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Relatórios de sustentabilidade das empresas listadas brasileiras: Onde estamos?

Confira nossa visão sobre os reportes de sustentabilidade de 2025

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Até agosto de 2026, 56% das empresas cobertas pela XP publicaram seus relatórios de sustentabilidade de 2025

Panorama da divulgação de relatórios em 2025. Os relatórios de sustentabilidade seguem sendo uma ferramenta relevante para que os investidores avaliem o desempenho ESG das empresas, suas prioridades estratégicas e o avanço em relação aos compromissos assumidos. Com base no mapeamento público da B3, 81 das 145 empresas cobertas pela XP (56%) divulgaram seus relatórios de sustentabilidade até o momento. Embora não esperemos que esse percentual alcance 100%, dado que nem todas as empresas do nosso universo de cobertura adotam essa prática (para referência, 94 companhias, ou 65%, publicaram relatórios no ano passado), a taxa de divulgação tende a aumentar adiante. Considerando a classificação setorial da Bloomberg, os setores de Utilidades Públicas e Mineração e Siderurgia apresentam, até o momento, os maiores índices de divulgação, com aproximadamente 65% das empresas de cada segmento já tendo publicado seus relatórios. Em termos de padrões de reporte, o SASB e GRI seguem como os frameworks mais utilizados, consolidando sua posição como as principais referências para divulgação de informações de sustentabilidade.


Temas emergentes nas divulgações de sustentabilidade. Além de temas já consolidados, como diversidade, equidade e inclusão (DE&I), saúde e segurança ocupacional e ética e compliance, os tópicos envolvendo energia renovável e gestão sustentável da cadeia de suprimentos figuram entre os mais recorrentes, presentes em mais de 80% dos 70 relatórios analisados. Biodiversidade e capital natural aparecem na sequência, com níveis de divulgação superiores a 65%. Embora as questões ambientais sejam amplamente reportadas, refletindo sua materialidade para diversos setores, identificamos uma diferença relevante entre transparência e comprometimento. De modo geral, as empresas demonstram maior disposição para divulgar indicadores e iniciativas do que para estabelecer metas formais de longo prazo. Como exemplo, cerca de metade das companhias mensura e reporta suas emissões de gases de efeito estufa (GEE), mas apenas 28% adotaram compromissos de descarbonização baseados na ciência, como aqueles alinhados à iniciativa Science Based Targets (SBTi)¹. Também observamos uma ampliação do escopo das divulgações, com tópicos relacionados à inteligência artificial e cibersegurança ganhando relevância crescente e aparecendo em 71% e 64% dos relatórios, respectivamente.


Nossa visão. Após a decisão da CVM de tornar facultativa a adoção das normas IFRS S1 e S2, esperamos que o número de empresas divulgando relatórios alinhados a esses padrões fique abaixo das expectativas iniciais. Até o momento, apenas 3 companhias do nosso universo de cobertura publicaram relatórios com referência às normas IFRS. Nesse contexto, os relatórios de sustentabilidade tradicionais tendem a manter, e possivelmente reforçar, seu papel como principal canal de comunicação de informações ESG para investidores. Embora ainda observemos diferenças consideráveis na abrangência e profundidade das divulgações, acreditamos que a crescente demanda dos investidores por informações mais consistentes e comparáveis para a tomada de decisão continue impulsionando a evolução das práticas de reporte, mesmo na ausência de exigências regulatórias obrigatórias. Olhando adiante, vemos três prioridades para a evolução das divulgações de sustentabilidade no Brasil: (i) maior abrangência, uma vez que uma parcela relevante do universo de cobertura da XP ainda não publica relatórios de sustentabilidade (35% em 2025); (ii) melhoria da qualidade e conteúdo prospectivo, com espaço para avançar além da divulgação de dados históricos em direção a metas mensuráveis, planos de transição e mecanismos claros de accountability; e (iii) maior tempestividade, uma vez que prazos extensos de elaboração e publicação reduzem a relevância das informações para o processo de tomada de decisão de investimento, especialmente quando parte das empresas ainda não divulgou relatórios contemplando dados referentes a 2025.

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