Radar ESG | Setor de infraestrutura (CCRO3, ECOR3, RAIL3, HBSA3, STBP3): Preparando o asfalto

Ao longo deste relatório, destacamos os tópicos ESG que vemos como os mais importantes para o setor de infraestrutura de transportes e analisamos como essas empresas sob o universo de cobertura da XP (CCRO3, ECOR3, RAIL3, STBP3 e HBSA3) se posicionam quando o tema é ESG.


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CCR, Ecorodovias e Rumo liderando a corrida, seguidas pela Santos Brasil, enquanto a Hidrovias do Brasil acaba de iniciar viagem

Para o setor de infraestrutura de transporte no Brasil, vemos o pilar G como o mais importante dos três, seguido pelos pilares S e E, respectivamente. Em um olhar por companhia, vemos a CCR, a Ecorodovias e a Rumo liderando a corrida, bem posicionadas nas frentes E e S, ao mesmo tempo em que avançando no pilar G, que possui o maior espaço para aprimoramento adiante para as três empresas. Para a Santos Brasil, a empresa se destaca em relação aos pares na frente G, embora vejamos espaço para melhorias nos pilares E e S. Por fim, a Hidrovias do Brasil ainda está no início da jornada ESG, mas apreciamos os esforços iniciais, com destaque para os 6 Compromissos de Impacto Positivo assumidos pela companhia, enquanto esperamos ver mais avanços adiante.

Ambiental. Esses riscos se concentram devido à própria natureza do setor de infraestrutura, o que leva a uma exposição ambiental moderada, principalmente devido à dois fatores-chave: (i) a exposição indireta às Emissões de Gases do Efeito Estufa (GEEs) da própria indústria de transporte; e (ii) Biodiversidade e Uso do Solo, que pode ser um fator de risco no caso de expansões, extensões e novos empreendimentos por parte das empresas do setor.

Social. Nesse pilar, destacamos dois temas principais: (i) Saúde e Segurança, visto que as companhias de infraestrutura enfrentam riscos de lesões de funcionários e acidentes de alta gravidade; e (ii) Comunidades locais, que decorre do papel social das empresas junto às comunidades, devido aos ruídos, poluição do ar e uso do solo.

Governança. O risco mais significativo para a indústria de infraestrutura está relacionado às questões de governança, principalmente devido à supervisão regulatória das concessões. Em nossa opinião, um dos conflitos de interesse mais percebidos do setor é quando as empresas de construção possuem participações societárias relevantes em operadores de infraestrutura.

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CCR (CCRO3): Na estrada; Todos os olhos voltados para a melhoria da governança corporativa

Vemos a CCR avançando na agenda ESG, principalmente com base em (i) E: políticas sólidas voltadas para a proteção ou expansão de habitats naturais para mitigar o impacto ambiental devido à expansão e melhorias das estradas da CCR; (ii) S: diversas iniciativas para reduzir o número de acidentes rodoviários, o que levou a empresa a apresentar uma redução de -18% de 2014 a 2020 no número de acidentes com mortes nas rodovias operadas pela CCR; e (iii) G: o anúncio recente da CCR da IG4 (um player financeiro) substituindo a participação de ~14% da Andrade Gutierrez (uma contratada), o que vemos com bons olhos, pois reduz o conflito de interesses, melhorando a governança corporativa da empresa.

Ambiental: Destacando-se vs. pares

Biodiversidade e Uso do Solo: a CCR tem fortes esforços para mitigar o impacto ambiental adverso das operações em relação aos pares, com destaque para: (i) a empresa realiza avaliações de impacto na biodiversidade antes de se estabelecer em novas áreas; (ii) a CCR possui políticas claras sobre a gestão sustentável de recursos naturais e matérias-primas, além de minimizar impactos das operações e recuperar habitats; e (iii) a CCR pratica a compensação em plantios de reflorestamento com espécies nativas monitorados periodicamente pelos órgãos reguladores e previstos nas respectivas licenças ambientais – por ex.: em 2020, a empresa mantinha 31 projetos de reflorestamento em monitoramento nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Mato Grosso do Sul, totalizando cerca de 440 mil mudas plantadas.

Emissões de Carbono: a CCR monitora suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) de acordo com a metodologia do Programa Brasileiro GHG Protocol, publicando seu inventário que é verificado por uma empresa externa independente, o que destacamos de forma positiva. Em relação ao consumo de energia da CCR, reconhecemos que, no ano passado, a unidade da empresa, CCR ViaSul, implantou 6 das 25 usinas fotovoltaicas previstas para serem instaladas em seu trecho de concessão. Este projeto permite o fornecimento de energia solar para as bases, contribuindo para a redução das emissões de GEE e promovendo o consumo de fonte renovável. Por fim, destacamos que, pelo 10º ano consecutivo, a CCR foi incluída na carteira do Índice Carbono Eficiente (ICO2) da B3, o que evidencia o comprometimento da empresa em minimizar as emissões.

Social: Políticas sólidas de Saúde & Segurança e Instituto CCR são os principais destaques

Saúde e Segurança: a CCR declara estar de acordo com as normas e diretrizes da legislação brasileira e convenções internacionais relativas à segurança e saúde ocupacional de sua força de trabalho. Além disso, a empresa oferece diversos treinamentos de normas regulatórias (NR) e diretrizes internas consistentes com os modais das concessionárias, que vemos com satisfação.

Em relação à Saúde & Segurança em suas estradas, a CCR, comprometida com os princípios do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU), empreendeu diversas iniciativas para reduzir o número de acidentes rodoviários, como a instalação de guarda metálica entre trilhos, a construção de passarelas, a instalação de câmeras de monitoramento, sistemas de alerta e painéis informativos. Como resultado, o grupo registrou uma redução de -18% no número de acidentes fatais em rodovias administradas pela CCR.

Comunidades locais: conforme mencionamos anteriormente, operar ativos rodoviários extensos e de longa duração pode criar conflitos de uso da terra com as comunidades vizinhas. Portanto, reconhecemos positivamente que a CCR segue práticas relativamente fortes para mitigar estes riscos, como avaliações de impacto na comunidade e programas de saúde e educação para o benefício de vários municípios. Ainda assim, sentimos falta de evidências de programas de engajamento de longo prazo, como canais de reclamação ou envolvimento do conselho local no desenvolvimento de políticas de uso da terra.

Voluntariado: dentre os diversos projetos sociais que a empresa realiza, destacamos o Instituto CCR, instituição sem fins lucrativos que visa qualificar o investimento social privado de todas as empresas controladas do Grupo CCR, promovendo a transformação das comunidades e contribuindo para o desenvolvimento sustentável. Como referência, só no ano passado, mais de 2 milhões de pessoas foram beneficiadas em 115 municípios brasileiros.

Governança: Mudanças positivas no controle

Como mencionamos anteriormente, um dos conflitos de interesse mais percebidos do setor é quando as empresas de construção possuem participações relevantes em operadores de infraestrutura. Portanto, destacamos positivamente o recente anúncio da CCR de que a IG4 (um player financeiro) substituiu a participação de ~14%* da Andrade Gutierrez (uma empreiteira), principalmente devido à redução do conflito de interesses, levando a uma melhor governança corporativa. Além disso, observamos que a CCR vem implementando uma ampla revisão de suas práticas de governança, como (i) uma estrutura anticorrupção, apoiada por treinamentos de ética e auditorias de compliance; (ii) mudanças na governança do Conselho e de seus comitês; e (iii) revisões das políticas e procedimentos corporativos do estatuto social da CCR. Reconhecemos positivamente essas medidas e monitoramos de perto os desenvolvimentos posteriores à medida que ancoram a reconstrução da imagem de governança da empresa (e do setor) após alegações de corrupção de 2018 envolvendo operadores de rodovias com pedágio. Acreditamos que as multas pagas pela CCR para dirimir tais acusações representam uma mitigação relevante dos riscos relacionados à ações passadas, enquanto tais medidas de governança aprimoradas ajudam a garantir um ambiente mais seguro no futuro.

Além da participação de ~14% da IG4 Capital, a atual estrutura acionária da CCR é composta pela Camargo Corrêa (~14%), Família Soares Penido (~15%) e o restante em free float (~55%), com ações da CCR (CCRO3) listadas no Novo Mercado, o mais alto nível de governança da B3 (Bolsa de Valores brasileira). Em relação ao Conselho de Administração da empresa, notamos que falta uma maioria independente, uma vez que apenas 4 dos 13 membros são independentes (31%). Quando o assunto é diversidade de gênero na liderança, a Diretoria da CCR possui 1 mulher entre 12 diretores (8%), enquanto no Conselho de Administração possui 2 mulheres (15%), mas notamos que a Sra. Ana Maria Marcondes Penido Sant’Anna ocupa o cargo de Presidente, o que coloca a CCR entre as únicas ~15 empresas brasileiras com uma mulher ocupando esse cargo**. Por fim, destacamos que, além da presença do Índice ICO2, a CCR integra a carteira do ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial) pela 10ª vez consecutiva em 2020.

*Em maio de 2021, a IG4 Capital assinou acordo para compra da participação da Andrade Gutierrez na CCR, que deve ser concluído em julho de 2021;
**Critérios de elegibilidade da Teva Indices (221 empresas listadas no Bz): (i) Free Float: Empresas com menos de 1,0 % de suas ações em circulação não são consideradas. (ii) Valor de Mercado: Não são consideradas empresas abaixo de R $ 300 milhões.

MSCI ESG Ratings

CCR tem um rating A pela MSCI ESG Ratings. Em uma perspectiva global, a classificação A coloca a CCRO3 dentre os 19% de empresas com esta classificação sob os constituintes do Índice MSCI ACWI dentro da Infraestrutura de Transporte (27 empresas).


Ecorodovias (ECOR3): À frente de seus pares na fente S; Estrutura de governança mais simples deve destravar valor

Apreciamos os compromissos da Ecorodovias por meio da agenda ESG, com destaque para: (i) E: sólidos esforços da empresa na proteção ambiental, além da neutralização de suas emissões de gases do efeito estufa desde 2013; (ii) S: a ECOR é signatária da “Década de Ação para a Segurança Rodoviária”, das ONU, e tem práticas relativamente fortes para envolver as comunidades locais e mitigar os riscos relacionados com o conflito comunitário; e (iii) G: reestruturação corporativa da Ecorodovias anunciada em 31 de julho de 2020, o que vemos como positiva, pois simplifica a estrutura acionária da empresa, ao mesmo tempo que melhora o alinhamento de interesses.

Ambiental: Bem posicionada

Biodiversidade e Uso do Solo: a Ecorodovias tem fortes esforços de proteção ambiental, que incluem medidas como monitoramento da vida selvagem e avaliações de impacto na biodiversidade. Nesse sentido, destacamos as barreiras da empresa e passagens para animais em alguns pontos mais suscetíveis à presença dos mesmos, onde são instaladas cercas para proteger a fauna e até estruturas por onde os animais podem atravessar a rodovia, como a Rodovia Carvalho Pinto, administrada pela Ecopistas.


Emissões de carbono: desde 2013, a empresa neutraliza – por meio da aquisição de créditos de carbono – todas as suas emissões diretas (escopo 1) e indiretas (escopos 2 e 3), por meio da adesão ao programa ‘Amigo do Clima’. Para tanto, foram selecionados três projetos: (i) um voltado para a redução de emissões para geração de energia renovável em aterro sanitário a gás metano no estado de São Paulo; (ii) outro sobre a geração de energia eólica no estado do Rio Grande do Norte; e (iii) um projeto de ‘REDD’ (‘Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal’) no estado do Pará, na região amazônica. Os projetos (i) e (ii) são registrados como Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) no Protocolo de Quioto das Nações Unidas (ONU), enquanto o terceiro possui a certificação Voluntary Carbon Standard (VCS).

Social: Destacando-se vs. os pares

Saúde e Segurança: além do compromisso da Ecorodovias com o Pacto Global das Nações Unidas e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a empresa é signatária da “Década de Ação pela Segurança no Trânsito”, das Nações Unidas. Em apoio à iniciativa, a EcoRodovias promove a campanha “Por uma Estrada sem Acidentes”, com o objetivo de conscientizar os usuários das rodovias que administra para um trânsito mais seguro, o que vemos com bons olhos. Em 2020, os indicadores de volume de acidentes apresentaram melhora em várias unidades – entre 2011 e 2020, a Ecorodovias registrou queda de 46% no número de vítimas mortais, queda de 45% no número de feridos e queda de 37% no volume de acidentes.

Ainda sobre este assunto, vale destacar que, mesmo nas novas concessões da ECOR, a empresa tem feito grandes avanços na obtenção de certificações em normas de gestão, como a ISO 14001 em Gestão Ambiental e a ISO 45001 em Saúde e Segurança no Trabalho.

Comunidades locais: como mencionamos, os ativos das rodovias podem representar conflitos de uso da terra com as comunidades vizinhas. Portanto, vemos com satisfação que a Ecorodovias tem práticas relativamente fortes para envolver as comunidades locais e mitigar os riscos relacionados ao conflito comunitário. Suas ações são monitoradas pela Ouvidoria da empresa e diversos programas são desenvolvidos com foco na saúde e educação da população. Por fim, ainda na área de relacionamento com a comunidade, a ECOR destinou R$ 8,6 milhões a diversos projetos sociais por meio de leis de incentivos fiscais e, na cadeia de suprimentos, avaliou mais de 60 de seus parceiros em relação às questões ambientais, como parte do programa da ECOR de gestão e desenvolvimento.

Voluntariado: a empresa possui diversos incentivos e projetos sociais, como o Ecoviver, que já está em sua 15ª série e já beneficiou 354.932 alunos e 13.303 professores de 40 cidades do país.

Governança: Melhorias foram feitas; Esperamos mais por vir

Em 31 de julho de 2020, a Ecorodovias anunciou uma reestruturação societária, que foi concluída com um aumento de capital em 22 de junho de 2021. Vemos isso como positivo dado que (i) o novo patrimônio proporciona flexibilidade de balanço (oferta primária de R$ 1,7 bilhão); (ii) oferta secundária de 20 milhões de ações (3% do total de ações) pela CR Almeida fomenta a liquidez da ECOR3; e (iii) uma estrutura societária mais simples (visto que a rescisão do acordo entre o Gruppo Gavio e a CR Almeida implica a unificação do controle sob o grupo italiano).

Além disso, vale ressaltar que a Ecorodovias vem aprimorando suas práticas de governança nos últimos anos, com destaque para: (i) a criação de um forte Programa de Ética – um sistema de integridade que, por sua vez, trouxe uma revisão das políticas e da amadurecimento da estrutura de governança em áreas como gestão de riscos e compliance; (ii) uma ampla revisão da estrutura de governança, gestão de risco e conformidade (GRC), uma vez que a ECOR tem buscado alinhar-se com as melhores práticas do setor, proteger a organização da exposição ao risco e fortalecer o valor da ética em suas relações comerciais e institucionais; e (iii) reformas estruturais do Programa de Ética e Integridade, implantado em 2005 e voltado para a disseminação de boas práticas em todas as unidades sob gestão de uma área corporativa dedicada ao tema. Reconhecemos positivamente essas medidas e monitoramos de perto os desenvolvimentos posteriores à medida que ancoram a reconstrução da imagem de governança da empresa (e do setor) após alegações de corrupção de 2018 envolvendo operadores de rodovias com pedágio. Acreditamos que as multas pagas pela Ecorodovias para dirimir tais acusações representam uma mitigação relevante dos riscos relacionados a ações passadas, enquanto tais medidas de governança aprimoradas auxiliam na garantia de um ambiente mais seguro no futuro.

A atual (nova) estrutura acionária da Ecorodovias inclui 51% das ações da ASTM (Grupo Gavio), 15% da Primav Infraestrutura (do Grupo CR Almeida) e cerca de 34% das ações negociadas em free float. A Ecorodovias tem suas ações (ECOR3) listadas no Novo Mercado, o mais alto nível de governança da B3 (Bolsa de Valores brasileira), e atua de acordo com os princípios de transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa preconizados pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).

Em relação ao Conselho de Administração da empresa, este é composto por 9 conselheiros efetivos, sendo 3 deles independentes (33%). No que se refere à diversidade de gênero na liderança, notamos a presença de 1 mulher no Conselho de Administração da empresa (Sra. Sonia Julia Sulzbeck Villalobos), enquanto na Diretoria Executiva da ECOR, notamos a ausência de mulheres, o que nos leva a ver espaço para melhorias no futuro.

Por fim, destacamos positivamente que (i) a governança ESG também foi fortalecida na última década e agora inclui a presença de um Comitê de Sustentabilidade que apoia a Diretoria Executiva; (ii) em 2020, a empresa foi incluída no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3 pelo décimo ano consecutivo; e (iii) o alinhamento da Ecorodovias com a norma ISO 37001, com foco na gestão anti-suborno, refletindo seus esforços em relação à agenda de ética e compliance.

MSCI ESG ratings

A Ecorodovias possui uma classificação A pela MSCI ESG Ratings. Em uma perspectiva global, a classificação A coloca a ECOR3 dentre os 19% das empresas com esta classificação sob os constituintes do Índice MSCI ACWI dentro da Infraestrutura de Transporte (27 empresas).


Rumo (RAIL3): Aumento do foco na gestão E, juntamente com a melhoria no G justifica a nossa visão relativamente positiva

Destacamos positivamente os compromissos da Rumo na agenda ESG, principalmente nos pilares E e S. Em primeiro lugar, no E, apreciamos os esforços da empresa na transição para uma economia de baixo carbono – a Rumo fortaleceu sua estratégia de redução de carbono, com uma nova meta de redução de emissões (gCO2e/TKU) em 15% entre 2020 e 2025. Em segundo lugar, na frente S, vemos a empresa se destacando em relação aos pares no que diz respeito à política de segurança, possuindo medidas robustas, com destaque para o programa Rumo Zero Acidente (RZA). Por fim, no pilar G, acreditamos que esta é a frente com maior espaço para melhorias, principalmente no que se refere ao Conselho de Administração, tanto em termos de independência quanto de diversidade de gênero.

Ambiental: Estratégia ambiciosa de redução de carbono

Biodiversidade e Uso do Solo: em linha com o compromisso de sua Política Ambiental, as operações seguem as legislações ambientais aplicáveis ​​e as boas práticas de mercado – vale destacar que, em 2019, no Rio Grande do Sul, foram instalados 205 corredores de fauna para tartarugas (sliders) nos trechos com maior concentração dessa espécie. Os corredores permitem que os animais cruzem de um lado a outro da ferrovia e também funcionam como uma rota de fuga para os animais que passam pelos trilhos.

Emissões de carbono: o Departamento de Meio Ambiente e Sustentabilidade realiza inventários anuais para contabilizar as emissões de gases de efeito estufa (GEE), que são validados por um auditor independente, o que vemos com bons olhos. A empresa teve ganhos significativos na economia de combustível em 2019, principalmente devido ao seu grande tamanho de mercado – seu sistema permite que os trens viajem com 10% menos diesel em relação aos trens não automáticos, com uma redução de 3% no tempo de trânsito (tempo que leva para carregar, ir do ponto A ao ponto B e descarregar).


Adicionalmente, destacamos que a Rumo reforçou sua estratégia de redução de carbono, com uma nova meta de redução de emissões (gCO2e/TKU) em 15% entre 2020 e 2025.

Em 2019, as emissões específicas da empresa caíram 8%, evitando 331kt de emissões de CO2 no ano, evidenciando seu comprometimento em atingir a meta de redução de emissões específicas (gCO2eq/toneladas por quilômetro útil – TKU) em 15% até 2025. Porém, quando analisamos a emissão de carbono da Rumo em intensidade, a mesma se encontra acima da média: vendas de 541 tCO2e/US$mn vs. a média de 495 tCO2e/US$mn dos pares (janeiro de 2021), de acordo com a MSCI.

Em relação ao consumo de energia, o maior volume é o diesel, que é utilizado pela frota de locomotivas, composto por 88% de combustível fóssil e 12% de biodiesel – nesse sentido, destacamos os programas da Rumo para aumentar o uso de biodiesel em seus trens e esperamos ver mais avanços pela frente.

Social: Destacando-se em relação aos pares com uma política de segurança robusta

Saúde e segurança: os operadores de ferrovias enfrentam riscos de lesões nos funcionários e acidentes ferroviários, que podem levar a penalidades ou reclamações por ferimentos pessoais ou danos materiais. Portanto, destacamos que a Rumo tem uma política de segurança robusta em relação aos seus pares, que se estende aos contratados e é complementada por uma meta de todo o grupo para reduzir as taxas médias de acidentes com afastamento para 0,15 de 2020 a 2025. Além disso, as taxas de acidentes com afastamento diminuíram em uma taxa anual composta de 45,9% (CAGR 2016-2019), e nenhuma controvérsia de segurança relatada nos últimos anos. Vale ressaltar que a Rumo possui mais de 8,6 mil funcionários.

Além disso, apreciamos a criação do Comitê de Segurança da Rumo em 2019, com reporte direto ao CEO, e reconhecemos positivamente os programas da empresa em relação à segurança nas estradas, como (i) o programa Rumo Zero Acidente (RZA), que oferece um conjunto de gestão ferramentas de Segurança e Saúde no Trabalho; e (ii) o Projeto de Segurança Ferroviária, que envolve treinamento, coleta de informações, relatórios e recomendações técnicas.

Governança: A frente com maior espaço para melhorias

A Rumo é controlada pelo Grupo Cosan, que detém 30,3% das ações da empresa, sendo os 3,8% restantes do grupo de controle detidos pela Sra. Julia Arduini*, enquanto 65,6% das ações da Rumo estão em free float – as ações da Rumo (RAIL3) estão listadas no Novo Mercado, o mais alto nível de governança da B3 (Bolsa de Valores brasileira).

É importante mencionar que destacamos positivamente a recente reorganização societária dos acionistas controladores da Rumo, que resultou na fusão da Cosan Limited e da Cosan Logística com a Cosan, pois leva a uma simplificação da estrutura acionária existente. Além disso, destacamos que ocorreram mudanças na composição do Conselho de Administração da Rumo, o que nos leva a afirmar que a empresa está empenhada em manter uma estrutura de liderança robusta, evidenciada pelos diretores executivos da Rumo que hoje atuam em poucos conselhos, o que apreciamos. No entanto, apesar das melhorias mencionadas anteriormente, notamos que o grupo de controle ainda detém +30% dos direitos de voto da empresa através da Cosan, e o Conselho da Rumo ainda carece de uma maioria independente (3 de 11 membros, 27%) – em nossa opinião, a presença de uma minoria independente pode impactar negativamente a capacidade do Conselho de supervisionar a gestão com eficácia, bem como proteger os interesses dos acionistas minoritários. Assim, apesar de reconhecermos as melhorias da Rumo em sua governança corporativa, ainda vemos espaço para avanços adiante.

Em se tratando de diversidade de gênero na liderança, esperamos ver mais diversidade no Conselho de Administração da Rumo, bem como em sua Diretoria, dado que há apenas 1 mulher no Conselho (composto por 11 membros), enquanto nós sinalizamos a ausência de mulheres na Diretoria (composta por 6 membros).

MSCI ESG ratings

A Rumo possui uma classificação BBB pela MSCI ESG Ratings. Em uma perspectiva global, a classificação BBB coloca RAIL3 dentre os 16% com esta classificação sob os constituintes do Índice MSCI ACWI dentro de Transporte Rodoviário e Ferroviário (32 empresas).


Santos Brasil (STBP3): Os passos iniciais foram dados, mas há mais por vir; Destacando-se vs. seus pares no pilar G

Vemos a Santos Brasil no caminho certo em direção à agenda ESG e esperamos novos avanços. No pilar E, reconhecemos os esforços da empresa nesta frente, com destaque para as metas de 2024, porém vemos espaço para melhorias, principalmente com a expansão em curso de seu terminal do Tecon Santos. Na frente S, apesar de esperarmos mais por vir, reconhecemos positivamente o sistema de gestão de saúde e segurança ocupacional da STBP, além de apreciar os vários programas sociais da empresa. Por fim, em relação ao G, vemos a Santos Brasil se destacando em relação aos pares, principalmente pela maioria independente no Conselho de Administração, além da presença de uma mulher na presidência, o que coloca a empresa entre as únicas ~15 empresas brasileiras com um mulher nesta posição*.

Ambiental: Metas ambiciosas adiante

Reconhecemos os esforços da Santos Brasil nesta frente; no entanto, notamos que a empresa continua com espaço para estabelecimento de medidas mais fortes contra potenciais efeitos ambientais adversos de suas operações de terminal de contêineres e cargas, especialmente com a expansão em andamento do terminal do Tecon Santos. Por outro lado, reconhecemos positivamente que, em 2020, a Santos Brasil aderiu pela primeira vez ao questionário Carbon Disclosure Project** (CDP) e alcançou o Grau C, o maior no setor de serviços de transporte da América do Sul. Além disso, destacamos a meta da empresa de diminuir, de 2020 a 2024, (i) em 15% as emissões de gases de efeito estufa (GEE), (ii) em 30% o consumo de água; e (iii) em 50% a geração de resíduos sólidos.

Social: Esforços sólidos em saúde e segurança, mas ainda há espaço para melhorias

Saúde e Segurança: desde 2013, a empresa é signatária do Pacto Global da ONU, e a Santos Brasil possui um sistema de gestão de segurança e saúde ocupacional, alinhado aos requisitos dos stakeholders e também de acordo com o Serviço Especializado de Saúde do Trabalho Portuário e Segurança (SESSTP / SESMT). Além disso, destacamos a Campanha Acidente Zero da Santos Brasil, lançada em 2019 com o objetivo de conscientizar e estimular a conduta preventiva entre seus colaboradores. Como resultado dos esforços da empresa, em 2020 alcançaram uma redução de 71% A / A no número de acidentes com afastamento em suas unidades, além de uma diminuição nas taxas de Ocorrência e Gravidade, o que apreciamos. No entanto, vemos espaço para melhorias, pois, ao contrário de seus pares líderes, a empresa carece de melhores práticas em padrões de segurança, como metas quantitativas de melhoria de segurança ou programas de supervisão de contratados.

Voluntariado: em 2020, o investimento social total da Santos Brasil foi de R$ 1,6 milhão, sendo R$ 1,3 milhão por meio de leis de incentivo e R$ 200 mil aplicados em fundos diretos – a empresa possui diversos programas sociais, com destaque para: (i) Programa Na Mão Certa, em parceria com a Childhood Brasil; (ii) Instituto Novos Sonhos; e (iii) Casa da Esperança. Adicionalmente, destacamos o desenvolvimento de ações para o enfrentamento da crise do COVID-19, que envolveu apoio logístico (quatro caminhões) para transporte de 7.500 cestas básicas para a Prefeitura de Santos e uma empilhadeira e uma operadora para entrega de doações no Hospital Santo Amaro (Guarujá , SP).

Governança: Um Conselho de Administração com maioria independente liderado por uma mulher

As estruturas de governança da Santos Brasil são sólidas – as ações da empresa (STBP3) estão listadas no segmento do Novo Mercadoe geralmente alinhadas com os interesses dos acionistas de longo prazo, incluindo fortes políticas de ética e controles para mitigar riscos de corrupção, dada sua dependência de aprovações regulatórias para várias concessões.

Destacando-se em relação aos pares, destacamos positivamente que a companhia (i) possui um Conselho de Administração com maioria independente, ainda que 2 dos 7 conselheiros tenham relação com a Opportunity, acionista relevante da Santos Brasil; e (ii) tem uma mulher na cadeira de presidente, o que coloca a empresa entre as únicas ~15 empresas brasileiras com uma mulher no cargo*. Por outro lado, no que diz respeito à Diretoria da Santos Brasil, notamos a ausência de mulheres.

Por fim, destacamos positivamente (i) o Comitê de Sustentabilidade da empresa, liderado pelo CEO da Santos Brasil e composto por 21 pessoas de áreas afins, evidenciando o comprometimento da empresa com esta agenda; e (ii) a inclusão das ações da Santos Brasil no novo índice S&P / B3 Brasil ESG, lançado em setembro de 2020.

*Critérios de elegibilidade da Teva Indices (221 empresas listadas no Bz): (i) Free Float: Não são consideradas empresas com menos de 1,0% de suas ações em circulação. (Ii) Market Cap: Não são consideradas empresas abaixo de R$ 300 milhões.
**CDP é uma organização internacional dedicada a reduzir a emissão de gases de efeito estufa e mitigar riscos relacionados às mudanças climáticas.

MSCI ESG ratings

A Santos Brasil possui classificação BBB pela MSCI ESG Ratings. Em uma perspectiva global, a classificação BBB coloca STBP3 dentre os 7% de empresas com esta classificação sob os constituintes do Índice MSCI ACWI dentro de Infraestrutura de Transporte (27 empresas).


Hidrovias do Brasil (HBSA3): Ainda no início da trajetória ESG; Mais por vir

Como a Hidrovias do Brasil abriu seu capital recentemente (setembro de 2020), era de se esperar que a empresa não tivesse a divulgação de alguns dados na agenda ESG. Mesmo assim, apreciamos os esforços iniciais da empresa nessa empresa, com destaque para o lançamento de seis compromissos de impacto positivo, em linha com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, enquanto esperamos ver mais avanços.

Ambiental: Apoiar a descarbonização do sistema logístico do Brasil como uma de suas metas

Destacamos positivamente o fato de a Hidrovias do Brasil ter políticas de gestão sustentável dos recursos naturais e realizar avaliações de impacto sobre a biodiversidade antes de iniciar as operações. No entanto, sentimos falta da divulgação de dados históricos de emissões da empresa, gestão de resíduos e a evidência de programas de restauração ou reabilitação de áreas perturbadas, um risco importante a ser mitigado na indústria.

Por outro lado, destacamos dois, entre os seis compromissos de impactos positivos da Hidrovias do Brasil: (i) mudanças climáticas: apoiar a descarbonização do sistema logístico sul-americano, oferecendo logística hidroviária e marítima inovadora e confiável e atingindo a emissão zero de gases de efeito estufa (GEE); e (ii) impacto ambiental: mitigar os impactos ambientais da empresa e apoiar a regeneração dos ecossistemas ribeirinhos que possibilitam suas operações.

Social: Políticas de saúde e segurança para todo o grupo

A empresa está exposta à riscos associados a acidentes com funcionários, principalmente devido aos negócios de movimentação de cargas marítimas e transporte aquaviário. No entanto, de acordo com o MSCI, a Hidrovias do Brasil possui políticas de saúde e segurança para todo o grupo, reforçadas com auditorias, que são comparáveis ​​às de seus pares do setor, o que apreciamos.

Além disso, vale ressaltar que dos seis compromissos de impacto positivo da Hidrovias do Brasil anunciados, três estão relacionados ao pilar social: (i) saúde, segurança e desenvolvimento dos colaboradores: promover um ambiente de trabalho seguro e uma cultura de diversidade e inclusão e desenvolvimento contínuo para sua força de trabalho; (ii) desenvolvimento humano e local: contribuir ativamente para o desenvolvimento humano e socioeconômico das comunidades do entorno de suas operações; e (iii) cadeia de valor: garantir que a origem dos produtos transportados seja livre de desmatamento e incluir critérios ESG na seleção, qualificação e desenvolvimento de fornecedores.

Assim como no pilar Ambiental, devido ao recente IPO da empresa, sentimos falta de informações detalhadas, limitando assim a nossa análise e a dos investidores.

Governança: De um projeto greenfield do Pátria a uma empresa listada no Novo Mercado

A Hidrovias do Brasil foi fundada em 2010 pelo Pátria como um projeto greenfield, com o IPO da empresa precificado em setembro do ano passado, no segmento Novo Mercado – o mais alto nível de governança na B3 (Bolsa de Valores brasileira).

Em relação ao Conselho de Administração da empresa, assinalamos que o mesmo carece de maioria independente (3 dos 9 membros), enquanto na diversidade, reconhecemos positivamente a presença de membros do sexo feminino, uma vez que tanto o Conselho de Administração como a Diretoria (composta por 3 membros) conta com uma mulher cada, enquanto ainda vemos espaço para mais avanços adiante.

Quando se trata dos compromissos de impacto positivo da Hidrovias do Brasil, alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, destacamos que um deles refere-se ao pilar Governança – Ética e transparência: Cultivar com inquietação e intransigência a ética e a transparência no relacionamento com todas as partes interessadas.

Por fim, destacamos a nova Diretoria de Sustentabilidade da empresa, ligada diretamente ao CEO da Hidrovias do Brasil – segundo a companhia, o conselho de sustentabilidade vai orientar a HBSA a exercer um papel de liderança e uma influência positiva no ambiente onde atua.

MSCI ESG ratings

A Hidrovias do Brasil possui uma classificação BBB pela MSCI ESG Ratings. Em uma perspectiva global, a classificação BBB coloca HBSA3 entre as 7% com esta classificação sob os constituintes do Índice MSCI ACWI dentro de Infraestrutura de Transporte (27 empresas).


Estamos iniciando a cobertura de CCR (CCRO3) – Compra, Preço-Alvo de R$15,60/ação; Ecorodovias (ECOR3) – Neutro, Preço-alvo de R$12,40/ação; Rumo (RAIL3) – Compra, Preço-Alvo de R$23,00/ação; Santos Brasil (STBP3) Neutro, Preço-alvo de R$8,50/ação; e Hidrovias do Brasil (HBSA3) – Compra, Preço-Alvo de R$9,20/ação.

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