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Estrangeiros retiram R$ 6,2 bilhões da Bolsa em maio – Fluxo em foco

Quais foram os principais fluxos e participantes da Bolsa brasileira no último mês? Neste relatório, destacamos as principais movimentações do mês.

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Maio foi mais um mês volátil para os mercados, com investidores globais cada vez mais preocupados com os juros subindo e riscos maiores de uma recessão econômica nos Estados Unidos. Nesse mês, o Federal Reserve (Fed), banco central americano, decidiu subir a taxa de juros da economia americana em 0,5 p.p. – a maior subida desde 2000, trazendo a taxa para 0,75% a 1%. Além disso, o Fed indicou que irá começar o chamado quantitative tightening – redução do tamanho do seu balanço – nesse mês de junho.

Esse novo cenário de juros mais altos e retirada de estímulos da economia faz com que ativos de crescimento e nomes com valuations altos continuem a sofrer, além de deixar o investidor estrangeiro cada vez mais cauteloso em seus investimentos.

Mesmo com essa nova postura de questionamento e cautela, o Brasil segue como o mercado com o melhor desempenho no ano de 2022. Como mencionamos em nosso último Raio XP, assim como temos indicado desde o ano passado, a Bolsa brasileira segue apresentando níveis muito atrativos de negociação, tanto para métricas de renda variável quanto ao compararmos com a renda fixa.

Quer saber a nossa visão do que esperar da Bolsa brasileira em 2022? Clique pra ver no nosso Raio XP

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Maio marca o segundo mês com saída de capital estrangeiro

Maio foi o segundo mês negativo para o fluxo de capital estrangeiro na Bolsa brasileira em 2022, com uma saída líquida de -R$ 6,2 bilhões. O total acumulado de 2022 é de +R$ 57,2 bilhões, valor que foi recentemente revisado pela B3* mas que ainda indica um forte fluxo nesse ano.

Acreditamos que o fluxo de saída em Maio se deve a uma conjunção de fatores, na maior parte pontuais: 1) a volatilidade forte dos mercados globais em Maio, 2) aumento dos riscos de recessão no mundo, e preocupação com mercados mais cíclicos, como o Brasil, e 3) realização de lucros, dado que a performance do mercado brasileiro segue entre os melhores do mundo em 2022.

*Dados de fluxos estão sendo revisados pela B3 por mudança na metodologia. Segundo a B3, as estatísticas divulgadas para os anos de 2020, 2021 e 2022 incluíram operações de empréstimos de ações, que não correspondem a fluxos financeiros de compra e venda de ativos. Na nova metodologia, esses dados foram subtraídos das estatísticas, alterando os valores anteriormente divulgados. O dado de 2022 foi disponibilizado pela B3 no dia 02/05/2022 como revisado, enquanto dos anos anteriores será publicado uma revisão.

No dia 1º de abril de 2022, a B3 havia alertado para erros detectados na metodologia de análise dos dados, sendo necessária uma revisão dos dados reportados desde 2020. Até então, o cálculo desses valores contavam as operações de empréstimo de ações, que não correspondem a fluxos financeiros de compra e venda de ativos e, seriam, portanto, retiradas da estatística.

Como ficam os novos dados?

Pouco tempo após o anúncio de revisão dos dados, a B3 já liberou os novos números para o ano de 2022. Com isso, o saldo total de fluxo de estrangeiros para 2022 passou para R$ 57,2 bilhões até 03 de junho.

Os dados de 2021 também apresenta uma variação relevante. Os dados antes da revisão para o ano eram de R$102,3 bilhões, mostrando uma forte entrada de capital estrangeiro no país, mesmo com o momento difícil que a Bolsa brasileira estava passando no período. O Ibovespa apresentou uma das piores performances dentre os principais índices no ano de 2021, devido, principalmente ao baixo crescimento da economia do país e às incertezas relacionadas à trajetória fiscal do governo antes das eleições do ano seguinte. Os novos dados revisados indicam que o aporte estrangeiro no país foi de R$41,5 bilhões em 2021, ou seja, uma variação negativa de quase -R$61 bilhões em relação ao número divulgado anteriormente.

Já os números de 2020 foram os que apresentaram a menor variação entre os dados pré e pós revisão. Antes o saldo para o ano era de -R$2,6 bilhões e, com os novos dados, esse saldo de 2020 passou a ser R$701 milhões, resultando em uma variação de R$3,3 bilhões.

*Até 03/06/2022
Fonte: B3, XP Research
Fonte: B3, XP Research

Apesar do fluxo negativo, maio foi um mês positivo para a Bolsa brasileira, com o índice Ibovespa fechando o mês em alta de +3,2%. Mas o que explica essa saída de capital estrangeiro? Em maio, mercados continuaram a repercutir incertezas em relação ao conflito – ainda sem resolução – na Ucrânia, taxas de inflação recordes, o aumento das taxas de juros por bancos centrais e a política zero-Covid na China, que permanece pressionando as cadeias de suprimentos globais.

Fonte: Bloomberg, XP Research
Fonte: Bloomberg, XP Research. Dados até 03/6/2022.

Investimento em ações, via fundos, voltam a apresentar fluxo negativo

O investimento em ações, feito via fundos, teve um fluxo negativo de -R$60,3 bilhões em abril, último dado disponível e pior valor desde 2017, chegando a R$ 615 bilhões alocados em ações, uma queda de -1,1p.p. M/M no patrimônio líquido das gestoras, representando apenas 10,9% do total.

Com a continuação do movimento de alta da taxa Selic, os fundos de renda fixa continuam com a alocação em alta. A indústria está com R$ 5,0 trilhões alocados em renda fixa, correspondente a 88,5% do seu patrimônio total. Em abril, houve um fluxo de R$ 66,3 bilhões (+1,3% M/M) nessa classe de ativos no portfólio dos fundos.

Fonte: Anbima, XP Research. Dados até abril/22. Alocação em ações via fundos.
Fonte: Anbima, XP Research. Dados até abril/22.

Fundos de pensão: Alocação em ações e fundos de renda variável apresenta leve aumento

Quando olhamos apenas para os fundos de pensão, segundo dados mais recentes disponíveis de janeiro de 2022 da Abrapp, o fluxo de alocação em ações diretamente foi de R$3,6 bilhões em relação à dezembro de 2021. Com isso, eles começaram o ano de 2022 com uma alocação de R$90,9 bilhões em ações.

Já o fluxo para fundos de renda variável foi positivo em janeiro, quando comparado com o final de 2021, em R$1,8 bilhões (+2,4%), chegando a R$77,7 bilhões.

Juntos, investimentos em ações e fundos de renda variável representam 16,1% da carteira desses fundos de pensão, resultando em um total de R$169 bilhões. Já para renda fixa, o saldo é de R$792,8 bilhões, representando 75,8% do total.

(*)Dados até jan/22
Fonte: Abrapp, XP Research
(*)Dados até jan/22
Fonte: Abrapp, XP Research

Os dados acima revelam que a participação das instituições no mercado acionário ainda é baixa quando comparado à exposição à renda fixa, ou seja, ainda existe um grande potencial de migração da renda fixa para a variável.

Investidores pessoas físicas têm mais de R$ 489 bilhões investidos na Bolsa em maio de 2022

Em maio, último dado disponível, o número de investidores pessoas físicas (PFs) na Bolsa brasileira (B3) atingiu 5.167.427. Em relação a abril, houve um aumento de 87.737 investidores PFs, equivalente a um crescimento mensal de +1,7%. Quanto à posição total desses investidores PFs, houve uma queda do valor total mensal de -0,2%, atingindo R$489,4 bilhões investidos.

Fonte: B3, XP Research.

Investidores estrangeiros possuem as maiores participações na Bolsa

Os principais investidores da Bolsa brasileira são: 1) investidores estrangeiros (56,9%), 2) instituições (24,7%) e 3) pessoas físicas (14,5%). Juntos, eles representam 96,1% dos participantes do mercado acionário.

Fonte: B3, XP Research.
Fonte: B3, XP Research.

Nessa publicação, considera-se apenas o fluxo do mercado à vista.

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