Setembro chove? RPS Capital e Grimper respondem

Segundo as gestoras RPS Capital e Grimper não chove em setembro, nem em outubro e tampouco em novembro. Na verdade, não o suficiente e necessário para afastar a crise hídrica que se instalou no Brasil nos últimos meses.


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Segundo as gestoras RPS Capital e Grimper Capital não chove em setembro, nem em outubro e tampouco em novembro. Na verdade, não o suficiente e necessário para afastar a crise hídrica que se instalou no Brasil nos últimos meses.

Dividindo espaço com o risco fiscal e com as tensões políticas no cenário macroeconômico brasileiro, a crise hídrica vem sendo monitorada de forma mais intensiva por analistas e gestores do mercado financeiro, pois são crescentes as probabilidades de um racionamento de energia nos próximos 12 meses. Segundo acompanhamento mensal realizado no Data Expert | Sensor Elétrico XP houve uma piora significativa do cenário hidrológico brasileiro no último mês de agosto, tornando mais provável a ocorrência de apagões a partir do mês de outubro.

Cientes desse risco, os gestores da RPS Capital, Paolo di Sora, e da Grimper Capital, André Szasz, trazem visões bem semelhantes sobre as causas dessa crise, os possíveis impactos na economia e como estão tomando posições em seus respectivos fundos não só para proteção, mas também para tentar extrair ganhos aos cotistas.

Cenário atual e as causas

Ambos gestores concordam que a matriz energética brasileira passou por uma importante expansão e diversificação de fontes de geração, que passou a ter menor dependência de fontes hídricas. Isso sem contar com a expansão da transmissão que foi de 136% em relação a 2001, época do pior apagão dos últimos 20 anos no Brasil. Entretanto, Paolo di Sora destaca que mesmo estando na direção correta, a intensidade das mudanças não é a ideal. Mesmo com menor relevância, as hidrelétricas ainda representam 62% da capacidade instalada, porém a “poupança” do sistema hidrelétrico vem diminuindo ao longo do tempo pelo aumento dos demais sistemas (eólico, solar, biomassa, termoelétricos, entre outros). Soma-se a isso problemas na administração dos níveis dos reservatórios.

A unidade de energia utilizada para mensurar a força com que as águas chegam nas usinas hidrelétricas é conhecida como ENA, energias naturais afluentes. Os dois principais subsistemas do Sistema Interligado Nacional (“SIN”), que congrega o sistema de produção e transmissão de energia elétrica do Brasil são os do Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste e, como é possível ver no gráfico a seguir, a quantidade de água que tem chegado às usinas hidrelétricas está abaixo da média histórica desde 2014.

André Szasz da Grimper destaca que o evento climático La Niña é e será um dos grandes responsáveis pelo baixo índice pluviométrico desse semestre e talvez até do próximo. Segundo ele “Estamos vivendo um ciclo de baixa atividade solar”, isso causa um maior resfriamento das águas do Pacífico e consequentemente em menos chuvas na regiões tropicais, onde está o Brasil. Os ciclos do La Ninã normalmente ocorrem em períodos de 2 a 7 anos. Paolo di Sora concorda e ainda acrescenta que muitos focos de incêndio e desmatamento de florestas, como a Amazônica, também não contribuem para esse cenário. Adiciona também que o mar do Pacífico está estruturalmente mais gelado por conta do derretimento das calotas polares.

“Os ingredientes do La Niña estão na mesa !”

Paolo di Sora, RPS Capital

Ambos os gestores destacam que houve uma queda substancial na oferta de energia nos últimos meses, mas houve também um aumento na demanda, impulsionado pela retomada da atividade econômica em ritmo um pouco mais forte após a aceleração da vacinação contra a Covid-19 nos últimos meses e consequente reabertura de diversos setores da economia.

Quais os impactos na economia?

O primeiro impacto direto que ambos os gestores citam é na inflação (IPCA), já que os preços da energia estão subindo mês após mês para tentar controlar a demanda. Para se ter uma ideia da escalada do preço da energia elétrica residencial nos últimos 12 meses, até o final do mês de agosto, enquanto a variação do IPCA é de 9,68% a da energia é de 21,08%. Na RPS Capital a estimativa é que a crise hídrica adicione cerca de 1% ao IPCA do ano de 2021.

O possível maior impacto subsequente é na atividade econômica e consequentemente na variação do PIB. André Szasz e Paolo di Sora concordam que as projeções de PIB para 2021 pouco devem ser impactadas por esse cenário de escassez hídrica, sendo que ambos trabalham com projeções próximas aos 5% de crescimento para esse ano. Entretanto, a depender da evolução da crise, no cenário pessimista da Grimper Capital poderíamos ter um PIB = 0 (zero) em 2022. A RPS Capital chegou a realizar uma análise de sensibilidade do PIB para diferentes necessidades de redução compulsória de carga, o famoso racionamento. No pior caso, que seria de uma redução de carga de 15% a perda potencial de crescimento poderia chegar a 2,1%, ou seja, reduzir a projeção do PIB de 2022 nessa magnitude.

Os gestores também destacam que um dos setores da economia mais impactados por esse cenário é o das commodities uma vez que a maioria das empresas desse setor é intensiva no uso de energia elétrica. A produção de eletroeletrônicos é outro setor que, segundo André Szasz é fortemente impactado pela escassez energética. Paolo di Sora comenta sobre o setor de energia elétrica, destacando principalmente que as empresas geradoras podem ser impactadas de formas distintas a depender do quão contratadas estão, ou seja, serão impactadas negativamente as geradoras de energia elétrica que estiverem subcontratadas e precisarem comprar energia no preço spot (à vista).

Reflexos nas posições dos fundos

Os próprios gestores comentam quais foram as mudanças realizadas nas posições dos fundos que gerem e como pretendem não só se proteger nesse cenário desafiador, mas também extrair ganhos aos cotistas dos seus fundos nos meses que virão a frente.

Com a palavra, Paolo di Sora, gestor dos fundos RPS Total Return Advisory D60 FIC FIM e RPS Equity Hedge Advisory D30 FIC FIM:

Agora, com o palavra, André Szasz, gestor dos fundos Grimper Blanc Advisory FIC FIM e Grimper Meru Long Bias Advisory FIC FIM:

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