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Ata do Copom reforça postura dependente dos dados

Mantemos nossa projeção para a taxa Selic em 14,00% ao fim deste ano e 11,50% em 2027.

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O Banco Central divulgou nesta manhã a ata da última reunião do Copom. O Comitê reforçou a necessidade de “manter a restrição adequada” (parágrafo 16) para evitar “eventuais efeitos de segunda ordem” (p. 15) dos atuais choques de oferta. Isso não significa necessariamente que não haja espaço para novos cortes graduais de juros à frente, uma vez que a política monetária continuaria em território restritivo. Ainda assim, sugere que uma pausa para observar a evolução desses choques pode ser uma decisão adequada.

Em outras palavras, entendemos que a ata mantém abertas as possibilidades para as próximas reuniões, deixando a condução da política monetária genuinamente dependente da evolução dos dados.

Cenário global

Na avaliação do Comitê, o ambiente internacional continua marcado por elevada incerteza. A ata destaca que o cenário externo permanece influenciado pela “indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio” (p. 1) e pelas dúvidas em torno da condução da política monetária em algumas economias avançadas. O Copom avaliou que esse contexto exige cautela dos países emergentes, em um ambiente de maior volatilidade nos preços dos ativos e das commodities.

Cenário doméstico

No âmbito doméstico, a ata afirmou que os indicadores divulgados desde a reunião anterior sugerem uma desaceleração gradual da atividade, “embora ainda em patamar resiliente”, com sinais mistos entre os diferentes setores da economia. O Comitê observou que a desaceleração entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026 foi relativamente disseminada entre os componentes de oferta e demanda, reforçando a percepção de que a política monetária restritiva vem produzindo os efeitos esperados. Nesse contexto, a autoridade monetária reiterou que o arrefecimento da demanda agregada é um elemento “essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta”.

Com relação ao mercado de trabalho, a avaliação foi de que as condições permanecem apertadas, apesar de alguns sinais iniciais de acomodação. A ata destaca que a taxa de desemprego segue em “patamares historicamente baixos” (p. 6). O documento também chama atenção para o fato de que os rendimentos médios perderam força, mas continuam avançando em termos reais a um ritmo superior ao da produtividade do trabalho.

Por fim, embora a inflação cheia e as medidas subjacentes – que excluem itens com preços voláteis – tenham mostrado desaceleração recente, o Comitê destacou que a inflação continua acima dos níveis compatíveis com a meta de 3,0% e que as expectativas de inflação permanecem desancoradas em todos os horizontes.

Tudo considerado, acreditamos que o documento reforçou o diagnóstico apresentado no comunicado pós-reunião da semana passada. Segundo o Comitê, a atividade econômica vem perdendo dinamismo, uma vez que “indicadores correntes apontam para desaceleração na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2026, disseminada entre os componentes de oferta e demanda do produto agregado” (parágrafo 5). As leituras mais recentes de inflação mostraram desaceleração, mas a inflação “permanece em nível superior ao intervalo superior da meta na variação acumulada em 12 meses” (parágrafo 8). O Copom também reiterou sua preocupação com uma possível desancoragem adicional das expectativas de inflação de prazos mais longos (parágrafo 9).

O que esperar adiante?

O Comitê avalia que a política monetária “esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação”, embora a inflação permaneça pressionada pela demanda (parágrafo 14). Em outras palavras, o trabalho ainda não está concluído.

Na nossa avaliação, os atuais choques globais de oferta (energia, inteligência artificial e El Niño), a resiliência da demanda doméstica (impulsionada por medidas fiscais e parafiscais expansionistas) e as expectativas de inflação acima da meta ainda justificam uma pausa na calibragem da taxa de juros. Uma postura mais cautelosa contribuiria para evitar uma deterioração adicional das expectativas de inflação e garantir um ambiente mais favorável para um ciclo de flexibilização monetária mais consistente e sustentável ao longo do próximo ano.

Reconhecemos, contudo, que existem sinais de que a atividade econômica e a inflação podem estar desacelerando mais rapidamente do que o esperado. Caso esse cenário seja confirmado pelos próximos dados, uma pausa deixaria de fazer sentido, e o Copom deveria optar por dar continuidade ao processo de cortes graduais da Selic nos próximos meses.

Em nossa leitura, a ata divulgada hoje mantém as possibilidades em aberto.

Nosso cenário

Por enquanto, mantemos nossa projeção para a taxa Selic em 14,00% ao fim deste ano e 11,50% em 2027. Diante da elevada volatilidade do cenário, tanto no ambiente doméstico quanto no internacional, preferimos aguardar a divulgação de novos dados antes de promover qualquer ajuste em nosso cenário para a política monetária.

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