Radar ESG | Quem é o melhor aluno da classe? Avaliando os líderes em ESG dentre as empresas de educação no Brasil

Neste relatório, destacamos os principais tópicos do ESG que vemos como os mais importantes para o setor e analisamos como as empresas do nosso universo de cobertura (COGN3, SEER3, YDUQS3 e ANIM3) se posicionam quando o tema é ESG. Leia aqui na íntegra!


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Na nossa visão, a responsabilidade social é fundamental e deve fazer parte do modelo de negócio das empresas do setor de educação. Para essas companhias, vemos a frente Social como a mais importante das três, seguida pelo pilar Governança e Meio Ambiente, respectivamente.

Vemos a Yduqs como a melhor posicionada dentre as empresas do setor sob a cobertura da XP, seguida pela Cogna. Para a Ser Educacional, vemos a empresa bem posicionada na frente social, mas destacamos que vale a pena ficar de olho na governança. Por fim, em relação à Ânima, embora vejamos espaço para melhorias em relação às iniciativas sociais, em nossa visão a empresa se destaca em relação aos pares no que diz respeito à qualidade do produto.

Neste relatório destacamos os principais tópicos ESG que vemos como os mais importantes para o setor e analisamos como as empresas do nosso universo de cobertura (COGN3, YDUQ3, SEER3 e ANIM3) se posicionam quando o tema é ESG.


Setor de educação: A oportunidade de fazer a diferença

O papel da educação como catalisador para a construção de um futuro melhor e mais sustentável para todos vem ganhando reconhecimento crescente. Em nossa opinião, a responsabilidade social é fundamental e deve fazer parte do modelo de negócios das empresas de educação.

Para essas empresas, vemos a frente Social como a mais importante das três, seguida pelos pilares de Governança e Meio Ambiente, respectivamente. Abaixo, destacamos os fatores ESG que são comuns entre as empresas de educação, em uma perspectiva setorial.

Ambiental

A pegada ambiental direta das empresas desse setor é mínima quando comparado à muitas outras indústrias. Consequentemente, quando analisamos as divulgações de dados e iniciativas por parte das empresas no que se refere ao meio ambiente, as informações são ainda limitadas. No entanto, a operação de grandes polos escolares, somado à presença de cada vez mais servidores, resultam em uma pegada de carbono que pode ser medida e, assim, gerenciada. Dito isso, vamos com bons olhos as iniciativas, ainda que tímidas, das empresas de educação neste pilar – como por exemplo esforços para reduzir a intensidade das emissões de suas operações e metas de eficiência energética ou de carbono.

Social

As questões sociais são um valor fundamental para o setor. Neste pilar, destacamos três tópicos principais:

(i) Segurança e qualidade do produto: os alunos estão prestando cada vez mais atenção à qualidade do ensino ao decidir ingressar em uma instituição específica. Além disso, maior qualidade e relacionamento mais próximo com os alunos podem se traduzir em melhores taxas de retenção e, portanto, retornos mais elevados. Esta questão chave avalia a qualidade dos serviços educacionais da empresa do ponto de vista da exposição à litígios, mudanças regulatórias ou perda de clientes devido à questões de confiança e/ ou qualidade do produto.

(ii) Privacidade e segurança de dados: devido à mudança em direção ao aprendizado online e não presencial (EAD), a exposição à violação de dados surgiu como um risco importante para empresas de educação, especialmente quando levamos em conta a rápida transição e a presença de grande quantidade de dados pessoais confidenciais.

(iii) Desenvolvimento dos funcionários: em um mercado competitivo, com um número cada vez maior de alunos, atrair, incentivar e reter educadores pode ser crucial para diferenciar os produtos e a qualidade do curso. Além disso, para preparar os colaboradores para essa nova era digital, o investimento em treinamento é fundamental.

Governança

Como pilar fundamental para todas as companhias, reconhecemos positivamente que as quatro empresas (Cogna, Ser, YDUQS e Ânima) possuem suas ações listadas no Novo Mercado, o mais alto nível de governança corporativa do mercado acionário brasileiro (B3). Em relação ao Conselho de Administração, vimos um aumento do percentual de membros independentes em quase todas as companhias, com a Cogna, Yduqs e Ânima possuindo atualmente Conselhos com maioria independente, o que vemos como positivo. Por fim, no que diz respeito à diversidade, vemos espaço para avanços dado que as mulheres ainda representam uma média de apenas 10% no Conselho de Administração das quatro companhias.

Ao longo deste relatório destacamos como cada uma das empresas de educação sob o universo de cobertura da XP (YDUQ3, COGN3, SEER3 e ANIM3) está posicionada em relação aos fatores ESG.


Yduqs (YDUQ3): Se destacando em relação aos pares

Vemos a Yduqs como a melhor posicionada dentre as empresas do setor de educação sob a cobertura da XP quando o tema é ESG. No fator ambiental, os esforços da empresa já surtem efeitos positivos, enquanto a agenda social é robusta, com destaque para o alto nível de satisfação dos funcionários e alunos. Na frente de governança, destaque para a independência do Conselho de Administração da Yduqs, que conta com 100% dos membros independentes.

Ambiental: A empresa mantém práticas de gestão ambiental atualizadas e suas unidades contam com Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS), Gestão Ambiental e Sistemas de Manutenção de Tratamento de Efluentes. Iniciativas como a substituição de lâmpadas convencionais por modelos de LED, substituição de aparelhos de ar-condicionado e ajustes contratuais, vêm possibilitando a redução dos custos de energia da empresa. De 2014 até 2019, 57 unidades passaram a contratar energia no mercado livre, gerando uma economia estimada de R$ 54 milhões nos últimos seis anos. Em termos de consumo de água, a Yduqs obteve uma redução de 7% do consumo de água em 2019 em relação à 2018.

Social: Neste pilar, destacamos as iniciativas da empresa em três principais frentes:

(i) Segurança e qualidade do produto: A Yduqs oferece benefícios abrangentes, incentivos de desempenho e mantém canais de comunicação abertos para avaliar e melhorar os níveis de satisfação dos funcionários. Das 43 instituições avaliadas pelo Ministério da Educação em 2018, 42 obtiveram conceitos satisfatórios no indicador que mede a qualidade (Índice Geral de Cursos – IGC). Ao todo, 422 cursos (nas modalidades presencial e EAD) foram avaliados com notas que variam em uma escala de 1 a 5. Destes cursos, 92% obtiveram notas satisfatórias (iguais ou superiores à 3): 1 curso obteve nota 5; 37 obtiveram nota 4 (9% do total) e os outros 349 receberam nota 3 (83% do total).

(ii) Segurança e privacidade de dados: Dois pontos tornam esse um dos principais tópicos do pilar social e são eles: (i) crescimento do modelo de ensino à distância; e (ii) Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Dados os riscos de imagem que uma instituição pode sofrer, a Yduqs tem investido em criptografia e modelos que preveem o vazamento de dados, mas ainda estão estudando como tornar essas iniciativas públicas.


(iii) Desenvolvimento de funcionários: Ao final de 2019, a Yduqs contava com 12.286 funcionários, +5,5% vs. 2018. Sua estratégia de gestão de talentos inclui programas de benefícios e canais de reclamações confidenciais. Além disso, a empresa realiza avaliações de desempenho de professores e suas pesquisas de satisfação de alunos indicam níveis de engajamento de mais de 80% entre seus alunos, o que vamos com bons olhos. Destacamos que a taxa de rotatividade da Yduqs ficou em 33% em 2019 de acordo com o relatório de sustentabilidade da empresa e as mulheres representaram 50,8% da força de trabalho da empresa no mesmo período.

Governança: A Yduqs é uma empresa listada no Novo Mercado e sem controle definido. O Conselho de Administração é composto por 9 membros – todos eles independentes – além de ser assessorado por quatro comitês, três deles estatutários (Comitês Acadêmico, de Gente e Governança e de Auditoria e Finanças) e um não estatutário (Comitê de Acompanhamento de Performance). Em relação à diversidade, reconhecemos os esforços da empresa para avançar nesse tópico, no entanto, ainda há espaço para melhorias, dado que as mulheres representam apenas 11% do Conselho (apenas 1 de 9 membros).

MSCI ESG Ratings

A empresa possui uma classificação BBB pela MSCI ESG Ratings. Em uma perspectiva global, a classificação BBB coloca a Yduqs entre 10% das empresas com essa classificação sob os constituintes do Índice MSCI ACWI do setor de Serviços Diversificados ao Consumidor (10 empresas).


Cogna (COGN3): E e S são os principais destaques

Vemos a Cogna bem posicionada em relação aos fatores ESG, se destacando junto à Yduqs, frente às robustas iniciativas da companhia no pilar ambiental, somado aos esforços no que diz respeito à segurança de dados. Em relação à governança, vemos com bons olhos a reestruturação feita em 2019, que culminou (i) em uma maioria independente no Conselho de Administração da companhia; e (ii) na divisão das funções de CEO e presidente e consequente nomeação de um presidente independente para o Conselho. Veja abaixo os principais destaques de cada pilar ESG.

Ambiental: Com o objetivo de minimizar seus impactos ao meio ambiente, a Cogna possui iniciativas robustas visando reduzir o consumo de energia de suas unidades e escritórios comerciais. Dentre elas, destacamos (i) a conclusão da segunda fase de substituição de lâmpadas ineficientes por LEDs nas unidades em 2019 e (ii) a implantação de sistema automatizado de ar condicionado nas unidades de São Luiz (MA), Lauro de Freitas (BA), Teixeira de Freitas (BA), Guarapari (ES), Rondonópolis (MT) e Contagem (MG). Frente à iniciativa, essas unidades registraram queda de 13% no consumo de energia. Por outro lado, em termos absolutos, o consumo de energia da Cogna em 2019 foi 2,9% superior ao de 2018, devido à aquisição de novas unidades educacionais e à construção de novas clínicas e laboratórios.

Social: a Cogna está bem posicionada no que diz respeito ao pilar Social, sendo signatária (i) do projeto Pacto Global, uma iniciativa das Nações Unidas para promover a responsabilidade social corporativa e políticas sustentáveis ​​e (ii) do Pacto Universitário pela Promoção do Respeito pela Diversidade, Cultura de Paz e Direitos Humanos, uma iniciativa conjunta do Ministério da Educação e do Ministério da Justiça e Cidadania. Neste pilar, destacamos as iniciativas da empresa em três frentes principais:

(i) Segurança e qualidade do produto: Apesar de ser uma empresa altamente aquisitiva, os padrões de produto da Cogna parecem se aplicar a todo o seu portfólio, com iniciativas para apoiar a qualidade do conteúdo do programa, qualidade do serviço e qualidade institucional por meio de suas pesquisas de avaliação com os alunos.

(ii) Privacidade e segurança de dados: Como mencionamos anteriormente, devido à mudança em direção ao aprendizado online, a exposição à violação de dados surgiu como um risco importante a ser monitorado também para as empresas de educação. Esse risco ganha maior relevância considerando a estratégia de aquisição da Cogna, frente à necessidade de integração de novos sistemas e processos. No entanto, saudamos os esforços da empresa para mitigar esse risco, com o aprimoramento de suas medidas de segurança de dados. Além disso, desde 2018, a empresa é assessorada por consultores e empresas renomadas em relação ao planejamento e execução de um Plano Diretor de Segurança da Informação.



(iii) Desenvolvimento de funcionários: Apesar da estratégia de gestão de talentos da empresa, que inclui programas de benefícios e canais de reclamações, a taxa de rotatividade da Cogna continua a chamar a atenção, em 36,8% em 2019 (veja a figura ao lado). Neste tópico, é importante notar que, como uma empresa focada na Educação Universitária, os contratos da Cogna com os funcionários têm uma duração menor quando comparado às empresas de ensino básico, e isso, por si só, já aumenta a taxa de rotatividade da companhia.

Além disso, a Cogna enfrenta atualmente algumas ações judiciais coletivas de ex-professores que foram despedidos durante a aquisição e subsequente reestruturação da companhia. Em relação ao plano da empresa de fechar 45 unidades, anunciado na semana passada durante um evento da companhia, vemos o mesmo com cautela, dado o potencial impacto negativo tanto na taxa de rotatividade, quanto no aumento das ações judiciais.

Por fim, quando se trata de diversidade, as mulheres representaram 57% da força de trabalho da Cogna em 2019 (+2% vs. 2018), mas ainda são apenas 17% no Conselho de Administração da empresa (detalhes abaixo). Segundo a companhia, eles reconhecem que há um longo caminho pela frente, mas reforçam que, a cada ano, o objetivo da Cogna é avançar com iniciativas que promovam a inclusão e a equidade dos colaboradores.

Governança: A Cogna não possui um conjunto de acionistas controladores no comando da empresa e as ações da companhia (COGN3) são listadas no Novo Mercado – mais alto nível de governança da B3 – desde 2012. Em 2019, a empresa realizou uma reestruturação em sua governança, com o objetivo de trazer maior diversidade ao Conselho de Administração, juntamente com a nomeação de três novos diretores não executivos em 2020, o que levou o Conselho da Cogna a uma maioria independente.


Além disso, a empresa dividiu as funções de CEO e presidente e nomeou um presidente totalmente independente, o que consideramos uma conquista importante. Ainda nesse tópico, é importante observar que três dos fundadores da Cogna permanecem no Conselho como não executivos. Em relação à diversidade, reconhecemos os esforços da empresa para avançar nessa agenda, no entanto, ainda há espaço para melhorias, já que as mulheres representam apenas 17% do Conselho da Cogna (1 em 6 membros).

MSCI ESG Ratings

A Cogna possui uma classificação BBB pela MSCI ESG Ratings. Em uma perspectiva global, a classificação BBB coloca a Cogna entre os 10% das empresas com essa classificação sob os constituintes do Índice MSCI ACWI do setor de Serviços Diversificados ao Consumidor (10 empresas).


Ser (SEER3): Vale a pena ficar de olho na governança

Do ponto de vista social, vemos a Ser bem posicionada, principalmente no que se refere à gestão de sua força de trabalho, com a companhia possuindo a menor taxa de rotatividade do setor (3,9%). Por outro lado, destacamos que vale monitorar a evolução no que diz respeito à governança, com dois principais pontos que nos chamam atenção: (i) o fundador e acionista controlador da empresa também atua como presidente do conselho; e (ii) a ausência de mulheres em todos os conselhos e comitês da empresa. Veja abaixo os principais destaques de cada pilar ESG.

Ambiental: Como mencionamos anteriormente, a pegada de carbono direta do setor de educação é mínima em comparação com muitas outras indústrias. Dessa forma, as empresas ainda possuem divulgação limitada sobre o assunto – e esse é o caso da Ser Educacional. Nessa frente, destacamos o projeto da Ser, denominado Parque Zoológico da UNAMA (ZOOUNAMA), que recupera e reintroduz animais silvestres em seus habitats naturais, bem como desenvolve pesquisas para fomentar o ecoturismo e a preservação da fauna e da flora.

Embora não vejamos isso como uma grande preocupação, dado o baixo impacto ambiental do setor, reiteramos nossa visão de que vemos com bons olhos iniciativas por parte das companhias do setor no pilar ambiental. Isso posto, vemos espaço para melhorias nas iniciativas da Ser Educacional nesta frente.

Social: Neste pilar, destacamos as iniciativas da empresa em quatro principais frentes:

(i) Segurança e qualidade do produto: em resposta à pandemia da COVID-19, além de grandes esforços em relação ao apoio social, a Ser Educacional impulsionou sua plataforma digital de ensino, diversificou sua oferta de cursos para melhorar a empregabilidade dos alunos e começou a realizar pesquisas de satisfação dos alunos como parte de seu processo de garantia de qualidade, o que vemos como positivo.

(ii) Privacidade e Segurança de Dados: Assim como as demais empresas do setor, a Ser possui acesso à informações confidenciais dos alunos, podendo, portanto, enfrentar danos à sua reputação e litígios em caso de violação de dados. No entanto, observamos que, de acordo com a MSCI, as políticas de segurança de dados da empresa está em linha com as companhias do setor melhores posicionadas nesse tópicos, e destacamos os esforços da Ser na realização de auditorias de sistema de segurança, treinamento de funcionários em mecanismos de segurança e plano de resposta à incidentes.

(iii) Desenvolvimento de funcionários: Como mencionamos anteriormente, os alunos estão prestando cada vez mais atenção à qualidade ao decidirem ingressar em uma instituição de ensino específica. Como tal, a Ser conta com professores qualificados para manter seus alunos engajados ao longo do curso e, consequentemente, enfrenta desafios na retenção de talentos.



No entanto, ressaltamos que a empresa teve sucesso neste esforço: com mais de 12,1 mil funcionários, a taxa de rotatividade da SEER é de 3,9%, menor do que a média da indústria. Por outro lado, vale a pena mencionar que encontramos informações limitadas referente à iniciativas focadas no desenvolvimento de carreira dos funcionário, bem como de treinamento para melhorar os níveis de satisfação dos mesmos. Dito isso, vemos espaço para divulgação adicional sobre os esforços da empresa neste tópico.

(iv) Diversidade & Inclusão: A empresa possui atualmente mais de 20 projetos em andamento na Frente Social, com destaque para duas iniciativas de inclusão (i) Instituto Ser Educacional, que atua em todas as cidades onde a empresa está presente, fomentando, apoiando e incentivando projetos de inclusão social; e (ii) a conquista da empresa em garantir um assento cativo na Conferência dos Partidos Estaduais da Convenção das Nações Unidas (ONU) sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Em relação à diversidade, as mulheres representam ~53% da força de trabalho da Ser, mas os Conselhos e Comitês da empresa (Conselho de Administração, Comitê de Finanças, Comitê de Gente, Gestão e Governança e Conselho Fiscal) são 100% compostos por homens. Quanto à Diretoria Executiva da Ser, esta conta com apenas 1 mulher em 5 membros – Sra. Simone Bérgamo.

Governança: A Ser é uma empresa controlada e fundadora, com as ações da companhia (SEER3) listadas no Novo Mercado. O Conselho de Administração conta atualmente com 6 membros, dos quais 3 são independentes (50%), e ausência de mulheres.

O fundador e acionista controlador da empresa (com uma participação de cerca de 57%), José Janguiê Diniz, também atua como presidente do Conselho – isso, em conjunto com a falta de maioria independente do Conselho, pode limitar a capacidade do mesmo de fornecer uma supervisão independente da gestão. Além disso, observamos que houve transações com partes relacionadas com o fundador no passado, e a empresa não conta com um comitê de remuneração totalmente independente, levantando preocupações sobre a eficácia do Conselho na supervisão do CEO da empresa (Jânyo Janguiê Diniz) e outros gerentes.

MSCI ESG Ratings

A Ser possui classificação B pela MSCI ESG Ratings. Em uma perspectiva global, a classificação B coloca a Ser entre os 50% das empresas com essa classificação sob os constituintes do Índice MSCI ACWI do setor de Serviços Diversificados ao Consumidor (10 empresas).


Ânima (ANIM3): Qualidade do produto como principal destaque

Embora vejamos espaço para melhorias no pilar Social, vemos a Ânima se destacando em relação aos pares quando o assunto é qualidade do produto. Na frente Ambiental, reconhecemos positivamente o esforço atual da empresa neste pilar, porém, sentimos falta de números e/ou estatísticas que mostram a evolução histórica dos principais indicadores, enquanto na Governança destacamos positivamente o Conselho da companhia, que conta com maioria independente.

Ambiental: A Ânima dedica uma parte importante do seu relatório de sustentabilidade para comentar sobre as iniciativas da empresa que estão sendo realizadas na frente Ambiental e as oportunidades que ainda podem ser capturadas. Reconhecemos positivamente os esforços atuais da empresa neste pilar, com destaque para a estação de tratamento de esgoto no campus da UniSociesc. No entanto, sentimos falta de números ou estatísticas que mostrem a evolução histórica dos principais indicadores, como o consumo de eletricidade e água nas instituições da Ânima. Além disso, observamos que, apesar de ser menos relevante do que os dois pilares S & G, há espaço para melhorias quando se trata de iniciativas que visam medir e gerenciar a pegada de carbono da empresa.

Social: Neste pilar, destacamos as iniciativas da empresa em três principais frentes:

(i) Segurança e qualidade do produto: Em nossa opinião, a Ânima se destaca em relação aos seus pares no que diz respeito à qualidade do produto. Portanto, não compartilhamos a opinião do MSCI sobre este tópico, cuja avaliação foi negativa. Reconhecemos positivamente o foco da empresa na alta qualidade do ensino de suas marcas e destacamos que isso tem gerado bons resultados: a Ânima foi a única empresa listada do setor que registrou aumento do ticket médio (+10% no primeiro semestre de 2020) e um aumento da base de alunos (+12% no primeiro semestre de 2020) mesmo em um cenário adverso.

(ii) Segurança e privacidade de dados: Conforme mencionamos anteriormente, dois pontos tornam esse um dos principais tópicos do pilar social, sendo eles: (i) crescimento da modelo de ensino à distância; e (ii) Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Dados os riscos de imagem que uma instituição pode sofrer, a Ânima tem tomado iniciativas internas – como por exemplo a Política Corporativa de Privacidade e Proteção de Dados Pessoais – para o tratamento de dados pessoais, em atenção às disposições da LGPD, bem como organizar todos os pontos necessários para a construção de um programa de privacidade, o que vemos como positivo.



(iii) Desenvolvimento de funcionários: No final de setembro de 2020, a Ânima contava com 9.482 colaboradores, +20% vs. 2019, fruto do processo de expansão orgânica e inorgânica que implementou. Neste tópico, destacamos que o forte crescimento pode levar à desafios no que se refere à integração da força de trabalho. Apesar da estratégia de gestão de talentos da empresa, que inclui programas de benefícios e canais de reparação de reclamações, a taxa de rotatividade da Ânima continua a chamar a atenção, em 24,6% em 2019.

No que diz respeito à diversidade, saudamos as duas principais conquistas da empresa: (i) Em 2018, a Ânima foi considerada, pelo 3º ano consecutivo, uma das melhores empresas para mulheres trabalharem no Brasil; e (ii) a empresa conquistou o prêmio Mulheres na Liderança, na categoria Educação, pela Women in Leadership in Latin America (WILL) em 2019.

Governança: A Ânima é uma empresa listada no Novo Mercado e controlada por um bloco de acionistas, composto majoritariamente por fundadores e ex-executivos, que detém 45,7% das ações da companhia. O atual CEO, Marcelo Bueno, e o Presidente do Conselho de Administração, Daniel Castanho, são dois fundadores que exercem cargos chave na companhia.




É importante ressaltar que o Conselho da Ânima é composto por maioria independente e, em relação à diversidade, reconhecemos os esforços da empresa para avançar nessa pauta, no entanto, ainda há espaço para melhorias, já que as mulheres representam apenas 14% do Conselho (apenas 1 de 7 membros).

MSCI ESG Ratings

A empresa possui uma classificação CCC pela MSCI ESG Ratings.


Clique no link abaixo para ler o relatório completo com o início de cobertura de Yduqs (Compra), Cogna (Neutra) e Ser Educacional (Neutra); e atualização das nossas estimativas para a Ânima (Compra)
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