Setor Elétrico: E Se Ocorrer Racionamento de Energia?

Neste relatório, simulamos os impactos potenciais de um cenário de racionamento de energia nas diferentes empresas do setor elétrico sob nossa cobertura. Como resultado, as transmissoras não seriam afetadas, as distribuidoras poderão ser ligeiramente afetadas e as geradoras poderão até ser beneficiadas.


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Embora ainda acreditemos que um racionamento de energia não seja provável em 2021, o risco de ocorrer está crescendo conforme mencionamos em nossa última edição do Sensor elétrico XP. Neste relatório, simulamos os potenciais impactos de um cenário de racionamento de energia nas diferentes empresas do setor elétrico sob nossa cobertura. Como resultado, as transmissoras não serão afetadas, as distribuidoras poderão ser ligeiramente afetadas e as geradoras poderão até ser beneficiadas. Reiteramos Omega Geração e CESP como nossas top picks.

Um racionamento de energia, embora improvável, é possível. Neste relatório analisamos qual seria o impacto de um racionamento de energia no próximo trimestre (4T21), assumindo um corte obrigatório de 20% nos contratos das geradoras, tanto no mercado livre quanto no mercado regulado.

As empresas de transmissão não teriam impacto. As transmissoras têm contratos de receita fixa, com base na disponibilidade da linha (geralmente maior que 98%), e a receita é corrigida pela inflação. Portanto, não há relação com consumo ou geração de energia. Dito isso, nada muda em caso de racionamento de energia.

As empresas de distribuição podem ter um impacto negativo de curto prazo, mas nenhum impacto sobre o valor das empresas. No caso de um corte obrigatório, embora estimemos que as empresas teriam um impacto negativo no resultado de curto prazo em torno de -18%, elas podem solicitar à ANEEL o reequilíbrio econômico-financeiro da concessão. Desta forma, acreditamos que um racionamento de energia desencadearia em um reequilíbrio do contrato de concessão e, como vimos em 2020 com a Conta-Covid, as distribuidoras estariam protegidas.

Empresas de geração podem ser beneficiadas dependendo das condições de mercado, mas isso não é trivial. Para as geradoras, um racionamento de energia pode ser benéfico para os resultados dependendo de quatro fatores: (i) nível de risco hidrológico (GSF); (ii) preços de energia de curto-prazo (PLD); (iii) configuração da matriz de geração da companhia; e (iv) nível de contratação do portifólio da companhia. Essas variáveis podem resultar em um impacto positivo ou negativo, conforme ilustramos ao longo deste relatório.

Ruim para a sociedade, mas não exatamente para as empresas do setor elétrico. Em suma, embora o cenário de racionamento de energia possa impactar amplamente a economia brasileira, acreditamos que as empresas do setor elétrico devem passar praticamente indiferentes a este cenário, ou até mesmo ser beneficiadas.

Empresas do Setor Elétrico

Antes de iniciar nossa análise, é importante entender onde cada empresa atua no setor elétrico. Como os impactos nos diferentes segmentos não são iguais, devemos considerar a proporção do caixa da empresa exposto a cada segmento.

Dentro do nosso universo de cobertura, as empresas mais expostas ao segmento de geração de energia são: CESP6, AESB3, OMGE3, EGIE3, CPLE6 e ENBR3, conforme ilustrado na figura 01. Em relação à distribuição de energia os nomes mais expostos são: EQTL3 e CMIG4. Para o segmento de transmissão, as empresas totalmente dedicadas são TRPL4 e TAEE11.

Medindo os possíveis impactos

Para este estudo, assumimos que em um cenário de racionamento de energia, o volume de demanda reduziria em -20%, e os contratos de energia também seriam reduzidos em -20%, tanto no mercado regulado quanto no mercado livre.

Dentro do segmento de geração, os impactos seriam diferentes dependendo da matriz energética de cada empresa (figura 02) e do seu nível de contratação do portfólio (figura 03). Essas características definirão como diferentes valores de GSF e PLD impactam os resultados da empresa.

Para estimar o potencial impacto, realizamos análises de sensibilidade para diferentes cenários de PLD e GSF de cada empresa (figura 05-11).

Como resultado, concluímos que para as geradoras hídricas, um racionamento de energia poderia ser até benéfico dependendo dos níveis de GSF e PLD após os cortes de energia. Por outro lado, as geradoras eólicas e solares estão expostas apenas ao PLD, pois venderiam a energia excedente no mercado de curto-prazo. Portanto, a principal questão é: Qual será o nível dos preços de curto-prazo em um cenário de racionamento de energia? (Atualmente R$ 584/MWh).

Notamos que no apagão de 2001, os preços no curto-prazo caíram logo após o fim do racionamento de energia, conforme ilustrado na figura 04.

Se ocorrer um racionamento de energia e, depois disso, a mesma queda no PLD vista em 2001, acreditamos que geradoras não contratadas deverão ser mais negativamente impactadas. Dito isso, mapeamos os níveis de contratação de portifólio das empresas de nossa cobertura (figura 03).

Conclusão

Para tornar o estudo mais tangível, assumimos para o 4T21 um risco hídrico (GSF) de 60%, um preço de energia de curto-prazo (PLD) de R$ 300/MWh e uma redução de volume de -20% nas distribuidoras, para que possamos estimar os impactos no EBITDA. Os resultados são apresentados na figura 12.

Notamos que a redução de demanda de energia deve impactar o EBITDA das distribuidoras em cerca de -18%, dado que as receitas caem -20%. Os custos de aquisição de energia também caem -20%, mas os custos fixos são menos diluídos, impactando negativamente o EBITDA. No entanto, dado que as distribuidoras devem ser reembolsadas como vimos em 2020 com a Conta-COVID, acreditamos que esse impacto deve ser mitigado pelo regulador (ANEEL).

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