Bom dia! Neste relatório diário publicado todas as manhãs pelo time ESG do Research da XP, buscamos trazer as últimas notícias para que você comece o dia bem informado e fique por dentro do tema ESG – do termo em inglês Environmental, Social and Governance ou, em português, ASG – Ambiental, Social e Governança.
Quais tópicos abordamos ao longo do conteúdo? (i) Notícias no Brasil e no mundo acerca do tema ESG; (ii) Performance histórica dos principais índices ESG em diferentes países; (iii) Comparativo da performance do Ibovespa vs. ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial, da B3); e (iv) Lista com os últimos relatórios publicados pelo Research ESG da XP.
Principais tópicos do dia
• O mercado encerrou a semana passada em queda, com o Ibovespa recuando 2,7% e o ISE, 1,3%. O pregão de sexta-feira também fechou em território negativo, com o IBOV e o ISE recuando 0,77% e 0,62%, respectivamente.
• No Brasil, a Irani divulgou na semana passada seu primeiro relatório de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade e ao clima, em linha com as normas IFRS S1 e S2 – um dia após a publicação, porém, a CVM tornou facultativa a adoção do novo padrão; ainda assim, segundo a companhia, o relatório continuará sendo publicado.
• No internacional, (i) o diretor-geral da IATA (Associação Internacional do Transporte Aéreo), Willie Walsh, afirmou neste domingo que o setor aéreo global está “fora da trajetória ideal” para zerar as emissões de carbono até 2050 – a declaração foi feita durante a Assembleia Geral Anual da entidade (Iata AGM), realizada neste fim de semana no Rio de Janeiro; e (ii) segundo estudo divulgado hoje pela Mission Possible Partnership, os projetos industriais de baixo carbono que garantiram financiamento nos últimos seis meses mais que dobraram em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 19 iniciativas e US$ 43 bilhões – o dado reforça o protagonismo da China nessa agenda: o país responde por 170 projetos anunciados, enquanto os países do “sunbelt”, entre eles Índia e Brasil, somam 318.
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Brasil
Empresas
Empresa de embalagens Irani usa reporte climático para basear investimentos
“Pela primeira vez no Brasil, uma empresa de menor porte divulgou suas estimativas de riscos e oportunidades com o clima. Para a empresa de papel e embalagem Irani, o exercício de calcular quanto tem a ganhar e perder com as mudanças do clima reforçou a tese de alocação de capital da empresa e baseou decisões estratégicas de investimento e expansão industrial. A empresa divulgou na semana passada seu primeiro relatório de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade e clima conforme as normas conhecidas como IFRS S1 e S2. Um dia depois de publicar seu relato, porém, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) derrubou a obrigatoriedade de adoção do novo padrão. As empresas que publicarem no voluntário têm a obrigação, pela Resolução 244, de publicar por pelo menos três anos. A Irani não deixará de fazer o relato. “Não existe motivo para deixar de fazer algo que agrega informação estratégica à companhia”, disse o CEO da Irani, Odivan Cargnin, ao Reset. “É uma norma nova, exige aprendizado, mas isso faz parte da rotina de gestão.” O executivo avalia que esse movimento pode funcionar como um teste de mercado: “Vai ficar mais evidente quais empresas têm a sustentabilidade integrada à estratégia do negócio e quais enxergam o tema apenas como custo.”Para ele, os benefícios excedem os custos de elaboração do relatório. “Há custos de consultoria, auditoria e coleta de dados, mas isso não é relevante diante do valor estratégico que o relatório gera para a companhia.”
Fonte: Capital Reset; 05/06/2026
Política
Governo dos EUA será sócio da mineradora que comprou a Serra Verde
“A USA Rare Earth (USAR), empresa listada na Nasdaq, assinou um pacote de financiamento de US$ 1,6 bilhão com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos (DOC, na sigla em inglês). Como contrapartida, o governo americano vai deter participação acionária na empresa. Os Estados Unidos passam, assim, a ser sócios na mineradora Serra Verde, dona da única mina que produz e processa terras raras em escala comercial no Brasil hoje. Em abril, a USAR firmou acordo para adquirir a Serra Verde, que também está incorporada às condições do novo pacote de financiamento. A transação ainda depende de aprovações regulatórias e de acionistas para ser concluída. Os recursos do financiamento serão destinados para o desenvolvimento do projeto de mineração no Texas da USAR e para a unidades de processamento de metais e fabricação de ímãs permanentes em Oklahoma. O contrato inclui cláusulas de segurança nacional e restrições a transações envolvendo países ou entidades classificadas pelos Estados Unidos como de preocupação. O acordo envolve uma complexa engenharia financeira. O pacote de empréstimo de R$ 1,6 bilhão é dividido em duas partes: a primeira, de US$ 277 milhões, é de recursos não reembolsáveis concedidos pelo DOC e a segunda, de US$ 1,3 bilhão, é um empréstimo garantido pelo governo federal por meio da Federal Financing Bank (FFB), corporação vinculada ao Departamento do Tesouro americano.”
Fonte: Capital Reset; 05/06/2026
“A Finep e o Conselho de Pesquisa da Noruega (RCN, na sigla em inglês) abriram nesta semana um edital conjunto para financiar projetos de pesquisa e desenvolvimento em três áreas, petróleo, energia limpa e navegação verde. As inscrições começaram em 3 de junho de 2026 e vão até 9 de setembro, às 17h (horário da Europa Central). O edital é um dos produtos concretos do Memorando de Entendimento assinado entre Brasil e Noruega em fevereiro de 2025, e representa a primeira chamada formal de P&D bilateral entre os dois países nas áreas de energia e transporte marítimo sustentável. Do lado brasileiro, a Finep disponibiliza até R$ 15 milhões, com teto de R$ 3 milhões por projeto. Os recursos estão distribuídos igualmente entre as três áreas temáticas, ou seja, R$ 5 milhões para petróleo, R$ 5 milhões para energia limpa e R$ 5 milhões para navegação verde. Do lado norueguês, o RCN destina até 63 milhões de coroas norueguesas, com limite de 10 milhões de coroas norueguesas por projeto, sendo 15 milhões para petróleo, 20 milhões para energia limpa e 20 milhões para navegação verde. Outras 8 milhões de coroas norueguesas poderão ser ainda distribuídas conforme a demanda entre as áreas. Apenas instituições de pesquisa — universidades, centros de pesquisa e institutos — são elegíveis para receber financiamento público. As empresas participantes devem cobrir seus próprios custos e contribuir com recursos financeiros ou em espécie para o projeto. O edital estabelece que o total de apoio público das duas agências não pode superar quatro vezes a contribuição das empresas privadas do consórcio.”
Fonte: Valor Econômico; 05/06/2026
Internacional
Empresas
Copa do Mundo de 2026 terá calor extremo como adversário em campo, alerta ONU
“Para os torcedores que planejam acompanhar a Copa do Mundo de 2026 pessoalmente, o adversário mais imprevisível pode não estar em campo. O calor extremo, agravado pelas mudanças climáticas, representa risco real para quem vai encarar filas, zonas de torcida, transporte público e celebrações ao ar livre nas cidades-sede dos Estados Unidos, Canadá e México. O alerta é da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), que divulgou nesta semana um pacote informativo destinado a emissoras, jornalistas e comentaristas para orientar a cobertura do torneio sob a perspectiva climática e aproveitou para fazer alertas também ao público que vai aos estádios ou assistirão aos jogos na rua. Ao contrário dos jogadores, que contam com equipes médicas, coletes de gelo, pausas para resfriamento e ambientes controlados, os torcedores fora dos estádios podem ficar expostos ao calor por períodos muito mais longos , sem qualquer suporte estruturado. E o problema não se resolve nem dentro dos estádios: apenas 3 dos 16 arenas-sede contam com sistema de ar-condicionado. O risco se estende inclusive às cidades consideradas mais frias do torneio. Em 2021, uma onda de calor no final de junho na Colúmbia Britânica, estado canadense cuja capital, Vancouver, é uma das sedes, atingiu 49,6°C e causou mais de 600 mortes. Segundo a ciência climática, aquele evento não teria sido possível sem as mudanças climáticas. No ano passado, Toronto, outra sede, registrou um de seus verões mais quentes, com seis ondas de calor com temperaturas acima de 36°C.”
Fonte: Valor Econômico; 05/06/2026
Setor aéreo está fora da trajetória para zerar poluição até 2050, diz associação
“O diretor-geral da Iata (Associação Internacional do Transporte Aéreo), Willie Walsh, afirmou neste domingo (7) que o setor aéreo global está “fora da trajetória correta” para zerar as emissões líquidas de gás carbônico até 2050. Segundo Walsh, alcançar o objetivo ainda é possível, mas, para isso, todos os segmentos da indústria —não só companhias aéreas— terão de “agir, em vez de apenas dizer que estão comprometidos”. A associação realiza o Iata AGM (Annual General Meeting) no Rio de Janeiro neste fim de semana. O evento voltou à América do Sul após 27 anos. A Iata aprovou, durante sua 77ª Assembleia Geral Anual, em Boston (EUA), em 2021, uma resolução pela qual as companhias aéreas que são membros da entidade se comprometeram a zerar as emissões de carbono em suas operações até 2050. O compromisso está alinhado à meta de temperatura estabelecida pelo Acordo de Paris. No entanto, a Iata diz que, para o cumprimento da meta, serão necessários esforços coordenados de toda a indústria (companhias aéreas, aeroportos, prestadores de serviços de navegação aérea e fabricantes), além de apoio dos governos de cada país.De acordo com Walsh, o atraso na entrega de novas aeronaves, que poluem menos do que modelos mais antigos, e a baixa disponibilização de SAF (combustível sustentável de aviação) são entraves para o cumprimento da meta. “Estamos muito decepcionados, especialmente com os OEMs [fabricantes de aeronaves], que vêm atrasando a entrega de novos aviões, porque isso significa que nossas emissões brutas são maiores do que deveriam ser, o que amplia ainda mais a diferença em relação à meta.” “Também estamos decepcionados por não termos visto uma reforma dos sistemas de gerenciamento de tráfego aéreo ao redor do mundo, algo que reduziria significativamente nossas emissões brutas. Estamos decepcionados porque as empresas de combustível que se comprometeram a disponibilizar combustíveis sustentáveis não estão cumprindo as promessas que fizeram”, completou Walsh.”
Fonte: Folha de S. Paulo; 07/06/2026
China domina projetos industriais de baixo carbono; EUA ficam para trás, diz relatório
“O número de projetos industriais de baixo carbono que garantiram financiamento nos últimos seis meses mais que dobrou em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando a 19 projetos, somando US$ 43 bilhões, com a maior parte concentrada na China, segundo relatório divulgado na segunda-feira. De acordo com a Mission Possible Partnership, 13 dos projetos que tomaram decisão final de investimento entre novembro e abril estavam na China, abrangendo setores que vão de metanol a alumínio, enquanto apenas um estava nos Estados Unidos. No mesmo intervalo de um ano antes, haviam sido financiados apenas oito projetos. Os investimentos em indústria verde aceleraram em um período marcado pelos ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, que elevaram os preços dos combustíveis fósseis. “Em um ambiente cada vez mais fragmentado e instável, a dependência de combustíveis fósseis tem mostrado repetidamente que significa exposição a choques de preços, interrupções no fornecimento e crises econômicas”, afirmou Faustine Delasalle, CEO da MPP. A MPP é uma organização sem fins lucrativos sediada nos Estados Unidos, voltada a impulsionar o crescimento da indústria de baixa emissão, com apoio do Bezos Earth Fund e do Fórum Econômico Mundial. No total, o pipeline de projetos industriais de baixo carbono anunciados soma 969 iniciativas em setores como químicos, aviação, cimento e metais. A China responde por 170 dos projetos anunciados, enquanto os chamados países do “sunbelt”, incluindo Índia e Brasil, somam 318. A Europa aparece com 211 projetos, e os Estados Unidos, com 72. “Os Estados Unidos têm um pipeline relevante, mas estão perdendo impulso relativo”, diz o relatório, acrescentando que o número de projetos anunciados caiu 20, de 92, ao longo dos últimos 12 meses.”
Fonte: Reuters; 08/06/2026
Política
China muda cálculo e mascara metade da alta recente em suas emissões de carbono
“Uma mudança discreta na forma como a China mede o próprio progresso climático mascarou boa parte do crescimento recente de suas emissões, embora a quantidade real de gases lançada na atmosfera siga a mesma. Segundo análise do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (CREA), think tank sediada na Finlândia, o método com que o país contabiliza a intensidade de carbono deixou de fora cerca de metade do aumento de emissões verificado entre 2020 e 2025. A diferença não é modesta: equivale a aproximadamente 700 milhões de toneladas de CO₂ por ano, volume próximo ao que Alemanha ou Coreia do Sul emitem anualmente. O caso ganhou repercussão depois que o Financial Times noticiou a análise no fim de maio. O ponto de partida, porém, é um documento público: o esboço do 15º Plano Quinquenal chinês divulgado em março. O documento foi combinado ao trabalho de pesquisadores que tentam entender, de fora, a fórmula exata com que calcula a intensidade de carbono – algo que a potência asiática nunca explicou abertamente. Sem acesso a essa fórmula, os analistas do CREA precisaram deduzi-la a partir dos resultados oficiais, testando quais combinações de dados de emissões e de PIB reproduziriam os valores divulgados. A intensidade de carbono relaciona a quantidade de CO₂ emitida a cada unidade de produção econômica, e foi a métrica que o país escolheu, há mais de uma década, para acompanhar o próprio avanço. É também o que sustenta o compromisso assumido por Xi Jinping em 2021, de reduzi-la em 65% sobre os níveis de 2005 até 2030.”
Fonte: Exame; 07/06/2026
Índices ESG e suas performances


(1) O Índice ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3) tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de empresas com reconhecido comprometimento com o desenvolvimento sustentável, práticas e alinhamento estratégico com a sustentabilidade empresarial.
(2) O Índice S&P/B3 Brasil ESG mede a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade e é ponderado pelas pontuações ESG da S&P DJI. Ele exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também cias sem pontuação ESG da S&P DJI.
(3) O ICO2 tem como propósito ser um instrumento indutor das discussões sobre mudança do clima no Brasil. A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.
(4) O objetivo do IGCT é ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de emissão de empresas integrantes do IGC que atendam aos critérios adicionais descritos nesta metodologia.
(5) A série de índices FTSE4Good foi projetada para medir o desempenho de empresas que demonstram fortes práticas ambientais, sociais e de governança (ESG)..
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