Crédito privado: como equilibrar risco e retorno?
A Semana da Renda Fixa começou segunda-feira (13) no YouTube da XP. A analista do Research da XP Maria Luisa Paolantoni recebeu Ivan Leão, sócio e gestor da Kinea Investimentos, para falar sobre crédito privado. Como equilibrar risco e retorno? Assista abaixo:
Evolução do crédito privado no Brasil
Os especialistas começaram o encontro abordando a evolução do crédito privado no Brasil. Segundo Leão, a indústria cresceu em tamanho e em número de gestores. “Hoje há dezenas, centenas de gestoras de crédito privado”, disse. Para ele, a pluralidade de opiniões é saudável, aumentando também a liquidez do mercado.
Leão lembrou de alguns episódios que preocuparam investidores, como o período da Covid-19 e os casos de Americanas e Light. Mais recentemente, algumas empresas como Braskem e Raízen também ganharam destaque no noticiário. “Agora, diferente de 2023, a indústria de crédito privado está com nível de alocação em crédito bastante baixa para níveis históricos”, afirmou o gestor.
De acordo com ele, deve haver um período de consolidação dos spreads. “A gente ainda vai ver o quanto esse mercado ainda deve abrir. Acredito que não estamos longe de um ponto de inflexão.” Para Leão, o momento é de oportunidades. “Em geral, a ideia é procurar papéis que tenham algum deslocamento de preço sem um deslocamento proporcional na qualidade de crédito.”
Outro ponto destacado por Leão foi o de que as métricas de crédito dos emissores (margem Ebitda, alavancagem, liquidez short term) seguem em níveis saudáveis. Maria ressaltou a importância da análise das empresas, observando se os movimentos são estruturais ou pontuais.
Riscos e decisões
Leão explicou um pouco sobre o processo de análise de crédito. “É um trabalho bem intenso de conhecimento da empresa.” Cenário macroeconômico, tensões geopolíticas e outros fatores também são considerados.
E quais são as escolhas? “A gente é bem ‘oportunístico’, não tem grandes preconceitos setoriais”, disse. […] Hoje, olhando o mercado de CDI, a Aegea chama muita atenção. […] Outro caso foi a Cosan”, exemplificou.
Pessoas físicas e investimentos incentivados
Segundo o gestor, tem havido uma participação crescente da pessoa física no mercado de financiamento de obras de infraestrutura. Esse crescimento pode trazer, segundo ele, mais volatilidade.
Leão apontou que há oportunidades para quem consegue analisar os segmentos de investimentos incentivados, que têm suas particularidades. “O setor incentivado acaba concorrendo, de certa forma, com o CDI, porque, para as empresas, é mais barato”, disse.
Private credit em 2026: tendências para o mercado de renda fixa
A Semana da Renda Fixa seguiu na terça-feira (14) com um debate sobre as tendências do private credit no mercado de renda fixa em 2026.
Para aprofundar o tema, Mayara Rodrigues, analista de renda fixa no Research da XP, recebeu Vinicius Raggio, sales specialist no Morgan Stanley.
Definição das classes de ativos
Nos Estados Unidos, o private credit é uma classe de ativos que soma cerca de US$ 1,5 trilhão em exposição. Segundo Raggio, na Morgan Stanley, o termo crédito privado é segmentado em 12 subclasses de ativos, sendo os empréstimos diretos o segmento que mais tem se destacado recentemente.
Essa classe de ativos ganhou maior relevância após a crise financeira de 2008, a partir de mudanças regulatórias que ocorreram ao redor do mundo. “Entre 2010 e 2020, esse movimento foi impulsionado principalmente por investidores institucionais”, explicou Raggio.
Os empréstimos diretos, por sua vez, passaram a ganhar atratividade por dois fatores principais. O primeiro é o retorno histórico, que, segundo o executivo, apresentou uma média em torno de 9,5% ao ano em dólar nos últimos 20 anos, o que torna o ativo bastante atrativo.
O segundo fator é a menor volatilidade, já que esses ativos não são negociados a mercado. “Quando você combina um retorno mais elevado com uma volatilidade menor, tem um perfil de risco muito interessante”, completou Raggio.
Mesmo entre empresas que acessam o mercado internacional, nem todas conseguem atingir esse nível de retorno, que costuma variar entre 5%, 6% ou 7% ao ano. “É realmente um outro nível de retorno que chama atenção”, destacou Mayara Rodrigues.
Crédito bancário tradicional x private credit
Ao ser questionado sobre as principais diferenças entre o crédito bancário tradicional e o private credit, bem como os pontos de atenção na comparação entre esses mercados, Raggio destacou que “cada crédito é um crédito”.
Segundo ele, por se tratar de uma classe high yield, o private credit envolve naturalmente mais alavancagem. Raggio explicou que “não tem como buscar retornos mais elevados sem assumir riscos”. Por isso, ele afirma que o principal ponto de atenção está em como estruturar estratégias diante desses riscos, já que se trata de operações “com maior alavancagem e menos garantias do que o crédito normal dado por um banco”.
O executivo também enfatiza que uma das maiores vantagens de optar pelo empréstimo direto é a eficiência do processo. “Você não precisa fazer um roadshow e não depende de o mercado público estar aberto e disposto a aceitar esse risco”, disse. Isso reduz tanto o tempo quanto a energia da empresa que está captando recursos.
Além disso, Raggio afirmou que, nesse modelo de empréstimo direto, o capital já está previamente levantado pelos fundos. Isso significa que o tomador “não depende do humor do mercado para precificar esse tipo de ativo”, criando estabilidade mesmo em cenários públicos desfavoráveis.
Para mitigar os riscos típicos de um ativo high yield, os gestores constroem portfólios amplamente diversificados. Raggio explicou que esses fundos costumam reunir entre 160 e 200 nomes, distribuídos entre mais de 30 setores da economia. De acordo com Raggio, “essa dinâmica é o que tenta, ao longo do tempo, minimizar os riscos adicionais que você está correndo por ser um ativo high yield”.
Bonds, Treasuries e mais: como diversificar com J.P. Morgan Asset
A diversificação é um dos grandes pilares para a construção de uma carteira mais protegida contra riscos macroeconômicos e de mercado. E de que forma a renda fixa internacional pode contribuir ao portfólio do investidor?
Isabella Nunes, head de sales na J.P. Morgan Asset, foi a convidada do terceiro e último painel da Semana da Renda Fixa, que aconteceu na quarta-feira (15). Em uma conversa com Carol Freitas, analista de fundos da XP, Nunes trouxe sua visão sobre as últimas atualizações do cenário de renda fixa global e comentou quais investimentos dessa classe são oportunidades hoje.
Leitura atual sobre mercados globais
A eclosão do conflito no Oriente Médio fez com que uma grande parcela do mercado, incluindo a J.P. Morgan Asset, recalculasse parte da rota. Se a gestora entrou em 2026 com um cenário moderadamente otimista, agora a cautela é maior e as expectativas são outras.
Segundo Nunes, o conflito trouxe alguns pontos de atenção para os mercados:
- O preço do petróleo, que “acaba sendo um imposto para o mundo inteiro”;
- A duração dos estoques de empresas ligadas à cadeia de semicondutores;
- A queda do apetite ao risco diante das elevadas incertezas.
“As expectativas mudaram, eram de crescimento acima da média histórica. A gente ainda vê expansão da economia global, mas mais tímida”, comentou.
Renda fixa internacional: para onde olhar
O investidor brasileiro ainda é subalocado em renda fixa do exterior. Apenas 2% têm investimento internacional, lembrou Nunes.
Nos mercados de títulos, por exemplo, o investidor brasileiro pode estar perdendo boa parte das oportunidades, visto que, no exterior, essa indústria é muito maior e mais líquida.
Nunes listou a volta da renda fixa internacional como uma das três principais mudanças estruturais recentes que vimos nos mercados. As outras duas são: (i) rotação de capital para fora dos EUA; e (ii) o crescimento da inteligência artificial (IA).
“Durante muito tempo, vimos juros [americanos] a zero. Hoje, você ganha com o investimento em renda fixa global, muito diferente de uns tempos atrás”, afirmou.
O mercado de high yield está pagando hoje rendimentos próximos de 6-7%, níveis considerados bastante atrativos. Ainda assim, ter seletividade na hora de escolher os ativos, priorizando empresas de qualidade, é fundamental para construir uma carteira competitiva, de acordo com Nunes.
Para a gestora, os movimentos nas taxas de juros americanos hoje são oportunidades táticas para fazer investimento. E as curvas de juros de 0-3 anos são o ponto onde ela tem mais convicção: “Esse ponto, mais no curto prazo, pode se beneficiar eventualmente de uma solução do conflito. Ou para o outro cenário: se for uma escalada das tensões, serve como um ativo de segurança.”
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