Raio-XP da Bolsa dezembro: 2020, vários anos em um

Nesse Raio-XP da Bolsa, iremos destacar e relembrar os principais acontecimentos do ano, que serão relevantes para entender o que virá pela frente. Atualizamos nossa Carteira Top 10 XP e a Carteira Dividendos.


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Enfim, chegamos próximos do final de 2020! Além de começarmos a pensar nas resoluções para o ano de 2021, refletimos também sobre esse ano que vai ficando para trás. 2020 vem sendo um ano totalmente atípico e ficará para sempre marcado pela pandemia do coronavírus e os fortes impactos humanitários, econômicos e sociais causados por ela.

O mesmo ano, mas quatro estados de espírito

Nesse Raio-XP da Bolsa, iremos destacar e relembrar os principais acontecimentos do ano, que serão relevantes para entender o que virá pela frente. Para ajudar nessa leitura, montamos o infográfico abaixo e iremos comentar os principais acontecimentos do ano, sob a ótica de 4 períodos marcantes e seus impactos na Bolsa: 1) Otimismo (Jan-Fevereiro), 2) Choque (Março-Abril), 3) Incerteza (Maio-Outubro), e 4) Esperança (Nov-Dezembro).

Para muitos investidores que passaram a investir recentemente, pode-se dizer que 2020 já trouxe muito aprendizado em apenas um ano, dada a quantidade de acontecimentos dentro do mesmo ano. Arraste a imagem abaixo para o lado.

1) Otimismo (Janeiro-Fevereiro)

O ano se iniciou com um forte sentimento de Otimismo no Brasil e no mundo. Esperávamos que a Bolsa passaria dos 130k pontos esse ano, suportada por 3 pilares principais: 1) Crescimento econômico recuperando, que iria levar a um crescimento de lucros acima de dois dígitos para as empresas brasileiras; 2) Reformas Estruturais iriam continuar avançando. Após a Reforma da Previdência ter sido aprovada em Nov-2019, as Reformas Administrativas e Tributária já estavam sendo encaminhadas ao Congresso; e 3) Taxas de Juros em patamares mais baixos historicamente iriam continuar incentivando a migração do fluxo para Renda Variável e impulsionando investimentos produtivos no país.

De fato, começamos o ano vendo sinais de aceleração econômica no país, que deveria crescer acima de 2% a.a. pela primeira vez desde 2013. Essa aceleração daria impulso a um forte crescimento de lucros das companhias do Ibovespa, acima de 10%, o que sustentaria o mercado de ações no ano.

Em janeiro, o mundo já começava a se preocupar com a Epidemia do SARS-COV2 que surgiu em Wuhan, na China, e levou à fortes restrições nas cidades chinesas. O primeiro caso de COVID-19 no mundo foi identificado em Wuhan, província chinesa de Hubei, em dezembro de 2019. No Panorama para o mês de fevereiro, escrevemos “Oportunidade de Compra ou Pandemia?” já discutindo os riscos caso a Epidemia se tornasse uma Pandemia global.

2) Choque (Fevereiro-Março)

Durante o final de mês de fevereiro e início de março, os mercados enfrentaram um grande Choque, na medida em que a COVID-19 começou a se espalhar rapidamente pelo mundo, tornando-se rapidamente uma Pandemia. Durante os meses de março e abril, mais de um terço da população mundial entrou em quarentena, com os lockdowns se espalhando por todo o mundo. Isso fez o mundo mergulhar no maior choque econômico dos últimos 100 anos, e as Bolsas reagiram fortemente a isso, o que chamamos de “A Crise mais rápida da história”.

Em março, as bolsas atingiram os menores valores no ano, o MSCI World chegou a depreciar -32,1%, o S&P500, -30,7%, o Índice Euro Stoxx, -32,7%, a Bolsa chinesa -13,8%, e a Bolsa brasileira -45,0%.

A Bolsa brasileira passou por 6 circuit breakers (CB) em apenas 2 semanas, um recorde histórico. Circuit breaker é o mecanismo que paralisa as negociações após uma queda de preços de 10%. Em março, a Bolsa teve CBs nos dias 9, 11, 12 (2x), 16 e 18. Em 2008 também tivemos 6 CBs, porém mais espaçados no tempo, nos dias 29 de setembro, 6 de outubro (2x), e nos dias 10, 15 e 22 desse mesmo mês.

Naquele momento, não se sabia qual era a letalidade do vírus, como tratá-lo, quanto tempo a pandemia iria durar, quando teríamos uma cura ou vacina, e até mesmo quais seriam os impactos de segundo e terceiro graus advindos daquele choque inicial, como uma forte crise de crédito, por exemplo.

Com a desaceleração econômica, o setor mais afetado foi o de serviços, sendo também um dos que mais gera empregos. Como consequência, a taxa de desemprego aumentou rapidamente. Nos Estados Unidos, por exemplo, os pedidos de seguro desemprego dispararam de 282 mil na semana do dia 13 de março para 3,28 milhões na semana do dia 20.

Porém, o que observamos de diferente na crise de 2020 em relação à crise de 2008: essa crise veio do mundo real, e não foi originada no mercado financeiro. Justamente por isso, os governos e Bancos Centrais não esperavam para agir rapidamente e contundentemente. Após reduzir os juros para 0%, o Banco Central americano – Federal Reserve – anunciou ao final de março que não mediria esforços para prover liquidez ao sistema e auxiliar as empresas americanas, podendo pela primeira vez na história comprar títulos corporativos e até mesmo prover financiamento diretamente para elas caso fosse necessário.

Com esse importante sinal do FED e de outros Bancos Centrais, o mercado conseguiu encontrar um fundo, apesar de todas as incertezas que ainda pairavam no ar.

3) Incerteza (Maio-Outubro)

Em maio, se iniciou o período mais longo desse ano, o que chamamos do período da Incerteza. Quem olha apenas para os preços dos ativos pode imaginar que foi um período de recuperação e aumento do otimismo gradual. Mas esse não foi o caso.

Várias incertezas ainda pairavam sob os mercados. No campo econômico, houve muita discussão sobre qual seria o formato da recuperação econômica, se em formato de V, U, W, L ou qualquer outro possível.

Do lado da Pandemia, observamos uma 2ª onda de casos nos EUA durante os meses do verão (Julho-Agosto), que levou a uma pequena correção nos mercados. A Europa, que também parecia ter controlado a pandemia, também começou a sofrer com uma aceleração de casos ao final de Setembro-Outubro.

O pessimismo começou a ser reduzido com o anúncio de pacotes de estímulos fiscais e monetários ao redor do mundo. Até agosto, mais de U$20 trilhões já tinham sido anunciados em estímulos monetários e fiscais ao redor do mundo, o que corresponde a 23% do PIB global. Isso se compara a uma queda projetada do PIB Global de -4.5% em 2020. Na nossa visão, esses estímulos foram o fator mais relevante por trás da recuperação de preços nos mercados.

No Brasil, do lado político, a pandemia e a crise econômica também levaram a uma crise política entre os três poderes, além da saída de importantes ministros do governo (Sergio Moro, Henrique Mandetta e Nelson Teich), o que chamamos de “A Terceira Crise”. Do lado econômico, o BC realizou 5 cortes na Taxa Selic no ano: de 4,5% a.a. em janeiro até 2% a.a. em agosto. Além disso, o Brasil anunciou mais de R$1,0 trilhão de estímulos monetários e fiscais, provendo até mesmo R$600 mensais para mais de 66 milhões de brasileiros, o que se reduziu para R$300 em setembro. O Brasil deverá assim ter um déficit nominal acima de 15% do PIB em 2020, elevando a sua Dívida Bruta/PIB para próximo de 100%, entre os níveis mais altos dos Emergentes.

Isso fez com que o mercado passasse a se preocupar com a trajetória fiscal do país novamente, e precificar um aumento de prêmio de risco à frente, tanto nos juros futuros quanto no câmbio. Os vértices mais longos da curva de CDI brasileira já precificam juros de volta aos dois dígitos, enquanto a Selic continua em 2% a.a. Já o Real era a pior moeda em performance no mundo até o mês de setembro.

Esse período de incerteza culminou com o evento mais esperado do ano, as Eleições americanas. Muito foi escrito e projetado sobre o que aconteceria com os mercados em diferentes cenários das eleições. Isso fez com que os investidores reduzissem exposição à risco ao final de outubro e aumentassem a compra de proteções nas suas carteiras. Passando o evento, o mercado conseguiu voltar mais à normalidade.

Além disso, como mostramos no Panorama de novembro, a combinação de um Presidente Democrata com um Congresso dividido historicamente foi o melhor cenário para a Bolsa americana, analisando o histórico desde 1901. Além disso, é esperado que o governo de Joe Biden traga menos volatilidade aos mercados, por governar pelos métodos mais tradicionais.

4) Esperança (Novembro-Dezembro)

As eleições americanas iniciaram o período em que os mercados se encontram agora, de Esperança. Mas não foram as eleições americanas o fator principal por trás desse otimismo, e sim as notícias positivas sobre as vacinas do COVID-19. Em três segundas-feiras do mês, tivemos três notícias sobre a eficácia das vacinas da Pfizer, Moderna e Astra Zeneca. Elas mostraram de 70-95% de eficácia, bem acima do mínimo requerido de 50% pelos reguladores. Além disso, é possível que pelo menos uma das vacinas já consiga aprovação para ser administrada na população americana ainda esse ano.

As vacinas reacenderam a esperança de uma “volta ao normal” na economia mundial, mesmo que a nova onda da COVID-19 esteja sendo tão grave quanto a primeira em números de mortes diárias nos EUA e Europa. O mercado já passa a olhar para um cenário que a vacina seja uma realidade nos próximos 6 meses. Além disso, poucos governantes estão indo na linha de decretar lockdowns totais como ocorreram no inicio da pandemia, e as restrições têm sido parciais, o que reduz o impacto sobre a economia.

Além disso, a expectativa de recuperação econômica em 2021 – projeção de crescimento do PIB Mundial de +5,2% pelo FMI –  aliada aos novos estímulos econômicos e juros nos patamares mais baixos dos últimos 100 anos no mundo, reforçam o otimismo dos mercados.

Seguindo essa recuperação, o Ibovespa fechou novembro em forte alta de +15,9% (e +23,9% em Dólares), liderados pelos setores que haviam ficado para trás esse ano, como Aéreas, Bancos e Petróleo, em uma forte rotação entre setores. Nos EUA, o índice S&P subiu +10,8% enquanto o Nasdaq subiu 11,8%. Já a Europa se beneficiou mais das notícias das vacinas e a rotação entre setores, e o Euro Stoxx 600 subiu +13,7%. O dólar se depreciou no mês em relação ao real, e fechou em queda de -6,7%, cotado a R$5,36.

Pesquisa: Assessores da XP dão suas visões sobre o que esperar da Bolsa em 2021

Nos últimos dias realizamos uma nova edição da nossa pesquisa com os assessores de investimento de escritórios autônomos filiados à XP Investimentos. A partir dessa edição, contamos também com a participação dos assessores da XP Matriz. Temos como objetivo obter a visão dos assessores e, principalmente, dos seus clientes, sobre a Bolsa brasileira. Nesta edição, obtivemos 154 respostas únicas e, conforme nos aproximamos de 2021, buscamos entender a visão dos assessores e de seus clientes para o novo ano que se aproxima.

De acordo com a nossa pesquisa de novembro, 25% dos assessores acreditam que o Ibovespa superará os 130.000 pontos até o fim de 2021 e 36% acredita que o índice ficará na faixa entre 120.000 e 130.000, sendo a média de palpites de 127.314 pontos.

O percentual de interessados em aumentar seus investimentos em renda variável (47%) cresceu 12p.p. em relação à outubro,crescimento após dois meses de queda, enquanto 39% pretende manter seus investimentos em tal classe de ativos (vs. 56% em outubro).

Por outro lado, 14% dos assessores reportaram que seus clientes pretendem diminuir seus investimentos em renda variável, alta de +5p.p. se comparado ao último mês. Apesar desse aumento, o conjunto de clientes que querem manter ou aumentar sua exposição prevalece.

O interesse em investimentos internacionais se manteve alto pelo oitavo mês consecutivo e houve um aumento considerável no interesse por fundos de renda variável (43%) se comparado ao último mês, +34 p.p. vs. outubro. Por fim, os assessores enxergam a vacina contra o coronavírus e a volta ao “normal” (50%) como o maior propulsor para a Bolsa em 2021 e o cenário político e fiscal no Brasil como o maior risco (85%).

Veja o relatório completo clicando aqui.

Top 10 ações XP

Como foi a performance de cada nome da carteira no mês?

Em novembro, nossa carteira Top 10 ações XP subiu 9,4%, contra 15,9% do Ibovespa. Leia abaixo as razões da performance de cada um dos 10 nomes no mês e o que esperamos olhando para frente.

Banco do Brasil (BBAS3): Em novembro, os bancos incumbentes em geral performaram acima do índice Ibovespa, impulsionados pelos resultados mais positivos deste terceiro trimestre de 2020. Portanto, mantemos nossa recomendação de Compra para o BB baseado em: i) sua carteira de crédito mais defendida, com mais de 40% da carteira nos segmentos de agronegócio e consignado; ii) possível beneficiamento de fatores não dependentes da economia, como redução de provisões operacionais e custo de captação mais barato via depósitos judiciais; e iii) valuation descontado.

B3 (B3SA3): Durante o mês de novembro, as ações da B3 performaram acima do índice Ibovespa. Os dados operacionais referentes a outubro apresentaram melhora mensalmente e também parte devido a correção de outubro. Lembrando que o número de investidores ativos segue crescendo mensalmente e anualmente, com saldo já maior do que 3 milhões. Sendo assim, permanecemos otimistas com a retomada do mercado de capitais e com as baixas taxas de juros.

Gerdau (GGBR4): Em novembro, as ações da Gerdau tiveram a 8ª alta mensal consecutiva. As perspectivas ainda são positivas para o setor siderúrgico com a expectativa de mais aumentos de preços no Brasil e melhores volumes em 2021, considerando um cenário de retomada da economia após a pandemia. Seguimos com uma visão positiva com relação à atividade na construção civil (aços longos). Adicionalmente, a recuperação do consumo de aços planos com estoques ainda baixos deve impulsionar o segmento de aços especiais. No geral, esperamos volumes 5% maiores em 2021 (vs. 2020), em linha com as previsões do Instituto Aço Brasil (IABR).

Omega (OMGE3): Durante o mês de novembro, a performance da Omega ficou abaixo do índice Ibovespa. A ação seguiu o movimento do setor elétrico como um todo, refletindo a alta da curva de juros que afeta papeis que tem perfil semelhante a renda fixa. Apesar disso, continuamos a acreditar que a Omega é uma das oportunidades de melhor risco-retorno no setor elétrico. Em primeiro lugar, destacamos que o valor atual das ações não reflete os ativos que a companhia já possuí. Além disso, a execução consistente de transações de M&A tanto dentro do Grupo Omega quanto com terceiros, deve reforçar a confiança dos investidores na estratégia de crescimento da Omega, bem como deve concretizar a visão de que a empresa é uma consolidadora no segmento de energias renováveis.

Locaweb (LWSA3): Nós mantemos nossa recomendação de compra por vermos espaço para (I) mais aceleração do crescimento de vendas online (GMV), e também (ii) oportunidades de fusões e aquisições. Apesar do valuation do papel parecer alto, com a ação negociando em 14.2x EV/Receita em 2021 (vs. ~ 11x para competidores globais), nós esperamos que o crescimento da Locaweb seja superior ao de seus pares internacionais. Nós estimamos um crescimento anual de 16% para receita, 27% para EBITDA e 42% para o lucro nos próximos 3 anos.

Tenda (TEND3): Atribuímos a performance positiva da ação no último mês ao sólido resultado reportado no terceiro trimestre, corroborando com a nossa visão de resiliência da demanda para as incorporadoras de baixa-renda. Adicionalmente, acreditamos que a performance das vendas deve se manter positiva daqui em diante.

Marfrig (MRFG3): Atribuímos o forte desempenho deste mês (+6,6%) ao excelente resultados da empresa no 3T20 (clique aqui para acessar o relatório completo), aliado a uma visão mais otimista em relação ao mercado de carne bovina dos Estados Unidos para 2021, em função da normalização das margens dos frigoríficos, as quais ainda permanecem em níveis atraentes.

Vale (VALE3): A forte performance das ações da Vale foi suportada pela alta no preço de minério de ferro, que alcançou US$130/t (vs. US$119/t em outubro). Em nossa visão, o principal motivo para a alta nos preços foi o dado positivo vindo da China. A produção de aço somou 876 milhões de toneladas em 2020 (até outubro), o que representa uma alta de 6% na comparação com o mesmo período de 2019. Adiante, esperamos um retorno mínimo de 7,5% para o ano que vem, considerando um preço médio de minério de ferro em US$100/t.

Via Varejo (VVAR3): Nós mantemos nossa recomendação de compra para Via Varejo uma vez que esperamos a companhia continue a apresentar sólidos resultados nos próximos trimestres, com a Black Friday a as festas de final de ano sendo importantes alavancas de crescimento para o 4T, além de esperarmos que ela continue a entregar expansão de margem com a captura de benefícios das iniciativas operacionais implementadas na companhia. Além disso, vemos as ações negociando a um valuation atrativo de 0.6x 2021e GMV (vs. 1.2x para B2W e 3.3x para Magalu).

Vivara (VIVA3): Nós vemos Vivara como um dos participantes melhor posicionado no segmento de jóias, com muito espaço para ganhar participação de mercado por conta da força da marca e iniciativas para aumentar sua penetração na classe média através das lojas Life. Ainda, a verticalização da companhia deve levar a uma melhor habilidade de gestão de custo vs os concorrentes. Nós mantemos recomendação de compra e preço alvo de R$30,0 por ação.

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Alterações da carteira para o mês de dezembro

Nesse mês, estamos realizando uma mudança na nossa Carteira Top 10 Ações XP. Entra Petrobras e sai Marfrig.

Estamos removendo MRFG3 da nossa carteira neste mês devido à pressão de curto prazo proveniente dos altos preços do gado e potencial enfraquecimento da demanda no Brasil. No longo prazo, nossa visão permanece positiva para os players de carne bovina, uma vez que a demanda global ainda está crescendo.

Estamos adicionando PETR4 à nossa Top 10 devido à assimetria de risco-retorno que enxergamos nas ações, tendo em vista que a companhia está conseguindo gerar caixa mesmo em um ambiente de preços de petróleo baixos. Na nossa visão, qualquer recuperação de preços de petróleo como resultado do desenvolvimento de vacinas para a COVID-19 apenas tornaria ainda mais positiva nossa visão sobre as ações.

Petrobras (PETR4): Temos recomendação de Compra nas ações da Petrobras com base em (i) maior resiliência das ações a um ambiente de preços baixos de petróleo devido á maior produtividade de ativos de pré-sal, (ii) potenciais reações positivas dos preços de petróleo em caso de sucesso das vacinas para a COVID-19, (iii) potenciais ganhos com a execução do plano de venda de ativos da companhia, para o qual estimamos um total de R$89-R$115bn de arrecadação de recursos.

Top Dividendos XP

EdP: Destacamos como positiva a nova política de dividendos adotada pela companhia em agosto de 2020, segundo a qual a EdP distribuirá a acionistas o maior entre os seguintes valores (i) 25% do Lucro Líquido, (ii) 50% do lucro líquido ajustado por efeitos não caixa como os resultados do segmento de transmissão e (iii) R$1/ação. De acordo com a companhia, por meio da nova política de dividendos a administração formaliza sua intenção de distribuir a acionistas todo fluxo de caixa remanescente após investimentos a seus acionistas, bem como mantém o compromisso de manter a alavancagem da companhia em patamares mais otimizados. Estimamos um dividend yield de 5,6% em 2021-22. Mantemos nossa recomendação de Compra na EdP Energias do Brasil, com um preço-alvo de R$ 21/ação.

Cesp: A companhia reforçou seu ao alto potencial de geração de caixa nos resultados do 2T20, que acreditamos que culminará ou em maiores distribuições de dividendos ou em investimentos em oportunidades de crescimento. Além disso, ao longo do 2T20, a CESP registrou uma redução de R$ (1,0) bilhão no total de passivos contingentes, dos quais R$ 154 milhões eram classificados como prováveis, implicando uma redução de -8% nas estimativas totais de passivos judiciais. Consideramos tal redução de passivos muito positiva, pois implica uma menor correção monetária destes processos em resultados futuros e, portanto, maiores lucros e potencial de distribuição de dividendos no futuro. Estimamos um dividend yield de 6,0% entre 2021 e 2022. Reiteramos nossa recomendação de Compra na CESP, com um preço-alvo de R$ 37/ação.

Engie: A Engie se destaca pela capacidade diferenciada de se proteger dos efeitos de baixa incidência de chuvas, além de ter expandido sua atuação para os setores de transmissão de energia e transporte de gás. Apesar disso, acreditamos que a redução de dividendos relacionados aos resultados de 2019 (reduzindo o pagamento a 56% vs. 100% anteriormente) deva ocorrer novamente em 2020. No entanto, acreditamos que a distribuição de dividendos da Engie se normalize em 2021 para o patamar de distribuição de 100% dos lucros, tendo em vista a situação confortável de liquidez da companhia. Estimamos um dividend yield de 8,2% em 2021-22. Mantemos nossa recomendação neutra em Engie, com preço-alvo de R$ 41/ação.

Taesa: Vemos a posição da Taesa como confortável para manter a distribuição de 100% de lucros em 2020, pois sua posição de caixa de R$ 2,4 bilhões e nossa estimativa de EBITDA para 2020 de R$ 1,0 bilhão são suficientes para fazer frente aos investimentos em 2020 de R$ 1,0-1,1 bilhão e vencimentos de dívida de R$ 734 milhões. Dito isso, assumimos o pagamento mínimo de 50% previsto no estatuto por conservadorismo e, caso a empresa faça um anúncio nesse sentido, consideraríamos perfeitamente razoável. Estimamos um dividend yield de 6,4% em 2021-22. Mantemos nossa recomendação neutra em TAESA, com preço-alvo de R$ 30/ação.

Tietê: Destacamos como positivo que a empresa tenha mantido sua prática de distribuição de dividendos no patamar máximo no primeiro semestre de 2020 apesar do contexto atual de incertezas, o que reforça nossa visão de que a AES Tietê é uma das nossas preferidas como pagadora de dividendos. Estimamos um dividend yield de 7,6% em 2021-22. Mantemos nossa recomendação de Compra na AES Tietê, com um preço-alvo de R$ 17/unit.

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