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🌎 Mundo em 60s: Taper Tantrum

Entenda o que foi o Taper Tantrum de 2013 e porque este tema se tornou relevante após o comitê do Fed. Veja os destaques da semana.

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Bolsas: Nesta semana, o foco dos investidores foi na fala do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e na divulgação das novas projeções do comitê, que mostrou que mais dirigentes da autoridade monetária dos EUA esperam um aumento dos juros ainda em 2023, antes do que era esperado pelo mercado. O tom mais hawkish da reunião levou os mercados globais a caírem. O destaque negativo da semana foi o ouro (-5,4%), uma vez que os juros nos EUA tornam-se mais atrativos.

Setores: Os setores relacionados ao trade de reflação foram os mais impactados com a nova perspectiva de contração da política monetária, como materiais básicos (-5,8%), petrolíferas (-2,5%) e financeiro (-6%). Na ponta neutra, o setor de tecnologia (+0,5%) se manteve em leve alta.


Taper Tantrum

O termo “Taper” vem do esporte e nada mais é do que uma redução na carga de treinamentos, visando o descanso e uma otimização de performance dos atletas no período pré-competição. E “Tantrum” é, por exemplo, quando uma criança faz birra por não conseguir o que quer.

Esses dois termos foram transferidos para o mercado financeiro no ano de 2013, quando o Federal Reserve (Fed), banco central americano, anunciou o tapering, ou seja, o plano de redução do programa de compra de títulos com que despeajava liquidez nos mercados. Os investidores, por sua vez, não reagiram bem fazendo um tantrum, ou uma birra, levando as taxas de juros de títulos de longo prazo a subirem significativamente.

Contextualizando, a Crise Financeira de 2008 levou o Fed executar uma política expansionista conhecida como Quantitative Easing (QE), ou flexibilização quantitativa. Essa política envolvia a compra massiva de títulos de governo e outros ativos, com o objetivo de injetar dinheiro no sistema financeiro, e assim, manter a sua estabilidade. Com o sistema financeiro mais estável, mais empréstimos e consumo seriam estimulados, promovendo a recuperação econômica.

Durante esse programa de flexibilização, o banco central americano adquiriu quase US$ 2 trilhões em ativos, tornando-o um dos maiores compradores do mercado. No entanto, com a melhora das perspectivas econômicas, o Fed optou por anunciar o fim do QE, que levaria à redução na demanda por esses ativos. A notícia foi recebida com nervosismo por investidores preocupados com a retirada do suporte dado pelo Fed até então.

E por que isso importa agora? Na última quarta-feira, batizada de “Super-quarta”, Jerome Powell, o presidente do Federal Reserve, anunciou que seus dirigentes começaram a “discutir sobre discutir sobre” o tapering, citando que, por conta do estágio avançado de vacinação dos EUA e suas perspectivas de reabertura e crescimento econômico, seria necessário iniciar as discussões sobre a redução dos estímulos monetários do país, implementados com a crise da pandemia.

Portanto, optamos por analisar o período entre maio de 2013 e dezembro de 2016 para identificar como se comportou o mercado neste período de anúncios do Federal Reserve envolvendo a política de tapering, que serve como um bom paralelo ao período em que podemos viver nos próximos meses.

Em 22 de maio de 2013, Ben Bernanke, o então presidente do Federal Reserve, anunciou: “O Fed observou um aumento da confiança na recuperação do mercado de trabalho americano e esta recuperação é sustentável. Portanto, passo à passo, responderemos com a redução da nossa política monetária expansionista de forma apropriada“. Embora o recente discurso de Powell seja diferente, buscando mitigar os aspectos negativos da drenagem de liquidez, o cenário pode ser considerado similar, no qual as autoridades monetárias vislumbram uma recuperação econômica sustentável à frente.

Na época, os investidores anteciparam que a redução na demanda por ativos por parte de Fed levaria à queda futura de seus preços. Como resultado, a resposta imediata foi um sell-off de títulos do tesouro americano, causando a desvalorização desses títulos. E com os preços caindo bruscamente, houve um disparo nas taxas de juros (lembrando que a relação entre preço e taxa de juros é inversa). Como mostramos abaixo, a taxa de juros nos títulos de 10 anos dos EUA subiu +85bps após o pronunciamento.

O sell-off se espalhou pelo mercado, atingindo principalmente aqueles de maior risco. Ativos de mercados emergentes e commodities caíram. Além disso, com a alta das taxas de juros, o ouro caiu também. E os índices de ações americanas viram uma breve queda, mas se recuperaram logo depois.

Obs.: O DXY representa o desempenho do dólar vs. uma cesta ponderada pelos parceiros comerciais dos EUA. Retornos em US$, exceto indicado.

Compilamos dados sobre ativos e sua performance durante o período entre 2013 e 2016, que engloba três fases do período do tapering pós crise financeira de 2008. Os grandes vencedores foram as ações americanas (incluindo as de valor e crescimento) e uma apreciação do dólar contra as moedas de países emergentes. Embora o dólar DXY tenha respondido mal durante a primeira janela, a moeda americana se recuperou nos próximos períodos. Do lado dos perdedores, encontramos os índices e moedas de países emergentes, como o Ibovespa e o real, além de commodities e ouro.  

Olhando para frente, nosso Estrategista Macro Global, Alberto Bernal, acredita que Powell deverá entregar o calendário do processo de tapering em agosto, durante a reunião de Jackson Hole. Esta seria a melhor alternativa para o Fed, uma vez que, até lá, o banco central terá mais dois meses de dados de inflação e de emprego para tomar sua decisão.

A redução na compra de ativos poderá ter início no 1º trimestre de 2022, em um ritmo de US$ 10 bilhões mensais até que se encerrem as compras de títulos. No entanto, os riscos do tapering começar no 4º trimestre de 2021 cresceram significativamente. Quanto às taxas de juros, estimamos que a primeira alta ocorrerá no 3º trimestre de 2023, antecipando a previsão anterior de que o ciclo de alta começaria no 1º trimestre de 2024.

Olhando para frente, mantemos nossa convicção de que o preço da Bolsa reflete o lucro das empresas. Embora as preocupações com a redução dos estímulos possam trazer volatilidade no curto prazo, o S&P 500 ainda tem espaço para alcançar o nosso preço-alvo de 4,450 pontos ao final de 2021.

Para investir no mercado global, a XP disponibiliza 1) BDRs e ETFs, que podem ser negociados no homebroker, 2) COEs focados no mercado internacional e 3) Fundos de investimento internacional.


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