Economia em Destaque: seu resumo semanal de economia no Brasil e no mundo

Semana marcada por discussões sobre política monetária e reformas no Brasil


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Resumo

O principal destaque da semana no cenário internacional foi o anúncio do acordo entre democratas e republicanos para um pacote de infraestrutura de USD 1,2 trilhão nos Estados Unidos. A semana contou também com posicionamentos de dirigentes do FED em relação à política monetária no país e divulgação de índices de inflação.

No Brasil, um dos principais destaques da semana foi a apresentação de proposta para Reforma Tributária pelo Executivo. Tivemos também divulgação de dados de inflação, com o IPCA-15 de junho, e discussões acerca de câmbio e política monetária, muito em decorrência da divulgação da ata do Copom na terça-feira que adotou um tom mais hawkish (mais firme para perseguir a meta de inflação).

Nessa semana, a Câmara concluiu a votação da medida provisória que permite a capitalização da Eletrobrás e o Senado aprovou medida que mantém elevada a alíquota da CSLL de bancos para 25% até dezembro de 2021.

Para semana que vem, destaque para dados de mercado de trabalho no Brasil e nos EUA, além de resultados fiscais domésticos e de inflação com o IGP-M de junho. O cenário político econômico brasileiro também deve ficar em evidência com discussões sobre a reforma tributária e evoluções da CPI da Pandemia.

Atualizações Covid-19

A variante Delta coronavirus que se espalhou pelo Reino Unido tornou-se dominante em Portugal e está a ganhar terreno na Alemanha, França e Espanha. Autoridades de saúde europeias alertam que são necessárias ações para conter sua disseminação. Uma terceira onda de medidas de restrição, durante o verão, pode afetar a recuperação econômica europeia.

Por outro lado, o governo do Reino Unido prepara-se para retirar totalmente as restrições até o dia 19 de julho, diante da melhora no número de óbitos e novos casos. A melhora indica a eficácia da vacinação em massa no país, a despeito do avanço da nova variante. Enquanto isso, a China deve manter restrições fronteiriças no país pelo menos por mais um ano.

No Brasil, a média de óbitos se reduziu na margem, de 1.917 para 1.877, com mais 2.032 registros. Ao todo, 509.141 brasileiros sucumbiram à Covid-19. O número de casos chegou a 77,3 mil na média móvel semanal.

São agora 67,9 milhões de brasileiros vacinados com ao menos a primeira dose, enquanto 24,9 milhões se encontram com a vacinação completa. Na média móvel semanal, 1,4 milhão de doses são aplicadas diariamente em todos os estados. O governo americano doará ao Brasil 3 milhões de doses da vacina da Janssen. Somente nessa semana, 4,5 milhões de doses desse imunizante de aplicação única chegarão ao país.

Cenário Internacional

Estados Unidos

Acordo entre Democratas e Republicanos

O principal destaque da semana foi o acordo anunciado entre democratas e republicanos para um pacote de infraestrutura de USD 1,2 trilhão, a ser implementado ao longo de oito anos. O pacote deve dar ênfase a infraestrutura tradicional (ex. pontes, estradas) e ser compensado por uma variedade de iniciativas, como fiscalização mais forte de arrecadação de impostos dos mais ricos e parcerias público-privadas. Vale notar que o total de novos gastos deve chegar a cerca de USD 550 trilhões, uma vez que boa parte do orçamento será utilizado de pacotes já aprovados para enfrentar a covid-19.

O acordo, entretanto, foi apenas o primeiro passo. Para ser aprovado, o pacote precisa ter apoio da ala mais à esquerda dos democratas (que defende maiores gastos), ou de mais republicanos, para somar os 60 votos requeridos. As negociações devem se arrastar por mais algumas semanas, no mínimo, esbarrando também na intenção de Biden e da presidente da Câmara, Nancy Pelosi, de uma segunda parte do projeto, focada em infraestrutura social – a ser aprovado sem o apoio republicano.

Inflação e Política Monetária

Na seara de indicadores, o destaque ficou para os gastos com consumo pessoal (PCE) referentes a maio. O indicador registrou queda de 2% na renda em relação ao mês anterior, seguindo a queda de abril após o salto de março levado pelas transferências do pacote fiscal aprovado no início do ano. Já o consumo seguiu estável no mês (0,0%), seguindo 1% abaixo do nível pré pandemia em termos reais. O resultado levou a queda da poupança das famílias (para 12,4%), mas que segue acima dos níveis históricos.

Mais importante, o deflator do PCE, o indicador de inflação favorito do Fed, registrou alta de 0,49%, levando o acumulado em doze meses para 3,9%. Não obstante a elevação, a leitura do núcleo do indicador veio em linha com o esperado e reforçou a tese de natureza transitória da alta de preços correntes, pressionado por preços de insumos e desequilíbrios na cadeia de produção, além da retomada de margem de serviços diante da normalização da atividade.

A semana contou também com posicionamentos de dirigentes do FED (Banco Central norte-americano). O presidente Jerome Powell reafirmou cautela antes da retirada de estímulos (evitando uma ação “preventiva”), enfatizando a natura temporária das pressões inflacionárias. Enquanto isso, outros dirigentes divergiram ao longo da semana entre posições mais e menos duras em relação a alta de preços recente (dovish X hawkish). Já a secretária do Tesouro, Jannet Yellen, também destacou que pressões correntes são temporárias, e que a aprovação de mais estímulos por meio dos pacotes de infraestrutura planejados pela administração não terá caráter inflacionário.

Atividade

Já em atividade, as pesquisas de gerente de compras (PMIs, em inglês) de junho seguiram indicando sólida recuperação da economia norte-americana. Por outro lado, vale destacar a continuidade da escassez de matéria prima e mão de obra, em linha com a pressão observada nos preços e com o cenário do mercado de trabalho (com desemprego em queda, mas força de trabalho ainda baixa). Além de ilustrações de desequilíbrios na cadeia de produção global, os resultados sugerem que a economia americana segue aquecida, mas possivelmente perto do pico da retomada cíclica.

Zona do Euro

As prévias dos PMIs de manufatura e serviço de junho da Europa reforçaram a recuperação econômica consistente da região, sinalizando o ritmo de crescimento mais acelerado em 15 anos. A liderança segue com a Alemanha, onde o índice de clima empresarial (IFO) registrou o maior patamar desde novembro de 2018.

Por outro lado, empresas europeias reportaram a maior inflação em insumos da série histórica iniciada em 2000, o que tem prejudicado a recuperação na região, assim como o observado nos EUA e outras partes do mundo.

Em política monetária, o Banco da Inglaterra (BoE) manteve sua taxa de juros e patamar de estímulo monetário inalterados, do índice de preços ao consumidor ter ultrapassado a meta de 2% pela primeira vez em mais de 2 anos.

Enquanto isso, no Brasil

Reforma tributária

No Brasil, um dos principais destaques da semana foi a apresentação de proposta para Reforma Tributária pelo Executivo.

Em linhas gerais, o texto traz a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para pessoa física para R$ 2.500 e redução da alíquota para pessoa jurídica (de 25% para 20% em dois anos), compensadas pela taxação de dividendos, pelo fim do Juros sobre Capital Próprio (JCP) e por outras medidas como a tributação de fundos exclusivos. As isenções para produtos como LCI e LCA devem ser mantidas.

A proposta passará a tramitar no Congresso em paralelo a proposta de reforma de tributos incidentes sobre bens e serviços (cuja proposta do Executivo é a criação de um imposto comum à nível federal – CBS), e inclui mudanças constitucionais e infraconstitucionais.

Inflação, Política Monetária e Câmbio

A semana também foi marcada por dados e discussões de inflação e política monetária.

O Banco Central divulgou a ata da sua última reunião do Copom (na semana passada), em que elevou a taxa Selic para 4,25%. O documento ampliou o tom mais duro (“hawkish”) do Banco Central observado no comunicado da semana passada. Já o Relatório Trimestral de Inflação, também divulgado pela instituição nessa semana, teve tom relativamente menos duro, mas reforçou novamente os riscos de alta da inflação advindos dos custos de produção e das perspectivas fiscais. O mercado discute se o atual ciclo de aperto vai levar a Selic para além do nível considerado neutro (estimado em 6,5%).

Ainda em política monetária, o Conselho Monetário Nacional (CMN) anunciou a meta de inflação para 2024. Ela foi fixada em 3,00%, seguindo a evolução de 0,25pp por ano até lá, com uma faixa de tolerância de 1,5 pp em torno da meta (1,50% a 4,50%). A mediana das expectativas de mercado, de acordo com a pesquisa Focus do Banco Central, é de 3,25%. Será interessante ver se essas expectativas convergirão para a nova meta nas próximas semanas. De qualquer forma, não vemos impacto sobre a política monetária de curto prazo decorrente dessa decisão, uma vez que o horizonte relevante está 18 meses à frente, segundo o Banco Central.

Enquanto isso, a inflação medida pelo IPCA-15 referente a junho registrou alta de 0,83%. O resultado não trouxe grandes surpresas, reforçando nossa visão de que a inflação ainda está pressionada no curto prazo, devido ao repasse de custos aos produtos industrializados e à aceleração dos preços de serviços. Por ora, mantemos a projeção do IPCA para junho em 0,63% e para o ano em 6,2%.

Finalmente, a taxa de câmbio permaneceu ao longo da semana abaixo de 5 reais por dólar. Melhores perspectivas de crescimento, menores riscos fiscais de curto prazo e linguagem dura do Banco Central têm pavimentado o caminho para uma moeda mais forte. Um Fed dovish (que favorece expansão monetária) também ajuda, mas o real superou seus pares nos últimos meses. Apesar da recuperação recente, o real ainda está 20% mais fraco que os níveis pré-pandêmicos, sugerindo que a tendência de fortalecimento pode continuar no curto prazo.

Eletrobrás, CSLL e Depósitos voluntários

Nessa semana, a Câmara concluiu a votação da medida provisória que permite a capitalização da Eletrobrás, concluindo assim a etapa legislativa do processo. O texto aprovado segue agora para análise do presidente Jair Bolsonaro. Apesar de críticas de especialistas em relação a potencial elevação do custo final de energia diante da regulamentação criada pela MP, a aprovação da medida pode ser considerada uma vitória para o governo, considerando os ganhos fiscais de curto e longo prazo e o passo em direção a nova gestão da companhia. Prevista para o início de 2022, esta será a primeira privatização relevante realizada na administração Bolsonaro.

Ainda no Congresso, o Senado aprovou medida que mantém elevada a alíquota da CSLL de bancos para 25% até dezembro de 2021 (voltando a 20% a partir de 2022), com o objetivo de custear a desoneração do diesel e do gás de cozinha. Vale destaque também para a aprovação pela Câmara do PL 3.877/2020, que autoriza depósitos voluntários no Banco Central. Com a nova regra, o BC poderá reduzir o uso de operações compromissadas para controle de liquidez no mercado (que impactam a dívida bruta), as substituindo por depósitos voluntários. O texto segue para a sanção presidencial, e será depois regulamentado pela autoridade monetária.

O que esperar?

No cenário internacional, o destaque da semana fica para o resultado de desemprego referente a junho nos EUA, além de dados de inflação e desemprego na Zona do Euro, e PMIs de junho na China. Além disso, discussões sobre o pacote de infraestrutura nos EUA devem seguir no radar do mercado, após anúncio de acordo entre democratas e republicanos essa semana.

No Brasil, a semana contará com dados de mercado de trabalho com a PNAD (formais e informais) referente a abril e o Caged de maio (trabalhadores formais), além de resultados fiscais com a divulgação do primário do governo geral e do resultado do tesouro nacional de maio, e de inflação com o IGP-M de junho. O cenário político econômico também deve ganhar parte dos holofotes, com discussões sobre a reforma tributária e evoluções da CPI da Pandemia.

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