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Economia em destaque: Seu resumo semanal do cenário econômico internacional e doméstico

Semana recheada de indicadores no Brasil e otimismo com vacinas nos mercados.

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Internacional

No cenário internacional, com quase todos os estados já confirmando a vitória do pleito eleitoral nos EUA, o democrata Joe Biden dá os primeiros passos do que será seu gabinete de governo. Janet Yellen será a nova Secretária do Tesouro, o que animou mercados diante da maior probabilidade de um pacote robusto de estímulos fiscais a ser negociado com o Congresso. Já Antony Blinken ocupará a posição de Secretário de Estado – uma sinalização da priorização do multilateralismo frente aos anos de menor priorização do comércio global liderados por Donald Trump.

Já na seara econômica, as prévias da Markit para os PMIs de serviços e indústria referentes a novembro reforçaram o cenário de recuperação da economia norte-americana. Por outro lado, indicadores considerados como “soft data” trouxeram cautela frente ao futuro. Em novembro, o índice de confiança do consumidor caiu após dois meses de estabilidade. Na mesma linha, o consumo das famílias desacelerou em outubro, mesmo com relativa alta do consumo de serviços, enquanto os pedidos de seguro desemprego vieram novamente acima do que os registrados na semana anterior.

Ainda nos EUA, a Ata da última reunião do Comitê de política monetária do FED (FOMC) não trouxe grandes novidades, apenas uma sinalização de sobre possíveis mudanças na estratégia de compra de ativos no futuro próximo. A adoção de um diretriz mais clara para seu programa será importante para definir o momento em que a autoridade monetária passará a reduzir os programas de Quantitave Easing, até o momento de encerrá-la. Diante da nova estratégia de “avarage inflation targetin”, a taxa de juros deverá ser ajustada após o término do atual programa.

Finalmente, vale destacar o para avanço da segunda onda de contágio pelo coronavírus em Nova York – com o registro da maior alta de novas infecções em sete meses.

No cenário das vacinas, o destaque da semana ficou para o laboratório britânico AstraZeneca, e a vacina desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford e, no Brasil, pela Fundação Oswaldo Cruz. Diante do resultado de eficácia entre 70% e 90%, a notícia animou mercados emergentes, diante de uma alternativa mais barata, de logística mais fácil, e maior capacidade de produção para a potencial imunização em massa. Após os testes identificarem uma melhor eficácia com uma dose mais baixa, seguida de uma dosagem mais alta do vírus, o laboratório irá reconduzir os testes à nível global. O governo do Reino Unido aguarda os resultados finais para iniciar a vacinação em caráter emergencial.

Enquanto isso, na Zona do Euro, as novas medidas de isolamento social já são sentidas nos indicadores econômicos mais recentes. Dados divulgados ao longo da semana indicaram desaceleração na atividade, especialmente no setor de serviços, enquanto o índice de sentimento econômico registrou a primeira queda desde abril (quando as restrições mais duras foram aplicadas pela última vez). Diante da fragilidade da situação, Fabio Panetta, membro do Comitê Executivo do Banco Central Europeu, defendeu a ampliação dos estímulos monetários do BCE em dezembro, alegando que o consenso dentro do conselho do BCE é que os instrumentos precisam ser recalibrados.

Enquanto isso, no Brasil

Na seara da inflação, a inflação brasileira medida pelo IPCA-15 acelerou 0,81% em novembro, em linha com as nossas expectativas (0,81%) e acima do consenso de mercado (0,72%). No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 passou de 3,52% em outubro para 4,22% em novembro. As maiores surpresas inflacionárias vieram do setor de serviços (especialmente da alimentação fora do domicílio, que tem acelerado devido à i) inflação dos alimentos e ii) reabertura das atividades econômicas). Mas o resultado acabou sendo compensado pela inflação abaixo do esperado de Eletricidade, Gasolina e não-duráveis (especialmente artigos de limpeza e cuidados pessoais). Para 2021, nós mantivemos a nossa projeção em 3,8% (lembrando que na semana passada nós revisamos de 3,6% para 3,8% depois do anúncio da ANS de recomposição dos reajustes de planos de saúde), com o entendimento de que se a economia começar a se recuperar de uma forma mais firme no ano que vem, é possível que esse choque de inflação demore ainda mais tempo para voltar.

Já a inflação brasileira medida pelo IGP-M subiu 3,28% em novembro, ligeiramente acima do consenso de mercado (3,22%). A inflação acumulada em 12 meses passou de 20,9% em outubro para 24,52% em novembro. O resultado ainda mostra uma inflação pressionada por diversos choques e, assim como o IPCA-15, o IGP-M de novembro também contribui para a expectativa de um IPCA ainda pressionado nos próximos meses.

Tivemos também divulgação dos resultados da conta corrente referentes a outubro, que registrou superávit de US$ 1,473 bi ante expectativa do consenso de US$ 1,3 bi. O investimento estrangeiro ficou em US$ 1,793 bi no mês, enquanto os economistas esperavam US$ 1,05 bi. Ficou mantida a tendência vista nos últimos meses de superávit na conta corrente, que está em 1.2% do PIB dessazonalizado e anualizado no mês, mas com estabilidade nesse patamar desde agosto. O investimento direto, nessa mesma ótica, está no menor patamar em 10 anos. De toda forma, o BoP continua como uma fortaleza para o Brasil nesse momento de incertezas com o fiscal, atividade e inflação. Para o mês de novembro, a estimativa do BCB é que o resultado em transações correntes tenha superávit de US$ 1,0 bilhão e que os ingressos líquidos de IDP fiquem em US$ 1,0 bilhão

Já em relação ao mercado de trabalho, houve a divulgação dos dados do Caged referentes a outubro, e da PNAD Contínua no trimestre encerrado em setembro, que reforçaram o cenário de gradual recuperação, porém, mantida a cautela.  

De acordo com o Novo Caged, 394,9 mil novos postos de trabalho foram criados em outubro (o equivalente a 385,7 mil na série livre de efeitos sazonais), puxados principalmente pelo aumento das admissões temporárias e pela recuperação do setor de serviços. O número de demissões, por outro lado, continua acelerando de forma gradual, como resultado 1) da redução dos acordos feitos pelo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm) e 2) da piora da confiança dos empresários em outubro (e na prévia de novembro) principalmente devido ao receio de uma segunda onda de Covid-19 no país. Com o resultado de outubro acima das expectativas, nós revisamos a nossa projeção para o saldo do Caged de 2020 de -429 mil para -241 mil.

Já a PNAD Contínua registrou alta da taxa de desemprego de 14,4% no trimestre encerrado em agosto para 14,6% no trimestre encerrado em setembro (equivalente a 14,8% na série livre de efeitos sazonais). A recuperação da força de trabalho e o primeiro aumento da população ocupada desde fevereiro foram os principais destaques da pesquisa. O mercado de trabalho vem se mostrando menos frágil do que prevíamos inicialmente, o que nos fez revisar a nossa projeção de taxa de desemprego de 15,5% para 15,2% ao final de 2020. Para 2021, por outro lado, nós revisamos a nossa projeção de 14,5% para 15,1%, uma vez que nós acreditamos que os indivíduos (especialmente informais) devem continuar enfrentando dificuldades para encontrar uma nova ocupação. Olhando adiante, o fim do BEm e do auxílio emergencial são as principais fontes de incerteza para o cenário de recuperação da demanda agregada.

Do lado fiscal, a arrecadação federal totalizou R$153,9 bilhões em outubro, registrando um crescimento real de 9,57% em relação ao mesmo mês de 2019. Os resultados confirmam a tendência apresentada nos últimos meses, de volta substancial da atividade econômica, e devolução de impostos diferidos em resposta à pandemia. Tal comportamento reduz a probabilidade de um programa de refinanciamento de tributos ser implementado na reta final deste ano, trazendo um viés positivo para o resultado primário esperado para 2020, oriundo do lado das receitas.

Já o déficit primário do governo central totalizou R$ 3,6 bilhões em outubro, atingindo 9,8% do PIB no acumulado em 12 meses. O resultado foi o segundo pior na série registrada para outubro, mas surpreendeu positivamente o consenso do mercado, em R$ 20 bilhões. O resultado melhor do que o esperado refletiu tanto a tendência positiva observada do lado das receitas, quanto a devolução de R$ 6,12 bilhões do BNDES ao Tesouro, em função dos gastos abaixo do projetado com o Programa de Concessões de Financiamento para Pagamento da Folha Salarial. Mantemos nossa projeção de 12,6% para o déficit primário do governo central, com leve viés de alta dada a evolução positiva do setor de receitas.

Finalmente, vale destacar a aprovação da nova lei de falências pelo Senado, um importante marco para a agenda de produtividade, especialmente em um contexto de dificuldades financeiras no pós pandemia. Se sancionada, a nova lei permitirá o parcelamento e o desconto para pagamento de dívidas tributárias com a União e possibilitará aos credores apresentar plano de recuperação da empresa, entre outras mudanças. O projeto também regulamenta empréstimo para devedores em fase de recuperação judicial, incentivando empresas com fontes de renda ainda viáveis. O projeto segue para sanção presidencial.

O que esperar?

A divulgação do PIB do terceiro trimestre e da produção industrial referente a outubro serão os principais destaques da agenda doméstica da próxima semana. No cenário internacional, dados de desemprego e os PIM’s das principais economias serão divulgados, assim como o PIB da Itália e da Austrália.

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