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Temporada de resultados, treasuries, FOMC, Jap√£o e Apple | ūüĆé Top 5 temas globais da semana

1. Temporada de Resultados: Hora de olhar para frente! 2. Treasuries têm nova semana de queda, ativos de risco tem impulso 3. FOMC mantém taxa básica de juros americana inalterada 4. Governo japonês anuncia estímulos ao consumo 5. Apple divulga resultados do terceiro trimestre

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1. Temporada de Resultados: Hora de olhar para frente! 81% das empresas do S&P j√° reportaram seus n√ļmeros, dentre estas, 80% surpreenderam positivamente na linha dos lucros

2. Treasuries têm nova semana de queda, ativos de risco tem impulso A taxa da treasury de 10 anos teve queda de 27 bps e a taxa de 30 anos teve queda de 25 bps, dando base para semana positiva para mercados ao redor do mundo

3. FOMC mantém taxa básica de juros americana inalterada Conforme amplamente esperado, os juros foram mantidos inalterados, mas se o Jerome Powell está cauteloso, nós também estamos

4. Governo japon√™s anuncia est√≠mulos ao consumo O governo do Jap√£o anunciou um pacote de medidas para amenizar o impacto da infla√ß√£o sobre a economia, que envolve um gasto de mais de 113 bilh√Ķes de d√≥lares

5. Apple divulga resultados do terceiro trimestre Lucro vem acima das expectativas, mas perspectivas derrubam o pre√ßo das a√ß√Ķes

1. Temporada de Resultados: Hora de olhar para frente!

Com 81% das empresas do S&P j√° tendo reportado seus n√ļmeros, dificilmente o cen√°rio ir√° mudar e podemos decretar uma vit√≥ria das empresas (ou seria uma derrota dos analistas?) com 80% de surpresas positivas na linha de lucros.

Todos os setores j√° t√™m 70% ou mais de empresas com balan√ßos fechados e os setores Financeiro e Imobili√°rios j√° passam dos 90%. Bens de Consumo, Consumo Discricion√°rio e Sa√ļde seguem os mais ‚Äúatrasados‚ÄĚ

Apesar do alto n√ļmero de empresas reportando lucros acima do esperado, continuamos surpresos com o baixo percentual de companhias surpreendendo positivamente na linha de receita, apesar do fort√≠ssimo crescimento do PIB dos EUA no 3¬ļ trimestre de 2023: apenas 48%.

Um outro aspecto que tem nos chamado a aten√ß√£o √© o tom mais cauteloso que os diretores das empresas t√™m tido nas confer√™ncias com analistas. Exceto alguns coment√°rios mais otimistas com Intelig√™ncia Artificial, a preocupa√ß√£o com o ambiente macroecon√īmico tem pesado bastante e levado a guidances mais modestos para os pr√≥ximos trimestres e, consequentemente, afetando os pre√ßos das a√ß√Ķes nos preg√Ķes seguintes √†s divulga√ß√Ķes e as estimativas de lucros futuros.

Se, por um lado, o n√ļmero consolidado de proje√ß√Ķes para o 3¬ļ tri (que leva em considera√ß√£o os n√ļmeros reais j√° reportados e as estimativas dos 19% de empresas faltantes) est√° sendo constantemente revisado para cima, os n√ļmeros do 4¬ļ trimestre t√™m sofrido os impactos dos coment√°rios, guidances e dados econ√īmicos mais fracos dos √ļltimos dias. Caso essa tend√™ncia se mantenha, √© natural esperarmos uma revis√£o mais forte, tamb√©m, para o ano de 2024.

2. Treasuries têm nova semana de queda, ativos de risco tem impulso

Em outubro, as taxas de juros americanas de 10 e 30 anos avan√ßaram 35 e 39 bps, respectivamente. Entretanto, n√£o acreditamos que a queda dos ativos de risco globais em outubro possa ser atribu√≠da somente a esse movimento, e destacamos como fatores relevantes (i) a preocupa√ß√£o com o fiscal americano, que deve ser mitigada com a troca de comando na presid√™ncia da C√Ęmara dos Representantes dos Estados Unidos (que comentamos aqui e aqui), t√£o logo haja uma defini√ß√£o mais clara dos pr√≥ximos passos para o or√ßamento e gasto p√ļblico; (ii) o aumento da percep√ß√£o de riscos geopol√≠ticos globais, com a escalada do conflito entre Hamas e Israel, que tem provocado alta de ativos considerados seguros (como o ouro) e que poderiam ser diretamente afetados por um conflito em larga escala (como o petr√≥leo); (iii) sinais de que a economia americana segue resiliente, devido a dados de atividade econ√īmica ainda fortes, como o PIB do 3¬ļ trimestre que superou largamente as expectativas.

Nesta semana, a taxa da treasury de 10 anos teve queda de 27 bps e a taxa de 30 anos teve queda de 25 bps, e fecharam a semana em 4,58% e 4,77%, respectivamente. Novos dados econ√īmicos divulgados nesta semana foram mais benignos que o antecipado e ajudam o Federal Reserve em sua tarefa de levar a infla√ß√£o para baixo: o payroll, principal pesquisa de emprego nos EUA, mostrou uma leve desacelera√ß√£o, que vai em linha com o que se espera de uma economia com juros em patamares restritivos e condi√ß√Ķes financeiras apertadas.

Al√©m disso, fatores t√©cnicos como uma press√£o baixista de juros vinda da √Āsia, ap√≥s interven√ß√£o no mercado de bonds pelo governo japon√™s √† medida que a taxa de 10 anos local se aproxima de 1% e o an√ļncio do Tesouro Nacional americano de que iriam emitir menos d√≠vida de longo prazo do que o mercado estava esperando, focando mais em emiss√Ķes curtas, o que tira press√£o da parte longa da curva, contribu√≠ram para o movimento das treasuries na semana.

O que ocorre √© um paradoxo: se por um lado o Federal Reserve condiciona a manuten√ß√£o do atual patamar de juros a taxas de longo prazo mais longas, que teriam um efeito equivalente, sinaliza√ß√Ķes de que n√£o ocorrer√° uma nova alta e dados econ√īmicos que convergem para o que o Fed espera de uma economia em rota de normaliza√ß√£o ap√≥s um per√≠odo inflacion√°rio causam descompress√£o nos juros de longo prazo.

Devido √† queda das treasuries nessa semana, os ativos de risco avan√ßaram. O √≠ndice global, ACWI, teve alta de 5,9%, o SPY (ETF representativo do √≠ndice S&P 500) subiu 5,8% e o QQQ (ETF de Nasdaq 100) subiu 6,5%. Este movimento, entretanto, n√£o parece ser sustent√°vel a longo prazo, uma vez que n√£o h√° quaisquer sinais de que o Fed j√° pense em cortar juros, e a possibilidade uma recess√£o n√£o esteja descartada, conforme cada vez mais companhias sinalizam em suas divulga√ß√Ķes de resultados.

3. FOMC mantém taxa básica de juros americana inalterada

Nesta semana, o comitê de política monetária do Federal Reserve, o FOMC, se reuniu para decidir os próximos passos da autoridade monetária. O FOMC decidiu por manter a taxa de juros inalterada, conforme amplamente esperado, na faixa de 5,25% a 5,50% ao ano.

O comunicado que acompanhou a decis√£o veio praticamente id√™ntico ao anterior, com mudan√ßas pontuais relativas ao diagn√≥stico da atividade econ√īmica de s√≥lida para forte. J√° o pronunciamento do presidente do Fed, Jerome Powell n√£o trouxe surpresas e refor√ßou o movimento que j√° vinha acontecendo nas treasuries (conforme discutimos no tema #2).

Do lado mais hawkish (ou seja, duro), ele reiterou que o banco central ainda se encontra longe do final do processo de combate √† infla√ß√£o, e que esse processo pode ser dividido em 3 partes: at√© quanto subir os juros, por quanto tempo deixar os juros elevados e s√≥ depois come√ßar a considerar cortes. Powell declarou que o Fed ainda se encontra na primeira fase e que a tomada de decis√£o tem sido feita reuni√£o a reuni√£o, o que faz com que o resultado decis√£o de dezembro ainda n√£o esteja dado, n√£o descartando a possibilidade de uma alta. No momento, o mercado atribui 20% de chance para uma alta na pr√≥xima reuni√£o. Do lado mais dovish (ou seja, brando), Powell frisou que as condi√ß√Ķes econ√īmicas j√° est√£o bastante restritivas e que o FOMC ir√° proceder com muita cautela de agora em diante. Com isso, o Fed sinaliza que n√£o vai deixar de subir juros se a economia se mantiver forte e ficar√° parado caso desacelere. Nenhum dos dois cen√°rios parece positivo para os ativos de risco, e se o Jerome Powell est√° cauteloso, n√≥s tamb√©m estamos!

4. Governo japonês anuncia estímulos ao consumo

O governo do Jap√£o anunciou um pacote de medidas para amenizar o impacto da infla√ß√£o sobre a economia, que envolve um gasto de mais de 17 trilh√Ķes de ienes (cerca de US$ 113 bilh√Ķes). Para financiar parte desses gastos, o governo ir√° criar um or√ßamento suplementar para o ano fiscal atual de 13,1 trilh√Ķes de ienes. Com os gastos dos governos locais e empr√©stimos estatais, o pacote totalizar√° 21,8 trilh√Ķes de ienes.

O pacote inclui cortes temporários nos impostos de renda e residenciais, transferências diretas para famílias de baixa renda e subsídios para reduzir os custos de gasolina, contas de água e energia elétrica. Segundo estimativas do governo, o plano de gastos impulsionará PIB japonês em cerca de 1,2% em média nos próximos três anos. O pacote também inclui medidas para fortalecer as cadeias de suprimentos e tecnologias-chave, como incentivos fiscais para empresas que investirem em áreas consideradas estrategicamente importantes.

O pacote surge em um momento que economias do ocidente ainda lutam para manter a infla√ß√£o, demasiadamente elevada, sob controle. O Jap√£o, entretanto, sofre historicamente do problema oposto, que √© infla√ß√£o estruturalmente muito baixa ou at√© mesmo defla√ß√£o. Isto ocorre devido a uma s√©rie de fatores, dentre os quais podemos citar o demogr√°fico como o principal. No pa√≠s, a natalidade come√ßou a cair na d√©cada de 1970, e a popula√ß√£o tem tido a experi√™ncia de encolher a cada ano, desde 2008. O governo tenta com o pacote impulsionar a economia do pa√≠s, ajudando as empresas a aumentarem a rentabilidade e os rendimentos para promover aumentos de sal√°rios. O aumento dos gastos pode levar o governo a emitir mais t√≠tulos da d√≠vida p√ļblica, aumentando ainda mais a d√≠vida p√ļblica japonesa, que j√° √© a maior entre as principais economias do mundo. A taxa de juros japonesa de curto prazo permanece em -0,1% ao ano, e o banco central do pa√≠s tem afrouxado aos poucos a banda de flutua√ß√£o da taxa de 10 anos.

5. Apple divulga resultados do terceiro trimestre

√Č a maior empresa do mundo! Com quase 3 trilh√Ķes de d√≥lares de capitaliza√ß√£o de mercado (ok, 2,75), cerca de 380 bilh√Ķes de d√≥lares de receitas anuais e aproximadamente US$ 100 bilh√Ķes de lucro l√≠quido. Obviamente, estamos falando pela empresa fundada por Steve Jobs, Ronald Wayne e Steve Wozniak (que, ali√°s, esteve na √ļltima Expert XP): a Apple!

Na noite dessa quinta-feira, dia 02, a Apple divulgou seus resultados ao mercado e, apesar de reportar um lucro acima do que o mais otimista dos analistas esperava (executado de 1,46 ante uma expectativa que variava entre 1,35 e 1,45), os n√ļmeros n√£o foram bem recebidos, com a a√ß√£o chegando a cair cerca de 4% no after market. √Č verdade que o bom humor dos mercados na sexta-feira (Nasdaq subiu 1,2%) evitou uma rea√ß√£o t√£o negativa e a AAPL acabou fechando com uma queda de apenas 0,5%.

Mas se o lucro foi tão bom, qual o motivo da decepção?

O mercado √© feito de expectativas e, como costumados dizer, resultado √© retrovisor. Ou seja, uma vez reportado, o lucro passado servir√° apenas como base para as proje√ß√Ķes para os trimestres (e anos) √† frente. Al√©m da ‚Äúbase‚ÄĚ, outras vari√°veis entrar√£o nas planilhas de milhares de analistas ao redor do mundo!

E a primeira linha dessas planilhas com certeza ser√° a receita. A Apple vem tendo problemas em crescer seu top line j√° h√° alguns meses. Este √ļltimo resultado marcou, inclusive, o 4¬ļ trimestre consecutivo de queda no comparativo anual (-0,7%). V√≠tima do pr√≥prio sucesso, a empresa comandada por Tim Cook se tornou t√£o grande e t√£o dominante que a busca por novos produtos e novos mercados que fa√ßam a diferen√ßa e ‚Äúmexam a agulha‚ÄĚ numa receita de quase 100 bilh√Ķes. Dificilmente os rec√©m lan√ßados √≥culos de realidade virtual ou iPhones com ‚Äúnovos‚ÄĚ cabos USB-C como grande inova√ß√£o ser√£o o grande diferencial.

Em termos regionais, a Apple tem investido muito num novo mercado, a √ćndia, com abertura de lojas f√≠sicas e transfer√™ncia de parte relevante da produ√ß√£o para o pa√≠s. Por√©m, essa abertura de um novo (e gigantesco) mercado tem sido acompanhada de uma s√©rie de dificuldades encontradas naquele que foi o grande vetor de crescimento dos √ļltimos anos, a China. Outrora grande parceira, a China vem sendo um problema para a Apple recentemente. Quest√Ķes log√≠sticas ainda se arrastam desde a √©poca da pandemia, proibi√ß√£o do uso de iPhones por funcion√°rios do governo chin√™s e o aumento da concorr√™ncia com o lan√ßamento do extremamente bem sucedido Mate 60 Pro da chinesa Huawei culminaram numa quase de 2,5% das receitas na regi√£o e assustaram os investidores, que esperavam um n√ļmero mais de 10% acima do reportado.

Durante a confer√™ncia com analistas, a Apple ainda jogou um balde de √°gua fria nas expectativas para o √ļltimo trimestre do ano. O mercado, que tinha quase 5% de crescimento de vendas, ouviu o CFO Luca Maestri indicar um n√ļmero igual ao √ļltimo tri de 2022. Ou seja, 0% e nenhuma indica√ß√£o de como a gigante de Cupertino-Calif√≥rnia pretende virar o jogo. Do lado positivo, destacamos o segmento de servi√ßos, que envolve App Store, Apple TV, iCloud, Apple Care, entre outros. Al√©m da receita acima do esperado, por ser um neg√≥cio de margem mais alta, esse melhor mix levou √† surpresa positiva nos lucros.

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