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Resultado do IPCA-15 de agosto e revisão do cenário de inflação para 2020 e 2021

Sete dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram inflação em agosto; veja nossa nova projeção para o IPCA em 2020.

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O cenário inflacionário atual

As medidas de inflação calculadas através do IPCA e do IPCA-15 têm se mantido em patamares historicamente baixos há bastante tempo. Tanto é que foi justamente esse espaço inflacionário o principal responsável por permitir o início do ciclo de corte de juros (que perdura até hoje) em meados de 2019.

Com a chegada do novo coronavírus e com os consequentes choques de oferta e de demanda que o acompanharam, essa tendência de medidas de inflação bem-comportadas e historicamente baixas perdurou por ainda mais tempo. Tanto é que, mesmo em meio a todos os inventivos (creditícios, fiscais e monetários) atualmente vigentes na economia, os principais núcleos de inflação (que expurgam da contabilização os itens mais voláteis) continuam em patamares historicamente baixos.

É claro que, diante da flexibilização gradual das medidas de distanciamento social e principalmente diante de todos os estímulos implementados para conter as adversidades trazidas pela pandemia, algumas medidas de núcleo de inflação assim como alguns dos grupos que compõem o IPCA já começam a apresentar sinais graduais de retomada, o que justifica a nossa decisão de revisar o IPCA para o final de 2020 de 1,1% para 1,4% e o de 2021 de 3,0% para 2,7%. Mas, mesmo diante da resposta gradual dos preços de alguns itens às medidas de incentivo vigentes na economia, é importante ressaltar que as medidas de inflação permanecem bem-comportadas, em patamares historicamente baixos e inferiores ao centro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional para 2020 e 2021.

O IPCA-15 de agosto

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), calculado mensalmente pelo IBGE, apresentou expansão de 0,23% em agosto, em linha com as expectativas de mercado coletadas pela Bloomberg e levemente abaixo das nossas expectativas (+0,29%). No acumulado em 12 meses, o índice passou de +2,13% em julho para +2,28% em agosto.

A diferença entre o IPCA-15 e o IPCA

Vale lembrar que, para o cálculo do IPCA-15, a metodologia utilizada é a mesma do IPCA, sendo a diferença principal o período de coleta dos preços e a abrangência geográfica do indicador. Para o cálculo do IPCA-15 de agosto, os preços foram coletados entre 15 de julho e 13 de agosto e comparados com os preços vigentes entre 16 de junho e 14 de julho. O indicador refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador, Curitiba, Brasília e Goiânia.

Destaques do resultado

Com a retomada gradual das atividades e o avanço da flexibilização das medidas de isolamento social no período de coleta dos preços, sete dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram inflação em agosto. As maiores contribuições positivas vieram dos grupos de Transportes (+0,75% e impacto de +0,15 p.p. no indicador), puxados mais uma vez pelos preços de combustíveis (+2,31%), Habitação (+0,57% e impacto de +0,09% p.p.), puxada pelo aumento dos preços de energia elétrica (+1,61%) após os reajustes tarifários em algumas regiões, Saúde e cuidados pessoais (+0,62% e impacto de +0,08 p.p.), puxados por produtos óticos (+1,55%) e serviços laboratoriais e hospitalares (+0,43%), e Alimentação e bebidas (+0,34% e impacto de 0,07 p.p.), puxados pela alta de 0,61% nos preços de alimentos para consumo no domicílio. Também apresentaram alta no mês os preços de artigos de residência, despesas pessoais e comunicação.

As descompressões, por outro lado, foram apresentadas pelas categorias de Educação (-3,27% e impacto de -0,21 p.p.) – consequência dos descontos concedidos por muitas instituições de ensino nos preços das mensalidades devido à suspensão das aulas presenciais e à transição para o ensino à distância – e Vestuário (-0,63% e impacto de -0,03 p.p.).

Como consequência dos efeitos adversos da pandemia que têm perdurado especialmente sobre algumas categorias, o setor de serviços (-0,50%) e os bens semiduráveis (-0,42%) continuaram em ritmo de descompressão, enquanto os preços dos bens não duráveis e duráveis continuaram apresentando alta significativa no mês (0,72% e 0,75%, respectivamente).

Revisão do cenário de inflação para 2020 e 2021

Diante das diversas fontes de estímulos (creditícios, fiscais e monetários) atualmente vigentes na economia e da flexibilização gradual das medidas de distanciamento social, os núcleos de inflação, que expurgam da contabilização os itens mais voláteis, começaram a apresentar um avanço residual, apesar de terem permanecido em patamares bem-comportados. Diante disso e das surpresas inflacionárias em alguns alimentos e nos preços da gasolina, decidimos revisar a nossa projeção de IPCA de 1,1% para 1,4% em 2020.

Para 2021, diante da menor inflação que esperamos para o setor de serviços, para os alimentos e para a gasolina, revisamos a nossa projeção de IPCA de 3,0% para 2,7%.

O resultado reforça o nosso entendimento de que, apesar da inflação bem-comportada, a taxa Selic deve permanecer no atual nível de 2,00% até meados de 2021.  

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