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Redata avança em meio ao debate sobre gás nautral; Google fecha maior acordo de remoção de carbono da sua história | Brunch com ESG

Nossa visão sobre as principais notícias da semana na agenda ESG

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Como avaliamos os principais acontecimentos da semana

Pensando em melhor auxiliar os investidores, o Brunch com ESG é um relatório publicado pelo time ESG do Research da XP que busca destacar os principais tópicos da agenda na semana. Considerando que informação é a melhor ferramenta para auxiliar os investidores na tomada de decisão, nosso objetivo é mantê-los atualizados com os acontecimentos mais relevantes no Brasil e no exterior da semana que passou, incluindo: (i) nossa visão sobre as principais notícias ESG; (ii) o desempenho dos principais índices ESG em diferentes países; e (iii) comparação da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial).

#1. Redata é sancionado; Decreto segue pendente em meio ao debate sobre a elegibilidade do gás natural

Na mídia. Na bonança do Redata, lobby das renováveis tenta tirar o gás do jogo – Brazil Journal, 14 de setembro (link)

Nossa visão. Nesta semana, o presidente Lula sancionou o Redata, marco de incentivos para data centers no Brasil. Embora o mercado esperasse que o decreto fosse publicado pouco tempo depois da sanção, sua divulgação foi adiada em meio às discussões sobre quais fontes de energia poderão atender à demanda adicional de eletricidade gerada pelos novos data centers. A proposta original foi concebida para incentivar instalações abastecidas por energia renovável. No entanto, a versão final da legislação ampliou a redação para incluir fontes de energia de “baixa emissão de carbono”, o que potencialmente abre espaço para a geração termelétrica e o uso de gás natural. Esse ponto tornou-se o principal foco do debate: defensores das energias renováveis argumentam que a geração a gás deveria ser limitada ao fornecimento de energia de reserva (backup), e que projetos dependentes de gás natural deveriam compensar integralmente as emissões associadas. Por outro lado, representantes da indústria de gás natural defendem que restringir seu uso pode comprometer a competitividade do Brasil como destino para investimentos em data centers, considerando a necessidade do setor por fornecimento de energia confiável e contínuo, 24 horas por dia, além do papel relevante que fontes despacháveis podem desempenhar em complemento às renováveis intermitentes. Em nossa visão, essa discussão reflete um desafio mais amplo enfrentado pelos mercados de data centers em todo o mundo: equilibrar ambições de descarbonização com a necessidade de garantir a confiabilidade do sistema elétrico. Debates semelhantes também vêm ganhando espaço em mercados mais maduros, impulsionados pela magnitude do crescimento esperado da demanda por energia e pelas preocupações quanto à disponibilidade de capacidade firme suficiente para sustentar a expansão futura. De forma geral, embora o potencial do Brasil para atrair investimentos em data centers seja amplamente reconhecido, a clareza regulatória será fundamental para transformar esse potencial em investimentos concretos.

#2. Google e Terradot firmam parceria para gerar impacto climático por meio da produção de arroz no Brasil

Na mídia. Google faz maior acordo de remoção de carbono com projeto no Brasil – Folha de São Paulo, 16 de setembro (link)

Nossa visão. Nesta semana, o Google anunciou seu maior acordo de compra de remoção de carbono até hoje por meio de uma parceria com a Terradot, empresa de tecnologia climática que atua no Brasil e nos Estados Unidos. Inicialmente abrangendo cerca de 200 mil hectares de lavouras de arroz no Rio Grande do Sul, a iniciativa combina duas soluções climáticas complementares voltadas tanto à redução de emissões no curto prazo quanto à remoção de carbono no longo prazo: (i) Alternate Wetting and Drying (AWD), uma técnica de irrigação que deve evitar até 1 milhão de tCO₂e em emissões de metano até 2030; e (ii) Enhanced Rock Weathering (ERW), que deve remover outros 1 milhão de tCO₂e até 2040 por meio da aplicação de rocha vulcânica triturada em solos agrícolas. Além da redução de emissões, essas práticas também podem gerar benefícios econômicos e operacionais para os produtores rurais. O AWD reduz o consumo de água e os custos de irrigação, enquanto o ERW tem potencial para melhorar a qualidade do solo e aumentar a produtividade agrícola. Em nossa visão, o acordo reforça a posição do Brasil como um potencial polo global para soluções climáticas, inclusive em tecnologias de remoção de carbono baseadas na agricultura. De forma geral, a combinação entre a escala do setor agrícola brasileiro e os potenciais ganhos de produtividade e redução de custos associados a essas práticas pode favorecer uma adoção mais ampla pelos produtores rurais. Embora a demanda por soluções de remoção de carbono deva permanecer concentrada em grandes empresas de tecnologia no curto prazo, a implementação bem-sucedida em larga escala será fundamental para validar essas tecnologias no Brasil e atrair capital corporativo adicional para iniciativas semelhantes, o que vemos de forma positiva.

Índices ESG e suas performances

(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG).
(6)
O Índice MSCI ACWI, que representa o desempenho de todo o conjunto de ações de grande e médio porte do mundo, em 23 mercados desenvolvidos e 26 emergentes.



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