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Segue o plano: Perspectivas por Classe de Ativo | Fevereiro 2024

Perspectivas de alocação e comentários por classe de ativo para os investimentos do mês de fevereiro de 2024.

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Em nossas carteiras recomendadas de alocação (“carteiras por perfil“), definimos mensalmente os percentuais sugeridos para investimento por classe de ativo de acordo com cada política de investimentos, sendo que cada política, por sua vez, tem um objetivo de risco (volatilidade) e um horizonte de investimento.

Abaixo as alocações sugeridas por classe de ativo para cada política de investimentos para o mês de fevereiro de 2024:

Esses percentuais de alocação por classe de ativo tem um componente estrutural, com base em retornos esperados de longo prazo (3 a 5 anos) e são revisados ao menos a cada 12 meses. Entretanto, uma outra parcela dessa alocação pode ter um componente tático, de curto e médio prazos, olhando para 3 a 6 meses a frente e que são revisados e sugeridos mensalmente com base nas discussões do Comitê de Alocação.

Essas perspectivas de alocação por classe de ativo de curto e médio prazos podem apresentar 3 qualificações possíveis:

  • Positiva – sugere uma sobrealocação para aquela classe de ativo em relação ao percentual definido em cada carteira
  • Neutra – sugere uma alocação em linha para aquela classe de ativo, ou seja, igual ao percentual definido em cada carteira
  • Negativa – sugere uma subalocação para aquela classe de ativo em relação ao percentual definido em cada carteira

Perspectivas de alocação por classe de ativo

Alguns dos destaques do mês:

  • Com alguns riscos de curto e médio prazo no radar, que podem oferecer uma resistência ao processo de desinflação no Brasil, além do principal vetor de preocupação no longo prazo que é a nossa política fiscal, continuamos a ter uma visão otimista para exposições em títulos IPCA+ e/ou fundos que ofereçam exposição a esse indexador, como os de debêntures incentivadas;
  • Os gestores de fundos Multimercados devem ter melhor capacidade de extrair retornos dos mercados, principalmente de juros, em um momento no qual existe uma maior sincronia no estágio das políticas monetárias dos diferentes países. Além disso, o retorno acima do CDI em janelas móveis de 12 meses descolou bastante (para baixo) da média histórica, o que pode sugerir que, se os retornos convergirem ao menos à essa média nos meses à frente, os fundos Multimercados já teriam um retorno esperado bastante atrativo vis a vis outras classes;
  • As estimativas de Lucro por Ação do Ibovespa tem sido revisadas para cima nos últimos meses, enquanto os valuations das empresas permanecem atrativos. Acreditamos que ainda há espaço para aumentarmos a exposição à bolsa nas carteiras;
  • Nas teses de investimentos alternativos ilíquidos, temos uma visão construtiva para crédito estruturado, que geralmente apresenta riscos maiores e/ou mais complexos, porém possuem camadas de proteções, com garantias adicionais ou senioridade na estrutura, que tornam o equilíbrio de risco x retorno mais atrativo.

Na tabela abaixo estão as perspectivas de alocação por classe de ativo de curto e médio prazos para o mês de fevereiro de 2024:

Comentários gerais por classe de ativo

RENDA FIXA LOCAL

Pós fixado Em nosso cenário base, no ritmo de 50 pontos base de redução por reunião do COPOM, a taxa Selic deverá encerrar 2024 em 9,00% ou muito próxima a esse valor, o que resultaria em um CDI acumulado no ano perto ou um pouco abaixo de 10%. Com um IPCA esperado de 3,7% para 2024, isso dará à essa classe de ativo um ganho real de cerca de 6% nesse ano. Se considerarmos esse retorno ajustado ao risco, a renda fixa pós fixada parece se manter atrativa para compor mais de 60% das carteiras de perfil conservador, porém não mais do que 1/4 das carteiras moderadas e agressivas. Chamamos atenção somente ao fato de que outras classes de ativos, até mesmo dentro da renda fixa, potencialmente poderão apresentar desempenhos melhores no cenário de Selic em queda.

Inflação – o processo desinflação vem se consolidando e o IPCA deve ir se estabilizando perto de 4% ao longo dos próximos meses. Enquanto isso, a curva da inflação implícita, por mais que também venha se acomodando no geral, ela ainda está acima do IPCA projetado por nós. Com alguns riscos de curto e médio prazo no radar, que podem oferecer uma resistência ao processo de desinflação no Brasil, além do principal vetor de preocupação no longo prazo que é a nossa política fiscal, continuamos a ter uma visão otimista para exposições em títulos IPCA+ e/ou fundos que ofereçam exposição a esse indexador, como os de debêntures incentivadas.

Prefixado – Depois de um 2023 de desempenho forte, enxergamos prêmios mais modestos na classe de ativo, principalmente para exposições via títulos públicos. De agora em diante, as oportunidades passam a ser mais pontuais para aumento de exposição, podendo ocorrer com eventuais aberturas da curva nominal de juros ou através de emissões bancárias e privadas com risco de crédito mais elevado (maior prêmio). É necessário que haja maior visibilidade sobre uma melhora estrutural da dinâmica fiscal brasileira de longo prazo para pensarmos em novos aumentos de exposição à essa classe e/ou para alongarmos os vencimentos sugeridos.

Crédito Privado – Continuamos a recomendar cautela, uma vez que o patamar ainda alto dos spreads de crédito
podem sinalizar algum grau de incerteza
por parte de grandes investidores em relação ao cenário brasileiro
para crédito. Afinal, os juros se mantêm em dois dígitos e várias das empresas que foram afetadas pelo cenário
macroeconômico desafiador recente podem levar certo tempo para apresentarem melhoras em seus balanços e resultados de forma sustentável. Por outro lado, destacamos que o carrego nominal dos títulos permanece atraente, com oportunidades interessantes a serem capturadas no crédito privado de empresas bem-posicionadas no mercado.

A diferença no comportamento dos spreads dos diferentes setores pode ficar mais evidente, com os mais
estáveis, devido à sua menor elasticidade em relação a movimentos na economia e nos mercados, como
Saneamento e Energia, tendendo a ter um comportamento mais em linha os índices de referência, enquanto os mais correlacionados com a economia, como Indústria e Consumo, apresentando maior volatilidade.

RENDA FIXA GLOBAL

Com um retorno esperado elevado principalmente quando ajustado ao risco, a renda fixa global segue sendo a nossa classe de ativo internacional predileta. Nosso foco continua em fundos, títulos e bonds de alta qualidade, mas também gostamos dos títulos corporativos que tenham resiliência e balanços saudáveis para atravessar um ciclo de aperto monetário como o atual.

Exposições complementares em outros tipos de títulos, estruturas de crédito e estratégias podem ser realizadas via fundos de gestão ativa, calibrando para que o prazo médio desses títulos somado ao dos fundos de renda fixa global, não estejam muito acima de 3 a 4 anos.

MULTIMERCADOS

Fizemos uma recalibragem na direção do que devemos fazer ao longo dos próximos meses, deixando a exposição aos Multimercados mais próxima da média estrutural que essa classe tem ao longo do tempo.

Algumas hipóteses que sustentam a medida: (i) os gestores de fundos Multimercados devem ter melhor capacidade de extrair retornos dos mercados, principalmente de juros, em um momento no qual existe uma maior sincronia no estágio das políticas monetárias dos diferentes países e; (ii) o retorno acima do CDI em janelas móveis de 12 meses descolou bastante (para baixo) da média histórica, o que pode sugerir que, se os retornos convergirem ao menos à essa média nos meses à frente, os fundos Multimercados já teriam um retorno esperado bastante atrativo vis a vis outras classes.

RENDA VARIÁVEL LOCAL

Existe uma “combinação ideal” acontecendo no mercado de renda variável brasileiro, com as estimativas de Lucro por Ação do Ibovespa tem sido revisadas para cima nos últimos meses, enquanto os valuations das empresas permanecem atrativos se olharmos por várias métricas, tais como Preço/Lucro, Preço/Valor Patrimonial, Dividend Yield, entre outros.

O mercado de ações no Brasil também pode ser impulsionado por uma melhora na narrativa macro global de que um soft landing, ou “pouso suave” da economia dos EUA, é possível. Isso sem falar que em ciclos de cortes de juros, o Ibovespa obteve, na média dos últimos 20 anos, uma apreciação de 35% (3x o CDI no período), e Small Caps subiram 45% em média.

Acreditamos que ainda há espaço para aumentarmos a exposição à bolsa nas carteiras, porém estamos analisando o momento ideal para acrescentar esses e outros ativos de risco.

RENDA VARIÁVEL GLOBAL

Reconhecemos que aumentaram as chances de que o Fed consiga um soft landing (“pouso suave”) da economia americana, entretanto acreditamos que o mercado atribui uma chance muito alta de que isso aconteça e precifica um cenário extremamente benigno, no qual a economia não desacelera, os juros caem, o desemprego não sobe e a inflação dá-se por vencida. Com isso, vemos pouco upside para os índices de ações como S&P 500 e Nasdaq 100 e buscamos oportunidades em outras regiões (Europa e China) e em setores mais defensivos (Saúde, Utilidades Públicas e Bens de Consumo).

Vale destacar que o prêmio de risco do S&P 500 em relação às Treasuries de 10 anos, atualmente próximo a 3%, está bem abaixo da média dos últimos 5 anos, que é de pouco mais de 5%.

ALTERNATIVOS

A exposição ao segmento de shoppings e galpões logísticos via fundos imobiliários segue relevante, pois ainda capturam os efeitos positivos dos cortes da taxa Selic e de uma menor sensibilidade aos riscos globais.

Nas teses de investimentos alternativos ilíquidos, temos uma visão construtiva para crédito estruturado, que geralmente apresenta riscos maiores e/ou mais complexos, porém possuem camadas de proteções, com garantias adicionais ou senioridade na estrutura, que tornam o equilíbrio de risco x retorno mais atrativo. Existem indícios também que podemos estar vivendo uma janela importante e atrativa de originação de ativos de créditos estressados (distressed), bem como de direitos creditórios decorrentes de ações judiciais (legal claims) que podem ser encontrados em fundos de Situações Especiais (Special Situations), principalmente considerando o período de baixa liquidez e política monetária restritiva que vivemos recentemente e que ainda deve perdurar por pelo menos mais alguns meses.

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