Setor de serviços segue colhendo os frutos da reabertura econômica

Avanços na vacinação contra a Covid-19 e maior interação social vêm puxando os serviços prestados às famílias, que devem continuar como protagonistas até o final de 2021. Para o próximo ano, entretanto, existem muitos fatores de preocupação.


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O setor de serviços continua em rota de recuperação. O IBGE publicou, nesta semana, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), que mais uma vez exibiu resultados positivos para as atividades mais sensíveis à reabertura da economia e aumento da mobilidade nas ruas. Segundo a pesquisa, o faturamento real do setor de serviços cresceu 1,1% em julho, a quarta elevação mensal consecutiva (houve crescimento acumulado de quase 6% desde abril, mês em que as restrições sanitárias para combate ao contágio da Covid-19 começaram a ser flexibilizadas).

Em relação aos subsetores, destaque para a forte retomada dos serviços prestados às famílias, principalmente de alimentação e hospedagem, que tiveram expansão ao redor de 4,5% em julho e 42% no acumulado dos últimos quatro meses. Por sua vez, os demais segmentos de serviços exibiram resultados modestos no começo do 2º semestre. Os grupos de (i) serviços de informação e comunicação, (ii) serviços de transporte e armazenagem e (iii) outros serviços recuaram um pouco em julho, ao passo que os serviços profissionais, administrativos e complementares tiveram expansão moderada, conforme apresentado na tabela logo abaixo.

Com os resultados de julho, o índice geral do setor de serviços ficou 3,9% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020 como referência). Considerando os dados desagregados, entretanto, ainda notamos números muito heterogêneos no mesmo tipo de comparação. O conjunto de serviços prestados às famílias (bares, restaurantes, hoteis, salões de beleza, cinemas, etc.) mostra receitas cerca de 23% abaixo dos patamares anteriores ao surgimento da Covid-19 no Brasil, já descontados os efeitos da alta de preços. Enquanto isso, a categoria de serviços de informação e comunicação (TI, audiovisuais, etc.) exibe faturamento cerca de 10% acima.

Ou seja, os serviços associados à demanda das famílias seguem bastante defasados em comparação ao pré-pandemia, e devem seguir liderando a recuperação da economia brasileira nos próximos meses, como reflexo dos avanços adicionais na mobilidade e recuperação (ainda que a um ritmo moderado) do nível de emprego. Além disso, maior proporção do consumo das famílias vem sendo deslocada do mercado de bens (comércio) para o setor de serviços, movimento que deverá ser observado até o final deste ano.  

Portanto, ainda projetamos crescimento sólido do PIB total no 2º semestre de 2021, culminando em alta de 5,3% este ano. Para 2022, por sua vez, existem alguns ventos contrários importantes. Em primeiro lugar, a inflação elevada e persistente levará a maior aperto da política monetária (projetamos a taxa Selic a 8,5% em fevereiro do próximo ano). Taxas de juros mais altas afetam as condições de financiamento e, com isso, os níveis de investimento e consumo na economia brasileira. Além disso, existem os riscos de racionamento de energia elétrica (não consideramos redução compulsória de consumo em nosso cenário, mas as probabilidades não são desprezíveis), incertezas fiscais e políticas, preocupações com eventual esfriamento mais rápido da economia global, entre outros. Nesta semana, revisamos a expectativa de elevação do PIB de 2022 de 1,7% para 1,3%.

Para mais informações sobre nosso cenário de atividade econômica, consulte o relatório Brasil Macro Mensal: Cenário adverso pressiona Selic e reduz crescimento.

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