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Cartão Postal do Rio – Feedback da XP CEO Conference 2026

Evento reuniu mais de 100 companhias brasileiras, que fizeram cerca de 700 reuniões com mais de 500 investidores institucionais

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Acabamos de concluir nossa 3ª CEO Conference no Rio de Janeiro, reunindo 106 empresas e quase 500 investidores ao longo de dois dias. Observamos um sentimento predominantemente pessimista, não apenas entre os investidores, mas também entre as equipes de gestão das empresas. As principais preocupações envolvem: (i) o estado da economia brasileira, que parece estar desacelerando em um ritmo mais rápido do que o esperado; (ii) os riscos para o mercado de crédito diante do aumento da inadimplência, já que tanto empresas quanto consumidores parecem estar sob pressão financeira enquanto os juros permanecem elevados; e (iii) as eleições e os rumos da política fiscal à frente. Diante do sentimento deprimido e dos preços descontados no Brasil, acreditamos que a assimetria continua mais favorável para o lado positivo, embora reconheçamos os riscos de revisões para baixo nas projeções de lucros e a volatilidade eleitoral nos próximos meses.

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A 3ª edição da XP CEO Conference

A XP concluiu a 3ª edição da Brazil CEO Conference, realizada no Rio de Janeiro. Embora o evento tenha sido um grande sucesso, com mais de 700 reuniões entre 106 empresas e mais de 500 investidores, não podemos dizer o mesmo sobre o sentimento predominante entre os participantes.

A fraca temporada de resultados do 2T26 foi um dos principais temas de discussão, trazendo evidências de desaceleração macroeconômica, aumento da inadimplência e dos impactos de um cenário prolongado de juros elevados. Nosso indicador proprietário de sentimento retornou para níveis de Pessimismo Extremo, o que historicamente tem se mostrado um importante indicador contrarian. Ainda assim, permanecem riscos relacionados a novas revisões negativas de lucros e à volatilidade associada ao processo eleitoral.

Consumo: o bom, o ruim e o feio

No segmento de consumo, diversas empresas discutiram a recente desaceleração das vendas, atribuída a diferentes fatores: (i) o menor fluxo de consumidores durante a Copa do Mundo, que afetou tanto o 2T26 (junho) quanto o 3T26 (julho); (ii) as condições financeiras apertadas dos consumidores, em meio a elevados níveis de endividamento; (iii) o aumento da competição das apostas online pelo orçamento das famílias; e (iv) sinais de desaceleração da atividade econômica e inflação mais baixa.

Por outro lado, alguns subsetores continuam reportando resultados sólidos, como farmácias (RADL), plataformas online (como o Mercado Livre) e shoppings centers, enquanto outras áreas seguem enfrentando um ambiente muito mais desafiador, especialmente vestuário e itens de consumo discricionário.

Além disso, observamos um elevado nível de escrutínio e debates em torno da situação do mercado de crédito e do aumento da inadimplência, tanto para os bancos quanto para outros setores, como as distribuidoras de energia elétrica. Embora os resultados dos bancos no 2T26 ainda tenham apresentado grande dispersão e não indiquem um problema sistêmico, a possibilidade de deterioração à frente está claramente entre as principais preocupações dos investidores.

O destaque positivo: Óleo & Gás e distribuição de combustíveis

O ambiente de preços mais elevados do petróleo deve continuar sustentando uma forte geração de fluxo de caixa livre para as empresas de exploração e produção (E&P). O momento operacional das distribuidoras de combustíveis também segue bastante positivo, favorecendo nomes como VBBR e UGPA, uma vez que os preços domésticos nas refinarias continuam negociando com desconto em relação à paridade de importação.

As empresas também demonstraram maior otimismo em relação às perspectivas estruturais do setor, apoiadas pela expectativa de redução da concorrência desleal e por um ambiente competitivo mais racional daqui para frente.

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