de riscos e do gerenciamento de barreiras técnicas, conferindo maior clareza e objetividade ao processo. Previsão de autorização, em caráter excepcional e mediante aprovação prévia da ANP, para injeção de biometano com especificação diversa da estabelecida na norma na rede de distribuição, desde que demonstrado que a mistura final permanecerá em conformidade com a especificação vigente e que serão preservadas a segurança operacional e a proteção dos consumidores. Previsão de prazos de adequação para regras específicas. “A elaboração da resolução foi precedida de Análise de Impacto Regulatório (AIR) e de consulta e audiência públicas, que permitiram o aperfeiçoamento da proposta regulatória a partir das contribuições da sociedade antes da aprovação da versão final pela diretoria colegiada”, relata.”

Fonte: NovaCana; 07/08/2026

Aneel revê exigência de outorga para autoprodução de usinas de até 5 MW 

“A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) suspendeu a exigência de outorga para o enquadramento de empreendimentos de geração de até 5 MW no regime de autoprodução. A decisão cautelar, publicada nesta sexta (7/8) no Diário Oficial da União, atende pedido de reconsideração da Associação Brasileira de Pequenas Centrais Hidrelétricas e Centrais Geradoras Hidrelétricas (Abrapch) e permanecerá em vigor até o julgamento definitivo do recurso pela diretoria colegiada. O Despacho nº 2.819/2026, assinado pelo diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, também suspende o prazo de três anos estabelecido para que usinas sem outorga já enquadradas como autoprodutoras deixassem esse regime. A medida reverte, de forma provisória, parte dos efeitos do Despacho nº 2.414/2026, aprovado pela agência no fim de junho. Na ocasião, a Aneel determinou que a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) passasse a aceitar como autoprodutores apenas ativos detentores de outorga, restringindo o enquadramento de empreendimentos dispensados dessa autorização. Com a decisão cautelar, voltam a poder ser classificados como autoprodutores empreendimentos de até 5 MW sujeitos apenas ao regime de registro, como centrais geradoras hidrelétricas (CGHs), além de projetos solares, eólicos e de biogás. Segundo dados do processo, há 295 ativos sem outorga cadastrados na CCEE como autoprodução em sentido estrito, que somam 520,8 MW de capacidade instalada. As demais regras aprovadas pela agência no fim de junho, por meio do Despacho nº 2.414/2026 continuam vigentes. Entre elas está a exigência de demanda contratada agregada mínima de 30 MW para a equiparação à autoprodução, composta exclusivamente por unidades consumidoras com demanda individual igual ou superior a 3 MW.”

Fonte: Eixos; 07/08/2026

Eventual mudança regulatória sobre o gás natural pode levar a Petrobras a rever projetos, diz comando

“A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse, nesta sexta-feira (7), que uma eventual mudança regulatória sobre a comercialização de gás natural poderá levar à estatal a rever projetos em andamento. Em teleconferência com analistas sobre os resultados do segundo trimestre, a executiva criticou a proposta de desconcentração de mercado em discussão na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A agência colocou o tema, conhecido no mercado pelo jargão “gas release”, em consulta pública por um período de 45 dias. A proposta prevê a realização de leilões de gás pela estatal, como forma de reduzir a participação de mercado da empresa, tida como dominante. Já o diretor de transição energética e sustentabilidade da Petrobras, William Nozaki, afirmou que a simples transferência de titularidade da molécula de gás não garante aumento de oferta ou redução de preço do insumo. Nozaki ressaltou que a empresa vai se manifestar sobre o tema por meio de contribuição que enviará à consulta pública. A diretora de comercialização e logística da estatal, Angélica Laureano, ressaltou que a companhia possui participação de mercado de 56%, cujo percentual demonstraria que a empresa não pode ser classificada como dominante, uma vez que esse patamar indica que há concorrência no segmento. “Não há o que se falar em ‘gas release’ em um mercado que já tem concorrência”, afirmou Laureano. A diretora de exploração e produção da Petrobras, Sylvia Anjos, destacou que a empresa está olhando oportunidades para explorar petróleo no exterior em busca da reposição de reservas, como a Costa do Marfim e o México.”

Fonte: Valor Econômico; 07/08/2026

Sul e Sudeste sob alerta: ciclone-bomba provoca série de eventos climáticos extremos

“Na tarde de quinta-feira, 6, os moradores de Matarazzo, interior de Pedro Osório (RS), viram o céu escurecer e os fortes ventos arrancar telhados em minutos. Um tornado, associado a uma supercélula formada pelo avanço de um ciclone extratropical em rápida intensificação sobre o Atlântico Sul, cruzou a região deixando um rastro de destruição. Foi o segundo tornado confirmado no estado em apenas nove dias: o primeiro havia atingido Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho, no Noroeste gaúcho, em 28 de julho, deixando quatro feridos. O episódio não é isolado. Nas últimas semanas, municípios gaúchos foram impactados pelas chuvas que fizeram rios bater cotas de inundação e dúvida persiste: será esse o ‘novo normal’ climático do estado? O tornado é apenas um dos efeitos do mesmo sistema que, batizado de ciclone-bomba, provoca eventos climáticos extremos como tempestades e fortes ventos, resultando em granizo, alagamentos e queda de energia em diversas cidades do Sul. A previsão de correntes de ar que podem superar os 90 km/h também levou à suspensão de aulas no litoral de São Paulo e no Rio de Janeiro. Segundo o meteorologista Willians Bini, head de projetos na Metos Brasil, o fenômeno raro é mais complexo do que parece e explicou à EXAME o que está por trás do ciclone diferente dos que o Sul do Brasil já está acostumado a enfrentar. “Geralmente eles são comuns. O que muda e traz um impacto muito grande é o posicionamento (onde ele se forma e se desloca) e a sua intensidade”, explica Bini. Ciclones são centros de baixa pressão, normalmente associados a frentes frias que avançam de altas latitudes em direção ao Atlântico Sul. Quando se formam distantes da costa, tendem a causar pouco impacto no continente. Não é o caso do sistema que atinge o Sul e o Sudeste do país nesta semana, que é catagorizado como “bomba” pois é bastante intenso, devido a um centro de pressão muito baixa. “É isso que leva aos ventos fortes”, destaca o meteorologista. O termo técnico e científico é “ciclogênese explosiva”. Os três fatores por trás da intensidade A longo prazo, há uma relação das mudanças climáticas na intensidade de fenômenos como ciclones-bomba. “O que temos visto é eventos extremos cada vez mais frequentes e intensos, mas não dá para simplesmente dizer que é a única causa”, explicou Willians. A leitura do meteorologista é a de uma combinação de fatores atuando ao mesmo tempo. No caso específico dos tornados — dois confirmados em menos de duas semanas —, ele soma à conta o El Niño.”

Fonte: Exame; 07/08/2026

‘Agora precisamos mostrar que a agenda climática entrega resultados’, diz Dan Ioschpe

“Após comandar a agenda global de ação climática da conferência das Nações Unidas COP30 como Campeão Climático de Alto Nível (Climate Champion), o empresário Dan Ioschpe afirma que o maior desafio agora é transformar o forte engajamento de empresas, investidores e governos em resultados concretos. Em entrevista ao Valor durante evento na AMCHAM na SP Climate Week, o sucesso da arquitetura criada pela conferência será medido pela capacidade de acelerar a implementação de soluções e ampliar o acesso ao financiamento climático, com maior integração entre setor público e privado. Ioschpe, que também esteve à frente do engajamento do setor privado no B20, Fórum de trabalho de negócios que ocorreu paralelamente ao G20, em 2024, fala ainda sobre o papel do sistema financeiro, a expansão do blended finance, o avanço do mercado de carbono brasileiro para financiar a transição verde. O executivo também aponta alguns desafios para manter o legado da conferência nas próximas edições da COP, não apenas da deste ano, que acontece em Antália, na Turquia, com a copresidência turca e australiana, mas também a COP32, na Etiópia. E cita o sucesso da SB COP (Sustainable Business COP), movimento que foi lançado no ano passado sob a liderança da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e que hoje mobiliza uma coalizão de mais de 40 milhões de empresas em 60 países e que, desde junho de 2025, integra oficialmente a Marrakech Partnership for Global Climate Action, da UNFCCC. Dan Ioschpe: Estamos vendo um movimento muito forte, porque a continuidade e a organização que a COP30 trouxe para a agenda de ação — a área em que estou mais envolvido — facilitam muito o trabalho das entidades que trazem essas empresas, prefeituras e comunidades. A SB COP, que hoje reúne 45 milhões de empresas no mundo, é um exemplo claro disso. Obviamente não dá para ter todas elas participando individualmente do processo, mas você tem entidades que estão conversando, se abastecendo e fazendo um ir e vir de ideias e informações com essa base, numa plataforma organizada e continuada, dentro do arcabouço das Nações Unidas. Ou seja, é uma forma de trabalho sem vieses, propositiva, positiva, pública e aberta, e isso está fazendo o engajamento aumentar.”

Fonte: Valor Econômico; 07/08/2026

Internacional

Montadoras asiáticas lucram com o aumento da demanda dos EUA por híbridos, impulsionado pelos preços elevados da gasolina

“As montadoras asiáticas Toyota e Hyundai têm se beneficiado do aumento da demanda dos EUA por modelos híbridos, uma vez que o conflito envolvendo o Irã mantém elevados os preços da gasolina. A popularidade dos híbridos pegou de surpresa as “Três Grandes” montadoras de Detroit, que oferecem poucos modelos desse tipo no mercado americano e enfrentam uma queda acentuada nas vendas internas de veículos elétricos. As vendas de modelos híbridos cresceram quase 20% em julho em relação ao mesmo mês do ano passado, mesmo com a queda de 1,5% nas vendas totais de automóveis nos EUA, segundo a RBC Capital Markets. O grupo automotivo coreano Hyundai — que adaptou parte de sua enorme e nova fábrica de veículos elétricos (VEs) na Geórgia para produzir também híbridos, além de VEs puros — vendeu 43.727 híbridos em julho, um aumento de 62% em relação ao ano anterior. As vendas de híbridos da líder do segmento, a Toyota, nos EUA subiram 22%, enquanto a também japonesa Honda registrou um aumento de 15%. As três montadoras asiáticas detêm 86% da participação de mercado de híbridos nos EUA, segundo a consultoria automotiva Baum & Associates, sendo que as picapes da Ford representam a maior parte do restante do mercado. Os híbridos tradicionais, como o Prius da Toyota, utilizam um motor alimentado por bateria para conferir maior eficiência de combustível a veículos com motor a combustão interna; já os chamados híbridos plug-in (PHEVs) possuem baterias maiores e podem rodar dezenas de milhas utilizando apenas a energia da bateria. Embora os PHEVs — incluindo modelos de luxo oferecidos por montadoras alemãs — tenham sido amplamente rejeitados pelos consumidores americanos, representando menos de 2% do mercado automotivo total, os híbridos tradicionais oferecem um alívio diante dos preços mais altos da gasolina, sem exigir qualquer mudança nos hábitos de direção ou de abastecimento. “Os híbridos oferecem o equilíbrio ideal que os consumidores procuram”, afirmou Jessica Caldwell, chefe de insights da Edmunds. O preço médio da gasolina nos EUA está pouco acima de US$ 4,06 por galão, segundo a American Automobile Association. Esse valor representa um aumento de um terço em relação ao ano passado, mas não se traduziu em uma recuperação significativa nas vendas de veículos elétricos desde que o governo Trump retirou, no ano passado, o crédito fiscal de US$ 7.500 concedido aos consumidores para a compra desses veículos. Segundo a Edmunds, proprietários de veículos Tesla estão trocando seus carros por modelos não elétricos em taxas mais elevadas do que os proprietários de qualquer outro veículo elétrico (VE), com um recorde de 21% substituindo seus Teslas por modelos híbridos. A Toyota é a alternativa mais popular, respondendo por mais de 17% das substituições de veículos Tesla. Enquanto isso, as montadoras de Detroit que, em grande parte, deixaram de lado os modelos híbridos viram suas vendas de veículos elétricos despencar. A General Motors, que possui apenas dois modelos híbridos no mercado, vendeu 33% menos veículos elétricos no segundo trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado. As vendas de veículos elétricos da Ford em julho caíram 75%, à medida que a empresa descontinua modelos em preparação para o lançamento de uma nova arquitetura de veículos elétricos de baixo custo no próximo ano. Tendo perdido em grande parte o “boom” dos híbridos, a GM está analisando opções para reintroduzir modelos híbridos em sua linha de produtos. A Ford, que obteve mais sucesso no segmento com as versões híbridas de suas picapes Maverick e F-150, planeja oferecer opções híbridas em toda a sua linha de veículos a gasolina até 2030. Juntamente com o grupo automotivo europeu Stellantis — proprietário das marcas Jeep, Dodge e Ram —, a Ford e a GM estão correndo para oferecer os chamados veículos elétricos de autonomia estendida, que contam com um pequeno motor cuja única função é atuar como gerador para recarregar a bateria. Essa tecnologia é considerada particularmente adequada para as picapes, que dominam cada vez mais o mercado dos EUA, pois oferece potência de tração adicional além de maior autonomia.”

Fonte: Financial Times; 10/08/2026

Exxon chega perto do auge da impunidade em relação a obrigações climáticas

“Os resultados financeiros da ExxonMobil, o preço de suas ações e sua disposição para confrontar a UE estão em excelente situação. No ano passado, a UE determinou que as grandes empresas de energia começassem a capturar gases de efeito estufa e a armazená-los no subsolo por centenas de anos. Em resposta, a maior empresa de petróleo de capital aberto do mundo iniciou um processo judicial. À primeira vista, a atitude da Exxon parece estranha. Ela fez mais do que qualquer outra empresa para promover a captura de carbono, argumentando que as companhias deveriam remover mais moléculas poluentes da atmosfera, e não extrair menos barris do subsolo. Apesar de o setor não ter conseguido implementar essa prática em larga escala, a Exxon afirma que o potencial da captura de carbono é “ilimitado”. Suas instalações respondem por mais de um terço de todo o CO₂ de origem humana capturado até o momento. A Exxon também não precisa se preocupar muito com custos; a empresa vive um momento de alta graças a investimentos realizados no momento certo na Guiana e na Bacia do Permiano. Enquanto isso, a transição energética sofre ataques diretos dos EUA e enfrenta dificuldades em outras regiões. No ano passado, a UE flexibilizou suas regras de diligência prévia depois que Washington utilizou as negociações comerciais com Bruxelas para amplificar as críticas da Exxon ao excesso de regulamentação ambiental. A gigante do petróleo está recorrendo a uma rede de tratados de proteção ao investimento — firmados entre países — que permitem às empresas processar governos por ações discriminatórias ou arbitrárias. A maioria desses tratados foi redigida no século passado para garantir segurança jurídica a investimentos estrangeiros em países recém-independentes, sendo anterior ao direito internacional moderno voltado ao combate às mudanças climáticas. No entanto, os valores pagos em decorrência de arbitragens sigilosas relacionadas a esses tratados vêm aumentando. A Exxon invocou o Tratado da Carta da Energia, um acordo que ainda vincula a UE, apesar de o bloco ter se retirado dele no ano passado, segundo a publicação especializada Investment Arbitration Reporter.”

Fonte: Financial Times; 07/08/2026

EUA apoiam mineradora australiana de terras raras para excluir a China

“O governo de Donald Trump deu um grande impulso financeiro às esperanças da Austrália de viabilizar o fornecimento — independente da China — de uma terra rara utilizada nos setores de energia e defesa, concedendo um empréstimo de US$ 400 milhões a uma empresa apoiada por Robert Friedland. As ações da Sunrise Energy, que está construindo uma mina de escândio a cerca de 360 ​​km a oeste de Sydney, dispararam 18% após o anúncio, na segunda-feira, do financiamento condicional dos EUA. Essa alta coroou um salto expressivo no valor de mercado da empresa — listada na bolsa de Sydney — ao longo do último ano, atingindo A$ 3,2 bilhões (US$ 2,2 bilhões) O Office of Strategic Capital (Gabinete de Capital Estratégico), vinculado ao Departamento de Defesa dos EUA, informou que o empréstimo estava condicionado ao cumprimento, pela empresa australiana, de requisitos legais e técnicos específicos, incluindo um direito de primeira oferta sobre a produção da Sunrise. Essa medida é um dos passos mais significativos na crescente parceria entre a indústria de mineração da Austrália e Washington; o governo americano tem sinalizado que uma cadeia de suprimentos de terras raras e outros minerais críticos que não dependa da China é essencial para as empresas industriais e de defesa dos EUA. O projeto Syerston está sendo desenvolvido pela Sunrise em Parkes, uma cidade no oeste de Nova Gales do Sul mais conhecida por sediar um dos maiores festivais de Elvis Presley do mundo e pelo grande radiotelescópio utilizado para transmitir globalmente a primeira chegada do homem à Lua, em 1969 O potencial de crescimento da mina de escândio — cuja produção deve começar no segundo semestre de 2028 — pode impulsionar as perspectivas de desenvolvimento da cidade. A Rio Tinto possui outro projeto nas proximidades, vinculado à sua divisão de titânio, a qual está atualmente sob revisão estratégica. O escândio é utilizado em diversas aplicações, desde a fabricação de tacos de golfe e quadros de bicicletas de corrida até como agente rastreador em refinarias de petróleo e em revestimentos ultrafinos para semicondutores usados ​​em smartphones. Sendo um dos 17 elementos metálicos classificados como terras raras, o escândio é empregado principalmente em ligas para aumentar a resistência do alumínio em componentes automotivos e aeroespaciais, além de ser um componente crítico em chips de smartphones que permitem a seleção de radiofrequência.”

Fonte: Financial Times; 10/08/2026

3 bi de euros em perdas e 8 mil hectares em chamas: incêndios avançam na Europa

“Um incêndio florestal que atinge a cidade de Niebla, na província de Huelva, no sul da Espanha, já se espalhou por cerca de 8 mil hectares, o dobro da área registrada no sábado, 8. Chamas já atingem 8 mil hectares em Huelva e ampliam a pressão sobre uma Europa marcada por incêndios, evacuações e perdas bilionárias. O avanço das chamas ocorre em meio a uma temporada severa de incêndios e ondas de calor na Europa, que já causou prejuízos superiores a 3 bilhões de euros nos cinco países mais afetados em 2026, segundo análise do Financial Times. O incêndio tem um perímetro estimado em 44 quilômetros, afeta seis municípios e já levou à evacuação de 467 pessoas. Para conter o avanço das chamas, as equipes de combate voltaram a recorrer a queimadas controladas, estratégia usada para eliminar a vegetação que pode servir de combustível ao fogo. Segundo Sanz, diversas “ilhas de vegetação” permaneceram preservadas dentro da área afetada graças ao trabalho das brigadas. A expectativa é que imagens do sistema europeu de monitoramento por satélite Copernicus permitam uma estimativa mais precisa da área efetivamente queimada, que pode ser menor do que o perímetro atingido pelo incêndio. Segundo dados do programa Copernicus divulgados pela ministra, a Espanha já registrou quase 200 mil hectares queimados desde o início de 2026, quase seis vezes mais do que no mesmo período do ano passado. O país também contabiliza 40 grandes incêndios florestais neste ano, ante 15 registrados no mesmo período de 2025. Os grandes incêndios que atingem países europeus neste verão não deixam apenas cidades evacuadas, casas destruídas e áreas inteiras cobertas por cinzas. Para a fauna, o fogo abre uma crise paralela, que começa com a tentativa de escapar das chamas e pode continuar por meses ou anos, mesmo depois que a vegetação volta a crescer. E o impacto não é igual para todas as espécies. Animais com maior capacidade de deslocamento, como aves e grandes herbívoros, tendem a conseguir escapar com mais facilidade da trajetória de um incêndio. Répteis, anfíbios e outros animais de menor mobilidade, por outro lado, podem depender de tocas, buracos, pedras ou pequenas áreas de refúgio para sobreviver. “Costumamos dizer que todo fogo é local”, afirma Marek Smith, diretor do programa de incêndios da América do Norte da organização ambiental The Nature Conservancy e codiretor da The Fire Networks, em entrevista à EXAME. A expressão resume um dos principais desafios para medir os efeitos ecológicos de grandes queimadas: mesmo dentro de um único incêndio, a intensidade do fogo pode variar significativamente de uma área para outra. Segundo Smith, uma região pode sofrer danos severos enquanto outra, a poucos quilômetros de distância, permanece relativamente preservada. Esses contrastes podem criar refúgios dentro da própria área atingida e definir quais populações conseguem sobreviver. Ao mesmo tempo, incêndios de grande escala podem eliminar habitats inteiros, reduzir fontes de alimento, destruir áreas de reprodução e romper corredores usados pelos animais para se deslocar.”

Fonte: Exame; 08/08/2026

Índia busca ampliar o fornecimento interno de amônia verde para o setor de fertilizantes

“A estatal Solar Energy Corporation of India (SECI) planeja fornecer anualmente mais 1 milhão de toneladas métricas de amônia verde produzida localmente para fabricantes de fertilizantes, afirmou seu diretor-geral na sexta-feira, em um momento em que a Índia busca reduzir sua dependência de importações. A iniciativa segue o anúncio feito pela SECI em março, informando que empresas de fertilizantes e fornecedores locais — incluindo a ACME Cleantech (especialista em soluções de energia limpa) e a NTPC Green — haviam assinado contratos de compra para 724.000 toneladas de amônia verde (um derivado do hidrogênio verde). Esse volume poderia suprir um terço da demanda do país por esse combustível de baixo carbono. A proposta de fornecimento de 1 milhão de toneladas será realizada exclusivamente por meio de licitações, disse Akash Tripathi, da SECI. O setor de fertilizantes da Índia consome cerca de 20 milhões de toneladas de hidrogênio cinza por ano — importado ou produzido a partir de gás natural importado —, afirmou Tripathi na sexta-feira, durante um evento da Confederação da Indústria Indiana (CII); o abastecimento desse insumo foi afetado por interrupções decorrentes do conflito envolvendo o Irã. O hidrogênio extraído com o uso de energia renovável, como a solar, é classificado como “verde”, enquanto o hidrogênio cinza é obtido a partir de carvão ou gás natural por meio do processo de reforma a vapor do metano. Com o apoio de incentivos que somam cerca de US$ 2,1 bilhões, a Índia pretende produzir 5 milhões de toneladas de hidrogênio verde até 2030, visando descarbonizar indústrias e garantir sua segurança energética. Esse esforço ocorre em um momento em que vários países ocidentais reduziram metas ambiciosas de hidrogênio verde estabelecidas no início desta década, devido a restrições de custos e a um crescimento da demanda mais lento do que o esperado.”

Fonte: Reuters; 07/08/2026

Noruega acelerará projetos de energia eólica em terra, diz governo

“O governo da Noruega apresentou, na sexta-feira, planos para reduzir a burocracia e agilizar a análise de pedidos para a construção de novas usinas eólicas em terra (onshore) e linhas de transmissão, em meio a preocupações de que o ritmo lento de expansão nos últimos anos possa frear a atividade econômica. O governo do Partido Trabalhista pretende reduzir pela metade o tempo necessário para desenvolver redes elétricas, simplificando os processos de solicitação e eliminando entraves burocráticos, afirmou o primeiro-ministro Jonas Gahr Støre em coletiva de imprensa. “Um desenvolvimento mais rápido de mais energia renovável e de redes elétricas é crucial para reduzir emissões, impulsionar o emprego e proteger os postos de trabalho e as empresas existentes”, disse Støre. Expandir a energia eólica é a maneira mais rápida de aumentar a produção de eletricidade da Noruega, além de ser a opção de menor custo, afirmou o ministro de Energia, Terje Aasland. O sistema elétrico norueguês baseia-se amplamente em fontes renováveis, dominado por usinas hidrelétricas em rios e reservatórios — a maioria construída há décadas — e pela energia eólica em terra, que cresceu rapidamente entre 2015 e 2021. Desde então, o país nórdico adicionou apenas cerca de 1.000 megawatts (MW) de capacidade — um aumento de apenas 2,5% —, em meio à resistência de moradores locais e grupos indígenas Sami contra o desenvolvimento de parques eólicos em terra. Uma das medidas apresentadas na sexta-feira foi uma proposta para tornar os parques eólicos mais atraentes para os municípios, antecipando pagamentos dos desenvolvedores com base na produção planejada. Na maioria dos anos, a Noruega produz mais energia do que consome e é exportadora líquida de eletricidade; no entanto, esse excedente está ameaçado pela previsão de aumento do consumo interno, à medida que as indústrias abandonam os combustíveis fósseis. O país também enfrenta um interesse crescente de operadores de centros de dados (data centers) em busca de energia limpa. Em abril, a Statnett, operadora da rede nacional de transmissão, anunciou uma pausa na concessão de novas conexões à rede elétrica para grandes plantas industriais na região do Ártico, devido a limitações de capacidade.”

Fonte: Reuters; 07/08/2026

UE promove prevenção de incêndios enquanto Seul enfrenta onda de calor

“A newsletter de hoje volta sua atenção para países da Europa e da Ásia assolados por ondas de calor e incêndios florestais, buscando formas de proteger suas populações e gerir melhor essas crises no futuro. A gravidade dos incêndios e a velocidade de sua propagação levantaram questionamentos sobre se os países estão investindo o suficiente em gestão ambiental — como na remoção de vegetação seca e inflamável das florestas e na restauração de áreas úmidas que podem atuar como barreiras naturais contra o fogo. A União Europeia pressionará seus países-membros a investir mais em medidas para reduzir o risco de incêndios florestais, afirmou a comissária de meio ambiente do bloco à Reuters, enquanto especialistas apontavam que o custo econômico dos incêndios deste verão já havia ultrapassado 15 bilhões de euros (17,3 bilhões de dólares). A comissária de meio ambiente da UE, Jessika Roswall, disse que Bruxelas também examinará como a prevenção de incêndios florestais é abordada nos planos nacionais dos governos para cumprir a legislação da UE sobre a restauração de ecossistemas degradados, documentos que devem ser apresentados ao bloco até setembro. O presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, ordenou que ministérios e governos locais mobilizassem todo o pessoal e os recursos disponíveis até que a onda de calor diminuísse, visando proteger a população, especialmente os idosos. Ele também exigiu uma fiscalização mais rigorosa quanto às pausas para descanso de trabalhadores que atuam ao ar livre durante as horas de maior calor. Seul enfrentou mais uma noite sufocante antes do que viria a ser um dos dias mais quentes da história moderna da cidade, na sexta-feira, com temperaturas chegando a cerca de 40 graus Celsius (104 graus Fahrenheit). Alguns países estão recorrendo à natureza para lidar com as temperaturas em disparada. Turistas têm buscado refúgio no clima relativamente fresco da caverna Vjetrenica, no sul da Bósnia, um local reconhecido pela UNESCO. O número de visitantes permitidos na caverna é limitado devido à fragilidade do ecossistema local. Sua temperatura constante de 11°C (52°F) ao longo de todo o ano transformou o local em um refúgio tanto para a biodiversidade quanto para os seres humanos.”

Fonte: Reuters; 07/08/2026

Senado dos EUA aprova sanções ao setor de energia da Rússia; texto segue para a Câmara

“O Senado dos Estados Unidos aprovou com facilidade nesta sexta-feira uma ampla legislação de sanções contra a Rússia, fazendo avançar uma medida há muito adiada que tinha o apoio do falecido senador Lindsey Graham e abrindo caminho para sua análise pela Câmara dos Deputados já no próximo mês. Graham, republicano da Carolina do Sul, estava entre os mais enfáticos aliados de Kiev no Congresso em sua guerra de quatro anos contra a Rússia, e o projeto busca aumentar a pressão econômica sobre Moscou por sua invasão da Ucrânia. O texto também inclui sanções ampliadas contra o Irã, defendidas pelo presidente Donald Trump, enquanto os parlamentares finalmente levaram a medida a votação mais de um ano depois de sua apresentação inicial, em 1º de abril de 2025. Os líderes republicanos do Senado não haviam levado o projeto a votação devido à resistência de Trump, que, desde o início de seu segundo mandato, em janeiro de 2025, vinha mantendo as decisões sobre sanções sob controle da Casa Branca, e não do Congresso. O Senado aprovou por 86 votos a 11 a “Lei Lindsey O. Graham de Sanções à Rússia e ao Irã de 2026”, que imporia sanções a autoridades russas e autorizaria tarifas elevadas contra China, Índia e outros países para reduzir sua dependência do petróleo e do gás russos. O amplo apoio a sanções mais duras contra a Rússia pode não ser suficiente para garantir a aprovação na Câmara, já que alguns parlamentares temem que os novos poderes tarifários concedidos a Trump possam elevar os custos para importadores e consumidores americanos, além de expor os republicanos a repercussões políticas negativas. Os republicanos de Trump controlam maiorias estreitas tanto na Câmara quanto no Senado. Apenas um republicano no Senado, Rand Paul, do Kentucky, votou contra o projeto. O plenário irrompeu em aplausos depois que Darline Graham, irmã do falecido senador e nomeada para ocupar sua cadeira, anunciou o resultado final da votação. Antes de aprovar o projeto, o Senado rejeitou uma emenda apresentada por Paul e pelo senador democrata Ron Wyden, do Oregon, que retiraria os poderes para imposição de tarifas. Paul comparou as tarifas a impostos cobrados dos consumidores americanos. “Aumentar os impostos dos americanos não acabará com a guerra de Putin na Ucrânia”, afirmou antes da votação da emenda.”

Fonte: Valor Econômico; 07/08/2026

Índices ESG e suas performances

(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG).
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