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Bancos: O que esperar da temporada de resultados do 1T24?

Prévia dos resultados do 1T24 para os bancos incumbentes e as empresas de mercado de capitais - BBAS3, BBDC4, ITUB4, SANB11.

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Para os grandes bancos incumbentes, apesar da sazonalidade historicamente negativa do primeiro trimestre (conhecida como “efeito Pindaíba”, que envolve uma taxa de inadimplência ligeiramente maior devido ao aumento das despesas relacionadas às festas de fim de ano e aos impostos anuais concentrados no início do ano), esperamos que o primeiro trimestre mantenha as tendências observadas no quarto trimestre. Os NPLs ainda se encontram a um nível elevado, mas espera-se que continuem a sua trajetória descendente, e o custo do crédito também deverá diminuir. Consequentemente, prevemos um maior apetite ao risco, com alguns bancos a apresentarem oportunidades de crescimento em linhas de crédito mais arriscadas. BB e Itaú, apesar de enfrentarem comparações desafiadoras, devem manter a recente tendência positiva de crescimento da carteira de crédito e apresentar taxas de inadimplência relativamente estáveis. De forma geral, acreditamos que os resultados do 1T estarão bem alinhados com nossas preferências setoriais, com Itaú e Banco do Brasil se destacando como destaques positivos da temporada.

Bancos:

  • O crescimento da carteira de crédito deverá começar a um ritmo mais lento e acelerar nos próximos trimestres. O primeiro trimestre tende a ser afetado negativamente pela sazonalidade, sobretudo do lado da pessoas físicas.
  • Os NPL continuam a dar sinais de alívio e o custo do crédito começou finalmente a diminuir. Uma vez que não se prevê a necessidade de quaisquer provisões extraordinárias decorrentes de acontecimentos de crédito adversos, deverá registar-se um nível de provisionamento mais baixo. Esse efeito deve ser altamente assimétrico, já que BB e Itaú estão mais bem posicionados em termos de inadimplência do que Santander e Bradesco.
  • BB e Itaú devem seguir na liderança em termos de rentabilidade. Para Bradesco e Santander, embora esperemos alguma melhora no ROE, a recuperação deve ser em ritmo mais lento.

Bancos

Banco do Brasil (BBAS3) | Compra; Preço-alvo R$ 36,50/ação

Esperamos mais um trimestre de crescimento robusto na carteira de crédito do Banco do Brasil, provavelmente em linha com o ponto médio do seu guidance (8% – 12%), apesar das recentes preocupações relacionadas com uma desaceleração mais forte do que o previsto no setor do agronegócio. O BB aparentemente tem conseguido navegar neste cenário mais difícil. Esperamos que a sua margem financeira bruta aumente 14% em comparação com o ano passado e -6,6% em relação ao trimestre anterior, principalmente devido a operações de crédito mais modestas. No que diz respeito à taxa de inadimplência (NPL acima de 90), prevemos um ligeiro aumento (+10bps para 3,0%), que está entre as mais baixas do sector e reflete o perfil defensivo da sua carteira. Como resultado, esperamos que o índice de cobertura da empresa se mantenha elevado, em 190% (-70bps T/T). Antecipamos um resultado líquido das operações correntes de R$8,7 bilhões no primeiro trimestre (+6,2% A/A e -1,6% T/T), resultando numa rentabilidade do capital próprio (ROE) de 21,3% para o Banco do Brasil.

Bradesco (BBDC4) | Neutro; Preço-alvo R$ 19,00/ação

Antecipamos uma redução de -1,4% A/A (+1,0% T/T) na carteira de crédito do banco neste trimestre, refletindo concessões de crédito conservadoras e um início de ano lento. Esperamos que o Bradesco apresente um decréscimo de 1,0% em relação ao ano anterior (+2,2% T/T), influenciado por spreads mais apertados e um mix de crédito defensivo. Antecipamos um aumento marginal na taxa de inadimplência no 1T24 (10bps para 5,3%) devido à sazonalidade. No entanto, à medida que o ano avança e as novas safras têm um melhor desempenho, esperamos que o banco recupere o controle sobre a inadimplência. Isto deverá resultar num índice de cobertura próximo de 188% (-226bps T/T). Consequentemente, antecipamos uma queda no resultado recorrente do Bradesco (-11,6% A/A, mas +31,4% T/T) e um ROE de 9,5%.

Santander (SANB11) | Neutro; Preço-alvo R$ 34,00/ação

Esperamos um aumento de 5% A/A na carteira de crédito do Santander no 1T24 (+1,5% T/T), uma vez que o banco está aumentando ligeiramente o seu apetite pelo risco. A sua margem financeira (NI) deverá registar um crescimento de 9,5% A/A, e +3,1% T/T. As receitas de tarifas deverão registar um ligeiro aumento de +2,5% em relação ao ano anterior. Antecipamos uma taxa de inadimplência marginalmente mais elevada de 3,2% (+10bps T/T), ainda em níveis controlados, e um índice de cobertura saudável (240% XPe). No entanto, isto deverá levar a um resultado líquido recorrente ainda pressionado de R$2,61 bilhões no trimestre (+18,5% T/T), implicando um ROE de 12,3%.

Itaú Unibanco (ITUB4) | Compra; Preço-alvo R$ 35,00/ação

Por mais um trimestre consecutivo, esperamos que o Itaú Unibanco apresente um crescimento de apenas um dígito na sua carteira de crédito, negativamente impactado pela sazonalidade e pelo menor número de dias úteis. O NII deverá continuar a ser impulsionado pelo aumento da carteira de crédito, aumentando 8,5% A/A e -1,3% em termos trimestrais. Adicionalmente, prevemos que o NPL se mantenha estável no trimestre, em 2,8%, juntamente com um sólido índice de cobertura de 209% (-300bps no trimestre). O custo do crédito deverá continuar a sua tendência descendente e registar uma redução de -7,6% A/A e de -8,2% face ao trimestre anterior. O resultado líquido deverá manter a sua tendência positiva e registar um sólido crescimento de 16,1% A/A (+4,2% T/T). Em suma, não prevemos que os resultados trimestrais provoquem uma forte reação do mercado (nem positiva nem negativa).

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