Raio-XP da Bolsa: Vários anos em apenas um mês

Nesse Raio-XP da Bolsa, iremos destacar e relembrar os principais acontecimentos de janeiro, que serão relevantes para entender o que virá pela frente. Atualizamos nossa Carteira Top 10 XP e a Carteira Dividendos.


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2021 começou a todo vapor, e janeiro aparentou que vários meses – ou anos – foram comprimidos em um único mês. O mundo viu a posse de Joe Biden como o próximo presidente dos EUA, mas não antes de uma histórica (e triste) invasão do Capitólio dos EUA por manifestantes uma semana antes. Essa invasão deixou 5 mortos e levou ao banimento histórico de um presidente dos Estados Unidos das mídias sociais, e também um segundo impeachment sendo votado no Congresso Americano.

No final do mês, uma organização formada por pequenos investidores em fóruns de rede social nos EUA levou a um short squeeze* histórico de ações com grandes posições vendidas por fundos multimercado (Hedge-Funds). Ações esquecidas de empresas que foram fortemente afetadas pela pandemia viram o preço de suas ações disparar. A Gamestop subiu 1.744% em 2021 (de US$18/ação para US$347 em 27 de janeiro), a AMC Holdings subiu mais de 800% e várias outras ações tiveram uma alta semelhante. Esse encurralamento de fundos multimercados famosos levou à perdas significativas em suas posições vendidas, o que culminou em um aumento da aversão à risco no final do mês, uma vez que esses fundos foram forçados a reduzir o risco e liquidar várias de suas posições – também conhecido como liquidações forçadas. Por quanto tempo esse movimento continuará ainda é incerto, mas o aumento da aversão ao risco pode continuar por algum tempo, conforme observado no salto do VIX, o Índice de Volatilidade.

*Short Squeeze se trata de um aumento no preço de uma ação.

Na frente da pandemia, enquanto todos começam a aplaudir a aceleração da vacinação em muitos países, o vírus – e as novas variantes mais infecciosas – continuou a se espalhar rapidamente. Globalmente, a marca de 100 milhões de casos foi superada e, infelizmente, a marca de 2,0 milhões de mortos também. A partir de agora, a corrida será entre a velocidade com que o vírus se espalha e a velocidade com que as pessoas conseguem ser vacinadas. Pelo menos, em comparação com 2020, há várias vacinas eficazes sendo implantadas no mundo, enquanto em março-2020 os médicos não tinham um protocolo claro para o tratamento e não havia expectativas sobre quando (e se) haveriam vacinas para o SARS-COV-2.

No Brasil, o início lento da vacinação e a falta de doses garantidas aumentaram o risco de descolamento da economia Brasileira, que discutiremos a seguir. Além disso, o Banco Central do Brasil (BCB), embora tenha deixado a taxa Selic inalterada neste mês, retirou o mecanismo foward guidance* e preparou o mercado para aumentos das taxas de juros à frente. Esperamos agora que o BCB aumente as taxas em maio e estimamos a Selic em 3,5% no final de 2021, vs. 2,0% atualmente, e 4,5% em 2022.

Na esfera política, a disputa pelos dirigentes/palestrantes da Câmara e do Senado continua e os resultados finais devem ser divulgados no início de fevereiro. Essas eleições ajudarão a determinar se o governo conseguirá avançar em sua agenda nos próximos dois anos ou se novas dificuldades surgirão.

*Foward guidance é uma diretriz divulgada pelo Banco Central sobre os juros, procurando responder assim às expectativas do mercado.

Finalmente, na frente dos mercados, a recuperação das ações globais continuou (quase) inabalável até a metade de janeiro, mas as Bolsas passaram a corrigir no final do mês com o aumento da aversão à risco. O Nasdaq fechou o mês em alta de +1,4% e o MSCI Asia +2,0%, enquanto o MSCI World recuou 1,1%, o Euro Stoxx -1,9% e o S&P500 -1,1%.

No entanto, os ativos brasileiros começaram a se desvincular (novamente) dos mercados globais, e o Ibovespa caiu -3,3% em moeda local em janeiro, enquanto o real mais fraco levou a uma queda de -8,7% em dólares. A boa notícia é que o Brasil ainda viu fortes ingressos de investidores estrangeiros e janeiro registrou um recorde de +R$ 30 bilhões (US$ 5,5 bilhões) de fluxo estrangeiro para a B3. O BRL-USD enfraqueceu 5,3% para R$5,47 em janeiro, enquanto a curva de juros local (DI futuro) subiu até 7,76% para jan/31.

A vacinação começa lenta no Brasil, mas acelerando o ritmo

A falta de planejamento prévio e a discordância política levaram a um início lento da vacinação no Brasil, bem como a não compra e garantia de doses (e matérias-primas) suficientes para cobrir as necessidades da população. Além disso, uma nova variante da COVID assola Manaus, capital do estado do Amazonas, que foi uma das regiões mais atingidas pela 1ª onda e foi relatada recentemente como uma cidade que já havia alcançado a imunidade de rebanho, o que foi provado como errado. A falta de oxigênio e ventiladores em seus hospitais causou uma grande crise humanitária na cidade. Essa situação tem suscitado questionamentos se a recuperação econômica do Brasil será sustentada, ou atrasada, por causa da 2ª onda e das dúvidas em torno do andamento da vacinação.

No entanto, a boa notícia é que a pressão pública, a queda repentina na popularidade do governo e uma infraestrutura bem estabelecida para vacinação no país até agora levaram a uma rápida recuperação das doses administradas no Brasil em relação a outros países, conforme visto no gráfico abaixo.

Por outro lado, quando ajustado pelo percentual da população, o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer, e conseguir cerca de 400 milhões de doses não será uma tarefa fácil. Israel conseguiu vacinar quase 50% de sua população, enquanto o Brasil ainda estava com 0,4% em 26 de janeiro.

Selic mais alta no Brasil – o que esperar?

Neste mês, o Banco Central do Brasil (BCB) manteve a taxa Selic inalterada em 2,00%. No comunicado, o Comitê do Copom retirou o “forward guidance” e manteve o balanço de riscos para a inflação. Além disso, o Copom discute se é o momento adequado para iniciar a redução dos estímulos monetários extraordinários, mas conclui que, diante das incertezas particularmente elevadas, é adequado esperar a evolução do cenário neste início de ano. Sobre os próximos passos, o documento revela que alguns membros do Copom já questionam se a melhora recente da economia já não justificaria o início de um processo de ajuste. Ao nosso ver, isso não significa necessariamente que já queriam subir juros na reunião referida de janeiro, mas sinaliza claramente que eles entendem que o início do ciclo de alta de juros pode estar próximo.

Em nossa visão, o Copom vai optar por iniciar o ciclo de alta mais cedo do que esperávamos, em maio (ao invés de agosto). Nossa equipe Macro na XP agora projeta a taxa Selic em 3,50% no final de 2021 (vs. 3,00% anteriormente) e 4,50% em 2022 (vs. 4,00% anteriormente).

Vários investidores nos questionam se a alta das taxas não impactará a trajetória de alta do Ibovespa e, principalmente, se não levará à paralisação dos fluxos de renda fixa para ações. Acreditamos que não, por alguns motivos: 1) Em 4,5% em 2022, a Selic ainda ficará próxima, ou até abaixo da inflação, fazendo com que as taxas reais fiquem próximas de zero e continuem prevendo forte estímulo à economia e ainda baixo retorno real para os investidores em renda fixa, 2) como mostramos no gráfico abaixo, o Ibovespa apresentou recuperação em ciclos de alta anteriores, mas não em todos eles. A diferença entre este ciclo e os anteriores é o valor que as taxas devem subir e a taxa final, que é bem menor em relação aos ciclos anteriores.

Analisando os ciclos de alta de juros nos últimos 20 anos no Brasil, concluímos que: 1) dos 6 ciclos de alta na Selic, o Ibovespa subiu em 3 ciclos e caiu em outros 3. Ou seja, não há um impacto claro e direto no Ibovespa, e 2) na média desses 6 ciclos, para cada +1% na taxa Selic, o Ibovespa caiu -0,07%. Novamente, a taxa Selic não é a única – e mais importante – determinante dos rumos para o índice IBovespa.

Política é importante, principalmente no Brasil

Na política, fevereiro será marcado pelo retorno do Congresso após o recesso, e com uma nova liderança após as eleições da próxima semana. Junto com o retorno de deputados e senadores, deve aumentar a pressão pela criação de novos estímulos emergenciais, na esteira do recente aumento no número de casos e óbitos relacionados à COVID-19.

Mesmo assim, o governo e a equipe econômica têm trabalhado no sentido de evitar um novo programa de ajuda e contam com a aceleração do calendário de vacinação e a possibilidade de ampliação do Bolsa Família como argumentos. O fato de os principais candidatos à presidência da Câmara dos Deputados e do Senado terem defendido a retomada da ajuda – embora respeitando o teto de gastos – exigirá ainda mais disciplina e unidade do governo.

Uma das saídas – aprovar a revisão das despesas por meio do PEC de Emergência para usar o espaço aberto no teto de gastos para pagar o benefício – parece improvável, dada a incompatibilidade de tempo entre a pressão por ajuda, que deveria ser imediata, e o tempo necessário para aprovar uma emenda à controversa constituição como esta.

O esforço, no curto prazo, deverá ser direcionado para evitar que, caso haja necessidade de novos auxílios, sejam feitas mudanças para tornar permanentes os benefícios extraordinários, como a criação de um programa de transferência de renda à margem do teto, por exemplo.

No médio prazo, deve haver espaço para discussões sobre questões regulatórias, com a conclusão da votação dos projetos de lei do Gás e da Ferrovia, por exemplo. Reformas estruturais, como privatizações, reformas tributária e administrativa, dependerão do grau de comprometimento da ala política do governo nessa direção, o que ainda não foi observado. Nesse sentido, os sinais vistos ao longo de fevereiro serão essenciais.

Independentemente de quem conquiste a liderança nas duas casas, o avanço na agenda dependerá do grau de coesão e prioridade definida pela Presidência. Sem esforço do governo, mesmo que os candidatos apoiados pelo presidente acabem vencendo, a pauta não terá tração para se mover de forma autônoma.

Target do Ibovespa – 135.000 pontos

Atualizamos nossa projeção para o Ibovespa para o final de 2021, e a elevamos para 135.000 pontos, de 130.000 pontos anteriormente. O aumento deve-se principalmente as revisões de lucros para cima, como pode ser visto no gráfico abaixo. Além disso, as taxas de juros de longo prazo no Brasil caíram recentemente, reduzindo o custo de capital usado em nosso Modelo de Fluxo de Caixa Descontado.

Essas duas métricas – revisões de resultados e custo de capital (medido por taxas de juros de longo prazo) – são as mais relevantes para determinar nossa projeção para o Ibovespa.

Pesquisa: Assessores da XP dão suas visões sobre o que esperar da Bolsa em 2021

Nos últimos dias realizamos uma nova edição da nossa pesquisa com os assessores da XP Matriz e assessores de investimento de escritórios autônomos filiados à XP Investimentos. De acordo com a nossa pesquisa de janeiro, 48% dos assessores acreditam que o Ibovespa superará os 130.000 pontos até o fim de 2021. Os assessores de investimentos reportaram que seus clientes continuam otimistas em relação à Bolsa de valores como oportunidade de compra. 47% pretendem aumentar seus investimentos em renda variável, enquanto 43% pretendem manter sua exposição. Veja o relatório completo clicando aqui.

Top 10 ações XP

Como foi a performance de cada nome da carteira no mês?

Em janeiro, nossa carteira Top 10 ações XP caiu -4,5%, contra -3,3% do Ibovespa. Leia abaixo as razões da performance de cada um dos 10 nomes no mês e o que esperamos olhando para frente.

Banco do Brasil (BBAS3): durante o mês de janeiro, as ações Banco do Brasil performaram abaixo do índice Ibovespa devido a rumores sobre possível demissão do recém-chegado CEO, André Brandão, logo após anúncio de redimensionamento organizacional visando ganho de eficiência com redução da operação física e Programa de Demissão Voluntária (PDV). Contudo, mantemos nossa recomendação de Compra baseado em: i) sua carteira de crédito mais defendida, com mais de 40% da carteira nos segmentos de agronegócio e consignado; ii) possível beneficiamento de fatores não dependentes da economia, como redução de provisões operacionais e custo de captação mais barato via depósitos judiciais; e iii) valuation descontado.

Gerdau (GGBR4): em janeiro, a performance estável das ações de Gerdau foi puxada por uma mistura de notícias sobre o crescimento da produção industrial e temores em relação às perspectivas de pandemia no Brasil no curto prazo. De acordo com dados do Instituto Aço Brasil, tanto a produção quanto as vendas domésticas e o consumo aparente de aços longos cresceram em 2020, apesar da paralisação de várias siderúrgicas devido à Covid-19.

Vale (VALE3): a performance levemente positiva das ações da Vale foi suportada pela leve alta do dólar e pelos preços mais altos de minério de ferro, apesar da volatilidade em relação à commodity em relação às notícias sobre as restrições chinesas à produção de aço. Adiante, além do retorno de dividendos anualizado de 8,5% em 2021, esperamos que um anúncio de vendas mais fortes no quarto trimestre tenham um impacto positivo sobre os resultados a serem divulgados em 25 de fevereiro.

B3 (B3SA3): durante o mês de janeiro, as ações da B3 performaram abaixo do índice Ibovespa. Apesar disso, os dados operacionais referentes a dezembro apresentaram aumento do volume financeiro médio diário (ADVT) de 54,5% no período e aumento de 3,6% na comparação mensal. O número de investidores ativos seguiu crescendo 1,7% mensalmente e 93,0% anualmente, atingindo 3,26 milhões de investidores. Contudo, permanecemos otimistas com a retomada do mercado de capitais e com as baixas taxas de juros.

C&A (CEAB3): acreditamos que as ações da C&A tiveram desempenho inferior ao Ibovespa em janeiro, principalmente devido às crescentes preocupações dos investidores em relação à segunda onda da Covid-19 e às incertezas em torno da campanha de vacinação no Brasil. Conforme destacamos em nosso relatório (link), um dos principais riscos para o setor era dos resultados de curto prazo serem pressionados devido aos anúncios de restrições de circulação de pessoas e naturalmente menores vendas devido à falta de consumidores nas lojas. No entanto, continuamos otimistas com as perspectivas do setor para 2021, enquanto esperamos ver melhorias importantes nas iniciativas internas da empresa ao longo do ano, principalmente relacionadas à logística. Portanto, mantemos nossa classificação de Compra e preço-alvo para o fim de 2021 de R$ 18,0/ação.

Tenda (TEND3): apesar da fraca performance no mês passado, mantemos nossa recomendação de compra e preço-alvo de R$37,2/ação. Nossa recomendação se baseia principalmente na: i) execução sólida da companhia; ii) a companhia reportou sólida prévia operacional referente ao quarto trimestre de 2020 com recorde de vendas, o que pode gerar forte resultado financeiro; ii) construção remota (“off-site”) pode gerar um crescimento adicional para a companhia.

Via Varejo (VVAR3): acreditamos que as ações da Via Varejo tiveram uma performance abaixo do Ibovespa em janeiro principalmente por conta da expectativa de um resultado desafiador referente ao 4T20, uma vez que as vendas de Black Friday e festas de final de ano vieram abaixo das expectativas do mercado. Contudo, permanecemos otimistas com a perspectiva do setor para 2021 enquanto esperamos ver importantes entregas de iniciativas internas da companhia ao longo do ano. Além disso, vemos as ações negociando a um valuation atrativo de 0.5x 2021e GMV (vs. 1.3x para B2W e 3.6x para Magalu). Portanto, mantemos nossa recomendação de Compra.

Petrobras (PETR4): Atribuímos a performance negativa de -5,8% das ações da Petrobras no mês de janeiro (vs. -3,3 do Ibovespa) ao aumento da percepção de risco relacionada ao noticiário negativo sobre a política de preços de combustíveis praticada pela companhia (principalmente do diesel). Mantemos nossa recomendação de compra para a Petrobras, com preço-alvo de R$ 35/ação para PETR4 / PETR3. Notamos que nossos preços-alvo assumem a manutenção de uma política de preços em linha com referências internacionais de preços de combustíveis (ou seja, que essencialmente reflita a variação dos preços de petróleo e do câmbio).

Ambev (ABEV3): apesar do cenário desafiador de curto prazo em função da lenta retomada de bares/restaurantes e da pressão de custos (BRL desvalorizado e commodities mais caras), além de incertezas quanto à economia, acreditamos que eficiência operacional, força na distribuição e capilaridade comercial são diferenciais competitivos da Ambev que devem permitir que a empresa siga recuperando participação de mercado em 2021. Soma-se a isso a possibilidade de capturar mais valor por meio de um portfólio mais amplo de produtos, seja via inovações nacionais, seja trazendo marcas já reconhecidas internacionalmente para o País. Fora do Brasil, o cenário nas outras geografias é heterogêneo, com potencial de ganho maior onde o impacto da pandemia foi mais intenso (América Central), além de uma esperada recuperação na América do Sul, enquanto a operação do Canadá deve seguir resiliente devido ao perfil mais maduro do mercado.

Omega (OMGE3): Durante o mês de janeiro, as ações da Omega Geração fecharam praticamente estáveis, porém, acima da performance mensal do índice Ibovespa. Continuamos a acreditar que a Omega é uma das oportunidades de melhor risco-retorno no setor elétrico. Em primeiro lugar, destacamos que o valor atual das ações não reflete os ativos que a companhia já possuí. Além disso, a execução consistente de transações de M&A tanto dentro do Grupo Omega quanto com terceiros, deve reforçar a confiança dos investidores na estratégia de crescimento da Omega, bem como deve concretizar a visão de que a empresa é uma consolidadora no segmento de energias renováveis.

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Alterações da carteira Top 10 Ações

Nesse mês, estamos realizando quatro mudanças na nossa Carteira Top 10 Ações XP: Entram Bradesco (BBDC4), Marfrig (MRFG3), Pão de Açúcar (PCAR3) e Rede D’Or (RDOR3) e saem Banco do Brasil (BBAS3), Gerdau (GGBR4), C&A (CEAB3) e Petrobras (PETR4).

Estamos removendo Banco do Brasil da nossa carteira neste mês devido ao cenário político desfavorável no curto prazo e a expectativa de resultados mais fracos em relação aos bancos incumbentes. No entanto, nossa visão de longo prazo permanece positiva para o banco devido ao valuation descontado e sua carteira de crédito defendida. Estamos adicionando Bradesco em nossa carteira neste mês devido a: i) assimetria de preço em relação aos bancos incumbentes; ii) fonte de receitas diversificada e defendida; e iii) expectativa de resultados melhores para o quarto trimestre de 2020, com possível redução de provisões e corte de custos dado o encolhimento da operação física. Temos recomendação de Compra nas ações do Bradesco com base em: i) fonte diversificada de receitas e defendido, contando com a maior seguradora e um dos maiores bancos de investimentos do Brasil; ii) grande potencial de ganho de eficiência com redução da operação física e digitalização do banco; e iii) valuation atrativo.

Estamos retirando Gerdau da nossa carteira devido aos riscos de curto prazo provenientes de uma maior volatilidade no setor siderúrgico doméstico, enquanto nossa visão de longo prazo permanece positiva para aços longos. Estamos adicionando Marfrig, pois houve deslocamento entre a performance de ações e o cenário fundamentalista, com isso o potencial de alta entre os preços atuais e nosso preço-alvo voltou a abrir. Vale ressaltar que os resultados já reportados em 2020 foram melhores do que o esperado pelo mercado, sobretudo pela rentabilidade acima da média histórica nos Estados Unidos (75% da operação da Marfrig), impulsionada ainda pela desvalorização cambial. Entretanto, apesar da operação da América do Sul hoje representar apenas 25% do total, sendo o Brasil apenas uma parte disso, as notícias recentes destacando novo recorde histórico nos preços do boi gordo teriam criado receio no mercado. O câmbio, por sua vez, deveria contrapor parte da alta da matéria-prima, sustentando margens melhores na exportação.

Estamos substituindo C&A por Pão de Açúcar em nossa carteira recomendada, por entendermos que o a dinâmica de resultados de curto prazo é mais favorável para o setor de supermercados, dado que a crise da COVID-19 ainda é uma realidade e os consumidores ainda estão, em sua maioria, em casa. Além disso, entendemos que as expectativas com o setor estão muito pessimistas e que, portanto, os resultados de curto prazo devem surpreender o mercado. Nesse contexto, vemos o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) como uma história sólida e cheia de opcionalidades para geração de valor, além de negociar a um valuation atrativo. Adicionalmente, vemos espaço para uma revisão das estimativas de consenso de mercado para cima, enquanto acreditamos que a cisão do Assaí, prevista para ser concluída no 1T21, deve ser um evento importante para fechar o gap do valuation do papel para seus comparáveis. Saiba mais em nosso relatório sobre nossa visão positiva para o setor e os principais temas a serem monitorados aqui.

Estamos retirando Petrobras, pois o mês de janeiro foi marcado por um aumento da percepção de risco com relação às ações da empresa, principalmente devido ao noticiário negativo sobre a política de preços de combustíveis praticada pela companhia (principalmente do diesel). Com isso, acreditarmos que o curto prazo seja um momento de cautela e optamos pela retirada as ações (PETR4) da carteira Top 10 XP. Estamos adicionando Rede D’Or, pois estamos otimistas com a companhia por acreditar que a Rede D’Or não só está bem posicionada para capturar uma oportunidade de crescimento orgânico e inorgânico via fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês), mas também deve se beneficiar de um cenário macro positivo, visto que a população brasileira está envelhecendo rápido e deve, cada vez mais, demandar serviços ligados à saúde e hospitais. Além disso, a companhia deve se beneficiar do desenvolvimento das vacinas e mesmo em cenário de curto prazo de maior restrição à mobilidade e consequentemente menores taxas de ocupação nos hospitais, acreditamos que a Rede D’Or possa acelerar ainda mais seu plano de consolidação visto que pequenos e médios hospitais sofrem mais em um cenário adverso. Reiteramos nossa recomendação de Compra com preço alvo de R$85/ação.

Top Dividendos XP

Em janeiro, nossa carteira Dividendos XP caiu apenas -0,7%, performando +2,6 p.p acima do Ibovespa, que recuou -3,3% no mês. Leia abaixo as razões da performance de cada um dos 5 nomes no mês e o que esperamos olhando para frente.

Cesp (CESP6): a companhia vem reforçando seu ao alto potencial de geração de caixa nos resultados apresentados nos últimos trimestres. Com isso, acreditamos que culminará ou em maiores distribuições de dividendos ou em investimentos em oportunidades de crescimento. Adicionalmente, acreditamos em potenciais ganhos extraordinários vindos do resultado de contingências. Estimamos um dividend yield de 6,2% entre 2021 e 2022. Reiteramos nossa recomendação de Compra na CESP, com um preço-alvo de R$ 37/ação.

EdP (ENBR3): destacamos como positiva a nova política de dividendos adotada pela companhia em agosto de 2020, segundo a qual a EdP distribuirá a acionistas o maior entre os seguintes valores (i) 25% do Lucro Líquido, (ii) 50% do lucro líquido ajustado por efeitos não caixa como os resultados do segmento de transmissão e (iii) R$1/ação. Estimamos um dividend yield de 5,6% em 2021-22 para ENBR3. Mantemos nossa recomendação de Compra na EdP Energias do Brasil, com um preço-alvo de R$ 21/ação.

Engie (EGIE3): a Engie se destaca pela capacidade diferenciada de se proteger dos efeitos de baixa incidência de chuvas, além de ter expandido sua atuação para os setores de transmissão de energia e transporte de gás. Acreditamos que a distribuição de dividendos da Engie se normalize em 2021 para o patamar de distribuição de 100% dos lucros, tendo em vista a situação confortável de liquidez da companhia. Estimamos um dividend yield de 8,3% em 2021-22. Mantemos nossa recomendação neutra em Engie, com preço-alvo de R$ 41/ação.

Taesa (TAEE11): vemos a posição da Taesa como confortável para manter a distribuição de 100% de lucros em 2021.  De acordo com o Estatuto Social da Companhia, o dividendo anual mínimo distribuído é de 50% do lucro líquido ajustado do exercício. Entretanto, a companhia tem apresentado um histórico de pagamento de dividendos bem acima da remuneração mínima que consta em seu Estatuto. Estimamos um dividend yield de 7,5% em 2021-22 para TAEE11. Mantemos nossa recomendação neutra em TAESA, com preço-alvo de R$ 30/unit.

AES Tietê (TIET11): acreditamos que o momento é oportuno para realização do lucro obtido em AES Tietê (103,17% desde que entrou na carteira em agosto de 2018). No entanto, ainda enxergamos a companhia como uma boa pagadora de dividendos e estimamos um dividend yield de 6,9% em 2021-22. Mantemos nossa recomendação de Compra na AES Tietê, com um preço-alvo de R$ 17/unit.

Alterações da carteira Top Dividendos

Neste mês, realizamos uma troca na nossa carteira Top Dividendos XP.

Substituímos AES Tietê (TIET11) por Copel (CPLE6). Acreditamos que o momento é oportuno para realização do lucro obtido em AES Tietê (103,17% desde que entrou na carteira em agosto de 2018) e destacamos como positiva a nova política de dividendos anunciada pela Copel em 21 de janeiro de 2021. De acordo com a nova política as propostas de dividendos regulares serão calculadas conforme os critérios: (i) alavancagem abaixo de 1,5x = 65% do Lucro Líquido Ajustado, (ii) alavancagem entre 1,5x e 2,7x = 50% do Lucro Líquido Ajustado e (iii) alavancagem acima de 2,7x = 25% do Lucro Líquido Ajustado. Com isso, estimamos um dividend yield de 11,8% em 2021-22 para CPLE6. Mantemos nossa recomendação de Compra nas ações da Copel, com um preço-alvo de R$ 75/ação.

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O investimento em ações é indicado para investidores de perfil moderado e agressivo, de acordo com a política de suitability praticada pela XP Investimentos Ação é uma fração do capital de uma empresa que é negociada no mercado. É um título de renda variável, ou seja, um investimento no qual a rentabilidade não é preestabelecida, varia conforme as cotações de mercado. O investimento em ações é um investimento de alto risco e os desempenhos anteriores não são necessariamente indicativos de resultados futuros e nenhuma declaração ou garantia, de forma expressa ou implícita, é feita neste material em relação a desempenhos. As condições de mercado, o cenário macroeconômico, os eventos específicos da empresa e do setor podem afetar o desempenho do investimento, podendo resultar até mesmo em significativas perdas patrimoniais. A duração recomendada para o investimento é de médio-longo prazo. Não há quaisquer garantias sobre o patrimônio do cliente neste tipo de produto. O investimento em opções é preferencialmente indicado para investidores de perfil agressivo, de acordo com a política de suitability praticada pela XP Investimentos. No mercado de opções, são negociados direitos de compra ou venda de um bem por preço fixado em data futura, devendo o adquirente do direito negociado pagar um prêmio ao vendedor tal como num acordo seguro. As operações com esses derivativos são consideradas de risco muito alto por apresentarem altas relações de risco e retorno e algumas posições apresentarem a possibilidade de perdas superiores ao capital investido. A duração recomendada para o investimento é de curto prazo e o patrimônio do cliente não está garantido neste tipo de produto. O investimento em termos é indicado para investidores de perfil agressivo, de acordo com a política de suitability praticada pela XP Investimentos. São contratos para compra ou a venda de uma determinada quantidade de ações, a um preço fixado, para liquidação em prazo determinado. O prazo do contrato a Termo é livremente escolhido pelos investidores, obedecendo o prazo mínimo de 16 dias e máximo de 999 dias corridos. O preço será o valor da ação adicionado de uma parcela correspondente aos juros – que são fixados livremente em mercado, em função do prazo do contrato. Toda transação a termo requer um depósito de garantia. Essas garantias são prestadas em duas formas: cobertura ou margem. O investimento em Mercados Futuros embute riscos de perdas patrimoniais significativos, e por isso é indicado para investidores de perfil agressivo, de acordo com a política de suitability praticada pela XP Investimentos. Commodity é um objeto ou determinante de preço de um contrato futuro ou outro instrumento derivativo, podendo consubstanciar um índice, uma taxa, um valor mobiliário ou produto físico. É um investimento de risco muito alto, que contempla a possibilidade de oscilação de preço devido à utilização de alavancagem financeira. A duração recomendada para o investimento é de curto prazo e o patrimônio do cliente não está garantido neste tipo de produto. As condições de mercado, mudanças climáticas e o cenário macroeconômico podem afetar o desempenho do investimento.

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