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Atividade permaneceu firme no início do segundo trimestre

A atividade econômica permaneceu firme em abril, respaldada pelo aumento adicional da mobilidade e a expansão da renda disponível às famílias.

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O PIB do primeiro trimestre de 2022 cresceu 1,0% em relação ao 4º trimestre de 2021, o que representou a terceira elevação consecutiva. Com isso, o PIB situa-se 1,5% acima do nível pré-pandemia. Confira aqui mais detalhes a respeito do desempenho da economia brasileira no início deste ano.

A atividade econômica permaneceu firme no início do segundo trimestre, ainda respaldada pelo aumento adicional da mobilidade (especialmente em áreas de varejo e lazer) e a expansão da renda disponível às famílias. O crescimento do emprego – muito acima do esperado – teve papel protagonista em abril, em nossa avaliação, especialmente por atingir vários setores e tipos de ocupação. Pelo lado menos encorajador, observamos recentemente alguns sinais de perda de fôlego dos investimentos privados, tais como o declínio da produção de bens de capital (máquinas e equipamentos).

Mercado de Trabalho

A taxa de desemprego recuou para 10,5% no trimestre móvel encerrado em abril, contra 11,1% no primeiro trimestre de 2022, conforme divulgado na PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE. Considerando a série com ajuste sazonal (método próprio), calculamos que a taxa de desocupação tenha declinado de 10,9% em março para 10,1% em abril, o menor patamar desde o início de 2016.

A população ocupada total cresceu 1,7% entre março e abril (de 95,6 para 97,2 milhões), marcando o 13º aumento consecutivo na margem. A reabertura econômica tem impulsionado o emprego desde o segundo trimestre do ano passado. Enquanto isso, a PEA – População Economicamente Ativa, que representa a força de trabalho – subiu 0,8% no mesmo período (de 107,2 para 108,0 milhões). Com isso, a população ocupada e a força de trabalho estão 2,2% e 0,9% acima do nível registrado antes da eclosão da crise da Covid-19 no Brasil (fev/20 como referência), respectivamente.

Mais uma vez, o contingente de emprego informal teve aumento expressivo. Estimamos elevação de 1,9% em abril, acelerando ante a alta de 1,1% em março. Desta forma, a população empregada sem carteira assinada totalizou 41,6 milhões, ficando 3,3% acima do total registrado logo antes da pandemia. Já o nível de emprego formal subiu 1,4% no mês, devido sobretudo aos ganhos na categoria de “trabalhadores do setor privado com carteira assinada”. O contingente de empregos formais teve crescimento de 1,2 milhão em comparação ao nível do início de 2020.

Por sua vez, o rendimento real médio permaneceu praticamente estável pelo terceiro mês consecutivo em abril, e segue rodando cerca de 7,5% abaixo dos patamares vistos no pré-pandemia, como reflexo, em grande medida, da inflação persistentemente alta. Já a massa de rendimento real – combina rendimento médio com população ocupada – cresceu 1,5% em abril e situa-se cerca de 5% abaixo do nível pré-pandêmico. Esta dinâmica tem contribuído para a maior disponibilidade de recursos das famílias brasileiras (em termos agregados) no curto prazo, concomitantemente às maiores transferências governamentais (Auxílio Brasil, o novo programa de proteção social) e medidas de estímulo de curto prazo, como a liberação de saques extraordinários do FGTS.

Setor de Serviços

A receita real do setor de serviços avançou 0,2% entre março e abril, ou 9,4% em relação a abril de 2021. Esse resultado veio após o salto inesperado visto em março (+1,4%). Vale lembrar que o setor terciário cresceu 1,6% no primeiro trimestre do ano.

As atividades de serviços mostraram resultados mistos: apenas dois setores entre os cinco pesquisados pelo IBGE cresceram no mês, com destaque para as altas de Serviços Prestados às Famílias e Serviços de Informação e Comunicação.

O índice de faturamento geral do setor de serviços encontra-se 7,2% acima do nível pré-coronavírus. Apesar da melhoria significativa observada nos últimos meses, a categoria de Serviços Prestados às Famílias ainda mostra receitas reais cerca de 11% abaixo dos níveis antes da crise do COVID-19, enquanto Serviços de Transporte e Armazenamento estão rodando cerca de 16% acima daquela marca.

De forma geral, acreditamos que o setor de serviços – especialmente os ramos mais ligados à demanda das famílias – continuarão em rota de crescimento nos próximos meses, porém a um ritmo mais moderado. Os benefícios da reabertura econômica devem se dissipar gradualmente.

Comércio Varejista

As vendas do comércio varejista ampliado cresceram 0,7% entre março e abril. Em relação a abril de 2021, o varejo ampliado subiu 1,5%. Enquanto isso, as vendas do varejo restrito (excluem veículos e materiais de construção) aumentaram 0,9% ante março e 4,5% ante o mesmo mês do ano passado.

Em relação aos resultados desagregados, observamos sinais ambíguos. Apenas quatro entre as dez atividades pesquisadas na Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE registraram ganhos em abril. Os destaques positivos foram as categorias de Tecidos, Vestuário e Calçados, Móveis e Eletrodomésticos e Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico. Em contrapartida, as categorias de Hiper e Supermercados, Materiais de Construção e Equipamentos e Materiais de Escritório, Informática e Comunicação exibiram resultados fracos na comparação mensal.

Indústria

A produção industrial doméstica variou 0,1% entre março e abril, resultado que representa o quarto ganho mensal seguido. Em relação a abril de 2021, entretanto, o volume produzido no setor encolheu 0,5%.

Os resultados da indústria em abril também mostraram sinais heterogêneos entre as categorias econômicas. Se por um lado a produção de Bens de Consumo Semi e Não Duráveis saltou 2,3% em abril (contra queda de 3,4% em março), a categoria de Bens de Capital despencou 9,2% (acumulando queda de 7,7% desde dezembro de 2021). Além disso, a categoria de Bens Intermediários apresentou resultados sólidos no mês (avanço de 0,8%, o terceiro aumento consecutivo), ao passo que a categoria de Bens Duráveis de Consumo exibiu números decepcionantes (retração de 5,5%, encerrando uma sequência de duas leituras positivas).

Os gargalos nas cadeias globais de suprimentos vêm melhorando no período recente, ainda que com velocidade abaixo do inicialmente esperado. O processo de normalização parcial do fornecimento de insumos ajuda os setores manufatureiros. No entanto, o aperto das condições financeiras e as perspectivas de menor crescimento das economias internacional e doméstica tendem a impedir uma recuperação expressiva da produção industrial em 2022.

O que esperar adiante?

O nosso Tracker – estimativa de alta frequência – para o PIB indica atualmente crescimento de 0,5% entre o primeiro e o segundo trimestres de 2022 (com ajuste sazonal), e de 2,2% contra o segundo trimestre de 2021.

Permanecemos otimistas com o consumo no curto prazo, mas a demanda doméstica provavelmente perderá força nos próximos trimestres, refletindo a elevação acentuada das taxas de juros, maiores incertezas nos cenários global e doméstico, além da dissipação paulatina dos benefícios da reabertura econômica, conforme já mencionado. Ademais, acreditamos que a possível queda dos preços de combustíveis e energia elétrica nos próximos meses – considerando a aprovação de propostas legislativas, como o PLP 18/22 – significa algum alívio para os consumidores, mas não o suficiente para reverter a tendência de esfriamento da demanda local.

Projetamos crescimento de 1,6% para o PIB do Brasil em 2022.

Confira os detalhes do nosso cenário para a atividade econômica no relatório Brasil Macro Mensal: Emprego surpreende, fiscal volta a preocupar.

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