Fluxo de investidores na Bolsa: incertezas levam a uma desaceleração na entrada de estrangeiros

Quais foram os principais fluxos e participantes da Bolsa brasileira em janeiro? Neste relatório, destacamos as principais movimentações do mês.


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Como dissemos no Raio-XP da Bolsa, 2021 começou a todo vapor e janeiro aparentou que vários meses – ou anos – foram comprimidos em um único mês. Os mercados globais começaram o ano em alta, mas viram uma correção no final do mês com o aumento da aversão ao risco. O Ibovespa fechou o mês com uma queda de -3,3% em moeda local, e uma queda de -8,7% quando medida em dólares.

A falta de vacinas contra a COVID-19 e de uma política de vacinação da população, ao mesmo tempo em que o número de casos aumentava, levantou questionamentos se a recuperação econômica do Brasil seria atrasada pela segunda onda de infecções. Além disso, o risco fiscal se acentuou nesse cenário com uma maior pressão para novos estímulos emergenciais.

Entrada de investidores estrangeiros diminui, mas saldo permanece alto

A entrada de capital estrangeiro na Bolsa brasileira em janeiro desse ano sofreu uma queda se comparada com o fim de 2020. O mês passado fechou com um saldo de R$ 23,6 bilhões vs. R$ 27,2 bilhões em dezembro e R$ 34,0 bilhões em novembro. No entanto, a média entre os meses de janeiro e outubro de 2020 foi de R$ -5,6 bilhões, indicando que apesar da queda recente, o nível de movimentação continua em patamares elevados.

*Saldo não considera a entrada/saída de capital estrangeiro por IPOs e Follow Ons, pois os dados ainda não foram divulgados pela B3.

É importante ressaltar que, mesmo com o maior nível de fluxo de estrangeiros desde novembro, reforçamos a nossa visão de que o retorno duradouro desses investidores à Bolsa brasileira depende principalmente de quatro pontos-chave:

  1. Melhor resolução sobre a trajetória fiscal do país;
  2. Continuação da recuperação econômica e revisão de lucros das empresas da Bolsa para cima;
  3. Cenário positivo para as commodities e os mercados emergentes;
  4. Avanços na responsabilidade socioambiental e de governança (ESG) no Brasil, sendo essa uma condição quase sine qua non para o estrangeiro voltar a ter grandes alocações no país.

Além de investidores estrangeiros, instituições e pessoas físicas possuem participações expressivas

Apesar da grande saída de capital estrangeiro em 2020, quando olhamos para o seu histórico de participação na Bolsa, não houve grandes mudanças e investidores internacionais continuam com a maior fatia.

Em janeiro de 2021, estrangeiros aumentaram sua participação em 1,7 p.p., fechando o mês em 48,3%, seguido de instituições (25,9%, -1,4p.p. M/M) e pessoas físicas (20,7%, -0,6p.p. M/M).

Nessa publicação, considera-se apenas o fluxo do mercado à vista.

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