Por que o retorno de alguns papéis Tesouro IPCA+ está negativo em 2021?

Entenda por que o retorno de alguns papéis Tesouro IPCA+ está negativo em 2021 e veja as oportunidades para investir nesses títulos


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Por que o retorno de alguns papéis Tesouro IPCA+ está negativo em 2021?

Se você tem uma parte da carteira aplicada nos papéis do Tesouro Direto atrelados à inflação (Tesouro IPCA+) deve ter se questionado. Como alguns papéis estão com retorno negativo neste ano se a inflação está subindo?

Para entender a rentabilidade desses papéis você precisa saber que o rendimento deles é composto por duas partes: por uma taxa prefixada, definida no momento que você compra o papel, e por outra atrelada à variação do IPCA.

Apesar da alta de 5,67% do IPCA no ano, até agosto, o índice IMA-B, que reflete o desempenho de uma carteira ponderada de papéis do Tesouro indexados à inflação, acumula queda de 2,05% no ano, até 5 de outubro.

Entenda abaixo por que o retorno de alguns papéis Tesouro IPCA+ está negativo em 2021.

Incerteza fiscal afeta retorno dos papéis Tesouro IPCA+

Apesar de ter reduzido a perda em setembro, encerrando o mês passado com queda de 0,13% ante retorno negativo de 1,68% em agosto, o índice IMA-B acumula uma queda de 2,05% no ano contra alta de 2,58% do CDI.

O aumento da inflação e das incertezas no cenário político e fiscal levaram a uma alta das taxas de juros (ou seja, da parcela prefixada) dos papéis Tesouro IPCA+, com os investidores cobrando um prêmio maior para financiar o governo.

Isso impactou negativamente os retornos dos papéis do Tesouro indexados ao IPCA e prefixados. Isso porque, quando as taxas de juros sobem, os preços dos papéis que foram emitidos anteriormente com taxas mais baixas caem. Ou seja, na renda fixa existe uma relação inversa entre preços e taxas dos títulos e o nome do mecanismo que reflete isso é “marcação a mercado”.

A queda é maior nos papéis com prazos mais longos, que têm uma volatilidade maior e são mais afetados em momentos de incerteza no cenário doméstico e externo. Enquanto o índice IMA-B 5, que acompanha o retorno dos papéis indexados ao IPCA com prazo de até cinco anos, sobe 2,61% no ano, até 5 de outubro, o índice IMA-B5+, que acompanha o retorno desses títulos com vencimento acima de cinco anos, acumulava perda de 6,26% no período.

Importante lembrar que o investidor só terá uma perda nessas aplicações se vender o papel neste momento ou em qualquer outro período desfavorável antes do vencimento. Por isso, para quem busca proteção contra o aumento da inflação é interessante ficar com o papel até o vencimento.

Fatores que impactam o desempenho dos títulos Tesouro IPCA+

  • Incerteza sobre o quadro fiscal: A dificuldade do governo em aprovar a reforma tributária e a discussão sobre o pagamento de R$ 90 bilhões em precatórios em 2022, que são dívidas devidas pela União autorizadas pela Justiça e que não cabem mais recurso, elevaram a preocupação com a trajetória da dívida pública. O governo pretendia financiar o aumento do benefício pago pelo Auxílio Brasil (antigo Bolsa Família) com a tributação do pagamento de dividendos, medida incluída na proposta de Reforma do Imposto de Renda aprovada na Câmara. Mas com a demora da aprovação no Senado, o governo vem estudando outras alternativas para custear o programa como a prorrogação do auxílio emergencial. A Lei de Responsabilidade Fiscal prevê que a criação de uma despesa permanente tem que ser compensada com uma fonte de recursos continuada. Com um governo mais endividado, os investidores passaram a cobrar uma taxa maior do governo para rolar a dívida pública, dado que o risco do governo também aumentou. Isso afetou o preço dos papéis negociados no mercado, uma vez que suas taxas se ajustaram aquelas das novas emissões.
  • Aumento da inflação: Já no curto prazo, o aumento dos preços de energia, petróleo, commodities, câmbio e choques na cadeia de fornecimento têm aumentado as pressões inflacionárias. A projeção dos analistas para a inflação no Boletim Focus  de 4 de outubro de 2021 era de um IPCA a 8,51% no fim de 2021 e de 4,14% no fim de 2022, acima da meta de inflação de 3,5%. A XP espera IPCA de 9% no fim deste ano e em 3,9%. Isso fez com que os investidores aumentassem as apostas em um aumento maior da taxa Selic para controlar as expectativas de inflação, o que também pressionou as taxas dos títulos públicos para cima, principalmente as de curto prazo. Os analistas da XP projetam a taxa Selic a 9,25% ao fim do ciclo de alta da taxa de juros pelo Banco Central. Veja o relatório aqui.
  • Cenário externo: a sinalização do banco central dos Estados Unidos, Federal Reserve, de que pode retomar o ciclo de alta da taxa de juros já em 2022, também afetou a renda fixa global. Os títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries) são considerados os ativos mais seguros que existem no mundo, conhecidos como “ativos livres de risco”. Portanto, quando as taxas nos Estados Unidos sobem, as taxas de juros no Brasil também refletem esse movimento, pois o país precisa oferecer um retorno maior para os investidores para continuar atrativo, afinal, o risco local é maior que o dos EUA.

Brasil paga o maior juro real do mundo em títulos públicos

Quando se analisa um investimento em renda fixa é importante o investidor olhar não só a taxa nominal do papel, mas o retorno real da aplicação, isto é, quanto ela rende descontando a inflação. Esse é o cálculo para entender se o ativo, além de proteger a carteira da perda do poder de compra causada pela inflação no tempo, está dando retorno.

Em 28 de setembro, as Notas do Tesouro nacional – série B (NTN-Bs), que são os títulos públicos brasileiros indexados à inflação, com vencimento em cinco anos pagavam um juro real de 4,65% ao ano, superior até à de outros países emergentes como Turquia, África do Sul, afirmou o estrategista macro da XP Marcelo Freller durante o evento Semana da Renda Fixa da XP.

A Turquia tem uma taxa de juros nominal de 18%, mas a inflação também é muito alta”, disse Freller no evento.

PaísesJuro real*Duration
Brasil4,65%4,1%
África do Sul3,15%3,4%
Rússia2,93%3,8
México2,24%3,8
Chile1,62%4,2
Austrália0,77%4,9
Japão -0,30%3,7
Canadá -0,34%4,4
Estados Unidos-0,84%4,9
Israel -0,85%5,1
Itália -1,09%3,2
Espanha-1,39%4,5
França-1,68%3,2
Suécia-1,95%4,7
Alemanha-2,02%4,3
Inglaterra-2,78%5,0
Fonte: XP Macro Startegy.* Refletido nos título soberanos de 5 anos em 28/09/2021

A trajetória de piora da dívida pública no Brasil nos últimos dois anos e incertezas no cenário fiscal têm levado os investidores a pedir um prêmio maior para financiar a dívida pública brasileira, uma vez que eles veem o risco maior de não pagamento dessa dívida comparado com outros emergentes. Hoje o país tem uma relação de dívida/PIB maior que a África do Sul e México, por exemplo, destacou Freller. “A nossa trajetória da dívida para os próximos 10 anos é muito ruim, e a eleição vai trazer maior dificuldade. Por isso, o Brasil paga mais que outros emergentes”, disse Freller no evento Semana da renda Fixa.

Aumento das taxas do papéis também traz oportunidade

Com as taxas mais altas dos papéis Tesouro IPCA+, o investidor pode se perguntar: “é um bom momento para entrar ou espero a eleição?” Segundo o estrategista macro da XP Marcelo Freller, os prêmios oferecidos pelos títulos públicos estão muito interessantes e são uma boa opção de investimento no momento, principalmente aqueles com vencimento em prazo intermediário, de 2026 a 2030, que têm menos volatilidade que os títulos com prazos mais longos.

Freller destacou que a diferença para as taxas pagas pelos papeis papéis com vencimentos mais longos hoje está bem menor, tendo pouca vantagem para o investidor alongar o prazo de investimento. Por exemplo, os papéis com vencimento acima de 2026 estavam pagando, em 5 de outubro, uma taxa de 4,66% mais inflação. Já o título Tesouro IPCA+ com vencimento em 2055 estava pagando IPCA mais cerca de 5% ao ano.

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