Data Expert | Carrinho XP – O que esperar do varejo alimentar

Nessa edição do Carrinho XP, analisamos quais os setores foram mais impactados e os mais resilientes em momentos de crises e eleições no passado e quais os papéis são nossa preferência


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Olhando para os últimos acontecimentos do setor e entendendo quais são os formatos do futuro

Nesta edição, olhamos qual papel que a conveniência terá no varejo de alimentos, dados os eventos recentes no setor. Estamos vendo um interesse cada vez maior pelo setor de varejo alimentar e, por isso, aproveitamos para entender quais podem ser os formatos vencedores frente às mudanças estruturais trazidas pela pandemia e acontecimentos recentes como (i) o fim do hipermercado no GPA (link); (ii) o lançamento de um novo formato: Pão de Açúcar Fresh; (iii) a entrada da Americanas no varejo de alimentos através da aquisição do Hortifruti Natural da Terra; (iv) a parceria do Carrefour com uma startup regional de alimentos (link); e (v) a recém anunciada startup dos cofundadores do iFood e do Zé Delivery que estão apostando na melhoria da eficiência de pequenos mercados de bairro, com o foco inicial em cadeia de suprimentos (link). Nós vemos o Atacarejo e os formatos de proximidade/conveniência como os principais vencedores do setor, e mantemos nossa recomendação de compra para Assaí e Grupo Mateus.

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Os hipermercados foram postos à prova durante a pandemia e falharam. Acreditamos que o sucesso do Atacarejo é um dos principais motivos do fim gradual da proposta de valor do hipermercado, com a pandemia sendo a cereja no topo do bolo para mostrar que o formato perdeu seu lugar na rotina dos consumidores. Com a pandemia, os consumidores concentraram suas compras o máximo que podiam e procuraram a melhor proposta de valor nesse sentido. Isso deveria ter impulsionado o hipermercado, o que não aconteceu e nos leva então a entender que provavelmente o formato perdeu espaço de forma definitiva para o atacarejo (na categoria alimentar), para o ecommerce (na categoria não alimentar) e para aplicativos de proximidade/entrega (frescos). Esperamos, portanto, que o formato continue perdendo espaço daqui para frente.

Atacarejo bem posicionado para ganhar participação frente ao cenário macro mais difícil. Criado em 1964 na Alemanha, o formato foi introduzido no Brasil na década de 70 pelo Makro. Desde então, vem ganhando espaço, atingindo mais de 60% do mercado de alimentos hoje. Originalmente, o formato era exclusivo para o canal B2B, mas foi evoluindo e ganhando espaço entre pessoas físicas, com períodos de crise se mostrando um gatilho de fluxo ao impulsionar o consumidor final a buscar um melhor custo/benefício. Como resultado, os varejistas têm investido na melhoria da experiência nas lojas do formato, agregando mais serviços (como frios, café, açougue) e também no layout das lojas (adicionando ar condicionado, iluminação etc.), o que deve contribuir para aumentar a participação de clientes finais nas vendas.

Proximidade/conveniência e produtos frescos/saudáveis são o futuro dos supermercados. Embora a pandemia tenha condenado os hipermercados, ela também impulsionou os conceitos de conveniência e frescos. Como resultado, estamos vendo varejistas investindo mais nessa direção, com a aquisição do Hortifruti Natural da Terra pela Americanas; lançamento do Pão de Açúcar Fresh pelo GPA, focado em frescos (frutas, verduras, frios, peixes etc), e ampliando seus planos para o Minuto Pão de Açúcar; e o Carrefour fechando uma parceria com a Muda Meu Mundo para oferecer produtos regionais frescos a preços competitivos. Acreditamos que os supermercados continuarão aumentando seu foco em ofertas de produtos frescos e premium/gourmet para ressignificar o conceito das lojas físicas e se concentrar na experiência dos clientes. No entanto, observamos que as empresas do setor não estão sozinhas e, portanto, devem enfrentar a concorrência de aplicativos de entrega (Rappi, iFood, etc), novos entrantes (Shopper, Mercê do Bairro, etc.), empresas privadas/regionais (St Marche, Mambo, Oba, etc.) e grandes nomes do comércio eletrônico (Americanas, MELI, Magalu).

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