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Abilio Diniz: de dono de doceria a acionista de grandes empresas

Da pequena doceria comandada junto com seu pai, Valentim Diniz, a um dos maiores acionistas de uma das maiores redes varejista do mundo, o Carrefour. Acompanhe a história de Abilio Diniz, um dos mais bem-sucedidos empreendedores brasileiros e acionistas de empresas como a BRF e a rede de e-commerce de vinhos

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Abilio Diniz: de dono de doceria a acionista de grandes empresas

De acionista de uma das maiores redes de supermercados do mundo, o Carrefour, a investidor em um e-commerce de vinhos, o empresário Abilio Diniz, era dono de uma fortuna de 2,7 bilhões de dólares, segundo a Forbes.

Abilio abriu sua gestora, O3 Capital, para receber recursos de terceiros, mas sua trajetória começa na construção de uma das maiores redes varejistas do Brasil, o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), e passa por histórias polêmicas como a disputa com o grupo francês  Casino.

Abilio faleceu em 18 de fevereiro de 2023 aos 87 anos, em decorrência de complicações em um quadro de pneumonia. Conheça a trajetória desse empresário de sucesso. 

Quem é Abilio Diniz? 

Abilio Diniz foi um empresário e administrador brasileiro, conhecido por ajudar seu pai, Valentim Diniz, na expansão do Grupo Pão de Açúcar desde quando este ainda era uma empresa familiar. 

Em sua formação, Abilio dedicou parte de seu tempo aos estudos, especializando em Marketing pela Universidade de Ohio, e em Economia, na Universidade de Columbia, ambas nos Estados Unidos. 

Cerca de 20 anos depois, Abilio Diniz era o grande líder do grupo familiar, detendo a maior parte da companhia. 

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Qual a história de Abilio Diniz? 

Filho dos imigrantes portugueses Floripes e Valentim Diniz, Abilio Diniz estudou nas melhores escolas de São Paulo, passando pelos colégios Anglo-Latino e Mackenzie, antes de formar-se em administração na Fundação Getúlio Vargas.  

Sendo o mais velho dos seis filhos do casal, Abilio sempre esteve muito próximo dos esportes, praticando ativamente artes marciais e a natação. Apesar do sonho de ser professor, acabou se envolvendo no segmento do varejo por influência de seu pai, Valentim Diniz, proprietário da Doceria Pão de Açúcar, fundada quando Abilio tinha 12 anos.  

Quando surgiu o Pão de Açúcar e como foi a sua história de crescimento? 

Assim, Abilio Diniz juntou-se ao pai para expandir o negócio e transformar a doceria, nomeada em homenagem ao cartão postal carioca pelo qual Valentim Diniz se apaixonou na chegada ao Brasil, em um supermercado. Nascia assim o Pão de Açúcar em abril de 1959. 

O modelo de autosserviço, com gôndolas em que você seleciona os produtos que deseja comprar, era inédito na época e foi o grande diferencial do Pão de Açúcar.  

Em apenas quatro anos, então, a segunda unidade era inaugurada e a marca fecharia a década de 60 em franca expansão, alcançando mais de 60 lojas em 16 cidades do Estado de São Paulo. 

Na década de 1970, acontece a inauguração do primeiro hipermercado do Brasil, o Jumbo, e a aquisição dos concorrentes Peg-Pag, Sirva-se e Eletroradiobraz. 

Já na década de 1980, a empresa vivia seu auge desde a fundação com 150 lojas, 15 mil empregados e uma filial em Madri. De essência familiar, os irmãos Alcides e Arnaldo exerciam funções diretivas na empresa. No entanto, por ser o grande líder, Abilio Diniz detinha a maior parte da companhia, o que gerou atrito entre a família. 

Foto de unidade do Grupo Pão de Açúcar
Após a venda da sede no Palácio de Cristal, Grupo Pão de Açúcar transfere sede Av. Brigadeiro Luiz Antônio 

Como Abilio Diniz recuperou a saúde da empresa de sua família? 

O ruído interno foi derrubando a saúde da empresa que colecionava dívidas com fornecedores e se encaminhava para uma inevitável falência. Abilio tinha um papel importante no governo da época, participando ativamente do Conselho Monetário Nacional, algo que fazia com que se distanciasse do dia-a-dia da empresa. 

Seu Santos, como era conhecido Valentim Diniz, pediu que o filho voltasse o foco para a empresa que passava por apuros. Neste momento, Abilio Diniz tomou as rédeas novamente do Pão de Açúcar buscando reconstruir o império. 

Sem conseguir empréstimos ou mesmo vender a empresa, a solução foi reduzir a operação vendendo a sede chamada Palácio de Cristal e voltando ao prédio da Brigadeiro Luiz Antônio, em São Paulo, simbolizando o renascimento do Pão de Açúcar.  

Nesse momento nasceu um dos lemas da gestão de Abilio Diniz, “corte, concentre e simplifique”. O número de lojas e de funcionários foi reduzido para quase um terço, além de concretizar a venda da divisão portuguesa. 

Qual a participação de Abilio Diniz no Grupo Pão de Açúcar? 

A retomada funcionou e em 1991, a companhia voltaria a registrar lucros. Os problemas familiares também foram finalizados logo depois, com Abilio possuindo a parte majoritária das participações. Os pais ficaram com 36,5% e a única irmã que ficou com alguma participação foi Lucília, com 12%. Arnaldo, Alcides, Sonia e Vera venderam suas partes. 

Com a base dos negócios reestruturada, o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) voltaria aos rumos do crescimento. Em 1995, o grupo abriu capital em São Paulo, levantando US$ 112 milhões de dólares. Dois anos depois, realizou seu IPO em Nova Iorque, arrecadando mais de US$ 172 milhões. 

Quais foram as empresas de Abilio Diniz? 

Os investimentos viraram novas aquisições e a consolidação de novo domínio no varejo brasileiro. O GPA (PCAR3) comprou redes como Mambo e Barateiro, e partiu para a missão de conseguir uma parceria estratégica, focando em trazer grandes redes internacionais

Abilio Diniz negociou com nomes como Carrefour, Walmart e Casino, fechando acordo de US$ 854 milhões com o último, por quase um quarto do Pão de Açúcar. Em 2003, iniciou seu plano de sucessão. 

No entanto, ciente do histórico conturbado da gestão familiar, os quatro filhos de Abilio Diniz ficaram distantes de cargos diretivos. Ana Maria e João Paulo ainda trabalhavam na empresa, mas logo buscaram alçar seus próprios voos. Pedro Paulo, piloto de Fórmula 1, e Adriana, nunca se envolveram no GPA (PCAR3). 

Abilio Diniz e o Grupo Casino 

Abilio Diniz buscou profissionalizar a gestão, mas no papel de conselheiro, se manteve próximo do comando até finalmente se afastar do negócio, em 2013, após 54 anos à frente do grupo e após uma disputa com o grupo Casino.  

O acordo fechado com o grupo francês previa a aquisição do controle até junho de 2012. Abilio tentou rever os termos do contrato em 2011, mas não teve sucesso. 

A disputa com o Casino se acirrou após Abilio tentar unir as operações do Pão de Açúcar e do Carrefour no Brasil com o intuito de o empresário não perder o controle do grupo.  

A operação fracassou e após uma longa batalha pública com o presidente do Casino, Jean-Charles Naouri, Abilio transferiu o controle do Pão de Açúcar para o grupo francês em 2013. Mesmo contrariado, assinou o acordo e acabou saindo de vez do comando do GPA (PCAR3) .  

Nesse meio tempo, Abilio Diniz comprou o atacarejo Assaí pelo GPA (PCAR3), além de criar a Via Varejo, depois de adquirir Ponto Frio e Casas Bahia. Em 2019, o grupo GPA (PCAR3) vendeu as ações na Via Varejo para a família Klein. 

Abilio Diniz e a BRF 

A suposta aposentadoria de Abilio pouco durou já que, em 2013, ele se tornou presidente do conselho de administração da BRF. Através de sua recém-criada gestora, a Península, Abilio Diniz comprou R$ 2 bilhões em ações da empresa e reestruturou parte da organização, vendendo as divisões de carne bovina e laticínios. 

Sua gestão foi marcada por muitos cortes e demissões, e se encerrou em 2018, em meio à turbulência gerada pela Operação Carne Fraca, que investigava a adulteração das carnes vendidas no Brasil pela JBS e pela própria BRF

Ultimas atividades de Abilio de Diniz

Abilio Diniz controlou sua participação em empresas através da Península, e também foi conselheiro do Carrefour no Brasil. 

Após a saída do grupo Pão de Açúcar (PCAR3), Abilio começou a comprar ações do Carrefour por meio de sua gestora de recursos, a Península, até se tornar o terceiro maior acionista do grupo. Hoje, Abilio Diniz teve cerca de 7% do capital do grupo francês, com participação no conselho de administração do Carrefour. 

Em março de 2021, o Carrefour comprou a rede varejista de alimentação Big do Walmart por 7,5 bilhões de reais. Alavancar a operação por meio do e-commerce foi um dos focos do empresário Abilio Diniz na nova etapa, que já multiplicou por quase três vezes o investimento feito na rede francesa após o IPO do Carrefour no Brasil. 

Além de acionista do Carrefour e da BRF, Abilio também investiu em startups e empresas com foco em inovação, como o e-commerce de vinhos, Wine, e a empresa que faz testes rápidos em farmácias, inclusive de Covid-19, a Hilab. 

Qual o valor da fortuna de Abilio Diniz? 

Em 2022, a fortuna do empresário Abilio Diniz foi estimada pela revista Forbes em US$ 2,7 bilhões. 

Abilio Diniz e os esportes 

Apaixonado pela prática de esportes desde criança, Abilio Diniz sempre destaca que seu desenvolvimento nas artes marciais, natação e tênis o auxiliou em importantes tomadas de decisão na gestão de empresas. 

Assim, Abilio Diniz também foi um dos maiores investidores do Núcleo de Alto Rendimento de São Paulo, que foca no desenvolvimento de atletas olímpicos. São-paulino declarado, também esteve frequentemente ligado ao conselho do clube e já foi especulado por diversas vezes que ele disputaria a presidência do seu time de coração. 

Sua paixão pelo esporte e por um estilo de vida saudável o levaram a escrever alguns livros como “Caminhos e Escolhas – O Caminho para Uma Vida Mais Feliz” e “Novos Caminhos, Novas Escolhas“. 

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Jogo rápido 

Confira algumas curiosidades sobre Abilio Diniz em relação a sua vida pessoal:  

  • Nome: Abilio Diniz 
  • Nascimento: 28 de dezembro de 1936 
  • Origem: São Paulo (Brasil) 
  • Fortuna: US$ 2,7 bilhões (2022) 
  • Ocupação: Presidente da Península Part. 
  • Destaque: Fundador do Grupo Pão de Açúcar 

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