IPCA-15 de maio surpreende e cresce apenas 0,44%; apesar da surpresa baixista, o cenário não muda

IPCA-15 de maio surpreende e cresce apenas 0,44%. Apesar da surpresa baixista, o resultado não muda nossa visão sobre a inflação, que segue pressionada nos próximos meses.


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O índice de preços ao consumidor IPCA-15 subiu 0,44% em maio, ficando abaixo da nossa estimativa e da mediana das expectativas de mercado (em 0,54% e 0,55%). O principal desvio da nossa projeção foi a passagem aérea (-0,13 p.p.). No ano, inflação medida pelo IPCA-15 acumula alta de 3,27%, e em 12 meses o índice alcançou variação de 7,27%.

Apesar da surpresa baixista, concentrada em um item, a dinâmica da inflação é preocupante. Os preços dos serviços caíram -0,38%, devido à deflação das passagens aéreas, – 28%, enquanto coleta apontava queda de apenas 1%, mas os serviços subjacentes, que excluem esses itens voláteis, mantiveram-se num patamar positivo (+0,08%). E os preços dos bens industriais subiram 1% em maio, bem acima da nossa projeção (+ 0,58%). Essa alta foi bastante espalhada, com preços maiores em artigos de residências, vestuário, automóvel novo e etanol.

Na abertura dos nove grupos pesquisados pelo IBGE, o maior impacto (0,16 p.p.) foi observado em Saúde e cuidados pessoais (1,23%), resultado influenciado principalmente pela variação nos preços de produtos farmacêuticos (2,98%) que tiveram reajuste autorizado de até 10,1% a partir do dia primeiro do mês passado. Vale lembrar que tramita na Câmara o PL 939/2021 que suspende o reajuste de medicamentos. Caso aprovada, a medida tem efeito retroativo e pode reduzir IPCA do ano em até 0,15 p.p.. E a maior variação ficou com Vestuário (1,42%), que contribuiu com 0,06 p.p. para o índice.

Outro grupo com elevada contribuição para a alta de 0,44% no IPCA-15 foi Habitação (com variação de 0,79 e contribuição de 0,12 p.p.), sendo a energia elétrica a responsável por 0,10 p.p. da contribuição. Em maio, passou a vigorar a bandeira tarifária vermelha patamar 1, que acrescenta R$ 4,169 na conta de luz a cada 100 quilowatts-hora consumidos, depois de quatro meses seguidos da bandeira amarela, cujo acréscimo é menor, de R$ 1,343.

Na outra ponta, único grupo que registrou queda no mês e contribuiu com -0,05 p.p. no índice foi Transportes (-0,23%). A deflação foi resultado da queda de 28,85% nos preços das passagens aéreas. Como mencionamos, aqui residiu nossa principal surpresa (0,13 p.p.), uma vez que a coleta indicava deflação de apenas 1% para o mês de maio.

Quanto aos núcleos da inflação, a média dos cinco núcleos acompanhados pelo BC (Ex0, Ex3, MS, DP e P55) aceleraram na margem para 0,37% em maio, após alta de 0,33% em abril, e em linha com nossa projeção. Na comparação anual, passou de 3,6% para 4,1%, acima da meta de inflação do BC (3,75%).

Em linhas gerais, apesar da surpresa baixista, o resultado não muda nossa visão sobre a inflação, que segue pressionada nos próximos meses. Entretanto, como passagem aérea, entre alguns outros itens, é repetida do IPCA-15 para o IPCA, revisamos nossa projeção de maio de 0,77% para 0,66%. Incorporamos devolução parcial dessa queda em agosto, cuja projeção passou de 0,18% para 0,26%. Para o ano, mantivemos nossa projeção de 5,4%.

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