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Dividendos, privatização e mais: Equatorial (EQTL3) x Copel (CPLE6) no Super Clássicos

Os maiores nomes do mercado debatem ações em duelos para ajudar você a tomar as melhores decisões de investimentos. Descubra quais são as verdadeiras campeãs da B3

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Equatorial (EQTL3) é uma posição estrutural da JGP, segundo Luis Gustavo Mussili. O principal pilar dessa tese é o diferencial competitivo de operar o que os demais players do mercado não operam — um diferencial competitivo claro. No curto prazo, a visão também é positiva, e a ação está barata, de acordo com o analista. “Enxergamos um retorno de 11 ou 12% acima da inflação para os ativos que estão lá. Mas isso não é o mais importante, porque, com as oportunidades do caminho, esse retorno pode ser ainda maior”, diz o convidado do Super Clássicos dessa terça-feira (assista abaixo).

Já Copel (CPLE6) apresenta gatilhos bem caros para o curto e médio prazo, de acordo com João Victor Parente, da AZ Quest. O retorno real estimado por ele para a companhia é próximo da conta de Mussili para a Copel, entre 12% e 13%. Segundo ele, o foco do atual CEO é no core-business de geração, transmissão e distribuição, além da agenda de descarbonização. Essa mudança de foco se refletiu em um valuation bastante atrativo, em sua opinião, além de uma melhoria operacional significativa.

Governança

“Estatal com mindset privado” é a descrição que a Copel costuma apresentar sobre a seriedade com que leva a sua governança. A companhia possui um comitê de minoritário e comitês de investimentos, que apresenta uma agenda muito focada em retornos. Parente acredita, inclusive, na probabilidade de privatização para a empresa.

No processo de tornar-se corporation (ou seja, uma companhia com controle pulverizado), passará por assembleia uma proposta de migração para o Novo Mercado numa proporção de 1:1. “Isso é bastante positiva, porque há uma percepção de melhora na governança por parte do investidor estrangeiro e local, além de melhora na liquidez”, explica o convidado.

A Equatorial, por sua vez, já é uma corporation, ou seja, já não possui sócio majoritário, o que é visto pelo analista da JGP como outra vantagem, e um dos pilares de sua tese. “Ser uma corporation não necessariamente é uma vantagem na história do capitalismo brasileiro. O principal é ter alinhamento. Na Equatorial e em outras empresas a gente quer entender que a remuneração dos executivos está alinhada ao acionista, às métricas corretas, se vai ter algum acionista se sobrepondo ao outro, e, para isso, a Equatorial tem diversos comitês (…) acho que está super adequado ao que a gente espera. Além disso, membros independentes no conselho (…) A única coisa que talvez não esteja ideal é ter duas mulheres no conselho, de nove membros. Mas quando a gente olha para as caixinhas, ela dá check em quase todas”.

Dividendos

No processo esperado de privatização, mantendo o payout de 50% a Copel tende a ficar com a alavancagem consideravelmente controlada. Caso não encontre oportunidades de investimentos, o representante da AZ Quest lembra que o nível de pagamento de dividendos pode até chegar a 100%, o que também tenderia a ser positivo para o valuation. A companhia faz parte da nossa Carteira Top Dividendos de junho.

Riscos

De acordo com Luís, os principais riscos para a tese de Equatorial são: renovação de contratos, distribuição, deterioração econômica (embora os indicadores tenham apontado para uma melhora, e a inflação arrefecendo tende a ajudar bastante a empresa), e o fato de a companhia ser mais arriscada que seus pares por conta dos locais onde ela opera — inclusive, a alavancagem da companhia é significativa.

Para Copel, a oferta de follow-on para viabilizar a privatização em um mercado incerto deve ficar no radar, mas a melhoria recente do apetite de investidores indica que o risco parece estar mitigado. Caso a oferta ocorra, a questão do preço de energia tem afetado as empresas de geração, “mas a Copel tem a vantagem de conseguir se preparar para isso, diferentemente do que aconteceu com a Eletrobras”, opina. Por fim, a forma como a companhia fará a alocação de capital deve entrar no radar de quem busca investir no papel.

Energias renováveis

O movimento da Equatorial em direção à energia renovável, com a compra da Ecoenergia e o posicionamento sobre deixar de trabalhar com geração térmica, “sem dúvida pode ser uma avenida importante de crescimento”, diz Luis, principalmente considerando os incentivos nesse sentido, já que novos clientes proporcionam a possibilidade de colocar projetos renováveis de pé e crescer nessa frente com rentabilidade.

Já a Copel anunciou em 2021 o desinvestimento de sua usina térmica até 2030. “Vejo esse desinvestimento de forma positiva, pela descarbonização e pelo foco em seu core business”, diz João Victor, com destaque para a possibilidade de entrada mais forte em eólica, com boa rentabilidade.

Super Clássicos 2023

Equatorial e Copel duelaram nesta terça-feira (20) no Super Clássicos da Bolsa 2023. Luis Gustavo Mussili, da JGP e João Victor Parente, da AZ Quest, se encontraram para discutir as perspectivas das duas empresas, com mediação de Maíra Maldonado, Analista de Energia e Saneamento, e Luiza Aguiar, Analista ESG da XP. Confira toda a programação do evento aqui.

Assista a todos os duelos do Super Clássicos da Bolsa 2023

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