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Economia em Destaque: Inflação mais baixa no Brasil e nos EUA

Seu resumo semanal de economia no Brasil e no mundo

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Resumo

No cenário internacional, a semana contou com manutenção das taxas de juros nos Estados Unidos, Japão e Reino Unido. Em geral, a comunicação dos bancos centrais condicionou os próximos passos da política monetária aos indicadores econômicos a serem divulgados.

Nos Estados Unidos, o índice de preços PCE – métrica de inflação mais relevante para o banco central – arrefeceu em junho, refletindo a trégua temporária do conflito no Oriente Médio. Por outro lado, a inflação ao consumidor acelerou na Zona do Euro, uma região mais exposta aos choques de energia.

No Brasil, a divulgação do IPCA-15 surpreendeu para baixo, com moderação nas principais aberturas. Diante disso, revisamos a projeção para a inflação de 2026 de 5,2% para 5,1%. Além disso, o CAGED e a PNAD Contínua de junho reforçaram o cenário de mercado de trabalho apertado, revertendo as leituras mais brandas de abril e maio.  

Gráfico da Semana

Cenário Internacional

Fed mantém juros; mercado espera alta à frente

O Fed (banco central dos Estados Unidos) manteve a taxa de juros de referência no intervalo entre 3,50% e 3,75% pela quinta vez consecutiva, resultado ao qual o mercado atribuía cerca de dois terços de probabilidade. A decisão foi dividida, com três dos nove membros defendendo alta de 0,25 p.p. Na coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Kevin Warsh, reafirmou o compromisso com a meta de 2%, mas não apresentou detalhes adicionais sobre a forma como isso será feito.

Do lado da inflação, o índice PCE – deflator das Despesas de Consumo Pessoal – desacelerou para 3,7% em 12 meses em junho, ante 4,1% em maio. O núcleo de inflação, que exclui preços de itens voláteis, também arrefeceu. O indicador refletiu a redução temporária dos preços do petróleo. No entanto, a retomada recente das hostilidades indica que o alívio inflacionário pode ser transitório. Em relação à atividade econômica, o PIB dos Estados Unidos desacelerou no 2º trimestre deste ano. O indicador cresceu 1,5% em termos anualizados contra o 1º trimestre, abaixo das expectativas de 2,0%. Apesar da desaceleração do PIB, o consumo das famílias registrou a leitura mais forte desde o final de 2022.

No geral, a atividade econômica dos Estados Unidos permanece resiliente, enquanto os dados de inflação continuam distantes da meta de 2,0%. O mercado espera uma alta de 0,25 p.p. na taxa de juros dos Estados Unidos até o final do ano.

Ofensivas militares no Oriente Médio ampliam volatilidade do petróleo

Nesta semana, novos confrontos militares ocorreram entre os Estados Unidos e o Irã. As principais ofensivas estadunidenses tinham o objetivo de responder às tentativas de ataque do Irã contra bases americanas na região, de acordo com o Comando Central Americano (CENTCOM). O Estreito de Ormuz segue fechado.

O preço do petróleo permaneceu volátil, ampliando as incertezas para os cenários econômicos prospectivos. O petróleo tipo Brent encerrou a semana em cerca de 90 dólares por barril.

Inflação na Zona do Euro segue acima da meta

Na Zona do Euro, a inflação ao consumidor acumulada em 12 meses avançou para 2,9% em julho, ante 2,8% no mês anterior. O dado foi impulsionado principalmente pela alta do preço do petróleo. O núcleo da inflação — que exclui itens com preços voláteis, como alimentos e energia — também acelerou, passando de 2,4% para 2,5%, com destaque para a alta de 3,3% no setor de serviços. Os dados permanecem acima da meta de 2,0%.

O indicador reforça o sinal já dado pelo Banco Central Europeu de que um novo aumento de juros deve ocorrer na reunião de política monetária de setembro, como parte do esforço para evitar que os preços elevados de energia se espalhem por salários e demais setores da economia. Por fim, o PIB da região cresceu 1,0% no 2º trimestre ante o mesmo período do ano anterior — acima do esperado (0,5%) —, afastando temores de recessão e dando mais margem para o possível aperto monetário.

Além do Fed, bancos centrais no Reino Unido e Japão mantêm juros

A semana também contou com decisões de política monetária no Reino Unido e no Japão. O Banco da Inglaterra manteve a taxa de juros em 3,75%, conforme esperado, embora três membros do comitê tenham votado por uma alta diante dos riscos inflacionários associados ao conflito no Oriente Médio. As projeções da autoridade indicam que a inflação deve atingir 3,2% ainda este ano e permanecer acima da meta de 2% até o início de 2028. Na mesma linha, o Banco do Japão manteve a taxa básica de juros em 1,0%, em linha com as expectativas do mercado. A autoridade projeta inflação de 2,5% em 2026, com desaceleração gradual ao longo dos próximos anos.

Em ambos os casos, as projeções indicam inflação acima da meta de 2%, reforçando uma postura cautelosa por parte das autoridades monetárias. Tanto o Banco da Inglaterra quanto o Banco do Japão seguem destacando que as próximas decisões dependerão da evolução dos dados econômicos.

Enquanto isso, no Brasil…

Reduzimos nossa projeção para o IPCA de 5,2% para 5,1% em 2026

O IPCA-15 (prévia da inflação oficial) registrou alta de 0,06% em julho contra junho, abaixo de todas as expectativas de mercado. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses caiu de 4,80% para 4,52%. A composição do índice mostrou melhora disseminada em relação ao mês anterior. Diante disso, revisamos nossa projeção para o IPCA de 2026 de 5,2% para 5,1%.

O resultado divulgado reduz a pressão sobre as expectativas de inflação e pode abrir caminho para que o Banco Central continue cortando os juros. Nosso cenário-base prevê um corte de 0,25 p.p. na taxa Selic na semana que vem, seguido por uma pausa para aguardar a dissipação dos choques globais de oferta e do choque local de demanda (medidas de estímulo do governo).

Dados fortes de mercado de trabalho em junho

A taxa de desemprego recuou de 5,6% para 5,4% no trimestre móvel encerrado em junho. O rendimento médio real efetivo se recuperou em junho, com alta de 1,0% na margem, revertendo as quedas observadas em abril e maio em decorrência dos choques inflacionários da guerra. Com relação aos empregos formais, houve criação líquida de 145,2 mil vagas em junho, acima das expectativas dos economistas, interrompendo dois meses de resultados abaixo do esperado. A recuperação foi puxada pelo setor de serviços, cuja criação líquida mais que dobrou em relação a maio.

Esperamos desaceleração do mercado de trabalho adiante. O amplo conjunto de medidas governamentais de estímulo contribui para sustentar a demanda no curto prazo. Ainda assim, esperamos desaceleração gradual do crescimento econômico e dos indicadores do mercado de trabalho em meio à política monetária contracionista.

Chapa de Flávio Bolsonaro permanece sem vice-presidente

No último final de semana, foi realizada a convenção do Partido Liberal (PL), que formalizou a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro. A chapa, no entanto, ainda segue sem candidato a vice-presidente. A senadora e ex-ministra Tereza Cristina aceitou o convite de Flávio para a vaga, mas o Partido Progressista (PP) publicou nota em que afirma que manterá neutralidade na disputa, afastando a possibilidade de a senadora compor a chapa presidencial. Já a convenção que formaliza a candidatura do presidente Lula, que terá Geraldo Alckmin como vice, ocorrerá no próximo domingo.

Exportações de petróleo impulsionam arrecadação federal, mas gastos públicos aceleram

A arrecadação federal voltou a surpreender positivamente em junho, impulsionada principalmente pelos preços elevados do petróleo. A receita somou R$ 264,4 bilhões, alta de 7,7% acima da inflação em relação ao mesmo mês do ano anterior e o melhor resultado da série histórica para junho. Apesar do bom desempenho das receitas, o governo central registrou déficit primário de R$ 48,2 bilhões, superior ao observado em junho de 2025, em razão do aumento dos gastos discricionários e dos créditos extraordinários destinados ao subsídio ao diesel.

Olhando adiante, esperamos que as receitas continuem apresentando desempenho forte, ainda que em ritmo moderado nos próximos meses, devido à combinação de preços mais baixos do petróleo e atividade econômica mais fraca. Do lado das despesas, vemos menor pressão até o fim do ano. Projetamos déficit de R$ 45,5 bilhões (0,3% do PIB), ou superávit de R$ 14,5 bilhões (0,1% do PIB) excluindo despesas fora da meta, superando o limite inferior da banda da meta de resultado primário.

Ingressos de investimentos estrangeiros devem sustentar taxa de câmbio

Os dados do Balanço de Pagamentos mostraram que o ingresso de Investimento Direto no País (IDP) totalizou US$ 9,1 bilhões em junho, bem acima das expectativas. No acumulado de 12 meses, o ingresso de IDP atingiu US$ 89,3 bilhões (3,58% do PIB), o maior nível desde junho de 2013. Já a conta de transações correntes registrou déficit de US$ 2,3 bilhões em junho de 2026, em linha com o esperado. Destaque para a melhora do saldo comercial de bens, que mais do que compensou um déficit maior no setor de serviços.

Os resultados são uma boa notícia para a dinâmica do câmbio brasileiro, ajudando o real a apresentar desempenho superior ao de seus pares neste ano, mesmo diante das incertezas políticas e fiscais no cenário doméstico.

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Destaques da próxima semana   

No cenário internacional, destaque para a bateria de dados de mercado de trabalho nos Estados Unidos, com ênfase no Payroll de julho, que será divulgado na 6ª-feira. Além disso, serão publicados os índices PMIs das principais economias, sondagens empresariais que buscam captar o pulso da economia.

No Brasil, as atenções do mercado estarão voltadas ao Copom. A expectativa é de corte de 0,25 p.p. da taxa Selic, para 14,00%. Do lado da atividade econômica, a Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF) de junho será publicada, e esperamos a segunda contração consecutiva na base mensal. Por fim, a balança comercial e o IGP-DI, ambos referentes a julho, serão divulgados. Veja as nossas projeções abaixo.

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