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IPCA-15 de julho: Reduzimos nossa projeção para o IPCA de 5,2% para 5,1% em 2026

Índice veio abaixo das expectativas, com variações mais brandas em quase todos os agrupamentos

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Conforme divulgado pelo IBGE, o IPCA-15 de julho avançou 0,06% na comparação mensal, bem abaixo da nossa projeção (0,26%) e do consenso Bloomberg (0,22%). Com isso, a inflação acumulada em 12 meses recuou de 4,80% em junho para 4,52% em julho.

As principais surpresas baixistas em relação à nossa projeção vieram dos preços livres, que contribuíram com -0,15 p.p. para o desvio do índice. O grupo de transportes foi o maior vetor de baixa, principalmente em razão das passagens aéreas. A alimentação no domicílio também veio abaixo do esperado, com impacto concentrado em tubérculos, raízes e legumes.

De forma geral, a abertura do índice mostrou uma moderação disseminada, e não concentrada em um único item, com leituras mais suaves em praticamente todos os grandes grupos. Diante disso, revisamos nossa projeção para o IPCA de 2026 de 5,2% para 5,1%.

O regime de metas de inflação é parte do que chamamos de política monetária – a política responsável pelo controle da quantidade de moeda em determinada economia, que fica sob a responsabilidade do Banco Central. 

Esse regime determina uma meta de inflação explícita e numérica (% ao ano), a ser perseguida pelo Banco Central. No caso brasileiro, a meta de inflação atual é de 3,0%. Isso significa que o Banco Central tem a responsabilidade de controlar a alta de preços de maneira contínua, de modo que se mantenha no ritmo de 3,00%. 

O modelo brasileiro também inclui uma banda de tolerância de 1,50 pontos percentuais para cima e para baixo. Essa “banda” serve para acomodar eventuais choques, como por exemplo uma seca que afete a produção de alimentos e eleve a inflação além do controle do Banco Central, ou uma pandemia que derrube os preços. 

Caso o IPCA se mantenha acima do limite de 4,5% por seis meses consecutivos, o presidente do Banco Central deve enviar uma carta ao Presidente da República indicando: i) os motivos do não atingimento da meta; ii) medidas planejadas para que a inflação retome à meta; e iii) o tempo projetado para que isso se concretize.

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Serviços melhoram na margem, mas componentes intensivos em mão de obra seguem pressionados

A inflação de serviços subjacentes avançou 0,30% no mês, abaixo da nossa projeção (0,37%), enquanto o agregado mais amplo de serviços subiu 0,41%, também abaixo da nossa expectativa (0,68%). As passagens aéreas contribuíram para a surpresa baixista nos serviços cheios.

Com isso, o 3M SAAR — média móvel de três meses dessazonalizada e anualizada — dos serviços recuou de 6,45% em junho para 6,27% em julho, enquanto a inflação acumulada em 12 meses cedeu de 6,25% para 5,95%. Nos serviços subjacentes, a melhora foi mais acentuada: o 3M SAAR caiu de 5,19% para 4,60%, e a taxa em 12 meses recuou de 5,25% para 5,08%.

A surpresa nos serviços subjacentes concentrou-se novamente no seguro de veículos, que caiu 1,5% no mês, após recuo de 3,4% em junho. Ainda assim, os serviços intensivos em mão de obra — métrica acompanhada de perto pelo Banco Central — permaneceram mais firmes. Seu 3M SAAR recuou ligeiramente, de 7,30% para 7,11%, enquanto a inflação em 12 meses subiu de 7,06% para 7,30%.

Assim, a leitura dos serviços segue heterogênea. Por um lado, as medidas mais amplas e subjacentes mostraram melhora relevante na margem. Por outro, os componentes mais sensíveis ao mercado de trabalho permaneceram resilientes e aceleraram na comparação anual. Esse comportamento sugere que a demanda doméstica e as condições ainda apertadas do mercado de trabalho continuam pressionando os componentes mais inerciais da cesta, permanecendo como um dos pontos principais de atenção para os próximos meses.

Bens industrializados surpreendem para baixo e mantêm trajetória de desinflação

Os preços de bens industrializados também vieram abaixo do esperado. Os bens duráveis caíram 0,07% no mês, ante nossa projeção de alta de 0,12%.

Mais importante, os bens industriais subjacentes mantiveram uma trajetória de desinflação. Seu 3M SAAR recuou de 6,32% em junho para 5,38% em julho, embora a taxa acumulada em 12 meses tenha subido ligeiramente, de 4,04% para 4,16%. O movimento reforça a importância de distinguir a tendência recente da inflação acumulada: enquanto o indicador de curto prazo mostrou desaceleração, a taxa em 12 meses ainda refletiu alguma pressão passada.

O agregado mais amplo de bens industrializados apresentou comportamento semelhante. Seu 3M SAAR caiu de 4,03% para 2,80%, enquanto a inflação em 12 meses ficou praticamente estável, passando de 2,64% para 2,62%. Os itens de higiene pessoal estiveram entre as poucas surpresas altistas do relatório, contribuindo com 0,02 p.p. para o desvio em relação à nossa projeção. Ainda assim, seus preços também desaceleraram na margem, o que contribuiu para a melhora do grupo no período.

Núcleos e difusão reforçam a melhora disseminada

A média das medidas de núcleo de inflação subiu 0,21% em julho, abaixo da nossa estimativa (0,25%). Segundo nossos cálculos, o 3M SAAR dos núcleos recuou de 4,99% para 4,45%, enquanto a inflação acumulada em 12 meses cedeu de 4,35% para 4,26%.

A difusão, que mede a proporção de itens da cesta com alta de preços, também apresentou melhora relevante, recuando de 60% em junho para 48% em julho. Embora tenha ficado ligeiramente acima da nossa projeção (45%), o indicador reforça que a leitura mais baixa não resultou exclusivamente do comportamento de um pequeno grupo de itens voláteis.

A combinação de núcleos mais fracos, menor difusão e surpresas baixistas em diversos grupos indica que a composição do IPCA-15 foi mais favorável do que o número cheio, isoladamente, poderia sugerir. Ao mesmo tempo, a persistência da pressão nos serviços intensivos em mão de obra recomenda cautela na extrapolação desse resultado para os próximos meses.

Preços de alimentos lideram as surpresas baixistas

Os preços de alimentação no domicílio caíram 1,14% no mês, ante nossa expectativa de queda de 0,87%. A surpresa baixista concentrou-se em tubérculos, raízes e legumes, que contribuíram com -0,04 para o desvio em relação à nossa projeção.

Esse movimento foi parcialmente compensado por uma surpresa altista nos preços das carnes, com impacto de 1,7 pontos-base. Ainda assim, a alimentação no domicílio foi um dos principais fatores por trás da leitura mais baixa do IPCA-15.

Seguimos esperando que a deflação do grupo persista no curto prazo, antes de uma normalização gradual ao longo do ano. Como se trata de uma categoria historicamente mais volátil, a contribuição favorável dos alimentos deve ser interpretada com alguma cautela na avaliação da trajetória prospectiva da inflação.

Administrados vêm abaixo do esperado, com contribuição de energia e combustíveis

Os preços administrados subiram 0,36% em julho, abaixo da nossa projeção de 0,53%. A principal surpresa baixista dentro do grupo veio das tarifas de energia elétrica, que contribuíram com 3 pontos-base negativos para o desvio.

A gasolina caiu 0,68% no mês, queda mais acentuada do que a nossa expectativa de 0,35%, refletindo a fraqueza persistente dos preços do etanol. Dessa forma, tanto a energia elétrica quanto os combustíveis contribuíram para conter a alta dos preços administrados no período.

Na comparação com o mês anterior, a alta do grupo refletiu principalmente os reajustes tarifários de energia elétrica observados em cinco das onze regiões pesquisadas pelo IBGE.

Nossa visão

Em conclusão, o IPCA-15 de julho veio bem abaixo das expectativas e apresentou uma composição amplamente benigna, com leituras mais brandas em alimentos, serviços, bens industrializados e núcleos. A melhora foi disseminada entre os principais grupos, enquanto a queda da difusão reforçou a avaliação de que o resultado não foi explicado apenas por poucos itens voláteis.

Em nossa visão, os dados são consistentes com um alívio de curto prazo na inflação. Nesse sentido, projetamos que o IPCA encerrará 2026 em 5,1% (antes 5,2%).

Com relação à política monetária, nosso cenário prevê um corte de 0,25 p.p. na taxa Selic, algo que aparenta ser ainda mais factível diante da leitura mais fraca desse último IPCA-15.

Como se proteger da alta de preços? 

Como vimos, a inflação segue como um dos principais motivos de cautela e atenção para a economia brasileira.  Assim, proteger seu patrimônio contra a alta de preços se torna ainda mais essencial.   

Títulos indexados à inflação (como o título público NTN-B 2030), emissões bancárias de instituições sólidas e com boa classificação de risco, debêntures incentivadas (sem cobrança de Imposto de Renda ao investidor) e fundos de investimento com gestão ativa em renda fixa são ótimas alternativas. Falamos mais das melhores oportunidades de renda fixa aqui.

Outra classe de ativos que pode ajudar o investidor a se proteger da inflação são os fundos imobiliários.  Apesar de estarem sofrendo diante de expectativas de juros mais altos adiante, os  FIIs  podem ser aliados do investidor em um cenário cauteloso de alta de preços, por serem muitas vezes atrelados a índices de inflação. Aqui te indicamos nossa carteira recomendada de Fundos Imobiliários. 

Mas não só de proteção contra a inflação devem viver os investimentos nesse momento. Por isso, confira o detalhe das nossas recomendações de investimento atualizadas de acordo com o seu perfil de investidor no “Onde Investir”

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