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Economia em destaque: Seu resumo semanal do cenário econômico internacional e doméstico

Vacinação em andamento, discussões sobre novo pacote fiscal nos EUA e resultado de eleições legislativas e forte produção industrial no Brasil dominam a semana.

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COVID – 19

A semana foi marcada por boas notícias na frente da vacinação contra a Covid-19. A começar por resultados de pesquisa publicados na revista média The Lancet, atestando eficácia de mais de 90% da vacina fabricada na Rússia, Sputnik. A informação é positiva também para o Brasil, ao passo que a Anvisa retirou também essa semana a obrigatoriedade de realização dos testes da fase 3 no Brasil para a obtenção da aprovação para o uso emergencial da vacina.

Enquanto isso, nos EUA o número de vacinações ultrapassou nessa semana pela primeira vez o número de novos casos, e o país espera ter 75% da população vacinada até o final do ano. O governo norte-americano começará a enviar vacinas diretamente para farmácias, com o objetivo de ampliar a distribuição. Esse movimento está em linha com o projeto enviado pela Abrafarma (Associação Brasileira de Farmácias) para o governo brasileiro, onde mais de 4.5k lojas seriam disponibilizadas para permitir uma vacinação mais ampla no Brasil.

Cenário Internacional

Nos EUA, as atenções seguem voltadas para as negociações sobre um novo pacote de estímulos fiscais no país. Na sexta-feira, o Senado americano adotou uma resolução orçamentaria por 51 a 50 votos, marcando a primeira vez desde o início da Legislatura que a vice-presidente Kamala Harris resolve um empate. A resolução é o primeiro passo para a reconciliation, manobra que permite a aprovação de certas matérias por maioria simples, ao invés dos 60 votos geralmente requeridos na Câmara Alta americana. Ou seja, democratas podem seguir para aprovação do pacote de estímulos apresentado pelo governo Biden sem apoio republicano.

Vale ressaltar que, mesmo após a aprovação da resolução, democratas moderados como Joe Manchin, ainda defendem que negociações continuem e o pacote seja aprovado de forma bilateral. No entanto, dado os empecilhos nas negociações entre os partidos e a urgência de democratas, é cada vez mais provável que o reconciliation seja o caminho preferido pelo partido de Biden.

As expectativas sobre a aprovação do pacote ganharam ainda mais força com os dados divulgados nessa semana sobre o mercado de trabalho norte-americano. Apesar de terem indicado uma queda na taxa de desemprego em janeiro, que foi para 6,3%, a melhora foi muito mais levada pela saída de pessoas da força de trabalho do que pela criação de novos postos de trabalho – que vieram bem abaixo do esperado. Os efeitos de um inverno muito severo se juntaram ao da mais recente onda de contágio, aumentando as demissões no período.

De toda forma, em vista das resistências internas, acreditamos que o pacote final será mais enxuto do que os US$ 1,9 trilhão propostos por Biden. Pautas mais polêmicas como o aumento do salário mínimo devem ser alteradas.

Enquanto isso, na Zona do Euro, o crescimento melhor do que o esperado das vendas no varejo em dezembro acabaram ofuscados pelos fracos dados de PMI referentes a janeiro. As medidas de restrição à mobilidade implementadas em função da segunda onda de contágio na região, aliado ao inverno rigoroso, seguem impactando negativamente a atividade. O PMI composto ficou em 41,2 em janeiro, indicando contração no início deste ano. Por outro lado, não se espera uma queda em tal magnitude quanto ao ano passado.

Ainda nessa semana, os dados de inflação da região vieram acima do esperado em janeiro, em 0,9% na comparação anual, com núcleos atingindo o maior patamar em 5 anos. Apesar de majoritariamente levado por movimentos temporários, a aceleração acende luz amarela para receios sobre pressões inflacionárias de políticas extremamente expansionistas no mundo desenvolvido.

Já na Itália, o ex presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, aceitou o convite do Presidente do país para tentar formar um governo como novo primeiro ministro.

Finalmente, no Reino Unido, o Banco da Inglaterra (BoE) sinalizou que inicia as preparações para taxas de juros negativas. A Libra tem valorizado frente ao Euro diante da melhor performance da vacinação no país relativo aos vizinhos europeus; ao mesmo tempo, o Reino Unido enfrenta o desafio de crescer a competividade de suas exportações após a saída do Bloco Comum Europeu.

Enquanto isso, no Brasil

Em termos de indicadores macroeconômicos divulgados na semana, o principal foi a produção industrial de dezembro, que mostrou crescimento no último mês de 2020. O resultado de dezembro veio bem acima tanto da nossa expectativa (+5,9% a/a e -0,5% m/m) quanto do consenso de mercado (+5,5% a/a e -0,4% m/m). Todas as categorias surpreenderam positivamente, mas o destaque principal foi a aceleração da indústria extrativa.Olhando para frente, a maior incerteza segue concentrada na retirada dos estímulos que têm contribuído positivamente para a indústria. Alguns indicadores já mostram que a indústria pode perder algum fôlego nos próximos meses. Mas, ainda assim, esperamos que a produção industrial brasileira cresça 3,5% em 2021.

Mas o principal destaque ficou para as eleições nas casas legislativas, com vitória para candidatos apoiados pelo Planalto. A semana foi marcada majoritariamente pelo otimismo diante do resultado, uma vez que a maior governabilidade pode trazer ao governo maiores chances de aprovação de reformas, como mudanças fiscais, privatizações, e as reforma tributária e administrativa.

As primeiras sinalizações foram positivas, com demonstrações de alinhamento por parte tanto de Rodrigo Pacheco, no Senado, quanto de Arthur Lira, na Câmara dos Deputados, com a agenda do governo, priorizando o avanço das vacinações no país, e vinculando qualquer eventual discussão sobre uma nova rodada de auxílio emergencial ao respeito às regras fiscais vigentes – especialmente o teto de gastos.

Dando início aos trabalhos legislativos, o Planalto também enviou aos novos presidentes uma lista com 35 prioridades. A relação inclui a PEC Emergencial, reformas administrativa e tributária, privatizações, agenda regulatória e pauta de costumes. Além do orçamento, da questão fiscal e das definições sobre novas rodadas de auxílio emergencial, o governo pretende investir no curto prazo em propostas que possam se tornar lei rapidamente, para aproveitar o bom ambiente político. Essas incluem a autonomia do Banco Central, a nova lei cambial, o marco regulatório do gás, entre outras. A priorização dentro da relação será essencial para que as negociações tenham êxito junto ao Congresso.

Foi também destaque discussões acerca do preço de combustíveis no país. Diante do expressivo aumento do preço do petróleo (uma commodity negociada internacionalmente), além da depreciação do Real, crescem as pressões sobre o governo sobre o tema – como ilustrado por recentes rumores de uma nova greve de caminhoneiros.

O governo defendeu não interferir na política de preços determinada pela Petrobras, ao mesmo tempo em que sinalizou para uma possível determinação de limite máximo do ICMS sobre combustíveis, além de prometer estudar uma redução no PIS/Cofins se houver ganhos de arrecadação. Por ora, entretanto, nenhuma proposta sobre o tema fora concretizada.

O que esperar

As vendas no varejo, a performance do setor de serviços, a atividade econômica (todos referentes ao mês dezembro de 2020) e o IPCA de janeiro de 2021 serão os principais destaques da agenda econômica doméstica da próxima semana. No cenário internacional, a decisão de política monetária do México, o PIB do Reino Unido e os indicadores de inflação (CPI e PPI) das principais economias globais serão os destaques.

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