Ações: as maiores altas e quedas de 2019; saiba o que esperar

Saiba os motivos de alta e de queda de cada empresa e a nossa visão sobre esses papéis


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O grande dilema ao investir em ações ficou bastante claro em 2019. Quando aplicamos na Bolsa, é preciso ter estômago e segurar as emoções se o objetivo for ter ganhos mais expressivos.

Para você entender isso de forma mais clara, veja o que preparamos. Além de um exemplo prático representando a volatilidade de uma dessas ações em 2019, listamos as maiores altas e quedas de ações na Bolsa brasileira e revelamos nossas preferências para 2020.

Exemplo prático

Do último dia de 2018 até o fim de 2019, imagine que você tivesse separado R$ 1000 para investir na Bolsa. Pense que você distribuiu R$ 200 em cada uma das cinco maiores altas de 2019. Com essa estratégia, você somaria um ganho aproximado de R$ 1.700 aos R$ 1000 iniciais aplicados. Ou seja, ao todo você teria R$ 2.700. Em termos porcentuais, isso significa uma rentabilidade de 174% no ano. Nada mal, não é mesmo?

Apesar desse ótimo desempenho, houve muitos altos e baixos. E isso precisa ficar bem claro. Por exemplo, a Qualicorp, a campeã da Bolsa brasileira em 2019, teve alta acumulada de 243%. Mas, ela chegou a cair quase 30% em um único dia no fim de 2018. Naquele ano, isso resultou no 2º pior desempenho da Bolsa. Na época, saiu no noticiário que a empresa concordou em pagar R$ 150 milhões a seu fundador. Isso ocorreu para que ele não vendesse ações da empresa por seis anos.

Esse movimento foi muito mal visto pelo mercado do ponto de vista da governança corporativa. E os investidores seguiram à espera de melhorias nessa frente ao longo do primeiro semestre de 2019. Até que, em agosto de 2019, o fundador vendeu 10% de sua participação para a Rede D’Or São Luiz. Isso levou a uma forte alta na ação nos dias seguintes ao anúncio. Ou seja, essa ação passou longe de uma trajetória tranquila de alta nesse período. No entanto, foi o grande destaque do ano passado!

Veja abaixo a lista completa e uma breve descrição dos desempenhos das Top 5 Ações da Bolsa em 2019:

Top 5 Altas do Ibovespa em 2019

#1 QUAL3: +243% no ano

Qualicorp (QUAL3): Primeiramente, vale ressaltar que a Qualicorp ficou entre as duas maiores quedas do Ibovespa em 2018, após o anúncio do acordo sobre “non-compete” do fundador da empresa, José Seripieri Filho (Júnior). Já em 2019 houve uma reorganização societária da companhia, na qual Júnior vendeu 10% de sua participação ao grupo hospitalar Rede D’or São Luiz, o que fez com que as ações subissem 30% após esse anúncio. Junto a isso houve a nomeação do novo presidente da companhia, Bruno Blatt. Contudo, o mercado reagiu positivamente a melhora da governança corporativa, fazendo com que as ações tivessem uma performance de +243% em 2019.

#2 BPAC11: +235% no ano

2019 foi um ano de bons resultados para as principais linhas de receita do BTG, seguindo também o ciclo mais positivo no Brasil. O ano foi marcado pela oferta subsequente de ações (follow-on) com o objetivo de aumentar a liquidez dos papeis na bolsa, sendo posteriormente incorporadas ao índice Ibovespa no segundo semestre.

#3 VVAR3: +154% no ano

As ações da Via Varejo foram positivamente impactadas pela mudança de controle da companhia, com a venda da participação do Grupo Pão de Açúcar. Além disso, o mercado se mostrou otimista em relação (i) às mudanças na diretoria da empresa; e (ii) ao potencial de melhoria operacional, tanto no online quanto nas lojas físicas.

Veja aqui a nossa cobertura completa de VVAR3

#4JBSS3: +122% no ano

Em 2019, as ações da JBS foram impulsionadas pela Peste Suína Africana. A empresa apresentou sólidos resultados ao longo do ano, devido também à demanda aquecida no mercado norte-americano e às fortes exportações no Brasil. No final do ano, o papel sofreu pressão de curto prazo por conta do anúncio da venda da participação do BNDES na empresa e receio quanto aos impactos da Peste Suína Africana. No entanto, ainda assim o papel foi um dos maiores destaques do ano, e ainda enxergamos potencial de valorização olhando para 2020.

Veja aqui a nossa cobertura completa de JBSS3

#5 CSAN3: +112% no ano

Em 2019, a Cosan passou por uma combinação de ciclos positivos para praticamente todas suas linhas de negócio. Os principais destaques foram (i) conclusão do ciclo de revisão tarifária da Comgás, além do fechamento de capital da divisão a preços que proporcionaram retornos atrativos e (ii) bom desempenho da Raízen Combustíveis, que teve crescimento de vendas muito acima das pares, embora as margens tenham sido afetadas pela competitividade no setor. Mais recentemente, as ações têm sido impulsionadas por notícias sobre aquisição potencial de participações em refinarias da Petrobras pela empresa.

Veja aqui a nossa cobertura completa de CSAN3


Top 5 Quedas do Ibovespa em 2019

Em 2019, o Ibovespa renovou algumas vezes sua máxima histórica. Apenas 6 ações dentre os 73 nomes do índice tiveram performance negativa. Veja abaixo quais foram as Top 5 perdedoras e os motivos dessas quedas.

#1 BRKM5: -35% no ano

As ações tiveram queda principalmente devido à desistência da petroquímica LyondellBasell de adquirir a participação do Grupo Odebrecht na companhia devido a insegurança jurídica. Subsequente a esse fato, as ações da Braskem também foram impactadas pelo passivo ambiental relacionado a mineração de sal-gema em Maceió (AL). A empresa é alvo de ações judiciais e teve que encerrar suas atividades de extração de sal-gema na cidade. Com isso, houve receio quanto ao tamanho do impacto que a empresa teria que arcar.

#2 CVCB3: -28% no ano

A queda das ações da CVC durante o ano pode ser explicada por dois fatores: (i) recuperação judicial da Avianca, principal parceiro aéreo da CVC, cujo cancelamento de voos ocasionou despesas não-recorrentes para a companhia no montante de R$137,4mm nos primeiros nove meses do ano; e (ii) decepção do mercado com o crescimento de reservas.   

#3 EMBR3: -9% no ano

A performance das ações no ano refletiu, dentre diversos fatores, rumores da possível suspensão do acordo de criação de uma Joint Venture firmado com a Boeing pelo CADE (Conselho Administrativo de Defesa econômica). Além disso, a Comissão Europeia, órgão antitruste da UE, ampliou as investigações sobre o acordo, atrasando uma possível aprovação. Ademais, a empresa reportou ao longo do ano resultados mais fracos que as estimativas de mercado, o que reforçou a performance mais fraca que o mercado.

#4 SMLS3: -4% no ano

Após a Gol (GOLL4) anunciar que não renovaria seu contrato operacional com a Smiles no final de 2018, as ações da companhia vêm refletindo uma maior percepção de risco e também perspectivas menos construtivas para seus números por parte do mercado. Esse último ponto foi reforçado após a Smiles reportar uma projeção muito abaixo das expectativas de mercado para 2020, afetando ainda mais o preço da ação.

#5 UGPA3: -2% no ano

A Ultrapar teve um ano desafiador em todas as suas linhas de negócios. Os destaques negativos foram:  (i) Ipiranga, que continuou com margens pressionadas e desempenho de vendas errático em vista do ambiente competitivo desafiador e (ii) Oxiteno com menores volumes de vendas devido à menor demanda e margens ainda pressionadas.  A partir dos resultado do 3T19, as ações recuperaram parte da perda acumulada em 2019 por expectativa de uma melhora estrutural nos negócios da companhia. Finalmente, a alta nas últimas semanas do ano foi desencadeada por notícias sobre aquisição potencial de participações em refinarias da Petrobras pela empresa.

Veja aqui a nossa cobertura completa de UGPA3


O que esperar em 2020?

Mesmo com a alta expressiva em 2019, ainda vemos potencial adicional para o Ibovespa. Esperamos que o índice atinja 140 mil pontos até o fim de 2020. Dentre as ações da nossa cobertura que se destacaram positivamente no ano passado, continuamos gostando de JBS e Cosan.

A JBS segue nossa empresa predileta no setor de frigoríficos, graças a seu posicionamento geográfico vantajoso. Em 2020, seus resultados devem seguir impulsionados pela Peste Suína Africana, além de um mercado americano aquecido e do mercado doméstico retomando.

Seguimos acreditando no potencial da Cosan, devido à maior consistência na estratégia comercial em distribuição de combustíveis e o momento positivo para as outras linhas de negócio na empresa (como açúcar e etanol e distribuição de gás).

Outras empresas devem se beneficiar da retomada do crescimento econômico e de novos investimentos no país em 2020. Veja quais são as nossas preferidas abaixo e nossa tese para cada uma delas clicando aqui.

Além disso, preparamos um conteúdo especial com os detalhes do que esperamos para cada setor em 2020. Clique aqui para saber mais.

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