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Pós-eleições no Brasil: avaliando cenários para economia e Bolsa

Com a definição das urnas após o 2º turno das eleições no Brasil, como ficam os seus investimentos? Confira a visão dos especialistas

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Na noite de domingo (25), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito para o seu 4º mandato presidencial, após receber 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do candidato opositor, Flávio Bolsonaro (PL). Com a definição das urnas após o 2º turno das eleições no Brasil, o foco dos investidores migra da incerteza eleitoral para as próximas movimentações do governo eleito.

O mercado deve seguir volátil, à medida que a composição do novo quadro de representantes (em especial, a equipe econômica), a agenda de reformas e as medidas a serem adotadas para endereçar a situação fiscal do país vão sendo detalhadas.

Segundo Paulo Gama, analista político da XP, o pleito eleitoral trouxe uma percepção de que existia uma demanda para que medidas de ajuste fossem discutidas. Essa percepção ganhou peso após os resultados do 1º turno, que colocaram na época Flávio Bolsonaro à frente na disputa. Agora, existe uma força que precisa ser conciliada com as promessas colocadas em curso pelo atual governo.

Para Caio Megale, economista-chefe da XP, a principal dúvida recai sobre o nível de desaceleração da economia do país, se será mais restrita ou prolongada a partir de 2027. Numa dinâmica econômica em que há medidas fiscais mais firmes, a taxa de câmbio, principal variável para acompanhar no momento, tende a se normalizar. Dentro desse cenário, a desaceleração em 2027 pode se mostrar mais cíclica e o Banco Central teria espaço para seguir cortando juros.

Por outro lado, a ausência de um plano assertivo que possa endereçar os desafios com as contas públicas tenderia a manter a percepção de risco fiscal elevada, abrindo caminho para um cenário de maior pressão inflacionária, juros elevados e, consequentemente, uma desaceleração mais prolongada.

“A desaceleração da atividade, quão profunda vai ser ou quão prolongada, vai depender das medidas de ajuste que podem trazer de volta a credibilidade da economia (recuperando expectativas) e de como as empresas vão se adaptar às mudanças que estão acontecendo para ano que vem”, resumiu Megale.

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Do lado da renda variável, Raphael Figueredo, estrategista de ações no Research da XP, afirmou que o ambiente atual sugere uma mudança de regime, em que companhias mais sensíveis ao crescimento ficam mais comprometidas.

Para o especialista, o movimento recente da Bolsa foi direcionado por dois cenários: o primeiro mais focado no exterior, sob a influência dos preços das commodities (o petróleo, principalmente) e com investidores priorizando teses de alta qualidade, bom fluxo de caixa e dividendos previsíveis (as chamadas bond proxies); e o segundo, formado a partir do 1º turno, em que as companhias cíclicas domésticas começaram a se recuperar.

Agora, com a confirmação do pleito eleitoral e perspectiva de continuidade do governo atual no Planalto, o investidor provavelmente voltará para o ambiente das empresas mais defensivas. “Esse regime de juros elevados por mais tempo e com uma inflação reacelerando vai fazer com que ele procure ativos que paguem em rendimentos”, afirmou.

Apesar disso, Figueredo reforçou que a renda variável “sempre tem uma solução”, independentemente do cenário que o mercado está vivendo. Na visão dele, um dado importante para acompanhar o humor dos agentes nos próximos meses é o fluxo de capital vindo do exterior. Pela participação do investidor estrangeiro na Bolsa, será possível compreender onde encontrar o caminho dos preços.

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