Omega Geração (OMGE3): Anuncia aquisição de dois ativos eólicos da Eletrobras a taxas de retorno muito atrativas; Reiteramos Compra

A Omega Geração adquiriu com sucesso duas empresas de propósito específico (SPEs) da Eletrobras de geração eólica, localizadas no estado do Rio Grande do Sul. Confira os detalhes da transação


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O que aconteceu

Em 30 de julho, após o fechamento do pós-mercado, a Omega Geração divulgou fato relevante afirmando que adquiriu com sucesso duas empresas de propósito específico (SPEs) da Eletrobras de geração eólica, localizadas no estado do Rio Grande do Sul.

Os principais detalhes da operação foram:

Lote 1

  • Aquisição de 78,0% de participação em um cluster de geração eólica de 402MW denominado Santa Vitória do Palmar;
  • O valor total da transação é de R$ 1.011,7 milhões, composto de (i) uma assunção de Dívida Líquida de R$ 577,2 milhões (proporcional à participação adquirida) e (ii) parcela de R$ 434,5 milhões em caixa a ser paga pela Omega , devendo este valor ser ajustado pela taxa SELIC entre a Data Base da Oferta (dezembro de 2018) e a assinatura do contrato de compra e venda (SPA) e 110% da taxa SELIC desde a data do SPA até o fechamento da aquisição;
  • Além disso, a Omega firmou um acordo com o sócio da Eletrobras no ativo (Brave Winds) que, sujeito a determinadas condições, pode levar a Omega a adquirir a participação restante de 22% do Lote 1 até 30 de junho de 2022 em troca da emissão de 3.236.607 ações da companhia.

Lote 2

  • Aquisição de 99,99% de participação em um complexo de geração eólica de 180,8MW, que engloba os clusters Hermenegildo I, II e III e Chuí IX;
  • O valor total da transação é de R$ 512,7 milhões, composto de (i) uma assunção de Dívida Líquida de R$ 378,7 milhões e (ii) parcela de R$ 134,0 em caixa a ser paga pela Omega, devendo este valor ser ajustado pela taxa SELIC entre a Data Base da Oferta (dezembro de 2018) e a assinatura do contrato de compra e venda (SPA) e 110% da taxa SELIC desde a data do SPA até o fechamento da aquisição;
  • Além disso, o preço de aquisição do Lote 2 sujeito a uma cláusula pagamento incremental (“earn-out”) à produção de energia dos ativos entre 2020 e 2022. E, de acordo com o fato relevante da Eletrobras emitido na mesma data acerca da transação, a cláusula poderia implicar um pagamento adicional de 15% pela aquisição.

A transação está sujeita à aprovação final na assembleia de acionistas da Eletrobras e outras condições, como aprovação pelos credores e pelo CADE.

Outros destaques

Além do anúncio de aquisição, a Omega também informou no fato relevante que seu Conselho de Administração autorizou a administração da companhia a realizar uma oferta primária de ações de aproximadamente R$ 500 milhões, que visa melhorar a liquidez da empresa e garantir a disponibilidade de recursos para a Companhia para executar a transação mencionada e possíveis oportunidades futuras. Observamos que a Omega atualmente possui uma posição de caixa de R$ 885,5 milhões com base nas últimas informações disponíveis do 1T20.

Nossa visão: uma excelente aquisição para a Omega, reiteramos Compra

Temos uma avaliação positiva da aquisição para a Omega, uma vez que estimamos taxas internas de retorno reais (TIRs*) muito atrativas com base nas informações disponíveis para a operação.

*A Taxa Interna de Retorno (TIR), também conhecida como Taxa Mínima de Atratividade, corresponde à taxa de rentabilidade de um investimento. Por exemplo, se a TIR de um projeto é 10%, significa que os fluxos de caixa projetados remuneram o investidor com uma taxa anual de 10%. É muito comum comparar a TIR com uma taxa livre de risco em termos reais, como um título público (NTN-B), para avaliar a atratividade do investimento.

Baseamos nossa análise em modelos que elaboramos para cada um dos ativos, desenvolvidos com base nas seguintes fontes: (1) o fato relevante da Omega Geração, (2) apresentações da Eletrobras sobre as oportunidades de venda de ativos (normalmente denominados “Teasers”) e (3) informações financeiras das SPEs disponíveis ao público.

Outras premissas adotadas em nossa análise incluem: (i) nossa estimativa de preço de energia de longo prazo de R$ 165 / MWh e (ii) premissa de que a Omega financie a parcela de pagamento em caixa pelas aquisições com capital próprio, sem a obtenção de financiamento via dívida (o que implica m que a OMGE financie o pagamento do componente patrimonial das aquisições inteiramente com seu próprio caixa, sem emissão de dívida (o que constituí uma premissa mais conservadora para a avaliação dos retornos com a aquisição.

Os resultados da nossa modelagem podem ser resumidos em:

  • Lote 1: 14,0% de TIR real e um impacto de R$ 2,50 / ação sobre o nosso preço-alvo (ou 7,0% do valor de mercado atual da Omega). Caso assumíssemos a aquisição dos 22% restantes nas condições mencionadas anteriormente, estimamos uma TIR real de 14,4% e impacto de R$ 3,31 / ação sobre nosso preço-alvo (ou 9,2% do valor de mercado);
  • Lote 2: 16,9% de TIR real, e um impacto de R$ 1,41 / ação sobre o nosso preço-alvo (ou 3,91% do valor de mercado da Omega). Caso assumíssemos o pagamento adicional de 15% pela aquisição segundo a cláusula de earn-out, estimamos uma TIR real de 15,3% e uma adição de R$ 1,28 / ação a nosso preço-alvo (ou 3,55% do valor de mercado);

Além das já elevadas taxas de retorno da aquisição, observamos que nossa análise não leva em consideração (por conservadorismo) várias outras formas de criação de valor adicionais que consideramos possíveis de acontecer quando a Omega começar a operar os ativos, tais como: (i) maior eficiência de custos operacionais ante nossas estimativas, (ii) renegociação das condições de financiamento das dívidas dos ativos, que possuem custos elevados de taxas de juros (em média de TJLP + 4,19%) e (iii) substituição das turbinas dos parques por modelos mais modernos, o que pode levar a uma geração de energia efetiva maior do que as nossas estimativas.

Finalmente, destacamos que as taxas de retorno reais da aquisição excedem em muito o patamar de retorno normalmente exigido pela Omega de NTN-B mais 500 pontos-base. Tal conclusão pode ser observada com base em nossa análise do histórico de taxas de retorno obtidas em operações de fusões e aquisições da companhia.

Na nossa visão, a execução de uma operação com elevados retornos com uma contraparte que não a Omega Desenvolvimento (parte relacionada com a qual a Omega Geração tem direito de primeira oferta sobre um portfólio de projetos) deve reforçar a confiança de investidores na estratégia de crescimento da companhia, o que deve beneficiar as ações no futuro.

Reiteramos a recomendação de Compra nas ações da Omega, com preço-alvo de 12 meses de R$42/ação (notamos que nosso preço-alvo ainda não reflete a recém anunciada aquisição analisada neste relatório).

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